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Abr 04
Ranking do Oricon (JP) – 28/03/2010
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Lancaster |
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13
Categorias: rankings

A culpa do atraso é minha. A lista do Oricon saiu, mas como a minha vida anda meio corrida mesmo, e o Anime News Network não traduziu a listagem esta semana, eu acabei deixando passar enquanto procurava versões traduzidas por mera comodidade. Tenho que agradecer enormemente ao Antonio Pereira do extinto blog Anime no Minato, que fez a tradução para mim no meio dessa semana caótica. Muito obrigado. Dito isso, vamos a lista da semana.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Fairy Tail 20 (Kodansha) – 93.681 / 356.787 [2]
02. Major 75 (Shogakukan) – 69.029 / 183.454 [5]
03. Sora no Otoshimono 8 (Kadokawa) – 64.540 / 64.540 [6]
04. Ace of Diamond 20 (Kodansha) – 60.248 / 212.445 [10]
05. Mirai Nikki 10 (Kadokawa) – 59.547 / 59.547 [11]
06. Pandora Hearts 11 (Square Enix) – 54.952 / 54.952 [14]
07. GTO: Shonan 14 Days 3 (Kodansha) – 50.929 / 169.401 [15]
08. One Piece 57 (Shueisha) – 49.267 / 2.143.174 [17]
09. Hajime no Ippo 91 (Kodansha) – 49.050 / 191.260 [18]
10. Mirai Nikki Paradox (Kadokawa) – 39.419 / 39.419 [21]
11. Naruto 50 (Shueisha) – 37.953 / 1.023.967 [24]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Billy Bat 3 (Kodansha) – 165.371 / 165.371 [1]
02. Piano no Mori 17 (Kodansha) – 83.771 / 83.771 [3]
03. Working!! 7 (Square Enix) – 74.695 / 74.695 [4]
04. Uchuu Kyoudai 9 (Kodansha) - 63.651 / 63.651 [7]
05. Darker than Black 2 (Square Enix) – 60.780 / 60.780 [9]
06. Shingetsutan Tsukihime 8 (Kadokawa/Media Works) – 55.381 / 55.381 [12]
07. Hidamari Sketch 5 (Hounbunsha) – 50.372 / 50.372 [16]
08. Cooking Papa 109 (Kodansha) – 38.079 / 38.079 [23]
09. Seiken no Blacksmith 3 (Media Factory) – 35.318 / 35.318 [25]
10. Usogui 16 (Shueisha) – 35.020 / 73.471 [26]
11. Thermae Romae 1 (Kadokawa/Enterbrain) – 32.214 / 175.813 [27]

A primeira coisa a se reparar é uma ausência: Kyokai no Rinne, de Rumiko Takahashi, nem deu as caras na lista dos 30 mais vendidos, o que a deixa com uma arrecadação de menos de 31.265 unidades vendidas (correspondente aos numeros do lanterninha, o quadrinho para meninas Berry Berry) esta semana. Como na semana passada a vendagem de estreia da mais recente obra da criadora de Inu-Yasha e Ranma 1/2 foi de 57.580 exemplares, falamos de menos de 88.445
exemplares potenciais – ou seja, nem a 90.000 exemplares ela chegou e é duvidoso, num ritmo de queda tão grande, que ela consiga chegar a 100.000 exemplares. Um número melancólico para quem um dia foi uma das campeãs de vendas dos quadrinhos japoneses, com pelo menos dois grandes hits em suas costas (Urusei Yatsura e Ranma. A trajetória de Inu-Yasha sempre foi oscilante e Rinne parece estar destinada a ladeira abaixo – e embora a história não mereça lá muita piedade, é chato ver aquela que foi uma das mentes mais criativas dos mangás em uma produção tão morna; esse resultado é apenas previsível e se ela não virar o jogo, seu papel como um dos esteios da Shonen Sunday ao lado de Mitsuru Adachi e Gosho Aoyama pode ser devidamente descartado. Se é que já não foi, afinal de contas, e seu papel na revista passa a ser meramente simbólico, como aquele móvel dos tempos da vovó que ninguém mais usa, mas está em um canto da sala por valor sentimental). Triste dizer isso, mas é oficial agora: Rumiko Takahashi está decadente.
