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Jeanne, de Yoshikazu Yasuhiko

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Lancaster | PERMALINK | 15

Categorias: Artigos e Reviews

Jeanne

Um dos fatos a se lamentar na chegada tardia dos mangás ao Brasil é que muitos grandes autores continuam inaceitavelmente inéditos em nosso país. Alguns sofreram certas injustiças – mesmo Tezuka foi esnobado nas bancas, sendo tratado com respeito pelos leitores apenas bastante tempo depois, nas livrarias. Outros, permanecem desconhecidos, mesmo que estejam por trás de obras de renome – especialmente pela preferência dos leitores por tudo que é novidade.
JeanneYoshikazu Yasuhiko é um deles. Character designer da série Gundam original, e autor de leituras fundamentais dos mangás nos anos oitenta como Venus Wars, sua obra permanece longe de nossas praias. Mas sua obra não perdeu a validade, e um dos seus trabalhos mais interessantes foi publicado pela extinta editora Comics One nos Estados Unidos: Jeanne (Joan, nos Estados Unidos). Que se destaca no meio dos mangás pelo fato de ser um raro mangá... completamente produzido a cores, aquareladas pelo próprio autor.
Jeanne não é exatamente uma biografia de Joana D'Arc, embora sua vida sirva de fio condutor para a compreensão da história a medida em que ela avança. Nossa protagonista aqui é Emil de Baudricourt, filha bastarda do Duque da Lorena. Com sua morte, a Duquesa Margaret da Lorena se vinga de forma cruel e brutal da amante do marido, e para proteger sua vida, a pequena Emily tem que se passar por um menino, sendo adotada sob o nome masculino de Emil por Robert de Baudricourt, Capitão da Comuna de Vaucouleurs (no original, Commune – a menor unidade administrativa na França. Não custa lembrar que esse tipo de unidade foi oficializada apenas a partir de 14 de dezembro de 1789, portanto não haviam comunas na Idade Média, num pequeno furo de pesquisa de Yasuhiko. Mas sigamos adiante).
O que poderia ser mais uma reciclagem de um tema batido nos mangás e animes ganha outras conotações. O destino de Emil está ligado à legendária Joana D'Arc. Ainda criança, ela teve uma visão do espírito de Joana no castelo do Duque. E Baudricourt foi justamente o homem que a encaminhou ao então Delfim Carlos.
O encontro marcou Emil, que cresceu antevendo seu destino. E ele chega quando o ambicioso Delfim Luís se posiciona contra o próprio pai, o agora rei Carlos. Emil parte em missão no lugar de seu pai adotivo Baudricourt, carregando a bandeira real, e traçando a mesma rota oeste que Joana percorreu. Na vila de Domremy, onde Joana cresceu, Emil encontra sua aparição mais uma vez, após tantos anos. Joana se manifesta como uma simples camponesa, com um único pedido: "Proteja o Rei, como eu fiz, não importa o que aconteça." E assim, a história verdadeiramente começa.

Jeanne

Jornada de Esperança

A Guerra dos Cem Anos se encaminhava para um final. A França sobrepujou sua maior crise graças ao "Milagre de Joana D'Arc" e gradualmente recupera seu território sob o novo rei, Carlos VII. Entretanto, o mundo não mostra confiança em um "rei fraco" como Carlos, e os nobres que o puseram no trono em Reims, com Joana, estão alinhados ao Delfim Luís. O Reino da França está dividido em facções ligadas por laços feudais. Nesse contexto, a delegação de Emil para representar JeanneBaudricourt acabou por enfrentar muita resistência. Bertrand, que no passado seguiu Joana e agora segue Emil, a ajuda em sua missão. Entretanto, Emil é presa como "hóspede" em Órleans, sendo confrontada pelo cruel Delfim Luís – que a identifica como uma mulher disfarçada de homem. No cativeiro, Joana faz uma nova aparição a Emil, e a ajuda a fugir. Seu caminho a leva para Tours, cidade que apoia o Rei Carlos. Lá, ela o encontra e se dá conta da verdade: Carlos realmente não inspira confiança, morrendo de medo do Delfim – e é apoiado por um exército fraco. Não deixa de ser curioso: as histórias contadas a respeito de Joana D'Arc sugerem que Carlos era um fraco que ganhou hombridade após conhecer Joana. O quadrinho parte do princípio que ele de um Delfim fraco se tornou um rei fraco. Não custa lembrar que quando Luís (XI) se tornou rei, fez seu nome na história como um rei forte e de pulso, embora mau-caráter e revanchista. E como para se construir uma imagem, você ou se ancora no antecessor ou se constrói por oposição – e como rei, Luís XI perseguiu todos os partidários do pai, apesar do final do mangá sugerir uma mudança de postura e de caráter. Mas ficção é ficção e história é história. Quem era Carlos VII na verdade? É difícil saber.

