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Ranking do Oricon (JP) – 14/02/2010
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Categorias: rankings

Primeiro as desculpas: esse post deveria ter saído quinta de manhã (os rankings traduzidos do Oricon saem quarta à noite, mas nem sempre estou com os neurônios afiados pra escrever um post decente a essa hora; sou um animal matinal e por isso mesmo prefiro colocar o ranking na quinta-feira), mas fiquei sem internet por cerca de um dia – e logo em seguida houve alguma manutenção técnica que deixou meio complicada a atualização. Agora vamos direto ao que interessa e o que temos é uma disparada total, fazendo que Worst, que estreou na semana passada, disparasse da 25ª para a primeira posição, para os fãs da porradaria curta e grossa, sem frescuras, sem personagens andróginos, sem blá blá blá, nem nhé nhé nhé. Cortesia da revista Shonen Champion da editora Akita Shoten (aqui na sua versão mensal), o último bastião nos quadrinhos para garotos de um espírito cabra-macho-sim-senhor que evaporou do shonen mangá ao longo das últimas décadas.
(Lembrando sempre: o primeiro número corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado, e o último representa a sua posição na lista geral)
Shonen/Para garotos
01. Worst 23 (Akita Shoten) – 159.193 / 185.818 [1]
02. Bleach 43 (Shueisha) – 135.321 / 576.654 [2]
03. Hanma Baki: Son of the Ogre 22 (Akita Shoten) – 78.155 / 78.462 [4]
04. Crows Zero 6 (Akita Shoten) – 51.962 / 51.962 [7]
05. Nurarihyon no Mago 9 (Shueisha) – 47.297 / 172.402 [8]
06. Tegami Bachi 9 (Shueisha) – 43.369 / 135.373 [12]
07. To Love-Ru: Trouble 17 (Shueisha) – 37.017 / 125.726 [16]
08. Beelzebub 4 (Shueisha) – 31.886 / 107.538 [20]
09. Sket Dance 12 (Shueisha) – 31.486 / 102.272 [21]
10. Medaka Box 3 (Shueisha) – 24.624 / 96.725 [28]
11. Rosario + Vampire season II 6 (Shueisha) – 24.387 / 82.936 [29]
12. Examurai Sengoku 2 (Akita Shoten) – 24.283 / 24.283 [30]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Amanchu! 2 (Mag Garden) – 82.012 / 82.012 [3]
02. Tobaku Datenroku Kaiji: Kazuya Arc 2 (Kodansha) – 40.033 / 87.617 [14]
03. Junketsu no Maria 16 (Kodansha) – 37.304 / 81.643 [15]
04. Nagato Yuki-chan no Shōshitsu 1 (Kadokawa) – 36.766 / 121.390 [17]
05. Shinjuku Swan 21 (Kodansha) – 30.290 / 57.362 [24]
06. Kenka Shobai 19 (Kodansha) – 26.841 / 50.217 [25]
07. Himeanoru 5 (Kodansha) – 26.241 / 48.215 [26]

É bom reparar que a Shonen Champion é caracterizada por ter uma tiragem antes de mais nada estável: São sempre quinhentos mil exemplares por semana, sem subir nem descer. Eles são a quarta maior antologia semanal japonesa para garotos, mas isso não quer dizer muita coisa: perdem feio em termos de tiragem para muitos materiais para adultos e não tão adultos. No entanto, enquanto uma revista como a Shonen Sunday, da Shogakukan, despenca e – inimaginável até alguns anos atrás – perde sua posição de terceira maior revista do mercado para uma publicação mensal da concorrente Kodansha (a Shonen Magazine Mensal), ela se mantém lá, com seus quinhentos mil toda semana. Qual o seu segredo? Meu palpite é o seu posicionamento: em algum ponto de sua história, a Shonen Champion decidiu não se alterar enquanto o padrão do demográfico shonen era sacudido por títulos como Dragon Ball. Os quadrinhos para garotos se tornaram mais assumidamente para garotos, e a Champion… nem se abalou: continuou a fazer o que sempre fez ao longo de sua história.

Assim, todos aqueles que não engoliram a higienização do gênero acabaram migrando para a franquia Champion (Shonen Champion mensal e semanal, Champion Red, etc.), lendo coisas como o grotesco Apocalypse Zero, que poderia estar ao lado de um título como Devilman na Shonen Magazine nos anos 70 (mesmo sem o mesmo estofo) – mas que hoje em dia não estaria em muitas revistas supostamente para leitores mais adultos. O público dessa revista são adolescentes, sim, mas adolescentes que não gostam do universo limpinho, digamos, de uma Sunday, ou do discurso positivo da Jump – ou mesmo do lado cool da Magazine (a galerinha vistosa de Air Gear seria vista como um "bando de preibói" pela trupe truculenta de Crows, cá entre nós), que se pensarmos bem, são a mera continuidade etária dos leitores da Jump. E eles estão no fundo da sala de toda sala de aula que se preze, para o horror dos professores do Japão.