Dito isso, vamos ao detalhe mais visível: a listagem está profundamente equilibrada entre shonens e seinens, com destaque para o campeão da lista geral, Billy Bat, do todo-poderoso Naoki Urasawa (não é qualquer um que faz um remake de uma obra de Tezuka – no caso Pluto – e se sai tão bem). Billy Bat mostra o autor novamente não dando ponto sem nó, ao começar uma história homenageando a era de ouro dos quadrinhos ocidentais e a partir daí, traçar uma trama de conspiração que correlaciona um personagem de quadrinhos a uma religião mais
antiga do que todas as outras. Talvez seja a obra mais inusitada do autor em muitos aspectos, e os leitores, após uma certa estranheza inicial, estão respondendo, como mostra a sua presença no topo em uma semana de estreia, com mais de 160.000 exemplares vendidos. Por outro lado, essa presença forte dos quadrinhos adultos tem mais a ver com a ausência de materiais fortes novos nos quadrinhos para garotos (porque há materiais fortes, como atesta a presença de Fairy Tail, One Piece e Naruto), mas eles em sua maioria (Fairy Tail é a exceção porque foi lançado outro dia mesmo, então ainda pode render mais) estão já na sua espiral descendente de vendas, esperando o lançamento de suas edições seguintes. Não que possam reclamar: One Piece passeia com seus mais de dois milhões de exemplares vendidos e o volume mais recente de Naruto chegou ao seu milhão de exemplares, mostrando que não importam o quanto alguns mais radicais tentem diminui-lo: ele está num panteão de vendagens ao qual pouquíssimos títulos podem se orgulhar de estar hoje em dia. O ninja de roupa de gari é um mega-sucesso nacional e mundial. Ninguém tira disso dele, não importando se One Piece venda monstruosamente mais do que qualquer outro título. Não é um fla-flu.
De resto, ninguém negue o poder e impacto de desenhos animados na hora de vender seu mangá.
Ace of Diamond, mangá de beisebol da Shonen Magazine, pode ter vendido mais que seu concorrente Major, mangá de beisebol da Shonen Sunday, mas Major já está na televisão há um bom tempo, com nova temporada no forno. Ace of Diamond não se beneficia disso e o resultado está aí: esta semana o material da Sunday está com quase 10.000 exemplares de diferença e a perspectiva é que Ace vá caindo mais rapidamente, enquanto Major – que é essencialmente um grande novelão – conseguirá segurar suas vendas por algum tempo a mais (ajuda o fato deste volume apresentar um evento pivotal na vida do personagem, repercutindo em vários blogs japoneses). Em um mercado como o japonês, as vendas a longo prazo contam imensamente. Não duvido que quando estiverem fora dos radares, os títulos possam emparelhar. Outros a se beneficiar da presença de uma versão em animação na televisão nipônica são o próprio Fairy Tail, de Hiro Mashima, no topo da listagem shonen; o tosquinho Hidamari Sketch (okay, ele está na faixa dos 50.000 exemplares, mas eu não o veria estreando nem com esses números sem desenho animado), e Working!!, da Square Enix. Tem gente que bobamente acredita que mangás são apenas rascunhos para animes, mas isso é uma grande besteira, sendo curto e grosso; um anime é um grande anúncio de 26 minutos para um mangá ou para inúmeros licenciamentos (convenhamos, na época em que os animes eram os astros em si, com desenhos de robôs gigantes na televisão, eles estavam lá para vender brinquedinhos). E isso sempre vai fazer diferença no final das contas.
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Comentários:
Alexandre: Cooking Papa? Dele eu já cheguei a falar antes.
http://www.interney.net/blogs/maximumcosmo/2009/11/02/cozinhando_com_papai/
Sai na Morning da Kodansha desde 1984.
Alexandre: É bom lembrar que no Japão Inu-Yasha não vendeu lá essas coisas após o final do anime, e a nova animação tem sido um desastre de audiência...
Tenho reparado que o texto que vc faz comentando as séries a cada rank tem ficado mais curtinhos... uma pena! São as matérias que eu mais gosto aqui do Blog.
Alexandre: Porque meu tempo tá cada vez mais corrido, Jussara.
