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Mar 04
Ranking do Oricon (JP) – 28/02/2010
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Categorias: rankings

O bom Soul Eater, de Atsushi Ookubo, toma o primeiro lugar e marca a presença da editora Square Enix em uma lista aonde, de resto, ela não teve lugar. A invasão dos quadrinhos para meninas (que não são ranqueados neste blog) e os escombros da invasão dos títulos da revista semanal para garotos Shonen Magazine, da Kodansha, semana passada (com algo da sua concorrente Shonen Sunday, da Shogakukan, a reboque), deixaram pouco espaço para novidades. E na ausência delas, vale a regra que valia para os velhos rankings da Taiyosha: quando a vendagem do material de massa cai, o material voltado ao fã hardcore começa a dar as caras. Ou seja, a semana não está boa para as editoras.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Soul Eater 16 (Square Enix) – 212.254 / 212.667 [1]
02. Detetive Conan 67 (Shogakukan) – 117.994 / 424.450 [2]
03. Kekkaishi 28 (Shogakukan) – 72.194 / 220.169 [6]
04. Keroro Gunso 20 (Kadokawa) – 69.913 / 69.913 [7]
05. Ahiru no Sora 26 (Kodansha) – 64.869 / 264.685 [10]
06. Negima 29 (Kodansha) – 51.093 / 199.321 [18]
07. Shijo Saikyo no Deshi Kenichi 37 (Shogakukan) – 42.313 / 137.979 [20]
08. Bloody Monday Season II 2 (Kodansha) – 40.598 / 147.281 [22]
09. Dear Boys Act. 3 3 (Kodansha) – 36.839 / 132.048 [24]
10. Baka to Test to Shoukanjuu 2 (Kadokawa) – 32.332 / 32.332 [27]
11. Zettai Karen Children 20 (Shogakukan) – 31.651 / 109.602 [30]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Shingetsutan Tsukihime 7 (Kadokawa / Media Works) – 80.225 / 80.225 [5]
02. Liar Game 11 (Shueisha) – 57.383 / 122.073 [13]
03. Rozen Maiden 3 (Shueisha) – 54.036 / 116.155 [15]
04. Shacho Shima Kosaku 5 (Kodansha) – 53.155 / 53.155 [16]
05. Maria Holic 6 (Media Factory) – 51.401 / 51.401 [17]
06. Princess Ressurrection 11 (Kodansha) – 46.179 / 46.179 [19]

Claro, a Shogakukan não pode reclamar: Seu Detetive Conan continua vendendo bem, embora sem o ímpeto da semana anterior, e Kekkaishi se mantém como o produto sólido que é. Talvez seja essa a sua marca: a antologia despenca, mas os títulos que ela veicula são sólidos e mais resilientes a longo prazo. Eu até mencionei isso semana passada e torno a repetir: o declínio de vendagens da Shonen Sunday prejudica menos os títulos que ela já veicula do que a capacidade da revista em servir de lar para novos sucessos. O presente não está em risco, o futuro sim. Basta reparar na velocidade que Negima despencou enquanto
Kekkaishi, que nem tem tanta popularidade quanto a horda de menininhas de Ken Akamatsu, e chegou a ter um anime originalmente de horário nobre relocado para as madrugadas para não ser cancelado, permanece de pé (claro, Akamatsu arrecadou bem mais com a ajuda de sua edição para colecionador, e no cômputo geral, ele está sorrindo de orelha a orelha). Não foi a toa que a autora Yellow Tanabe foi escalada para criar um dos títulos da Shonen Sunday Mensal – ela produz materiais que não são explosivos, mas são resistentes, e em um mercado aonde as vendas a longo prazo e a capacidade de gerar novas edições nas livrarias são fundamentais, uma criadora como Tanabe é um ativo valiosíssimo. É só comparar com o concorrente Ahiru no Sora, que teve uma vendagem ótima de cara, superior a Kekkaishi, e que arrecadou mais até agora; mas despencou com mais força e a longo prazo pode, teoricamente, até ser ultrapassado. Essa é uma mostra do funcionamento de uma indústria quadrinhística que já pensava em termos da hoje em voga cauda longa, antes mesmo do termo ser criado.
Mas o desempenho médio desta semana, se pensarmos bem, é pedestre. A única estreia que decolou acima dos 100.000 exemplares vendidos – na verdade, acima dos 200.000 – foi Soul Eater.
A aventura cômica que ousou ao colocar uma menina como personagem principal sem apelar para fanservices e similares (Isso é deixado para personagens femininas coadjuvantes, como a bruxa Blair – sim, vocês pegaram a piada. A protagonista Maka é tratada com uma aura de igualdade em relação a qualquer bom personagem masculino que se preze… e detalhe, funciona, sem alienar os garotos leitores) também é um desses exemplos brilhantes de como se pode ser inovador e ainda assim se fazer a mesmíssima coisa – o famoso "as coisas mudam para permanecer as mesmas". E sim, Soul Eater é legal.
