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O Humor do Surreal

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Lancaster | PERMALINK | 2

Categorias: Gag Manga

Daijiro Morohoshi

É incrível o poder que uma capa pode ter. Eu nunca ouvi (ou pensei jamais ter ouvido) falar do nome de Daijiro Morohoshi na vida até que olhei as duas capas que ilustram esse post. Elas podem ter um traço diferente para os padrões de hoje, e os dados davam a entender que ele era um gag mangaka (ou seja, quadrinhista de humor, e sob essa definição podemos encontrar trabalhos ou muito rudes ou muito estranhos; é um terreno de liberdade estética imensa). Mas há uma qualidade surreal e insólita nessas imagens que chamou minha atenção. Fui correr atrás de informações e descobri que ele fez várias obras de horror pela velha Asahi Sonorama, gênero pelo qual é mais conhecido no Japão – incluindo a obra de humor negro Shiori to Shimiko, premiada por excelência em 2008. E de repente acabei encontrando os dados no meu próprio blog, em uma matéria anterior. Memória é um bicho traiçoeiro. Morohoshi é um autor respeitadíssimo, tendo vários prêmios nas costas – começou a carreira na revista alternativa COM, editada por Osamu Tezuka no final dos anos 60, e atualmente publica a série Saiyuu Youenden – Saiki-hen pelo almanaque para leitores adultos Morning, da Kodansha. Os livros que estão saindo agora são dois volumes compilando suas raras histórias no gênero gag manga publicadas originalmente nos anos 70, lançados pela editora Jive (mais conhecida nos dias de hoje pelo almanaque mensal Comic Rush, mas essa publicação não tem nada a ver com as histórias em questão; ela começou a sair em 2004). Parece um produto no mínimo interessante: o primeiro volume é dedicado a suas histórias mais engraçadas no gênero (Funny Stories); a segunda, às mais surreais (Strange Stories). Seu senso de humor parece ser bem particular e provavelmente essa leitura deve ser uma experiência única. Quero ler esse material, já fui convencido.

Daijiro Morohoshi

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Comentários:

Nome: Pato_Supersonico 09/02/10 04:13
Dizem que nunca se deve julgar um livro pela capa, o que não está errado, mas a verdade é que, quando se trata de promover produtos, uma aparência chamativa (bonita ou criativa) pode fazer toda a diferença.

Alexandre: Verdade. Mas note que o Japão faz capas muito bonitas mas que são meramente ilustrativas em muitos casos, não dando a entender o que esperar necessariamente da história. Eu postei uma capa do mangá Alive: The Last Evolutionary Boy recentemente. Se dependesse daquela capa, jamais se imaginaria que a história é um shonenzão de ficção científica com subtons apocalípticos.
Essa transmite todo o insólito do conceito vendido. Deixa claro que você pode nem imaginar o que lerá, mas não vai ser uma história em quadrinhos
comum.

Isso provavelmente vale em dobro para materiais que são vendidos em expositores, como revistas e quadrinhos. Eu mesmo só começei a gostar de mangá quando uma capa de Love Hina (a nº5, mais exatamente) me chamou a atenção na banca de revista.

Alexandre: Pergunta: era com as meninas da pensão tomando banho ou coisa parecida, certo? XD
Nome: Pato_Supersonico 09/02/10 05:01
Acredito que no Japão isso não deve ser problema, já que as editoras usam muito marketing. A mesma propaganda que divulga o material provavelmente dá uma idéia de seu conteúdo, e duvido que alguém lá compre mangá a esmo, até porque lá os título são apresentados ao público através das antologias.

Uma das muitas utilidades de uma antologia é que elas evitam quaisquer maus entendidos, pois quem vai comprar uma mangá compilado são justamente aqueles que leram os capítuos na antologia e resolveram colecionar. Muito melhor que simplesmente dar uma folheada na banca. Aliás, não é a toa que a aparência de uma antologia lembra uma lista telefônica, podemos muito bem considerar aquilo como um tipo de catálogo, que serve para ajudar os colecionadores a escolher o que irão colecionar.

Como os autores japoneses não prescisam criar uma capa explicativa, podem usar todo o seu talento para fazer algo apenas bonito ou interessante, sem limitações. Assim, as capas não servem para atrair novos leitores, pois é o sistema integrado de marketing (anúncios, comerciais, trailers e animes) das editoras que atrai os clientes para as prateleiras. Presumo que, dentro desse sistema, a ilustração de capa serve só para eliminar as últimas dúvidas do comprador em potencial.

Já aqui no Brasil, começar uma coleção de mangá é sempre um investimento de alto risco. Uma capa explicativa pode até esclarecer sobre o conteúdo, mas só podemos saber se o título é realmente bom lendo um ou mais volumes. E ter que gastar entre R$5,00 e R$12,00 apenas para se ter uma amostra é algo um tanto frustrante. =(

"Alexandre: Pergunta: era com as meninas da pensão tomando banho ou coisa parecida, certo? XD"

Até que não:

http://mangasjbc.uol.com.br/love-hina-05/

Eu não era moezeiro quando conheci Love Hina. Virei moezeiro por causa de Love Hina. =)

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