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Abr 06
Obra do Autor de Sayonara Zetsubou Sensei Reeditada
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Categorias: Shogakukan

A trajetória editorial de Katte ni Kaizo, de Koji Kumeta (o mesmo de Sayonara Zetsubou Sensei), comédia publicada na revista semanal para garotos Shonen Sunday, da Shogakukan, é um exemplo dos descaminhos editoriais da Sunday ao longo de mais de uma década, que a levaram em uma posição de declínio de vendas acentuada – ainda é o terceiro no ranking dos almanaques semanais para garotos (shonen) do mercado japonês, mas isso não quer dizer tanto assim se pensarmos que mesmo sendo o segmento mais lucrativo do mercado, só existem quatro almanaques semanais dentro desse demográfico atualmente (contando também a Jump, a Magazine e a Champion). Com vendas já entrando em processo de declínio, a Sunday decidiu fazer uma pesada reformulação editorial tentando aproximar sua revista mais ainda do público juvenil. Com isso, materiais com desempenho consistente, mesmo que não necessariamente alto, foram sendo decapitadas – como o próprio Katte ni Kaizo, que tinha mais de vinte volumes à ocasião e já contava com uma animação nos primeiros estágios de desenvolvimento. Com o cancelamento, o projeto da animação foi descontinuado (e esta foi a segunda vez que a editora puxou seu tapete nesse sentido; o mesmo aconteceu com uma obra anterior sua, Taiyou no Senshi Poka Poka, mas independentemente de proposta de animação, essa vendia mal mesmo), e com isso Kumeta se revoltou
contra a editora, migrando para a concorrente Shonen Magazine da Kodansha. Lá, criou Sayonara Zetsubou Sensei – que se estabeleceu bem, já rendeu 43 capítulos em animação (contando séries de tv e material para home dvd, inclusive a atual série em andamento, Zan: Sayonara, Zetsubou-Sensei Bangaichi), todas pelo estúdio Shaft; de quebra, está com uma nova série, Joshiraku, aqui apenas como roteirista (a arte é do mesmo Yasu que ilustrou os romances originais da menina-TPM da vez de Toradora), na Bessatsu Shonen Magazine – leia-se, Kumeta fez uma carreira muito mais sólida e consistente na Kodansha do que na Shogakukan. Agora a sua antiga editora, querendo pegar carona na atual popularidade do autor, tenta trabalhar o que tem: aproveitando a desculpa dos vinte anos de carreira de Kumeta, está relançando Katte ni Kaizo em uma nova edição para colecionadores, compilando os 26 volumes originais em 14 tomos repletos de extras, incluindo aqui entrevistas com o autor. Será que se ele soltar as merecidas cobras e lagartos sobre a Shogakukan, eles vão publicar? Não custa dizer que as sucessivas pisadas de bola da editora tem feito artistas como Kumeta, Makoto Raiku (Gash Bell), Shinjo Mayu e vários outros se indisporem e levarem seus projetos para a concorrência, sempre sob os holofotes da mídia especializada. Algo me diz que a reformulação que a Shogakukan precisa fazer para voltar a ser o que um dia foi não passa necessariamente pelos autores, e sim em sua editoria. E para isso, a primeira coisa que seus cabeças tem que admitir é: "Nós erramos. E feio. Muito feio."
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Comentários:
A imensa quantidade de mangás excelentes praticamente esquecidos nos mostra que para que um título decole, não basta que ele seja bom, tem que ser oferecido para o público correto, do jeito correto e com os ajustes corretos.
E é aí que a competência do editor mostra sua importância, a exemplo de Negima!, que, se não tivesse sido administrado com a competência e a dedicação que recebeu, provavelmente só apareceria na lista da Taiyosha.
Mas essa história não deixa de ser engraçada em uma certa medida. Se a Shogakukan não tivesse sido a FDP que foi, nós não teríamos sido brindados com Sayonara Zetsubou Sensei. A Deusa do destino tem um ótimo senso de humor. =P
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