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Abr 22
Almanaque Yen Plus vai para a Internet
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Lancaster |
PERMALINK |
9
Categorias: Yen Plus

Por dois anos, a Yen Plus – a antologia principal da editora Yen Press – se manteve no mercado e estabeleceu a presença do selo de quadrinhos da Orbit, divisão da editora francesa Hatchette em território americano (o braço americano da Hatchette nasceu da compra da editora Warner Books – obviamente, do grupo Time-Warner). Com a ajuda da revista, ela não apenas criou público para títulos de sucesso como Soul Eater e o nefando Kuroshitsuji nos Estados Unidos (que chegou ao primeiro lugar na lista do New York times, mas o mundo não é perfeito), como lançou títulos de produção nacional com respeitabilidade crítica (como Nightschool) ou grande desempenho no
mercado local, como Maximum Ride (que permaneceu por semanas entre os mais vendidos de forma consistente). Suas vendas operavam na faixa dos 100.000 exemplares (bom número para o mercado americano) e eles chamaram muita atenção na mídia com o lançamento da versão mangá de Gossip Girl. Então foi uma surpresa geral o anúncio do próprio CEO da empresa, Kurt Hassler, de que a revista migraria de vez para a internet.
As reações foram variadas. Muitos se sentiram revoltados – especialmente porque a revista tem um bom contingente de assinantes (que terão os valores ressarcidos). Houve até apoio, mas em geral de pessoas que não tinham acesso a revista de uma forma ou de outra. Mas fica a pergunta: por que isso quando a revista se estabeleceu e é o principal porta voz da Yen Press em direção ao grande público? Ela está longe de ser um item supérfluo, e embora eu tenha lá minhas críticas à sua grade (eles cometem o mesmo erro da finada Raijin Comics: misturam diferentes segmentações de público em sua revista. Um quadrinho para meninas como o coreano Pig Bride está ao lado do shonenzão Hero Tales, de Hiromu Arakawa, que está ao lado dos títulos da sanguinolenta e apelativa franquia Higurashi, que está ao lado do suspeitíssimo Kuroshitsuji. Misturar materiais de perfis tão diferentes não me parece muito recomendável para quem quer competir com a Shonen Jump americana), ela não estava em posição de ser cancelada.
Minha teoria é um tanto óbvia, mas…

... vai me dizer que não é exatamente isso que os executivos da Yen Press tem em mente, mesmo que a princípio o material, de acordo com entrevista de Hassler para a Anime Vice, possa ser lido via browser?
Kurt Hassler é um dos maiores responsáveis, no cenário empresarial, pela difusão dos mangás em território americano. Na época em que encabeçava a rede de mega-livrarias Borders, ele se tornou a mais poderosa figura no meio editorial local de mangás ao dar apoio aos planos de expansão de editoras nesse sentido e fazer
com que mangás, japoneses ou não-japoneses, penetrassem no âmbito do leitor comum, escapando da tirania das gibiterias dominadas por nerds. Esse foi o maior mérito da iniciativa incial da Tokyopop nos Estados Unidos ainda nos anos noventa – entender que o sistema vigente para vender quadrinhos conduzido pelo mercado direto é um sistema contraproducente, criador de ilhas de sustentabilidade que acabam se prestando apenas às grandes editoras de super-heróis – convenhamos, por mais que se fale de títulos como "Os Mortos-Vivos", publicados pela Image Comics, o grosso da fauna habitual das gibiterias locais sempre vai trocar a melhor história que não seja de super-herói pela pior história do Lanterna Verde. Por outro lado, falamos de um país aonde se compra conteúdo digital – algo bem diferente do Brasil. Li hoje mesmo na internet essa frase ao acaso: "Sempre disse que os jornais só seriam realmente ameaçados se fosse possível levar o computador pro banheiro. E é isso o que o iPad permite" – e me parece ser esse o sentido dessa movimentação internáutica. Hassler estaria se antecipando a uma futura migração dos periódicos, por assim dizer.
Talvez este seja um movimento ainda por demais prematuro, e a Yen Press devesse ter experimentado um período de transição onde a revista e o website (ou o app para Ipad) coexistissem simultaneamente, mas só o tempo mostrará os resultados. Por ora, ainda estou com certo ceticismo se essa foi uma boa ideia.