Jeanne

Em todo caso, ao descobrir que o exército precisa desesperadamente de recursos, Emil se voluntaria para procurar o apoio financeiro do rico aristocrata Gilles de Rais, que já foi companheiro de Joana. A partir daí, a história ganha tons mais sombrios: Gilles, marcado pela horrível morte de Joana na fogueira, se tornou mentalmente instável, abandonando-se à bebida, glutonaria e depravação, tendo caído sob influência de um "bruxo" local. O detalhe é que na vida real a história foi mais assustadora: JeanneConsiderado um dos precursores dos assassinos seriais de nossos dias, Rais era um bissexual que se separou de sua esposa e que reuniu uma corte de bruxas, alquimistas e sádicos, gastando sua fortuna em obras de arte relacionadas à finada Joana D'Arc, cuja morte claramente o traumatizou. Ao cair da noite, eles levavam crianças previamente sequestradas para serem torturadas, estupradas e mortas. Descoberto por conta de uma investigação, ele assumiria sua culpa em um transtorno de personalidade – e como ele documentava pessoalmente todos os seus atos, logo veio à tona a morte de mais de 200 crianças em suas mãos (embora hoje se tenha como certo de que foram bem mais; o fato é que entre 1432 e 1440, mais de mil meninos entre 8 e 10 anos desapareceram na região da Bretanha). Yasuhiko sintetizou essa massa de bruxos e sádicos em um único personagem, talvez por comodidade narrativa – e a influência desse personagem sobre Rais quase leva nossa protagonista à morte.
Fazendo Gilles cair em si (é ficção, gente), ele apóia financeiramente o rei – e isso leva a um confronto armado entre as forças que apoiam Carlos e as forças do Delfim Luís, na batalha de Loche. Os exércitos pró-rei vencem; e após esse sucesso, Emil vai o buscar apoio do duque Jean II de Alençon. No entanto, num ato de traição (justificado na história por rancor contra Carlos pelo que aconteceu com Joana), ele extermina a comitiva – aprisionando Emil para enviá-la, como prisioneira, ao Delfim. E, será que, prisioneira, ela terá o mesmo destino de Joana? Não, não vamos contar o que acontece a partir daqui.

