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Abr 18
Lançado Primeiro Volume de Nova Obra do Autor de Sayonara Zetsubou Sensei com Edição de Colecionador
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Categorias: Bessatsu Shonen Magazine

A Kodansha investiu bem no lançamento de sua mais recente publicação, a quinzenal Bessatsu Shonen Magazine, e procurou se cercar de um número razoável de autores conhecidos dos leitores da Shonen Magazine tradicional, como Jin Kobayashi (autor de School Rumble, que comparece com a série Honwaka Action), Makoto Raiku (que veio para a Kodansha após um divórcio ruidoso com a editora Shogakukan e comparece com Doubutsu no Kuni), Kouji Seo (que produz Kimi no Iru Machi para a Shonen Magazine e agora está encampando a franquia para homens solitários Love Plus, com
Rinko Days), e de quebra, trouxe Koji Kumeta, autor de Sayonara Zetsubou Sensei, para o barco, aonde ele desenvolve ao lado de Yasu, ilustrador dos romances originais de Toradora, a série Joshiraku – que a bem da verdade, como se esperar de Kumeta, é bem esquisita, apesar da presença das indefectíveis "garotinhas bonitinhas para moezeiros" (embora elas não mostrem calcinhas gratuitamente, até porque praticamente só usam quimonos).
Essencialmente, Joshiraku é isso: uma delas se coloca na frente da multidão de um palco (no princípio, todo capítulo começa assim) e dá o gancho para narrar uma conversa entre ela e suas amigas, bem dentro da estrutura do rakugo (a comédia tradicional japonesa) – mas que rapidamente perde todo senso de lógica. Os capítulos iniciais são curtos e até inofensivos (o autor define a história repetidamente a cada episódio como "Este mangá é sobre garotas engraçadinhas e o que elas fazem para se entreter. Um mangá que não se foca em tópicos frustrantes ou coisas similares", a primeira vista citando seu próprio trabalho em Sayonara Zetsubou Sensei)...

...mas rapidamente, já no terceiro ou quarto capítulo, o veneno dá conta de destroçar tudo e Kumeta ainda está começando a tatear o terreno com suas personagens – eu diria que se a matriz de seu Sayonara Zetsubou Sensei são haréns como Love Hina e seus genéricos, a matriz de Joshiraku são séries como K-On! e suas garotinhas sorridentes por ser sorridentes; a mensagem que me parece emergir é que esse tipo de personagem não tem nada de útil a fazer com seu tempo, e que seu sucesso se deve a pessoas que gostam de assistir gente que não tem nada o que fazer – e que
querem fugir dos "tópicos frustrantes ou coisas similares", fazendo a afirmação do autor ganhar um novo significado: histórias como K-On operam dentro da lógica da pessoa que assiste televisão apenas para ver os comerciais, porque nos comerciais tudo é bem-humorado e luminoso. Ou, traduzindo a paulada: "Essa é uma série açucarada que serve como descanso de tela, porque garotas bonitinhas são pra servir de enfeite, não ter preocupações sérias ou uma vida de verdade – quem realmente quer saber disso?" É Kumeta, afinal, em seu discurso agressivo embutido via sátira, e é isso o que faz dele uma das melhores coisas da atual Shonen Magazine. Talvez A melhor.
Agora, a série terá seu primeiro volume lançado já com direito a uma edição de colecionador, que traz em seus itens um CD especial de radionovela com roteiro do próprio Kumeta, e a presença, entre outros, de uma das garotas do conjunto AKB 48 no elenco de dublagem. Essa edição também trará ilustrações originais e não custa lembrar, sairá no mesmo dia que o mais recente volume de Sayonara Zetsubou Sensei, que também terá uma edição de colecionador no seu 21º tomo. Obviamente as livrarias contarão com o estímulo promocional à venda casada, esperando assim que o sucesso das desventuras do nosso conhecido Professor Desespero façam por tabela que Joshiraku deslanche logo no primeiro volume. Pode dar certo.
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Comentários:
Mas lembre-se que o quimono também é um fetiche japonês, não é? Isso me faz pensar se o Kumeta num está inserido no Superflat. bastante envolvidio, talvez. Ele critica esses padrões-fetiche japoneses utilizando do próprio conceito-fetiche (como algumas "sktechs" do Professor Desespero em que apareem as personagens só pra serem "moe" e nada mais, não fazem nada na cena, apenas estão lá pelo moe, como se fosse um grito "VEJAM O QUE VOCÊS QUEREM, É RIDÍCULO!". Enfim, é um autor qual eu simpatizo bastante.
Alexandre: Na verdade eu considero a obra de Kumeta profundamente superflat em essência. Em Katte ni Kaizo, seu alvo era a ilógica dos discursos heróicos do mangá shonen; em Sayonara Zetsubou Sensei, o harém de Love Hinas e similares; em Joshiraku, o moe dos K-On e Ichigo Mashimaro da vida. Eu acho que ele representa justamente a diluição inicial do superflat para padrões médios, mas isso não é ruim – é necessário para a difusão do processo.
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