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Abr 16

Ranking do Oricon (JP) – 11/04/2010

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Lancaster | PERMALINK | 11

Categorias: rankings

Fight Shop

Primeiro, um pedido de desculpas. Coroando uma semana cheia de trabalho, ontem eu não pude postar nada (como se já não tivesse deixado de postar alguns dias antes, por conta de problemas técnicos da minha banda larga). Na verdade eu até poderia ter postado ontem (e tem um artigo do Felipe já há algum tempo esperando edição para ir ao ar), mas tendo virado quarta para quinta com apenas três horas de sono, era difícil articular no papel algum pensamento que fosse minimamente inteligente. E francamente ainda estou pondo a cabeça em ordem e vou ter que atualizar um bocado este blog – só priorizei a listagem antes de outras atualizações porque ela tem prazo de validade, então sempre tem que estar na frente. Então, vamos torcer para que meu cérebro ainda esteja de pé ao redigir este post. Ah, sim, a série que ilustra o topo é a insana cruza de mangá de porrada e humor grosso Kenka Shoubai, de Yasuaki Kita. No final do post eu falarei melhor sobre ela.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)

Shonen/Para garotos

01. Bleach 44 (Shueisha) – 179.964 / 590.209 [3]
02. Gintama 33 (Shueisha) – 138.370 / 329.638 [5]
03. Nurarihyon no Mago 10 (Kadokawa) – 73.881 / 180.147 [7]
04. Hanma Baki: Son of Ogre (Akita Shoten) – 58.638 / 58.638 [8]
05. Sket Dance 13 (Shueisha) – 55.262 / 123.276 [9]
06. To Love Ru: Trouble 18 (Shueisna) – 54.495 / 126.490 [10]
07. Kuroko no Basket 6 (Shueisha) – 53.268 / 122.479 [11]
08. Beelzebub 5 (Shueisha) – 52.671 / 122.479 [12]
09. Medaka Box 4 (Shueisha) – 42.285 / 105.855 [14]
10. Ane Doki 3 (Shueisha) – 32.352 / 75.814 [17]
11. Crows Zero 7 (Akita Shoten) – 31.787 / 31.787 [18]
12. Kochikame 169 (Shueisha) – 27.047 / 66.145 [22]
13. Katekyo Hitman Reborn: Colore! (Shueisha) – 25.937 / 107.493 [23]
14. One Piece 57 (Shueisha) – 24.281 / 2.197.902 [25]

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Sangatsu no Lion 4 (Hakusensha) – 229.783 / 229.783 [2]
01. Neon Genesis Evangelion 12 (Kadokawa) – 160.220 / 590.088 [4]
02. Kenka Shoubai 20 (Kodansha) – 45.928 / 45.928 [13]
03. Himeanoru 6 (Kodansha) – 40.935 / 40.935 [15]
04. Seitokai no Ichizon 3 (Fujimi Shobo) – 36.287 / 36.287
05. Detroit Metal City 9 (Hakusensha) – 27.515 / 138.855 [21]
06. Megami no Oni 15 (Shueisha) – 24.956 / 24.956 [24]
07. Shingetsutan Tsukihime 8 (Kadokawa/Media Works) – 23.902 / 166.276 [26]
08. Billy Bat 3 (Kodansha) – 23.481 / 241.949 [27]
09. Maken-Ki 4 (Kadokawa) – 23.313 / 23.313 [28]
10. Thermae Romae 1 (Kadokawa/Enterbrain) – 22.231 / 219.654 [29]

Baki - Son of the OgreA primeira coisa que se pode perceber na lista para garotos é que ela praticamente permanece a mesma da semana passada – tanto que, na ausência de estreias de medalhões da Jump, Sunday e Magazine, o titulo campeão da lista geral foi o feminino Ouran Host Club. Há muito pouco a se comentar de modo geral sobre ela – apenas a resistência de Sket Dance, que passou dos 120.000 exemplares, e a entrada dos títulos da Shonen Champion semanal esta semana: Hanma Baki, a terceira na saga do personagem Baki de Keisuke Itagaki, entra na faixa média, a dos títulos acima dos 50.000 exemplares. Essa série pode ser meio difícil de digerir se você não entrar no espírito trash da coisa, mas não há como negar que ela se sustenta e tem leitores fiéis. Crows Zero, por sua vez, não está rendendo tão bem (embora gere uma boa grana com licenciamentos: a gente tende a esquecer, mas Crows, Worst e todos os títulos dessa linha geram um bom número de produtos – lembrem que esse ainda é um título publicado em uma revista para garotos. Garotos que fazem cara de mau para dizer que são homens, mas garotos ainda assim). É bom lembrar que Crows Zero NÃO é escrito e desenhado pelo autor de Crows e de Worst; ele criou os personagens como coadjuvantes no Crows original e eles ganharam destaque no filme de Takashi Miike, roteirizado por Shogo Muto, que também bate ponto no texto desta série (a arte é de Kenichiro Naito). Se a Shonen Champion tivesse as tiragens monstruosas de uma Shonen Jump ou mesmo de uma Shonen Magazine, o retorno desta série estaria aquém do investimento dispensado a ela...

