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Abr 05
Obra do Autor de Area 88 na Capa da Comic Flapper
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Lancaster |
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Categorias: Comic Flapper

Não, essa menina na capa da revista Comic Flapper, da Media Factory, não é saída de um quadrinho para meninas dos anos setenta – se bem que poderia. Ela pertence a série Christie High-Tension, de Kaoru Shintani – um dos autores que começaram produzindo quadrinhos para meninas (ele inclusive começou a trabalhar na área como assistente de Leiji Matsumoto, criador de Patrulha Estelar, que também começou nos quadrinhos femininos) antes dos criadores masculinos serem escorraçados em massa do gênero; nessa fase, ele chegou a ser premiado como melhor arista do ano de 1972 na revista Ribon da Shueisha. Mas foi fora dos quadrinhos femininos que ele alcançou maior visibilidade, passando a produzir quadrinhos de aviação e ganhando finalmente a merecida visibilidade com um dos clássicos do gênero, Area 88, publicada na revista adulta Big Comic Spirits da Shogakukan em 1979, rendendo 23 volumes. No entanto, ele jamais se afastou demais de suas raízes e volta e meia produz não apenas material em colaboração com sua esposa Saeki Kayono, veterana do gênero (atualmente a série Quo Vadis, produzida para a Gentosha), como também produz séries como essa na capa ao lado, que já está no quinto volume e acompanha a jovem detetive juvenil Christie Holmes, filha de ninguém menos do que Mycroft Holmes (leia-se, o irmão de Sherlock Holmes, volta e meia mencionado nos contos de Conan Doyle). Christie High-Tension aparentemente segue a linha de séries como Angie Girl, desenho da Nippon Animation de 1977 que acompanhava uma menina de 12 anos que solucionava crimes na Inglaterra vitoriana, ao lado da Scotland Yard. É claro, a Flapper mês que vem vai publicar um one-shot de Aki Shimizu (Suikoden III) e eu deveria estar noticiando isso, mas essa se mostrou uma oportunidade rara para mostrar que um veterano do calibre de Shintani ainda está vivo, no mercado, e produzindo regularmente.
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Comentários:
E embora haja 480509408300 caras por aí fazendo scanlations de One Piece ou Naruto (mangás que, você sabe, podem ser comprados na livraria da esquina), ninguém faz dessa maravilha. Por isso que pirataria não presta!
E a criatividade continua se perdendo a cada geração.
Alexandre: Pior que é uma pauta legal. O curioso é que homens fazendo shoujo são raríssimos hoje em dia e um shoujo recente, otomen, sinalizou que eles ainda podem estar por aí, mas ocultos sob pseudônimos femininos (ou então fazendo como Shintani, publicando em revista seinen uma história que poderia estar em uma revista para meninas... okay, okay, poderia estar em uma revista para meninas no ano de 1977. Se bem que ele é o único caso que conheço do tipo – e há boatos que a esposa dele escreve eventualmente para homens usando o marido como escudo e que ele escreve volta e meia para meninas usando igualmente a esposa como escudo, e essa parceria invisível aconteceria em uma obra chamada Desert Rose. Mas como eu disse é boato). Normalmente o que aconteceu foi que os autores de shoujo escreviam bem para meninas quando seu público ainda era infantil. Mas quando o público amadureceu, eles não davam conta do recado e foram sendo escorraçados para títulos masculinos – alguns autores como Shinji Wada se mantiveram no meio e até o Adachi conseguiu produzir alguma coisa pra meninas sem ser recebido com estranheza.
Por outro lado, se não fosse isso Kazuo Umezu não teria se tornado o mestre do terror, e Leiji Matsumoto não teria se tornado o criador de Harlock e Patrulha Estelar. E como se não bastasse, Umezu foi o criador do gênero "comédia romântica para garotos" em 1962 com Romansu no Kusuri. Se surgiram coisas como Love Hina posteriormente, foi por culpa dele... ei, alguém me empreste uma escopeta. Vou dar um pulinho no Japão e já volto.
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