Jeanne

Entre história e ficção

Jeanne é um quadrinho adulto. Lida com as marchas e contramarchas políticas em termos realistas, o que é uma característica constante nas obras de Yasuhiko – como Venus Wars, por exemplo – mas também trata de temas espinhosos – falamos da Idade Média, onde violência, estupro, e uma norma social asfixiante estavam na ordem do dia. Diferente de obras como Berserk, no entanto, Jeanne não Jeannefaz da violência um espetáculo e não precisa do choque pelo choque para se passar por adulto – em termos gráficos, nada é excessivo, embora definitivamente a história não seja recomendada para crianças. Mesmo a única cena de nudez da história, no último volume, está lá porque é crucial para o andamento dos fatos e se justifica por isso. E não custa lembrar, é desenhada sem o menor apelo erótico, com o realismo que a cena pede.
É curioso ver que Yasuhiko não apela para o fanservice nem quando o roteiro dá margem para tal. Elementos como a clássica "garota apaixonada pela garota vestida de garoto" até aparecem, mas os fãs de shoujo-ai (romances homossexuais entre garotas) vão levar uma bela patada com a resolução da situação. Moças de treze anos (que aparecem desenhadas em dimensões realistas, sem erotização precoce), casadas contra a vontade com homens muito mais velhos, são tratadas como o que eram: norma socialmente aceita, não fetiche para leitores de gosto questionável. Apesar do elemento de misticismo que permeia a história, a história é pensada em termos realistas; os personagens são o que são, sem filtros culturais locais (como costuma acontecer quando japoneses falam do ocidente. Alguém se lembra da absoluta falta de noção quando o cristianismo foi usado como tema na fase "filler" do anime de Samurai X?).
O verdadeiro motivo de drama interno e auto-questionamento para Emil é justamente a dúvida entre o livre arbítrio e a fé no divino – especialmente quando a sensação que o leitor tem é de que, a cada passo, essa mesma fé pode levá-la diretamente à fogueira: tudo já aconteceu antes e os relatos daqueles que encontraram Joana em vida tendem apenas a reforçar isso. A própria identidade masculina que lhe foi imposta tem mais o perfil de um fardo, que mesmo sendo envergado com hombridade e dignidade, ainda é um fardo a ser carregado – e que ela não questiona; de certa forma, essa identidade é a armadura de batalha que ela tem que vestir em nome da missão que lhe foi imposta, e que, apesar dos pesares (que não são poucos), é um dever que tem que ser cumprido. O final da história deixa bem clara a postura da personagem quanto a esse aspecto.
Yasuhiko toca nestes temas com tanta propriedade e compreensão que chegamos a nos perguntar se ele não seria católico – Porque ele sabe do que está falando e isso se reflete até na construção de seus personagens. Não custa lembrar: esta não é a única incursão histórica que ele fez em sua obra, e entre outros trabalhos seus há uma versão em mangá da vida de Jesus Cristo.