O resto dos títulos não vai tão bem. Tirante este e Detetive Conan, que tem status de blockbuster, o restante patina na faixa dos 70.000 exemplares para baixo. Para quem já acumulou resultados de semanas anteriores, não é tão grave. Mas entre as estreias para garotos, o resultado é medíocre – uma semana de entressafra entre a enxurrada de lançamentos anterior e a próxima semana, que traz o furacão One Piece. Os títulos adultos, entretanto, estão um pouco melhor em sua média. Claro, conta pontos para isso o fato de serem relativamente poucos – apenas seis contra os onze títulos presentes para garotos. Curiosamente o campeão é um daqueles que agregam tipos diferentes de públicos: Tsukihime é baseado em um videogame, teve desenho animado (eu pessoalmente achei soporífero, mas isso não importa aqui)… mais interessante é o
fato de que ele surgiu como um jogo erótico feito por fãs para o Comiket, e rapidamente descobriram o potencial do material para além do universo dos contadores de azulejos: ganhou um jogo mais manso no ano seguinte, virou animação em 2003, e tem esse mangá, desenhado pelo artista Sasaki Shonen a partir do plot original do grupo Type-Moon que desenvolveu o jogo. Mesmo sendo sempre um produto dirigido ao mundinho dos fãs hardcore (a.k.a. otaku), como sinaliza a própria publicação de onde o material veio – a Dengeki Maoh, que é um celeiro de futuros produtos para bonecas de pvc, almofadas tamanho família estampadas com as personagens, etc., teve um bom desempenho fora dele. Conta pontos para isso o fato de ter vampiros. Vampiros vendem, não importa o quê.
O restante fica em média na faixa dos 45 a 57 mil. Pouco, muito pouco. Semana em que aparecem Maria Holic, Princess Ressurrection e Baka to Test to Shoukanjuu sinalizam vendagens baixas de modo geral, para padrões japoneses. Mas não precisamos ter medo: Luffy e companhia virão para salvar a lista semana que vem. Como esse título traz muitas pessoas aos pontos de venda, outros títulos acabam se beneficiando a reboque. Os Maria Holic da vida irão para o raio que os parta, até a próxima baixa de vendagens. Xô, Maria-Kun (quem andou acompanhando o blog nas últimas semanas deve ter pego o ponto)! ;)
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Comentários:
Tenho muito interesse nessa série, mas estou evitando começar outros títulos ainda em andamento.
O mangá vende pouco porque ele não é o tronco da franquia, que é baseada em uma LN (Light Novel), e esta sim é um sucesso, inclusive foi listada como uma das mais bem-sucedidas. Ou seja, o mangá é só uma fonte extra de trocados, criado para aproveitar as oportunidades de crescimento criadas pelo anime.
http://www.subeteanimes.com.br/2010/02/as-light-novels-mais-vendidas-da.html
Claro que temos que considerar que LNs não vendem tanto quanto mangás, embora estejam ganhando popularidades graças ao número cada vez maior de animes baseados neste tipo de impresso.
E sinceramente, eu não vi nada de hardcore ali. E sou capaz de apostar que a pouca otakissse que existe em Baka to Test é mais influência da modinha de K-ON! que necessariamente chamariz pro público hardcore.
E, por coincidência, comecei a assistir Maria + Holic ontem. A primeira coisa que pensei quando vi o primeiro episódio foi justamente nos seus posts de Hibari-Kun. É por isso que eu sempre digo que quem faz sucesso, faz escola. =)
Alexandre: Verdade. Negima é popular, mas Kekkaishi no fim das contas é concreto. Se bem que a Yellow Tanabe adoraria ter o mesmo grau de popularidade de um Negima...
Sobre BakaTest, acho sim um material voltado ao público mais hardcore - a diferença é ele ser mais acessível do que a média, inclusive conceitualmente (fiquei realmente surpreso com o primeiro episódio, mas depois...). Mas pelo menos pela versão animada o que se vê são velhos fetiches - de yandere a mais um Hibari-kun da vida - sendo explorados.
Mas como o Pato falou, a espinha dorsal é o livro, do qual lançou um novo volume semana passada vendendo o dobro do manga.
Tsukihime? TYPE-MOON vende e é um nome que arrasta quem tá no nicho - como o Ryuukishi07 de Higurashi e Umineko e mais alguns. Cada filme de Kara no Kyoukai (que tem certa relação com Tsukihime) vendeu não muito menos que esses 80 mil - e custando umas dez vezes mais a Edição Limitada. Vejo vampiros desempenhando papel pequeno nisso (apesar que não é bom subestimá-los).
Não achei que a lista estava mal, pode ser que ela não esteja do seu agrado, mas essa semana as vendagens estavam em torno de 30.000 na posição 30 e isso é muito bom pq geralmente ela chega a 22.000 (é só lembrar que Lost Canvas nunca passou de 26.000 na primeira semana e volta e meia aparece só pra mostrar as caras no top30). Para mim foi uma boa semana e teve alguns mangás que eu curto e outros que pretendo ler (Keroro Gunso, Liar Game, Bloody Monday).
Alexandre: Não é que a lista estivesse ruim, mas como eu disse, ela simplesmente mostra os títulos da semana passada em espiral descendente. E realmente os materiais de nicho aparecem, mesmo sendo na rabeira.
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