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Fev 04

Ranking do Oricon (JP) – 31/01/2010

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Lancaster | PERMALINK | 13

Categorias: rankings

Gundam

Gundam no topo geral dos trinta mais vendidos no ranking do Oricon, e finalmente cheguei a conclusão de que perdi um ano da minha vida traduzindo toda segunda-feira os Rankings da Taiyosha, com seus desempenhos mais voltados ao comportamento do público hardcore, enquanto as coisas aconteciam de verdade aqui (okay, não havia listagem de quadrinhos no Oricon quando comecei; eu apenas demorei demais a fazer a mudança – parte por comodismo, parte por sobrecarregamento, e finalmente, parte pelo atrativo da Taiyosha dividir seus mangás por demográfico – o que ajuda muito a delimitar o comportamento dos leitores). Porque o campeão tanto da lista geral da Taiyosha quanto da lista para leitores adultos dentro do circuito de gibiterias, frequentado pelo setor mais otaku da força é um certo Greed Packet Unlimited (podem olhar os posts de segunda-feira, não vou falar sobre ele de novo após a cena final do primeiro capítulo, acreditem) e cadê aquela coisa na lista do Oricon, que é baseada em vendagens brutas de cada título em sua totalidade? Exatamente: ele nem apareceu no mundo real, e não custa lembrar que o menos vendido na listagem de hoje tem vendagens de aproximadamente 25 mil exemplares. Péssimo, ainda mais levando em conta que essa semana foi particularmente fraca para os quadrinhos shonen, que normalmente ocupam boa parte do top 30 de vendagens.

Shonen/Para garotos

01. Gundam: The Origin 20 (Kadokawa) – 92.247 / 164.596 [1]
02. Mahou Senki Lyrical Nanoha Force 1 (Kadokawa) – 56.613 / 56.613 [7]
03. Deadman Wonderland 7 (Kadokawa) – 45.285 / 67.712 [11]
04. Magical Girl Lyrical Nanoha ViVid 1 (Kadokawa) – 44.618 / 79.163 [12]
05. Tony Takezaki no Gundam Manga 3 (Kadokawa) – 42.690 / 67.080 [13]
06. Fairy Tail 19 (Kodansha) – 39.247 / 332.046 [16]
07. Naruto 49 (Shueisha) – 32.093 / 1.015.267 [20]
08. Gundam: The Origin Guide Book 2 (Kadokawa) – 29.730 / 46.213 [21]
09. Diamond no Ace 19 (Kodansha) – 28.540 / 212.344 [22]
10. Hayate no Gotoku 22 (Shogakukan) – 27.218 / 181.047 [25]
11. Kinnikuman 37 (Shueisha) – 26.780 / 26.780 [28]

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Toradora 3 (Kadokawa/Media Works) – 72.700 / 72.700 [3]
02. Team Medical Dragon 22 (Shogakukan) – 68.761 / 68.761 [4]
03. Tenjho Tenge 21 (Shueisha) – 58.967 / 251.684 [5]
04. Giant Killing 13 (Kodansha) – 52.207 / 122.881 [8]
05. Vagabond 32 (Kodansha) – 48.658 / 423.048 [9]
06. Moteki 3 (Kodansha) – 45.816 / 95.015 [10]
07. Channel wa Sono Mama! 2 (Shogakukan) – 41.972 / 41.972 [15]
08. Astro Fighter Sun Red 10 (Square Enix) – 34.803 / 35.114 [18]
09. Blood Alone 6 (Kadokawa/Media Works) – 28.319 / 28.319 [23]
10. Melty Blood 8 (Kadokawa) – 26.232 / 42.620 [29]
11. Nana to Kaoru (Hakusensha) – 25.008 / 25.008 [30]

