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Da série "Perguntando aos Leitores": O Blu-Ray Mudará o Mercado de Anime?

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Lancaster | PERMALINK | 13

Categorias: Perguntando aos Leitores

Strike Witches

Com todo respeito pelo gosto alheio, tem certas coisas que não dá pra perdoar. E Strike Witches, produzido pelo moribundo estúdio Gonzo, é o tipo de material que aqui no meu blog só existe para receber duas coisas: pedrada e chute nas costelas. É meio difícil para mim descrever essa série, mas em miúdos… bom, vão ver isso no Google: até eu me sinto ridículo ao tentar fazer uma sinopse desse que é um dos conceitos mais idiotas de todos os tempos, sério. Mas porque eu estou falando desse material?
Mononoke HimeAqueles que lêem japonês, dêem uma olhada AQUI. Para os que não lêem, vou diretamente ao ponto: simplesmente a versão em blu-ray desse desenho terá legendas em inglês. E isso significa que um lançamento americano desse material se torna, simplesmente… supérfluo, em nossos tempos de compras online via internet. Já existe a versão gringa em DVD (via Funimation), claro, mas parem e pensem: se no Brasil as seções de dvd das grandes lojas já começam a encolher, imaginem no exterior. Pensem a longo prazo no significado dessa movimentação.
Imaginem um cenário aonde, no futuro, não haja mais necessidade de intermediários locais. De certa forma isso já está se desenhando, com as editoras japonesas se instalando nos Estados Unidos em Europa: não há necessidade de custos de licenciamento ou até mesmo a compra dos arquivos digitais dos mangás (sim, essas coisas são compradas em separado) – são braços das próprias empresas em território estrangeiro, afinal de contas. Não é tão simples quando o assunto é quadrinhos, mas é uma corta de etapas, no fim.
Quando o assunto é a venda de animação para home video, a coisa se torna mais fácil ainda – ao alcance de uma mísera legenda ou, em alguns casos, dublagem. Basta lembrar que a versão japonesa do DVD de Princesa Mononoke, de Hayao Miyazaki, conta entre seus extras a versão dublada em português da edição jamais lançada por aqui. Logo, para que esperar a chegada desse material? Até onde vi, não foi lançada ainda a versão em blu-ray desse longa-metragem – mas sinceramente, é mera questão de tempo; não haverá como escapar. E aí vamos cair na velha questão de sempre – porque a tradicional desculpa de que o tratamento dos animes nas mãos das empresas não vai colar mais, caso haja acesso a legendas em português oficiais nos materiais estrangeiros.

Gundam

Número de episódios? Pode ser que não haja muito o que melhorar em termos de imagem nos animes feitos para a televisão (em animes bem mais antigos, isso pode servir apenas para revelar irregularidades) – e nesse caso a compensação é óbvia: séries completas de anime como Basilisk, Burst Angel, Samurai 7 e outros tem sido lançadas nos Estados Unidos de forma integral pela Funimation, com o formato padrão de três discos de Blu-Ray com a capacidade média de 50 GB comportando 26 episódios mais eventuais extras. A Bandai Visual por sua vez não quis saber de intermediários estrangeiros: seu Gundam Unicorn já pode ser comprado via Amazon com versões em inglês, francês, espanhol, chinês simplificado, chinês tradicional e, claro, japonês.

Katsuhiro Otomo

E fica a pergunta: no que isso vai mudar o mercado no Brasil a medida em que o blu-ray for se difundindo? Os preços já estão despencando; antes os blu-ray podiam ser encontrados a quase cem reais; é possível encontrar alguns deles já custando metade disso. A perspectiva de se comprar material importado sem precisar se contar com o trabalho de fãs (que podem conter erros de português, imagens pixeladas e similares) pode ajudar a transformar o Brasil em um mercado de verdade por tabela, eventualmente merecendo suas próprias legendas em português como parte do pacote original de um blu-ray estrangeiro? Ou a pirataria continuará fazendo estrago nesse novo contexto? Porque estamos vendo o estabelecimento de um modelo diferente de negócios, aonde se corta uma etapa do processo e fatalmente haverá barateamento do produto final. E nesse corte de etapa, se corta uma fronteira de qualquer jeito.
Deixo as respostas (se é que existe alguma) a cargo dos leitores. Divirtam-se.


