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Mar 07
Cartões Postais de Kimiiro Focus...
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Lancaster |
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7
Categorias: Ecchi

Eu cheguei a conhecer brevemente um dos editores de uma linha de quadrinhos de terror típica dos anos setenta e oitenta. Dizem as más línguas – pelo menos me foi repassado por um dos desenhistas que nela trabalhava – que tal editor dizia que seu leitor – com o perdão da grosseria – era o "Kid P****tinha", e por isso ele orientava seus autores a sempre que possível colocar alguma nudez estratégica (uma mulher praticamente nua aqui, um ângulo mais ousado ali) nas suas histórias de terror, porque dava menos na vista levar um gibi de terror para um banheiro do que um pornô.
Não sei se isso procede, e qualquer visita aos sebos mostra que aquele material era incapaz de tirar o sono de um adolescente mesmo naquela época, mas sempre que eu vejo algumas notícias a respeito do mercado japonês, me lembro disso.

A Shonen Champion, da Akita Shoten sempre foi um pouco mais "além da conta" quando o assunto é material para garotos, tanto na sua versão semanal quanto na mensal (e editorialmente, os dois só tem diferença de periodicidade, porque seu perfil é o mesmo). É só comparar o teor dos títulos que saem sob sua griffe com os títulos do mesmo gênero da concorrência: os materiais de luta são bem mais violentos, os de esporte (salvo os quadrinhos de beisebol de Shinji Mizushima, que são instituição da casa desde os anos 70) tendem a ser de modo geral menos limpinhos e os ecchi (materiais hormonais) são mais "arriscados". Este parece ser o caso de Kimiiro Focus (Focus in Your Color), de Taro Chiaki.

A história acompanha o jovem Oji, que tem o sonho de ser um fotógrafo de guerra – e sua amiga de infância, Sumire (que obviamente não gosta da idéia de vê-lo passar a sua vida em meio ao fogo cruzado – e acreditem, é um trabalho barra-pesada), acaba se tornando modelo para o sujeito no clube de fotografia da escola. O resultado é que gradualmente o protagonista está tendo seu rumo original desviado pelos colegas mais velhos do seu clube, e pelo próprio gosto que ele vem tomando pela coisa (ele é homem, pô) para se tornar fotógrafo de algo muito mais agradável do que cadáveres explodindo ao seu redor em algum canto da África: mulheres com pouca roupa – muito pouca roupa. Com uma premissa dessas, dá para entender qual é o verdadeiro objetivo da série…

Sim, vocês pegaram o ponto.
Agora, o volume dois está saindo, e como um brinde para os leitores de primeira viagem que comprarem tanto o volume um quanto o volume dois em determinadas redes de livrarias, como a Art Asylum, teremos uma série de cartões postais de uma das personagens da série (a menina pin-up em destaque na capa do segundo tomo). E claro, haverá a cota obrigatória de colecionadores que comprarão mais de uma edição até para ter os quatro cartões-postais, para ver se isso dá um gás nas vendas tanto do volume novo quanto do volume inicial. A Akita Shoten precisa de visibilidade se quiser ganhar dinheiro com licenciamentos – e depois do bem-sucedido (e imensamente cara-de-pau) Asu no Yoichi nas páginas da mesma Shonen Champion Mensal, é natural que eles invistam por esse caminho. Algo me diz que ouviremos falar mais ainda desse material no futuro, mesmo existindo séries similares às pencas no Japão.
E claro, parte dos meus leitores nem está me lendo e sim olhando as figurinhas. Às vezes, desconfio que o citado editor tinha lá sua razão.

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Comentários:
estou tentando de entender os simbolos e as tendencias do Brasil atual. Seu blog me està ajudando muito. Obrigada!
Maria
Alexandre: Eu acabo de entrar no seu blog e fiquei intrigado em relação a isso, ainda mais que este blog fala menos de Brasil do que eu gostaria. Mas, grato.
Alexandre: É o verdadeiro segredo da editora. XD
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
(Socorro! Não consigo respirar!!)
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. O freguês sempre tem razão.
(Mas não esqueçam que freguês é quem compra viu?)
XD
Independentemente disso ser ou não verdade, é fato que um pouco de pimenta sempre turbina as vendas. Cinema tem muito disso.
"E claro, parte dos meus leitores nem está me lendo e sim olhando as figurinhas"
Não sei do que você está falando. =)
Alexandre: Eu sabia que você iria gost... ah, deixa, você não está me lendo.
E tá bem, hum, "detalhista" esse traço da terceira figura, não?
Alexandre: Pois é. Sutileza é a alma do negócio, pelo visto. XD
Alexandre: O pior é que eu estava era sendo sarcástico, nada mais, nada menos. Mas desconfio que posso ser mal interpretado e perder boa parte de minhas leitoras do sexo feminino... XD
"Kid Punhetinha" é um termo ótimo! Sintetiza totalmente a ideia!
Hahahahhahahahaha!!! Demais!
Gostaria que se retratasse, como acontece normalmente nas midias, mas nao espero que isso acontece.
Guardei a pagina na minha secao de favoritos, pois a considero uma injuria. E isso é crime. Da proxima vez, cautela ao escrever
Paz
Daniela
Jornalista
Alexandre: não foi para ofender ou denegrir ninguém. Foi um comentário casual que me foi repassado por uma das pessoas que trabalhavam por lá – e sinceramente não vejo nada tão ofensivo ou agressivo, redações são ambientes de trabalho e brincadeiras são coisas normais em ambientes de trabalho. Eu refaço a redação do texto (e estou editando seu nome do comentário para que ninguém relacione o dado a seu pai) mas reitero que o dado me foi repassado dessa forma por alguém em cuja palavra eu tenho confiança, tanto que não estou alterando a informação em si.
E a propósito, eu o conheci brevemente, sim: fui levado para sua redação por um primo que trabalhava por lá. Falamos por algumas horas. Só.
E sinceramente, não acho que "caí na vulgaridade" ou que isso denigra seu pai. Ambientes de trabalho são pródigos nesse tipo de brincadeira (ainda mais em redações, aonde esse tipo de atitude alivia as tensões) – e isso só mostra que seu pai era um ser humano. É muita fúria por uma atitude casual e que em si, não tem nada de mais. Pessoas não são estátuas de mármore.
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