Crows Zero

...(salvo se fosse um daqueles materiais casuais pensados justamente para a dinâmica interna da revista, como gag mangás, que são feitos mais para estimular o leitor que busca uma leitura ligeira a comprar a publicação, mesmo que não tenha interesse em colecionar série nenhuma). Mas levando em conta que a Champion tem uma tiragem eternamente estável de 500.000 exemplares, nunca mais e nunca menos (o que sinaliza que dessa forma ela se cobre sem furos), vender na faixa dos 30.000 não chega a ser um pesadelo. É bom lembrar que saem zilhões de títulos toda semana no Japão (e eu falo dos encadernados mesmo, não das revistas em que eles são serializados) e o Oricon só cobre os trinta mais vendidos toda semana (dos quais eu faço o filtro Crows Zerodos Shonen e dos Seinen aqui neste blog). Ou seja: muita coisa por aí vende na faixa entre os 20.000 e os 30.000 exemplares e se sustenta. Não bem como gostaria, mas ao menos sobrevive.
Mas quanto é necessário para que um material possa ser considerado viável apenas pelas vendagens de livraria? Vamos para a regra dos 11% (embora isso varie – de acordo com Shuho Sato, autoras de Shoujo podem ganhar apenas 8% ou 9% do preço de capa dependendo da editora, e isso explicaria porque essa migração para o Seinen que muitas autoras tem feito. Mas como precisamos ser genéricos aqui…): peguemos um material semanal como o próprio Crows Zero, que custa 420 ienes. A cada edição vendida, 11% vai para os autores, o que quer dizer que só nesta semana, 1.468.559,40 ienes foram para eles, e contabilizando os custos mensais de produção contabilizados por Sato, restam 478559,40 ienes (cerca de US$ 5.154,40 – leia-se, R$ 9.015,55) a ser divididos entre Muto, Naito e Takahashi, que é o dono da franquia (não tenho idéia de seu percentual, por isso vou deixar em aberto). E isso rendendo por nove semanas (pouco mais de dois meses), e isso em um país como o Japão, que tem um dos custos de vida mais altos do mundo – perto deles, viver no Brasil é quase de graça. Em suma, é uma merreca, mas você paga suas contas e vive do que faz afinal.
O grosso de desenhistas de mangá no Japão vive nessa base, acreditem. Não é a toa que muita gente quer fazer parte da Shonen Jump e está disposta a engolir sapos por causa disso: pode ser a diferença entre se tornar os Rolling Stones dos Ane Dokiquadrinhos ou se tornar um cantor de churrascaria. Em compensação, quanto maiores as tiragens e vendagens dessas revistas, mais é exigido dos que publicam nela, porque a função da serialização em almanaques essencialmente é divulgatória – ela exige retorno e ele vem nos encadernados. Se uma edição de antologia apenas se pagar, ótimo; mas o empate só é um bom resultado nesse caso se isso retornar um lucro maior do que o investimento necessário para esse trabalho de divulgação. Ane Doki já passou dos 75.000 exemplares vendidos em seu terceiro volume e falamos de uma série cancelada, mas a Jump tem uma tiragem de três milhões de exemplares e talvez isso seja explicação; a Sunday está na faixa dos 700.000 e para ela um título como Aoizora Baseball Club, estabelecido na faixa dos 30.000 exemplares, pode render mais de vinte volumes sem ser cancelado – algo que fatalmente aconteceria na Sunday da primeira metade dos anos 80, quando ela tinha títulos de peso como Touch e Ranma 1/2 e tiragens maiores. Ou seja: se a Champion não fosse comparativamente modesta em relação aos seus outros três concorrentes semanais, o machado já teria descido nessa série.
A lista para adultos está menos previsível. O topo é do Sangatsu no Lion de Chica Umino, mais conhecida pelo quadrinho feminino Honey e Clover (publicado no Brasil pela Panini), mas que deve ser melhor lembrada por aqueles que, como eu, não são leitores desse segmento, pelo character design da Shingetsutan Tsukihimeanimação Eden of the East (cujo conceito e roteiro pertencem a Kenji Kamiyama, o homem por trás de Ghost in the Shell: Stand Alone Complex – e sinceramente para mim o cara tem um trabalho mais interessante em seu conjunto do que o Mamoru Oshii, com quem ele trabalhou). Além disso, a listagem também mostra que Shingetsutan Tsukihime se mostra não apenas particularmente resiliente, como também um exemplo perfeito do que é a mecânica de cauda longa: vários títulos melhores e mais famosos do que ela entraram e saíram (e vendendo mais durante sua passagem), desde que ela foi lançada na semana que terminou em 28/02/2010, entrando com 80.000 exemplares vendidos. Títulos de seu perfil editorial tendem a entrar e sair imediatamente, mas ele se mostra resistente e daqui a pouco vai acabar chegando aos 70.000 exemplares vendidos – não duvido que chegue aos 200.000 a longo prazo. E falamos de uma publicação nanica voltada a um segmento de fã mais hardcore (a.k.a. otaku), publicado pela Dengeki Maoh da Media Works (mais uma sub-editora do grupo Kadokawa), e que publicam coisas invisíveis ao radar da maior parte dos seres humanos como o questionável Greedy Packet Unlimited de Yuu Kamiya. Para uma revista dessas dimensões editoriais, ter um título vendendo nessa faixa é motivo para espocar o champanhe; posso não gostar de Tsukihime, mas esse desempenho tem que ser respeitado.

