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Mar 12
Ranking do Oricon (JP) – 07/03/2010
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7
Categorias: rankings

Esse post está saindo com atraso – culpa de um problema com minha banda larga que me deixou sem internet por cerca de dois dias. Infelizmente eu concentro minhas blogagens de manhã de modo geral porque eu faço outras coisas na vida – e por isso mesmo não é fácil manter o ritmo. E esse post marca um recorde histórico – a maior tiragem para um mangá (na verdade, a maior tiragem de todos os tempos em qualquer sentido para um material em lançamento por lá) e a maior vendagem de lançamento que qualquer material já teve no Japão. Sim, One Piece marcou esse tento mais uma vez.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para Garotos
01. One Piece 57 (Shueisha) – 1.690.932 / 1.690.932 [1]
02. Naruto 50 (Shueisha) – 736.467 / 736.467 [2]
03. Katekyo Hitman Reborn (Shueisha) – 309.558 / 309.558 [3]
04. Bakuman 7 (Shueisha) – 217.531 / 217.531 [4]
05. Toriko 8 (Shueisha) – 129.364 / 129.364 [5]
06. Psyren 10 (Shueisha) – 61.392 / 61.392 [11]
07. Soul Eater 16 (Square Enix) – 56.765 / 269.432 [12]
08. One Piece Color Walk 4: Eagle (Shueisha): 49.759 / 49.759 [14]
09. Detetive Conan 67 (Shogakukan) – 49.403 / 473.853 [15]
10. Baka to Test to Shoukanjuu 2 (Kadokawa) – 44.921 / 77.253 [16]
11. Ultimo 3 (Shueisha) – 37.259 / 37.259 [23]
12. New Prince of Tennis Official Character Guide 5 (Shueisha) – 37.125 / 37.125 [24]
13. Keroro Gunso 20 (Kadokawa) – 36.321 / 106.234 [27]
14. Ao no Exorcist 3 (Shueisha) – 34.992 / 34.992 [28]
15. Ahiru no Sora 26 (Kodansha) – 27.735 / 292.420 [30]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Steel Ball Run 20 (Shueisha) – 117.225 / 117.225 [6]
02. MPD Psycho 14 (Kadokawa) – 83.431 / 83.431 [8]
03. Shingetsutan Tsukihime 7 (Kadokawa / Media Works) – 68.390 / 148.615[9]
04. Gaku – Minna no Yama 11 (Shogakukan) – 52.583 / 52.583 [13]
05. Sengoku Tenshouki 8 (Kodansha) – 42.443 / 42.443 [17]
06. Bartender 16 (Shueisha) – 40.174 / 40.174 [21]
07. Oishimbo 104 (Shogakukan) – 39.815 / 63.608 [22]
08. Rainbow 22 (Shogakukan) – 34.447 / 45.059 [29]

Há pouco a se falar sobre o extraordinário recorde de One Piece, que inclusive impulsiona a venda do mais recente artbook baseado na série (14ª posição na lista geral). Como qualquer coisa que se diga vai se limitar a chover no molhado, o que passa a chamar mais a atenção na verdade é o segundo lugar. Claro, ambos são barbadas; o que chama a atenção é que o volume 50 de Naruto não fica muito atrás, disparando com 736.467 exemplares vendidos – bem mais do que o dobro do terceiro lugar, o chatinho mas popular Katekyo Hitman Reborn. Eu sei que os fãs de Reborn vão reclamar, mas aquilo me dá sono, não adianta – é um mistério pra mim ver como aquilo chegou ao volume 28 e o novo Prince of Tennis é praticamente premiado com uma periodicidade mais mansa, enquanto títulos plenos de potencial como Akaboshi não passam de dois ou três volumes.
Mas Naruto, enfim, segue firme e forte. Ele chegou a experimentar um declínio de vendagens quando da transição para a fase Shippuden – e acredito que a compreensível má-vontade gerada por um ano de episódios tapa-buraco na televisão tenha contado preciosos pontos para essa derrubada na época – além da perda de um alto-astral que era realmente parte da receita de sucesso do personagem. Eu mesmo gostava muito mais de Naruto antes, quando ela era uma série infanto-juvenil e descompromissada com um garoto ninja. Por outro lado, a fase Shippuden revelou algo inusitado a longo prazo: um autor cuidadoso. Sim, por mais surpreendente que fosse, o grande mérito de Masashi Kishimoto é o de ser um autor organizado, cuja trama foi se desenvolvendo desde o segundo capítulo (o primeiro, claro, foi para apresentar o personagem e estabelecer sua condição de ninja – o famoso "quem sou e como vim a ser" que norteia boa parte dos bons capítulos de abertura). Claro que por mais que um autor estabeleça pontos diretrizes para a sua trama, há sempre elementos que vão sendo determinados durante o curso de uma serialização – e acredito que o salto cronológico foi um deles. Talvez tenha sido inspirado pelo envelhecimento dos personagens de Harry Potter nos cinemas (convenhamos, Naruto tem afinidades estruturais com Harry Potter e gostaria de que um dia alguma entrevista com o autor tirasse isso a limpo). Não importa: Naruto foi uma história que se encadeou passo a passo e espocou na cara do leitor justamente no evento mais padrão dos quadrinhos para garotos japoneses: o do torneio.
Kishimoto puxou o tapete de todos, e o leitor agradeceu tardiamente, quando os fatos foram sendo revelados e tudo foi fazendo sentido, sinal de planejamento pregresso bem executado. E isso não é algo que se encontre tão facilmente pelos cantos, sejamos honestos. O resultado de tanto cuidado se reverte agora para o autor: a história mais e mais pega fogo e não duvido que muitos leitores que deixaram de lado o material em certo ponto estejam correndo aos pontos de venda atrás dos volumes anteriores. Não duvido que esse volume possa chegar ao milhão a médio e longo prazo.