Não que a Akita Shoten vá reclamar, é claro. ;)
A Champion não tem a pujança de seus três grandes concorrentes semanais, mas está sempre lá – e uma vez que, como dissemos lá em cima, a Sunday vem despencando pelas tabelas continuamente há anos... bem, a distância que separa o terceiro do quarto lugar já não é tão grande quanto costumava ser um dia. Da linha Champion, também temos o festival de porradaria de Hanma Baki: Son of the Ogre (do tríptico iniciado por Grappler Baki e sucedido por New Grappler Baki) e Crows Zero (o prelúdio da saga de Crows, catapultado pelos filmes de Takashi Miike) – além de Examurai Sengoku, a abordagem "uga buga" dos quadrinhos de samurai. Mas ele estreou tão na rabeira que ou sobe, ou desaparece de vez na lista.
O resto do ranking para garotos é composto essencialmente dos títulos da Shonen Jump que vieram de enxurrada na semana passada – e começar bem sob o impulso da griffe jump é fácil, difícil é se manter lá. Pegue por exemplo o exemplo de Medaka Box, que ainda nem conseguiu chegar aos 100.000 exemplares enquanto títulos como Beelzebub e o finado To Love Ru: Trouble já passaram dessa linha – e não duvido que em duas semanas Nurarihyon no Mago chegue aos 200.000 exemplares, mesmo que entre em espiral descendente a partir da semana que vem. Não há muito o que comentar, exceto que eu fico feliz em ver Sket Dance chegar aos cem mil exemplares vendidos – aos trancos e barrancos, ele consegue sua posição dentro da atual grade da Jump. Nunca vai ser O mega-hit, mas prosseguindo em seu canto sem grandes chances de ser cancelado, com posições oscilantes mas que não colocam em risco seu pescoço (a série é instável demais até para ficar entre os últimos por muito tempo) e ancorado por vendagens minimamente decentes, ela continuará seguindo seu rumo. Até o dia em que ganhe sua versão animada e possa ser devidamente impulsionado para posições melhores. Ele tem todo o perfil de uma série que, na televisão, não precisa ser cancelada nunca e ao mesmo tempo pode acabar em qualquer momento sem danos, o que lhe dá uma flexibilidade comercial imensa – em materiais estruturalmente episódicos e humorísticos, os fillers não chegam a ser daninhos.

Quanto aos materiais adultos, não há muito o que dizer. Amanchu – que nem é tão adulto assim, produzido pelo mesmo Kozue Amano de Aria (e mais ou menos seguindo a mesma cantilena, agora debaixo d'água ao invés de seguir sobre sua superfície; quem conhece Aria vai entender), estreou com um pé muito direito. Dependendo da próxima semana, poderemos dizer se essa série tem futuro. Há rearranjo de forças, com o bom, velho e – por que não dizer – excepcional Kaiji mostrando que uma história concreta e bem escrita tem muito a oferecer contra um mercado repleto de séries ancoradas em personagens bonitinhos e vazios. O leitor agradece e ele permanece – é bom dizer que a versão alternativa e adocicada da personagem Yuki Nagato da franquia Haruhi Suzumiya pode ter vendido mais, mas está declinando também com mais velocidade. Kaiji nem vende tanto, mas demora também a deixar de vender. Em um cenário aonde vendas a longo prazo contam muito, como o mercado Japonês de quadrinhos, eu olho o desempenho da série de forma positiva. O futuro pertence aos que sabem permanecer de pé, no fim das contas.
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Comentários:
"ainda"? eu detesto medaka, mas 96 mil no volume 3 é um excelente número. sket demorou DOZE volumes pra chegar aí, o queridinho kuroko's basket demorou cinco... e medaka, que vendeu 15 mil no primeiro mês do volume 1, agora vende quase 100. nenhum título da jump em 2009 cresceu tanto nas vendas em tão pouco tempo.
como eu queria que outros mangás da jump que já foram cancelados tivessem tido essa sorte...
Muito pelo contrário, devem estar muito felizes, pois para um título que pertence a um gênero tão volátil, virar franquia é uma grande vitória.
E as séries desse Kozue Amano parecem se salvar pelos rostos bonitos das moças mesmo...
Alexandre: O Amano tem um talento peculiar na minha opinião: consegue colocar elementos que apelam perfis diferentes de leitores sem que a presença dos mesmos afaste alguém. É como se ele soubesse até que ponto pode ir. Não tenho nada contra Aria e até resenhei seu predecessor, Aqua, para a Neo Tokyo.
Minha opinião sobre Merdaka é oposta à sua. Beelzebub com só 107k (10k de diferença para Merdaka) me dá muito medo... Aliás essas vendagens estão praticamente provando que o ToC é mentiroso, hein?
Alexandre: Pior que não acho que o ToC seja mentiroso, mas a decisão sobre uma série permanecer ou ir para a guilhotina passa por mais do que apenas o ToC ou as vendagens. Lembra do que falei sobre Inumaru? Aquilo não vende direito nem por decreto em encadernados, mas é um grande atrator de leitores casuais – ou seja, é saudável para as vendagens da revista em si. Por isso ele tem posições decentes no ToC mas isso o fato disso não se reverter em vendagens não lhe custa o pescoço.
Ah, ia me esquecendo... Bleach está melhor que o volume anterior, mas ainda está longe de recuperar os 900k que a série estava emplacando. Espero que o Kubo tenha acordado e mexido a bunda gorda de mangaká acomodado da cadeira.
Alexandre: Sinceramente, acho que Bleach poderia já estabelecer uma rota para a reta final. Mesmo.
Alexandre: Eu não acho que vão cancelar Sket Dance, na boa. Ele não é um título de ponta, mas também não é um título fim de linha. Se bem que acho que o Lock On (a julgar pelo primeiro capítulo) representa mais competição contra ele do que qualquer outro que apareceu até agora.
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