Jeanne

Um Pouco Sobre o Autor

Yoshikazu Yasuhiko (que usualmente assina suas ilusrações como "Yas"), nasceu em 9 de dezembro de 1947 e fez história no mundo dos animes. Tendo entrado na Mushi Produções de Osamu Tezuka como animador, ele posteriormente se tornou um artista freelance e trabalhou para vários longa-metragens e séries de televisão. Seu currículo inclui séries como Combattler V, mas sua fama veio com a série original Mobile Suit Gundam de 1979. No ano seguinte, suas ilustrações para os livros de JeanneHaruka Takachiro introduziram o character design original da popular dupla de personagens Yuri e Kei de Dirty Pair – que acabariam cedo ou tarde ganhando as telas de televisão.
Artista polivalente, ele se revelou como autor de livros de ficção científica durante os anos oitenta, além de ser aclamado como ilustrador, mas só entrou no mundo dos mangás em 1988. A obra prima que o aclamaria – um dos melhores mangás dos anos oitenta e talvez um dos melhores mangás de ficção científica de todos os tempos – seria Venus Wars, que adaptou a temática militarista das histórias de guerra com mechas a um cenário de ficção científica mais ortodoxo. Em Venus Wars, o planeta se tornaria habitável graças ao choque de um objeto celeste que mudou a composição de sua atmosfera e sua órbita. Com o tempo, os humanos os habitariam e formariam suas próprias nações – que entrariam em guerra. De um lado, gigantescos tanques; do outro, motos blindadas de combate. E no meio de tudo, a história de um piloto de motos que é arremessado em meio a eventos do qual ele é só um peão, onde as verdadeiras decisões são tomadas lá em cima. O tema da pessoa comum que tem que seguir seu caminho em meio à uma Jeannerede política de eventos sob o qual ele não tem controle parece uma constante em sua obra, e pode ser encontrado inclusive em Jeanne, onde Emil tem que trafegar entre pessoas de poder que podem esmagá-la a qualquer momento.
Em 1992 ele foi premiado com o Nippon Manga-ka Kyokai Award – da sociedade de ilustradores do Japão. E atualmente vem trabalhando no mangá Mobile Suit Gundam: THE ORIGIN, onde ele reconta a seminal história de Yoshiyuki Tomino à qual ele deu vida visualmente nos anos setenta, atualmente no 13º Volume, publicado pela antologia Gundam Ace da editora Kadokawa Shoten. É um material que já nasceu fundamental: a história original do anime já foi adaptada para o mangá no passado, mas por equipes não tão dignas de nota, mesmo que competentes. O Criador visual de Amuro, Char e toda uma iconografia de personagens que fez história, hoje é um quadrinhista com bagagem, que transcende o fato de ter feito uma obra de nota nos anos setenta e conquistou seu espaço posterior pelo próprio mérito. Ler esse material sendo produzido, em seu próprio ritmo e sem condensações que fazem muitos mangás criados como adaptação de animes parecerem um mero resumo feito às pressas, por um autor que domina o ofício de escrever e que foi Jeanneum dos criadores originais do clássico que está sendo adaptado, dá ao material uma autenticidade única. E pensar que por causa da má impressão dada pelo pavoroso Gundam Wing em nosso público, talvez jamais vejamos Gundam The Origin em nossas livrarias um dia – porque não se iludam, é material para livraria. Os volumes têm em média de duzentas a duzentos e setenta páginas, e cada capítulo publicado na Ace tem em média oito páginas coloridas. Não dá para se publicar isso de qualquer jeito por aqui. E isso vale para boa parte de suas obras, depois que ele passou a manifestar uma preferência clara por histórias pintadas.
Yasuhiko é um dos autores que já deveriam ser conhecidos dos nossos leitores há muito tempo. E Jeanne é uma obra que seria muito bem-vinda por aqui. Não deve ser vista como uma ficção 100% histórica: a trama não é datada pelo autor, mas é dito que a primeira esposa de Luís, Margarida da Escócia, tem treze anos; então, teoricamente ele teria quinze anos, mas é apresentado visualmente como um homem adulto e a história se passaria em 1438; e para complicar, as rebeliões encabeçadas por Luís só começariam em 1440 e prosseguiriam, com idas e voltas, até meados da década de 1450. O mangá sugere, em contrapartida que as rebeliões de Louis terminariam ali. Além do mais, temos a presença de Agnes Sorel já como amante oficial de Carlos – quando na verdade ela só entrou na corte depois de 1440, e foi tornada amante oficial em 1444. Não é preciso ir muito longe para concluir que ele tomou liberdades dramáticas imensas com o material que tinha em mãos.
Mas como roteiro, como arte, como história em quadrinhos, é um material de primeira linha; e num momento onde os mangás parecem começar a conquistar um espaço nas livrarias, não custa nada ter esperanças. Jeanne – e Yoshikazu Yasuhiko – merecem.

Jeanne

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Comentários:

Nome: Warty 16/02/10 01:27
Interessante matéria. O autor parece realmente muito competente. Pena que material de qualidade é raro ter chance aqui. Só em livraria mesmo, mas a principal editora que apostava nisso está em estado semi-vegetativo no quesito mangá (a Conrad). Mas não custa nada sonhar numa evolução no nivel de material publicado aqui, não é mesmo? ;D

Quantos volumes possui essa série?

Alexandre: Três volumes. Na França saíram em quatro, com menos páginas por volume, acredito que foi para deixar o preço do material mais ou menos o mesmo das edições em preto e branco. Mas nos Estados Unidos e no Japão saíram em três mesmo.

PS: acho que Gundam aqui no Brasil num tem mais espaço. =\ (ainda pretende publicar algo sobre Gundam aqui?)