Ah, e eu colocaria Maison Ikkoku também na lista de sucessos da Rumiko. O mangá teve um anime com quase 100 episódios, ovas e ovas, um filme nos anos 80, um filme nessa década, enfim...até aquele jeito da Kanrinin (não sei se teve alguma garota como ela antes) volta e meia lendo algum mangá dá para ver que o autor se baseou na garota da Rumiko para criar sua própria garota.
Alexandre: Tem razão, e dos seinens de Takahashi, foi um dos poucos que se destacou (independentemente de eu achar meio sacalzinho) realmente. Não sei dizer como foi o desempenho de One Pound Gospel, com sua demora a ser concluído...
Sobre o ranking, só posso expressar minha tristeza pela ausência da Rumiko e de Good Ending, e minha felicidade pelo mais de 1 milhão de Narutos, que está em (mais um) momento fantástico.
Alexandre: Bom, independente da relação sentimental que se possa ter com várias obras da autora no passado, convenhamos que Rinne merece a paulada.
Abs.
Alexandre: Para você também, e novamente obrigado.
a Rumiko resolveu fazer uma experiência com um tipo de história que nunca trabalhou antes (shonen), criando Inu-Yasha; o editor da Shonen Sunday gostou da idéia, bancou, e a série saiu;
Alexandre: Mas ela praticamente só fez shonen na vida – dois deles (Urusei Yatsura e Ranma 1/2) são considerados clássicos do shonen mangá, inclusive. Ela nunca tocou em, digamos, shoujo que eu saiba, apesar de ter um monte de fãs do sexo feminino.
Embora a série nunca foi um grande sucesso no Japão, fora do país ela foi muitissímo bem-sucedida, rendendo um bom dinheiro para a autora e a editora.
Será que o caso de Rinne não seria uma tentativa de ver se um projeto desses, com a mesma temática, daria certo novamente, não tanto no Japão, mas fora dele?
O que achas?
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Alexandre: Olha, Inu-Yasha teve apoio da viz por conta do grande respaldo que a autora tinha nos Estados Unidos com Ranma 1/2, até chegando ao ponto de estrear simultaneamente no Japão e nos Estados Unidos. O ponto é que a história entrou em curso e o mercado de mangá se tornou outro, e Inu-yasha se beneficiou disso, alcançando um publico que Ranma nunca chegou perto na gringolândia. Foi, em miúdos, um acidente pra lá de feliz. Mas ela chegou a um ponto onde poderia ter feito qualquer coisa. Rinne não parece ter sido fruto de planejamento editorial até agora. É simplesmente a autora se reciclando e esperando que um raio caia duas vezes no mesmo lugar. Não parece que vai cair.
Alexandre: Eu acho que é possível fazer mais ou menos a mesma coisa sem estagnar. É o caso de Mitsuru Adachi, é o caso de bandas como Ramones, INXS (quando o Hutchence estava vivo) e Tom Petty and the Heartbreakers. Mas a Takahashi não tem desculpa: estagnou, mesmo.
Cooking Papa: acompanhar um mangá com 109 volumes??? Nem de graça.
Alexandre: Olha, acho que Cooking Papa durou tanto e funciona porque ele é feito mais para a função do almanaque aonde ele é publicado (a Morning, da Kodansha). Ele é episódico, apresenta sempre uma receitinha nova – é uma cruza de sitcom familiar e programa televisivo de receitas. Tá lá pra cumprir uma função dentro da revista, quem compra não está realmente interessado em acompanhar uma história de verdade, e é amigável à beça para o leitor casual, que compra ao acaso. Acho que não devem ser tantos os que acompanhem regularmente o material.
Você já está sabendo que Kekkaishi foi licenciado pela panini??
Alexandre: Estou e vou comprar. Aquilo é muito simpático.
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Alexandre: É que você descreveu como shonen. E shonen é demográfico.
Ah, e eu acho que esse Júlio tem aquelavelha visão de que: shonen = ação & aventura. Romance é coisa de menininha, logo, qualquer série que tenha uma gota de romance é shoujo (já vi classificarem Love Hina como shoujo...). =\
Alexandre: Shonen quer dizer que é feito pra marmanjo, pura e simplesmente.