Tsukihime

É previsível a presença nesta lista de quatro outros títulos que ainda se mantém nela: Neon Genesis Evangelion, Detroit Metal City, Billy Bat e até Thermae Romae, que disparou por conta de seu sucesso de crítica e premiações e já tem quase 220.000 exemplares vendidos. Porque uma premiação respeitada serve como divulgação, mas de nada adiantaria se ele não correspondesse à qualidade atribuída – o boca-a-boca é uma força poderosa nas vendas, acreditem. Mas bacana mesmo, mesmo, é a entrada de um volume novo do Kenka Shoubai de Yasuaki Kita – o sujeito que mandou a Shonen Jump para a **** *** *****, entregou na televisão a identidade secreta de Tsugumi Ohba (e não, não é uma Fight Shopmulher como muita gente acreditava na época de Death Note), dedurou que Kazuki Takahashi plagiou assumidamente um arco do Kaiji de Nobuyuki Fukumoto (e foi com esse arco plagiado que a série finalmente disparou, quando estava prestes a ser cancelada ainda nos primeiros volumes), e de quebra chamou sutilmente Yoshihiro Togashi (Hunter X Hunter) de preguiçoso nas páginas da série Makuhari, que só quem lia a Jump regularmente tinha uma idéia de como podia ser anárquica – porque para evitar processos (ele zombava de Deus e do Mundo ali dentro), o material era todo redesenhado e reescrito para as versões compiladas nas livrarias. No final ele se mandou para a Shonen Magazine, e finalmente, para sua irmã mais "adulta", a Young Magazine, aonde ele permanece até hoje. E Kita tem a desculpa de ser muito engraçado. Ácido, venenoso, perverso, grosso (é humor grosso mesmo), mas engraçado – e o autor desenha muito melhor do que na época de Makuhari: parte do seu impacto é por desenhar realisticamente, lembrando muito o gekiga de autores como Ryoichi Ikegami, mas colocar seus personagens em situações ridículas e se valer desse contraste. Ele pode não vender os quase 600.000 exemplares de Evangelion, mas a presença dele já valeu a semana.

Fight Shop

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Comentários:

Nome: hiken 16/04/10 05:00
Fiquei curioso agora, quem é Tsugumi Ohba?

Alexandre: Um gag mangaka chamado Hiroshi Gamou, autor de uma série chamada Tottemo Luckyman. Desconfio que ele não seja o modelo do protagonista Mashiro, mas do seu finado tio.
Nome: F.K 16/04/10 07:29
Osu!