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Comentários:

Nome: marcel 29/03/10 11:31
É esperar para ver o que o tempo vai nos dizer sobre isso... o fansubber como NEGÓCIO, esse eu imagino que tende a se tornar mais trabalho do que realmente, mas tudo vai depender de como os japoneses e outros grupos lidarem com nosso mercado que, infelizmente, ainda tem poder aquisitivo limitado em termos de população. Veremos.
Nome: Felipe Onodera 30/03/10 12:46
Alguns Blu-Rays de Ultraman e Godzilla também foram lançados com opção de legenda em inglês. Quem dera o mesmo ocorresse com o Shin Mazinger, o lançamento do Blu-Ray tem uma jogada de marketing nunca antes vista, os episódios não foram apenas remasterizados, a animação como um todo é de melhor qualidade do que a exibida na TV. Além disso, cada episódio tem de 3 a 5 minutos a mais do que na versão da TV Tokyo.

Olha, talvez eu seja suspeito para responder a essa pergunta, há muito tempo eu desisti do mercado nacional e só compro mangás e animes do meu interesse da Europa ou do Japão(até então, os EUA tem o péssimo hábito de deixar títulos muito grandes sem continuidade). Então pra mim não haverá mudança. Eu só espero que não se restrinjam as novidades e material clássico também tenha seu espaço(como é o caso do Ultraman e Godzilla que eu citei lá em cima). Afinal de contas, as vendas já estarão garantidas dentro do território japonês, então o que custaria o acréscimo de algumas legendas para veiculação no exterior? Não precisa ser nem em português, seja em inglês ou italiano, pra mim tá valendo.

PS: A Bandai Visual já teimou tanto para que Gundam emplacasse em território americano, que me parece apenas natural que tenham feito isso com o Unicorn. As vendas dos DVDs de Zeta não motivam...
Nome: Saikyo 30/03/10 03:08
Tem de se ver se o trabalho de dublagem e legenda nesses blu-rays realmente são de qualidades (apesar que acredito mesmo aqueles que comprem os blu-rays mesmo caros nem vão se importar mas...), mas se forem num nívem bom isso será ótimo em cortar etapas (apesar de ser obvio).

Tem ainda o problema de chegar produtos de fora pela alfandega (pelo menos dos eua), mas esse não é a questão...
Nome: F/X 30/03/10 03:58
Ghibli ainda nao aderiu ao Bluray, se nao me engano, apenas Ponyo saiu em Bluray e estah em preh venda Nausicaa.

Eu acho que esse eh o caminho pra fugir da pirataria, mas pode ferrar o caminho da TV, que ainda corre por fora desse esquema. Se series novas sairem em Bluray junto com o Japao, as TVs vao se limitar a reprises, mas diferente dos filmes americanos, duvido que os animes tenham publico pra animar as emissoras... Vai afundar mais ainda no gueto.
Nome: Pedro Bouça 30/03/10 08:18
A questão dos lançamentos simultâneos precisa ser vista sobre um prisma em particular, o preço. O preço dos DVDs no Japão é brutal!

Por exemplo, o novo Gundam Unicorn foi lançado simultaneamente na França e no Japão, certo? Só que o preço dos discos no Japão é IRREAL comparado ao do resto do mundo! Na França o Unicorn está custando QUARENTA euros por um episódio, o que é um preço comparável ao Japão, mas inaceitável para um mercado onde eu comprei o meu box completo da série Macross original pelo MESMO preço!

Duvido que venda. E estamos falando de um país rico com um vasto mercado de animes e mangás. Imagine no Brasil...
Nome: Pedro Bouça 30/03/10 08:31
Para quem não achou o conceito de Strike Witches em português, basicamente ele mostra um grupo de garotas adolescentes pré-púberes homônimas de ases da Segunda Guerra Mundial que usam seus poderes mágicos para controlar uns mecanismos que as deixam parecidas com aviões de caça do mesmo conflito (!) - e só podem ser usados quando elas estão de shortinho (!!) - e enfrentar invasores alienígenas.

O conceito é tão estúpido e absurdo que me senti na obrigação de o resumir aqui...