Alexandre: Pessoalmente não sei. Primeiro porque eu não leio tudo o que sai aqui no Brasil, tendo a ler apenas o que me interessa hoje em dia. Segundo, porque eu acabei me focando de modo geral em aspectos que são na maioria dos casos deixados de lado pelos websites nacionais – quem fala de Kaoru Shintani, por exemplo?
E fiquei feliz pelo Kekkaishi. Material da Sunday aparecendo aqui é raríssimo.
Alexandre: Verdade. A Viz parece estar interessada em correr atrás do tempo perdido com a Sunday ao redor do mundo.
Alexandre: E este eu faço questão de não comprar.
Warty, o que aconteceu no meu primeiro post foi um erro de redação, não de conceito; na verdade, o post deveria estar assim:
"Lancaster, estou pensando sobre o caso da Rumiko Takahashi, vamos ver se concordas comigo:
a Rumiko resolveu fazer uma experiência com um tipo de história que nunca trabalhou antes (shonen de aventura), criando Inu-Yasha; o editor da Shonen Sunday gostou da idéia, bancou, e a série saiu".
O que uma expressão faltante não causa...
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Alexandre: Ah, mas a vida é assim mesmo. XD
Pelo visto Rinne segue do mesmo. Minha aposta é que esse mangá não vá tão longe quanto Inu Yasha foi.
Alexandre: Ah, com certeza. Eu só preciso encontrar um gancho que gere uma matéria enorme. E que não seja necessariamente desferir pauladas em Inu-Yasha. XD
Alexandre: Bom, lamento dizer, mas considerar quadrinhos "sem movimento, sem som e ainda em preto e branco" é desvalorizar imensamente a força dessa mídia. Quadrinhos são uma linguagem própria, como a literatura; eles lidam muito com sugestão e eventualmente podem ser mais movimentados e intensos do que os animes baseados neles – pegue volumes avançados de um mangá como Tenjho Tenge e compare com sua versão animada. Ela pode ter cor, som e movimento, mas é muito menos exuberante visualmente do que o mangá que o originou.
Lá no Japão os quadrinhos são devidamente respeitados; são a força motriz da mídia e expressão legítima de seus criadores. São eles quem são estrelas. Ninguém fala no diretor da versão animada e One Piece; o astro é Eichiro Oda. É como considerar os filmes de Harry Potter mais importantes para a franquia do que os livros – e apesar do glamour envolvendo os atores e tudo o mais, a estrela é J. K. Rowling, que criou a série e se tornou uma das escritoras mais ricas do mundo.
O quadrinho tem essa mesmíssima mecânica no Japão – a dos best-sellers, e assim como um filme dificilmente dá conta de tudo o que é apresentado em um livro, um anime jamais pode ser 100% do que um quadrinho é. Mas eu prefiro fazer algo simples: eu pus há algum tempo no ar uma entrevista com Kouji Taguchi, da Square Enix, falando sobre essa relação entre os quadrinhos e os animes, que são produzidos para estimular as vendas desses quadrinhos. Ela pode ser lida AQUI na íntegra, mas vou transcrever esse trecho para você: "Taguchi acrescentou que é simples ver como editoras lucram ao transmitir animações na televisão. Por exemplo, cada volume do mangá de Full Metal Alchemist custa ao comprador 420 ienes (US$ 4.70) nas livrarias e outros pontos de venda, mas subtraindo-se a percentagem do autor, custos de impressão e papel, a editora fica com 150 ienes (US$ 1.70) por livro. Se é preciso ao menos 500 milhões de ienes para se financiar um anime na televisão, este tem que aumentar as vendas totais do mangá em pelo menos 3.3 milhões de cópias para ser lucrativo à editora. (...) Só as vendas do primeiro volume de Full Metal Alchemist saltaram de 150.000 para 1.5 milhão de exemplares depois que o anime foi para o ar. Antes de sair a segunda série do anime, cada volume vendia em torno de 1.9 milhão de cópias, mas agora tais volumes vendem 2.1 milhões de cópias cada. Taguchi estima que 4.6 milhões a mais do manga de Full Metal Alchemist foram vendidos no total, graças ao anime."
O link tem outros exemplos, mas é assim que o mercado funciona e os quadrinhos são mais importantes sim; porque em preto e branco, sugerindo o som e o movimento para seu leitor, eles são mais ricos e tem mais possibilidades como linguagem do que oferecer tudo pronto na mão.
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