Alexandre: Talvez.
Nome: Ned Flandres 16/02/10 01:36
E pensar que por causa da má impressão dada pelo pavoroso Gundam Wing em nosso público, talvez jamais vejamos Gundam The Origin em nossas livrarias um dia.

Discordo, Gundam não faria sucesso aqui nem se tivesse vindo Seed ou o original, simplesmente porque o publico brasileiro tem um preconceito enorme contra animes de mecha.
Wing quando foi exibido nos EUA fez um enorme sucesso e por aqui foi um sucesso mediano no maximo. Sera que o mercado americano é tão diferente assim do brasileiro? Evangelion foi a exceção por causa da enorme propaganda que fizeram em cima.

Alexandre: Sinceramente, houve lugar e época para o Gundam original ter sido trazido para cá: 1984, assim que os episódios de Patrulha Estelar da Rede Manchete se esgotaram no armário da emissora e danaram de ser reprisados. Se trouxessem o Gundam original e o Zeta em carreata, a história seria outra, acredito – porque se fizesse sucesso, eles aproveitariam que no Japão passou a sair praticamente um Gundam por ano, e acabaria por emendar com a exibição de Robotech na Globo. Isso criaria uma "cultura mecha" por aqui.
Wing foi um desastre. Pode ter deixado doidas fãs que liam fanfics mas nunca prestaram muita atenção a história, mas foi declarado em um evento por um dos licenciadores que tentaram trazer Seed para cá, mas a Cartoon mesmo disse que Gundam Wing foi considerado "confuso" por seu público (e cá entre nós, é mesmo), e por causa disso nem queriam chegar perto de outra série Gundam. E realmente o roteiro de Wing não tinha pé nem cabeça; personagens mudavam de personalidade do nada, a série virou uma colcha de retalhos de acordo com o golpe de estado que viesse a seguir, e tínhamos personagens no mínimo infantis (só como um exemplo, a Dorothy Catalonia parecia uma vilã de Capitão Planeta, com aquele seu "eu amo as guerras", pqp!).
O pior é que foi tudo feito certo aqui no Brasil quanto à série, como lançar o mangá justamente na semana de lançamento na televisão e fazer barulho em todas as revistas especializadas para chamar seu público. Ninguém pode culpar os brasileiros aqui – não nesse caso. A culpa era do produto, que era ruim de doer mesmo.


Boa matéria Alexandre, acho os trabalhos do Yoshikazu Yasuhiko fantasticos, mas poxa você nem citou um dos meus trabalhos favoritos do cara, Crusher Joe, ta certo sei que é tosquerrimo mas aquilo representa tudo que a ficção cientifica pulp da época (70, 80) era.

Alexandre: Crusher Joe era cria de Haruka Takachiho e Fujihiko Hosono. Yasuhiko só se envolveu com o longa-metragem. E sim, aquilo era muito divertido. :)
Nome: Jussara Gonzo 16/02/10 10:37
Arte belíssima! Sem falar que obras históricas me atraem naturalmente. Que aquarela linda!

Alex, querido... a única coisa que eu acho que "quebra" um pouco o clima das suas matérias é quando você aproveita para espinafrar os otakus fãs de bizarrices fetichistas quando a obra em si NÃO possui isso.

Alexandre: Pode ser. Mas nesse caso eu tinha que falar porque ele lida com dois aspectos que são usualmente trabalhados para o gosto de certos setores moezeiros. Aqui é o fato que na época, uma menina de treze era considerada uma mulher feita, em idade para casar, e isso é trabalhado com correção. O outro é o shoujo-ai (lesbianismo platônico) que não existe aqui de verdade (até porque o autor expõe os pensamentos de Emil e deixa claro o que se passa na cabeça dela). O autor não parece gostar de fazer concessões, graças a Deus – Jeanne é quadrinho sério! :)
Nome: cursos 16/02/10 03:18
Matéria muito boa! Parabéns.
Nome: Marcelo Santarem 16/02/10 03:39
São quantos volumes, Lan?