(Não pensem que por conta disso a série é diversão trash tipo Dragon Pink - lembram disso? - ou coisa assim. A série tem uma trama pseudodramática barata e é chata a ponto de que assistir um único episódio é um desafio à paciência de qualquer mortal que não seja um otaku obcecado por menininhas pré-púberes. Eu, que sou fanático por caças da Segunda Guerra e animes trash, não aguentei mais de cinco minutos...)
Nome: GraveHeart 30/03/10 09:23
O futuro está no mercado digital, na verdade. :)
Nome: Rudemangueboy 30/03/10 09:39
A pirataria no Brasil sempre tem a desculpa da pobreza e da falta de visão das distribuidoras, nunca é o carater do brasileiro, impressionante... De um modo geral o preço praticado no Japão é irreal aqui no Brasil, e dependendo de quanto custa o licenciamento, acho que a situação da pirataria aqui no brasil so tende a piorar...
Nome: Warty 30/03/10 10:05
O preço ainda é um grande empecilho. A importação também (que vai no quesito preço) e além disso, somos irrelevantes mercadologiamente pra termos uma série de lançamentos em português.

Mas se o preço for acessível, as empresas japonesas crescem e matam as nacionais...
Nome: Gustavo 30/03/10 11:09
Mercado brasileiro? Aquele em que é lançado um DVD de 3 episódios de Dragon Ball por 30 reais?

Finalmente os japoneses reconheceram a necessidade de investir no mercado externo, tomara que retirem a maioria dos intermediários mesmo.

O blu-ray é uma ótima pedida para os animes. Mês passado comprei o box de Claymore com a série completa por 40 dólares e estou de olho em Samurai Champloo pelo mesmo preço. No caso de alguns filmes, principalmente da Warner, você consegue encontrar legendas PT-BR nos discos também.
Nome: Qwerty 30/03/10 12:56
Como falaram, o preço (isso sem contar a alfândega brasileira e o frete) de animes no Japão é absurdo. Um disquinho com quatro episódios de FullMetal Alchemist Brotherhood em Blue-Ray sai a 7000 ienes, ou 140 reais - lembrando, sem frete e sem risco de pagar taxa de importação. E olha que é relativamento perto de séries otaku como K-ON! e Bakemonogatari, que vendem mais.
Nome: Jussara Gonzo 30/03/10 12:59
Eu não acredito que você me fez gastar 6,79 calorias para copiar e colar a palavra "Strike Witches" e colocar no Google quando poderia ter simplesmente resumido em: "Outro Anime Moe com Toques Bizarros, como Sempre". - não que isso não estivesse na cara.

Alexandre: Eu deixei a imagem no topo para ninguém dizer que eu não avisei. :P

O Blue Ray nada mais é do que mais uma etapa no eterno barateamento de tecnologia, tornando-a acessível ao público. Lembra quanto custava uma fita VHS? E o quanto de informação que ela suportava? E só com direito à UMA legenda? Estes Blue Rays nada mais são do que um tentativa dos japas de estender ainda mais seu território e ganhar dinheiro sem precisar de terceiros - já que dentro da sua ilhazinha o mercado encolhe. É a onda mundial, inclusive.

Alexandre: E eu acho que essa tendência de cortar etapas tem crescido bastante. Isso interfere e muito no atual modelo de negócios e várias empresas irão ter que repensar seu próprio modelo, caso a tendência se torne norma.

Anyway, cada vez mais o publico com poder aquisitivo no Brasil está se lixando para as "versões brasileiras" e comprando ou baixando importados. O inglês já não é uma barreira tão terrível assim para boa parte da classe nerdística e otaku deste país. Acho que nem precisamos esperar tanto a chegada com opção para legendas em PT.

Alexandre: Mas faz a diferença para os não-nerds, que ainda – e provavelmente sempre serão – a maioria.

Mas eu ainda acho que a verdadeira revolução não chegou ainda, e não será por "meios físicos" como o Blue Ray.

Alexandre: Bom, isso passa por mudança em toda uma cultura de consumo por aqui.
Nome: Pato_Supersonico 30/03/10 02:21
O mercado de animes já vem passando a um bom tempo por um processo de mudanças, por conta da globalização da cultura J-Pop e internacionalização das atividades da indústria Pop japonesa, e a eliminação de intermediários é apenas um dos subprodutos desse processo.

Ou seja, o lançamento das versões em Blu-Ray de animes é sintoma, não causa. É apenas mais uma peça a ser encaixada em um todo maior que é o novo modelo de negócios que vem se desenvolvendo desde o nascimento da internet.

Quanto à questão da pirataria, isso não fará diferença nenhuma, os bucaneiros simplesmente vão fazer o mesmo que faziam com DVD, isto é, copiar de vender mais barato para otakus lisos ou cretinos, ou que sejam as duas coisas juntos. É bom lembrar que a praga da pirataria é um fenômeno econômico-social complexo, que não pode ser resolvido com soluções de remendo, nem pode ser atribuída a um único tipo de culpado.

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