Ah! Temos 3 mangas de pancadaria no TOP: Hanma Baki, Crows ZERO e Kenka Shoubai, e ainda assim nenhuma matéria especial sobre mangas de luta. tsc tsc tsc...hehehe

Comentando sobre a matéria, realmente o traço de Yasuaki Kita é bem impactante. As primeiras paginas do 1º volume de Kenka Shoubai, parecia que eu estava lendo uma fotonovela ou algo remtente a arte de Alex Ross (salvas as devidas proporções obviamente)

Alexandre: Verdade. Pena que ele não pinta tão bem quanto Ross – na verdade ele não faz um bom colorido mesmo. É o calcanhar de Aquiles dele. Mas admitamos que ninguém lê Kenka Shoubai por causa da arte – ela é mero veículo para o contraste. ;)
Nome: hiken 17/04/10 09:23
Legal essa homenagem ao tio dele, antes de saber que era esse autor, pensava que os dois eram baseados no Obata e no Ohba.

Alexandre: Você não entendeu. O falecido tio de Mashiro (o personagem) é que parece baseado no próprio Gamou.
Nome: Pedro Bouça 17/04/10 01:59
A arte do Kita que aparece no artigo me lembra a do Baru, mas eu precisaria ver mais para ter certeza da similaridade.
Nome: Pato_Supersonico 17/04/10 03:11
Legal, Shingetsutan Tsukihime ainda no páreo. Não é forte, mas é resistente.

Moezeiros continuam em sua epopéia para dominar o mundo! XD

Também estou feliz por Evangelion, mas também não estou nem um pouco surpreso.
Nome: F/X 18/04/10 09:08
Kenka Shoubai nao eh beeem desenhado, ele faz tracing em cima de imagens no Poser, palavras dele mesmo. Cenarios, etc, eh assistente. O proprio diz que isso soh prova como a arte eh secundaria em um manga.

Ah, e Crows Zero vende pouco por que nao lambe a sola do peh do original. Crows kanzenban vendeu no nivel de Slam Dunk e Dragon Ball, pelas noticias da epoca. E TODOS os volumes de FMA passaram do milhao de copias vendidas.

O grande problema eh que hoje em dia, nao eh qualquer coisa que faz sucesso e vende horrores. Nao basta ser bom, nao basta ser pop. Blockbuster de hoje eh soh a coisa mais fina da peneira. (estar num veiculo de 3 milhoes de copias ajuda)
Nome: Caio0 18/04/10 03:45
Alexandre, vim para te cobrar! aushaushhas

Relendo a entrevista do Kouji Taguchi (da Square Enix) você disse que faria um post comentando mais a fundo as declarações do cara. Isso não aconteceu ainda certo?

Alexandre: Na verdade não. Com o tempo me dei conta que as conclusões dele são meio lapidares e mostram como as coisas funcionam – por ora não vejo muito o que falar que ele não tenha esclarecido claramente.

E aproveitando, queria te fazer um pedido: faça um Formspring! Sim, tem perguntas idiotas e talvez alguns trolls, mas temas não abordados no blog ou mesmo diversos assuntos seriam colocados em pauta. Enfim, são só pedidos :D

Alexandre: O formspring estou evitando fazer. Por ora, preciso de mais tempo livre. :(
Nome: Júlio Nunes da Silva Filho 19/04/10 12:26
Lancaster, tenho uma curiosidade (e acho que muitos leitores tambem tem):
Porque o grupo Kadokawa tem tantos sub-selos e sub-editoras?
Politica fiscal, e/ou editorial?
Ou foi por motivos de compra?

Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho

Alexandre: Não sei dizer como ela foi se tornar assim, mas essencialmente ela é menos uma grande editora do que um conglomerado de editoras de pequeno e médio porte – e que funcionam melhor de forma independente: o público da ASCII Media Works não é o mesmo da Enterbrain que não é o mesmo da Kadokawa Shoten (a maior editora desse grupo) e por aí vai.
Nome: Warty 19/04/10 09:50
Poxa, o mangá eu não sei, mas o filme do Miike de Crows Zero é MUITO DIVERTIDO!

Mas enfim, eu PRECISO desse Kenka Shoubai traduzido! Parece ser a coisa mais divertida ever! xD
Nome: hiken 22/04/10 08:28
Talvez eu tenha escrito errado. Mas eu entendi o lançe do tio ao Gamou.
Nome: hiken 22/04/10 08:32
Eu acho q escrevi errado. Eu entendi o lançe do tio do Mashiro associado ao Gamou.

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