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Comentários:
Deu a entender que eles tem uma visão um tanto imediatista e que não conhecem bem a mecânica que existe no sistema de antologia. E esse cancelamento está me fazendo desconfiar de que lançaram a Yen Plus apenas aproveitando o embalo da Shonen Jump.
Alexandre: Sinceramente, essa é uma possibilidade muito grande. Não custa lembrar que Hassler veio do cenário das livrarias e conhece bem os meandros de sua condução, distribuição e marketing. Periódicos entram em outro território – e à boca pequena, houve muita incerteza se ao entrar no terreno da publicação ele se sairia tão bem quanto no terreno de revendas.
De qualquer maneira, mesmo considerando as expectativas criadas pelo iPad, não consigo entender a lógica do cancelamento de uma produto que está vendendo bem e que demostrava ter um grande potencial de crescimento. Será que o custo-benefício não estava compensando? =/
Alexandre: Se a revista fosse toda produzida por artistas locais essa seria uma probabilidade. Mas como só Nightschool e Maximum Ride eram produções da própria Yen Press (o resto é importado e sai sempre mais barato trazer produção estrangeira), eu acho isso pouco provável.
Aliás, caro Lancaster, você sabe como andam as finanças da Yen Press?
Alexandre: Não, não sei. Eles mesmos em seus materiais de divulgação alardeavam que a revista vendia aproximadamente 100.000 exemplares mensais. E eles aparentemente estavam crescendo na base do "devagar e sempre".
Essa jogada me parece muito, mas muito arriscada.
O que me parece é que eles estão se antecipando a uma onda (que pra mim ainda é marola) e tentando desde já pegar o público que consumiria a talvez vindoura Shonen Jump online (o que seria péssima ideia de qualquer jeito).
Muitas editoras nos Estados Unidos tem cancelado revistas por causa dos custos de distribuição, o que não são nada baratos em um país tão grande. E mesmo com várias assinaturas, é preciso um certo número de vendas diretas para compensar o alto custo.
Seria inocente pensar que esse material estará disponível para o Brasil. Eu compraria. ($1,99 por capítulo de 20 páginas, $2,49 por 30, $2,99 por > 40).
Não vejo uma antologia funcionando online. A Ikki pelo site da Viz Signature me parece um tanto quanto abandonado (bom, ressaltando que seus títulos estão muito longe de serem mainstream como os da Yen Plus), mas é uma antologia gratuita e aberta para o mundo todo.
Vender uma antologia fechada parece não fazer tanto sentido quanto se pode vender os capítulos avulsos (talvez esse seja o próximo passo e comprando todos os capítulos de um volume, o comprador ganha uma versão do volume, com a capinha, online).
Bom, se não dizerem, será um mistério essa decisão. O que ficou bem claro para mim é que estão tentando dar um grande passo, mas esse passo é bem maior que a perna.
Alexandre: Na verdade o mais bacana do design de capa é que elas sinalizam a orientação de leitura. Metade dela é da esquerda para a direita, contendo mangás americanos e coreanos, e a outra metade é da direita para a esquerda, com o material japonês. Pode comparar a lombada com Soul Eater com a que tem Gossip Girl na capa. Achei uma solução inteligente e que de quebra resolve alguns problemas práticos de ponto de venda.
Eu acho a idéia maravilhosa! Não sabemos ainda se o custo-benefício da revista não estava rendendo(ou não era benéfico o suficiente na visão da editora), mas de qualquer modo me pergunto se eles vão liberar o conteúdo de graça ou à cobrar. Se for de graça então é até compreensível que tenham cancelado a versão em papel... quem iria comprar? (levando em consideração que todos os compradores devem ter computador em casa).
Se for à cobrar... mmmmmnn! Acho que neste ponto eles deram um tiro no próprio pé. Embora eu não saiba o quão fácil é comprar coisas pela internet lá fora (aqui é um martírio!).
Mas vamos ver como será a reação daqui há algum tempo. Em termos de tecnologia NADA é certo ou seguro.