Alexandre: Três. Como eu disse, só a França publicou em quatro, mas seu formato por excelência de publicação é em três.

Além de EUA e França, em quais outros países foi publicado esse material?

Alexandre: Posso estar errado, mas apenas nesses. E nos Estados Unidos é coisa antiga.
Nome: mrs 16/02/10 04:45
Nessas horas é que eu sinto a falta que a Conrad faz...
Interessante ver como as vendas de mangás em livrarias não dependem tanto do preço como os mangás de bancas: os livros da Conrad custavam de R$19,90 em diante e vendiam. Já Seton,que considero o único mangá que paguei menos do que valia realmente (R$15,90) foi um fracasso.
Pensando bem,nesse cenário dá até pra considerar a publicação de Gundam: The Origin com páginas coloridas, não? Nem imagino a facada que seria o preço...

Alexandre: Sinceramente, Gundam: The Origin, a partir do Aizouban, nem a sonho. Infelizmente. :\
Mas o ponto é o que falei certa vez: em livraria, você tem tiragens menores, por isso precisa de preços maiores para compensar o custo de produção. E como ninguém vai comprar um material com qualidade gráfica de material de banca e preço de capa mais alto, é preciso incrementar graficamente o produto – o que o encarece mais ainda, mas agrega valor para justificar sua compra por um preço inevitavelmente maior. E por ficar em um lugar aonde a exposição é mais demorada (em banca você tem um prazo curto para vender o maximo possivel), você tem um retorno mais lento, mas realmente mais garantido. É melhor demorar mais para ter lucro do que ter prejuízo imediato, afinal de contas.
Nome: Sthefan 16/02/10 06:36
Quando Gundam Wing estreou no Cartoon, eu não pude acompanhar por causa dos meus horários, mas vi um episódio e outro e achava legal por causa dos mehcas (tinha uns 12 anos, acho). Anos mais tarde, baixei a série e... que decepção. Ao menos, para mim, serviu para divulgar a franquia (estou correndo atrás da série original).

Sobre a matéria (muito boa como sempre), Jeanne realmente possui o perfil da Conrad, mas infelizmente, o cenário hoje é outro.

Uma dúvida: você possui os volumes de Jeanne ou leu a obra por outro meio? A pergunta vale também para Devilman (xD).

Alexandre: Jeanne eu li pela versão americana lançada pela Comics One. Tenho os três volumes. Faz parte da era pré-tokyopop dos mangás nos Estados Unidos. Não me incomodo pelo espelhamento ou pelas onomatopéias traduzidas (apesar delas nem chegarem perto do trabalho profissionalíssimo do studio proteus); me incomodo, hoje em dia, em ver que aquilo foi escaneado do original japonês, sem uso de arquivos digitais originais. Houve perda feia na qualidade das cores. Mas o roteiro é de primeiríssima. Hoje está fora de catálogo, mas não duvido que procurando você ache.
Já Devilman, sejamos honestos: a chance de lançarem aquilo no ocidente, com o traço cru de Nagai, é um tanto remota nos dias de hoje. Talvez tenha sido lançada na Itália (que tem um gosto maior por clássicos), mas eu não leio italiano, então...
Nome: Leonardo 16/02/10 08:53
Muito boa matéria. Pena que esse tipo de material não tem a mínima chance no Brasil. Só de pensar que clássicos absolutos como Akira e Ghost In The Shell, dois mangás que abriram portas no ocidente nunca sairam por aqui, fica difícil pensar na publicação de um trabalho desses.

Acho que cada vez mais teremos apenas shoujos que ninguém conhece e que ninguém quer ler nas bancas. :P
Nome: Karina 17/02/10 03:38
Interessante essa matéria. Gostaria muito de ler um mangá assim, mas acho que só seria lançado em livrarias. Parece que o público brasileiro não é muito chegado a mangás históricos.