A Jump de modo geral domina, como é comum nas semanas de lançamento de suas revistas. Bakuman, Toriko, Psyren… logicamente isso empurrou muitos títulos para baixo na listagem. Para alguns isso já era previsível: Soul Eater é um título simpático, e tudo o mais, mas ele jamais teve condições comerciais de peitar a enxurrada da Jump – podem reparar que ele espertamente é lançado em semanas de entressafra. Mas ele já tem quase 270 mil exemplares vendidos nas costas e isso sempre é um bom resultado. Detetive Conan, por sua vez, está na descendente, mas este volume já vendeu 473.853 exemplares e a longeva série animada de tv continua servindo de vitrine para licenciamentos e divulgação do quadrinho, sem sair do ar (apesar de certo baque quando mudaram a série de horário). Gosho Aoyama ainda não pode reclamar. E chegamos a ladeira abaixo (os títulos abaixo de 50.000 exemplares vendidos), com Ultimo de Stan Lee decepcionando. Como a versão animada está assumidamente em produção, isso
pode ser revertido – quem acompanha a série vê que ela praticamente explodiu apocalipticamente e teve uma espécie de reboot graças a um vilão capaz de manipular o tempo. Curioso: Lee, ao entrar no mundo dos mangás, parece estar em sincronia justamente com conceitos de gerações anteriores de autores japoneses. A sombra de um fim do mundo potencial em Ultimo, os quadrinhos de garotos que comandam robôs gigantes como nos anos sessenta em Heroman… enfim, algo que curiosamente sinaliza para o seu referencial generacional caso ele tivesse entrado no mundo dos mangás mais cedo.
Os quadrinhos adultos por sua vez estão com uma semana bem mais plural em relação ao ranking anterior, mesmo metade deles operando em níveis inferiores a 50.000 exemplares vendidos. Vale a pena apontar para a longevidade do quadrinho culinário Oishinbo e para a série de presídio Rainbow, de George Abe e Masasumi Kakizaki, que começou sua carreira na falecida Young Sunday e ao invés de ser cancelada com a revista (quando a Young Sunday fechou suas atividades, foi lançado um almanaque de quatro edições apenas para que as séries que morreriam com a revista pudessem ter um fecho minimamente coerente) foi transferida para a Big Comic Spirits – que é uma revista popular em seu segmento e que garantiu maior visibilidade ao material. Este ano, Rainbow – que aborda um grupo de adolescentes preso em um reformatório e amadurecendo a duras penas dentro do cárcere – ganhará uma versão animada, o que certamente deve impulsionar suas vendagens. Talvez ouçamos mais sobre esse material no futuro.
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Comentários:
Alexandre: Já tá na hora dele arrumar uma modelo que nem o Akamatsu... XD
Da lista, o único que acompanho é Bakuman, que vendeu o esperado. E ULTIMO que decepcionou porque, realmente, a história é decepcionante. Mas estou na expectativa para ver o quanto Heroman vai vender. é o clichê do clichê... vamos ver como funciona. Se para Naruto funcionou...
Alexandre: Bom, Heroman é uma incógnita e só após o lançamento do volume para livrarias vamos saber no que deu aquilo.
Alexandre: Na verdade era um comentário que eu já estava devendo há um bom tempo e que acabei por algum motivo adiando. Mas não custa reforçar a força da série, quando os números de One Piece parecem eclipsar as médias normais do resto da concorrência.
E confesso que acho isso do Stan Lee estar trabalhando com conceitos que já estão praticamente mortos para os japoneses bem estranho. O que poderia ser uma reinvenção - o que seria ótimo - acaba não sendo justamente por, suponho, o autor não ter tido contato com o que já existia. Vai ficar uma variação talvez deslocada de tudo o que já se fez - talvez isso não tenha tido alguma influência?
Alexandre: É provável. Mas não é apenas isso. Um dos problemas de Ultimo pode ser a introdução compacta de personagens. Algo habitual para os quadrinhos americanos, mas não muito recomendável quando você tem que apresentar os personagens aos poucos como nos mangás. Em Heroman esse problema é menor, mas a obra é bem mais infantil.
E você não falou, mas Tsukihime teve uma bela semana. Tem vários mangas inclusive na JUMP querendo chegar a esses 150 mil volumes...
Alexandre: Na Jump isso significaria mais alívio do que qualquer outra coisa.
Alexandre: Eu vejo similaridades estruturais nos personagens. Principalmente na fase inicial.
Ah, Alexandre, nunca vi você comentar One Piece. Se comentou, faz bastante tempo. Você gosta da série?
Alexandre: Eu gosto, mas o Oda tem uma forma bem diferente de contar sua história em relação ao Kishimoto: ele prefere deixar que ela siga o fluxo, parece adicionar as boas idéias que surgem pelo caminho, enquanto Kishimoto me parece estabelecer suas tramas em moldes bem organizacionais e usar a estrutura tradicional do shonen para dar uma sequência linear aos pontos cardeais que ele mesmo estabelece para a trama. não é a toa que One Piece foi beeeeeeem esticado no processo.
Fiquei chateado pelo Stan Lee. Tomara que ele dê a volta por cima.
Alexandre: Sinceramente, eu também.
Abs. Gostei bastante de ver Naruto em destaque desse post.
Alexandre: Ele foi lançado no fim da semana comercial. Só veremos seus resultados no próximo ranking.
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