Alexandre: Pessoalmente não acho que foi uma boa idéia neste momento, especialmente se eles realmente estavam vendendo na faixa dos 100.000 exemplares como seus releases afirmam. Lembre-se que eles emplacaram (toc toc toc) Kuroshitsuji na lista dos mais vendidos e seu Maximum Ride conseguiu uma presença mais constante em termos de tempo, chegando até a trazer de volta em determinado momento o volume 1 quando o volume 2 subiu nas vendagens. Não teriam conseguido isso sem a ajuda da Yen Press. Não acho que "o papel" é o passado ainda.
Mas como eu disse: lá se compra conteúdo digital. Se pretendem cobrar, podem ter retorno se o projeto for bem pensado. SE.
Ainda acho um movimento prematuro. Ou, como definiu o Moss, um potencial passo maior do que a própria perna.
1 - Existe mais pessoas lendo mangá na Internet do que comprando em si. Isso não se pode negar.
2 - O perfil dos leitores: o grosso em sua maioria compra Naruto, Bleach e One Piece. Porque assistem na TV e logo vão atrás do material. Mas apenas os fãs acabam indo a procura de novos titulo e afins. E a Yen Plus, mesmo tendo materiais bem sucedidos, era consumida pelo leitor que se introduziu no mercado pela Jump mas que hoje é um leitor ativo de mangás. Não adianta colocar Gossip Girl no meio agora, o publico já esta formado.
E pensando nisso, é comum essa migração. Se os leitores da revista estão em sua maioria nos Forúns e Blog e afins, é lá que ela deve estar. E claro, no Ipad.
Alexandre: Olá, Lucas – e bom, acho que esse é um bom momento para falar sobre o posicionamento de meu blog.
Eu falei em posts mais antigos que o Maximum Cosmo surgiu como um trabalho de faculdade que acabou crescendo para além disso. Minha proposta então passou a ser falar sobre anime e mangá a sério – e tentar valorizar inclusive seus aspectos de indústria. Se você reparar nas colunas "Do Crescimento do Mangá Global", vai ver que ela se expande ao redor do mundo nesse sentido – e eu ainda tenho mais dois artigos a serem feitos, que esbarraram em meu tempo e no fato de que eu não completei o mínimo de pesquisa necessário sobre eles.
Sendo bem franco, falar de mangá no brasil nos termos que eu me propus a falar só vai gerar desgaste sem frutos. E o desgaste só vale quando há frutos.
Primeiro: porque a indústria não dá dados.
Eu tenho uma teoria simples para isso. Como sabemos, o nó do problema no Brasil é a distribuição. Nosso país é grande. Não é difícil para dois pares de ilhotas como o Japão ser todo coberto por um sistema decente de distribuição aonde qualquer loja de conveniência de esquina no Japão, naquela cidadezinha rural que ninguém lembra do nome, possa ter uma edição de uma revista menor como a Comic Ryu da Tokuma Shoten caso haja algum leitor dedicado para ela. Nos Estados Unidos, onde nas newstands (o equivalente as nossas bancas) não se vê mais quadrinhos direito – salvo Archie, que é um equivalente local à Mônica, e a Shonen Jump americana – tudo é distribuído para gibiterias, o que explica a nerdização do quadrinho americano e seu consequente decréscimo de popularidade legítima (meio que revertido pelo cinema, mas pense bem: do que adianta fazer um filme bacana do Batman se o leitor casual, impactado por "cavaleiro das trevas", vai pra gibiteria e vê um Batman vestido de amarelo e roxo gritando Zur-en-Arr ou coisa parecida em meio a uma trama confusa, só faz a alegria de estudiosos da pós-modernidade e nerds em estágio terminal?).
Aqui temos um problema fácil de detectar: distribuição é indecentemente cara. O jornaleiro ganha 30% do preço de capa de qualquer publicação, isso é justo. Mas o fato de que o distribuidor tem que cobrir toda uma área que vai do oiapoque ao chuí faz com que as coisas tenham dificuldade de chegar. Com isso, as distribuidoras cobram um percentual de capa muito alto que pode chegar a 50% para editoras pequenas.
Uma editora grande como a Abril pode amortizar o custo via tiragem e colocar em banca um preço "pagável" para um ser humano normal, mas e uma menor? Por isso mesmo não se arrisca em material de massa; é preferível se dirigir a nichos. Por outro lado, material de massa exige divulgação e trabalho de marketing – a famosa frase gringa "para fazer dinheiro, é preciso gastar dinheiro". Mas quem disse que as editoras querem gastar dinheiro e investir na construção de um público leitor maior a longo prazo? De modo geral, seu pensamento é imediatista.