Alexandre: Acho difícil saber. Mas fatalmente isso teria que ser lançado em livraria, até pelo fato de ser a cores. Sairia caro demais em banca.
Nome: Jet Fidelis 17/02/10 04:11
Leonardo

"Muito boa matéria. Pena que esse tipo de material não tem a mínima chance no Brasil. Só de pensar que clássicos absolutos como Akira e Ghost In The Shell, dois mangás que abriram portas no ocidente nunca sairam por aqui, fica difícil pensar na publicação de um trabalho desses."

Esqueceu do Akira pela editora Globo? E saiu completo, apesar do hiato de 5 anos nas últimas edições.

Sobre o material, parece obrigatório, pena que vamos penar para achar isso em algum lugar...
Nome: João 17/02/10 07:47
A arte do cara é muito bacana. Quando ler a matéria, comento mais.
Nome: Pedro Bouça 19/02/10 11:13
O mangá foi efetivamente publicado na Itália como "Giovanna d'Arco". Pode ser encontrado nas livrarias online carcamanas, junto com outros mangás históricos do Yas, como um dedicado ao imperador Nero e outro a Alexandre o Grande. Para não falar de Venus Wars...

As edições americana e francesa estão há muito esgotadas.

Na Itália também é possível se achar Devilman e uma pilha de outros mangás do Go Nagai. O que não é feito nenhum, já que a editora dele, Dynamic, os publica diretamente no país...
Nome: Luiza 13/10/10 11:28
Olá, achei muito interessante esta matéria,pois esse autor faz mangás tipo histórico-cultural, meu sonho seria trabalhar com isso ao inves de simplismente fazer mangás com fins fantasiosos que atinge muito o público adolescente, e claro talvez até renda mais, mas acho que apostar em fazer mangás ou HQs de fundo histórico que nos tragam conhecimento, que na minha opinião é o mais importante- depois sim vem o divertimento lazer- e para torna-lo interessante elaborar um super roteiro, pois não sei se vc já ouviu falar, mas uma história pode até ser ruim e meio cliche, mas se ela souber ser bem contada...todos vão adorar! Gostária de saber se vc conhece editoras que trabalham, e que se importem em fazer esse tipo de trabalho e se tem artistas e desenheistas que vivem disso, pois adoraria entar em contato com elas,mas é claro ainda tenho um longo caminho pela frente...
Obrigada desde já.

Alexandre: Olha, muitas editoras trabalham com o segmento educacional e de adaptações literárias – nelas é que você pode encontrar o que procura. Mas acho mais importante sempre focar o entretenimento em primeiro lugar; ser bem contado é saber entreter não importa o que se conte, você não fizer isso, o risco de afastamento do leitor em relação aos aspectos culturais pode ser grande.
Nome: Pedro H. 14/11/10 12:32
"Sinceramente, Gundam: The Origin, a partir do Aizouban, nem a sonho. Infelizmente. :\"

Eu até tinha pensado em comprar as edições francesas, mas obviamente essa versão é muito melhor. Você sabe onde eu consigo encontrá-la?

Alexandre: Pela fonomag. Custou mais de cem paus e bordoada o primeiro volume, mas valeu cada centavo. Comprei só o primeiro volume, está no quinto. Mostrei algo dele para os meus leitores AQUI.

E falando sobre Gundam, eu acabei de ver o último longa da trilogia clássica. Apesar do enorme volume de informações, e em alguns momentos ele ser meio corrido, é impressionante a qualidade da história. E ao contrário do que alguns disseram, eu não me incomodei em momento algum com a animação. Muito pelo contrário, eu fiquei impressionado que um anime voltado ao público jovem tenha uma história tão dramática. O Tomino definitivamente não menosprezou a inteligência do telespectador nestes filmes. Agora vou assistir a série Zeta Gundam, ZZ Gundam, Char's Counterattack, Victory Gundam, e por ai vai.

Valeu.
Nome: Anderson 06/02/11 07:07
Não sai nada aqui! ¬¬
será que eu vou ter que aprender francês?

Esse quadrinho é muito bonito

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