E a coisa é pior. Uma fonte confiável me passou que a vendagem de Super-Homem no Brasil já chegou ao fundo do poço de 6.500 exemplares – pouco mais de 6,15 vezes menos do que os 40.000 de Tex e 61 vezes e meio menos do que Mônica Jovem! E antes disso já foi dito em entrevista para a revista Crash! (não sei se isso foi publicado, mas eu fiz a revisão da matéria) que os quadrinhos marvel estavam na faixa dos 12.000 exemplares, com os menos vendidos tipo Marvel Max na faixa dos 7000 – os números já estavam baixos. É por isso que eu digo – super-herói é hype! Na verdade eles são os primos pobres em nosso mercado, seus leitores é quem fazem barulho e cria a ilusão de que eles ainda interessam!
Então é mais garantido fazer coisas que vendam menos mas que dêem maior lucratividade do que arriscar um produto de massa. Os próprios editores da Panini disseram para o Maurício que ele não venderia mais do que 50.000 exemplares. Os 400.000 falam por si e mostram que realmente a mentalidade de "pouco" não leva a lugar nenhum.
O ponto é que por conta disso raramente vai chegar um material que fuja ao grupinho de fãs mais hardcore. Um material de massa vai vender paradoxalmente menos do que um material de nicho porque ele não interessa ao fandom. Para se fazer material de massa emplacar é preciso trabalho de base.
E voltando ao blog: uma coisa que fica patente ao observar o crescimento do mangá ao redor do mundo é que ele vai tomando forma de indústria e estimula até o surgimento de mercados para artistas locais aonde eles praticamente não existiam, como na Alemanha. Mas e aqui? Vou falar o quê? Reclamar de papel jornal em material que deveria ser mais perene? Reclamar o tempo todo da ausência de um trabalho de marketing mais concreto? Quando eu falo de indústria e mercado no exterior, eu acho que deixo claro que mangá não é oba-oba. É uma indústria que tem que ser levada a sério em todos os segmentos, que estimula indústrias como animação, brinquedos, cinema e outros segmentos que nem de longe podem ser associados a um universo infantil. Beck aumentou a venda de guitarras no Japão! Super Campeões, que eu acho um horror, deu importância a um esporte que no Japão não tinha expressão – e hoje podemos ler materiais bacanas no gênero como Giant Killing (se você gosta de futebol, eu realmente recomendo esse material).
Eu falo muito pouco do Brasil porque por ora, há muito pouco o que falar. Espero que no futuro, eu realmente tenha o que falar.
Particularmente achei mais interessante do que varios dos ultimos posts do blog!
Uma propaganda na tv do mangá de Karekano (quando estava sendo lançado) na nickelodeon; e uma do mangá de Naruto no Cartoon.
Será que 100.000 realmente é bom o suficiente para a Yen Press? Em um país enorme e populoso como os USA 100k não me parece ser um número condizente com uma antologia.
Você reclama de Kuroshitsuji/Black Butler, mas eu estou vendo Nabari no Ou e Pandora Hearts, 2 shonens de fujoshi, vendo as imagens dos manhwas dá pra imaginar que boa parte deles é dedicada ao público feminino, assim como Gossip Girl. Será que essa não é uma revista direcionada ao público feminino? Pq de shonen eu só vejo Hero Tales e Soul Eater (que faz muito sucesso entre garotas), Maximum Rider é voltado para os dois públicos. Essa Yen Plus me parece ser uma revista voltada para um público geral.
Bom, os mangás deram certo por aqui e nós produzimos os nossos,TMJ atingiu mais de 450.000 vendas no primeiro arco e Luluzinha tem uma tiragem de 100.000. Apareceu o duvidoso mangá do Didi e novos produtos estão surgindo, acho que o que falta é um material totalmente original. Aquela Editora Quadrix estava prometendo publicar material nacional, mas pelo que deu pra ver a maioria do material é bem influenciado e não tem nada de brasileiro (o tal príncipe do bestseller tem sentido de leitura oriental inclusive). Acredito que a plataforma ideal para o material nacional implacar é a internet.
E eu pagaria no máximo uns 15$ mensais pela Shonen Jump em formato digital, mais que isso só em material impresso.
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