Gundam

Se mesmo numa semana relativamente fraca o campeão – veja bem, o campeão – da lista seinen da Taiyosha não dá as caras, qual a importância dos segmentos dirigidos para a saúde do mercado de mangás? Quando muito, deve ser mais importante para editoras menores, com tiragens menores, e também para a sobrevivência de redes de gibiterias como a Toranoana, mas no cômputo geral, ele aparenta ser ínfimo – ainda mais em um Gundampaís aonde os quadrinhos são uma mídia de massa, que geram imensos volumes em dinheiro.
A perspectiva de que aconteça o mesmo com esse mercado que aconteceu com o mercado americano um dia é no mínimo assustadora. Já escrevi sobre isso antes, e mais de uma vez (AQUI e AQUI). Mas o mercado japonês é grande e forte, e ainda há tempo de se encontrar uma solução para seus problemas. O mangá se tornou o que se tornou em uma época muito mais problemática na economia japonesa. Como boa parte das grandes escolas de quadrinhos, aliás.
Com isso, vamos a lista para garotos, lembrando que o primeiro número na lista corresponde às vendagens da semana, o segundo às vendagens acumuladas desde que foi lançado o volume, e o número final representa sua posição no ranking geral.
A presença de três exemplares da franquia Gundam, uma delas no topo – justamente o sensacional Gundam the Origin de Yoshikazu Yasuhiko, que reconta a série clássica de 1979 com roteiro e arte de seu criador visual original – sinaliza o re-encantamento do grande público com o universo clássico da série, puxado pela expectativa da volta em grande estilo desse cenário, com Gundam Unicorn. E vai ser ótimo, especialmente para o público do exterior, que pela primeira vez vai ver um Gundam de verdade em animação Kinnikumancontemporânea e entender o que fez dessa série aquilo que ela é. Claro, há outra franquia não tão feliz sendo puxada pelo cinema: Magical Girl Lyrical Nanoha – que é produto para fã hardcore (a.k.a. otaku) mesmo (convenhamos: se Magical Girl não for shoujo – leia-se, para meninas – é pra otaku. O que leitor de shonen que se preza vai ler ali?). Ela tem recebido uma grande divulgação, como pode ser visto AQUI, e é natural que isso chame atenção para a franquia no mundo real.
De modo geral o resto da listagem para garotos é dança das cadeiras, com alguns novos jogadores aqui e ali. Quem mais chama a atenção é o último da lista, o volume novo da série clássica de Kinnikuman (no Brasil, Músculo Total), e aqui cabe um toque: geralmente os materiais atuais de Kinnikuman são listados como seinen pelo fato de saírem na revista adulta Weekly Playboy (que nada tem a ver com a revista que estabelece o imaginário masculino do Brasil pelo menos por um mês) da Shueisha, mas este volume segue a numeração e até o padrão gráfico original dos volumes da série clássica, publicada na revista semanal para garotos Shonen Jump dos anos setenta. Ele apenas reúne os vários one-shots publicados ao longo dos anos que fazem a ponte cronológica entre a série clássica e o Kinnikuman atual (que é o que conhecemos da série exibida na saudosa Fox Kids). Para nostálgicos é um item de colecionador, e os velhos leitores do Kinnikuman clássico não devem ter ficado indiferentes. Isso pode não estar em vendagens grandes agora, mas vai render muito bem e de forma sólida a longo prazo. Afinal, é o volume final da saga do primeiro Kid Músculo.

Toradora

Na lista para adultos, o topo pertence a um material que poderia fazer perfeitamente parte da lista shonen: Toradora, de Yuyuko Takemiya e Zekkyou, publicado na revista Dengeki Daioh da nanica Media Works (que faz parte do grupo Kadokawa). É romance juvenil, com um garoto inofensivo e uma pequena psicopata que precisa de uma injeção de hormônios (convenhamos, ela parece uma garotinha, não uma adolescente miúda) e o tritura por nada, mas o seu público acha que espancamento é paixão reprimida – e de acordo com o item 4534 da Enciclopédia dos Clichês ToradoraNarrativos™, para todos os efeitos... é sim. O ponto é que ele é baseado em uma série popular de livros juvenis – e mal ou bem, funciona para seu público independente dos pontos de apelo que o tornaram atraente para um público mais otakuzão, que encontrou um cantinho no seu panteão de fetiches para as dimensões diminutas da pequena Taiga. Mas acho que isso foi colateral: sempre achei que se as interpretações visuais e de dublagem fossem diferentes (se Taiga não parecesse uma criança e sim uma adolescente mirrada, se Ryuuji tivesse realmente a cara malvada que todos enxergam nele, se Minori falasse e tivesse o gestual de uma garota da sua idade cheia de energia – não como uma menina de oito anos – e os character designs não parecessem o típico produto feito pra vender Visual Novels e bonequinhas de pvc no bairro de Akihabara), a percepção da série mudaria para melhor, sem que se precisasse alterar uma linha do texto, que é correto para o gênero que se destina e justifica a presença da versão mangá entre os mais vendidos.
Team Medical Dragon entra em segundo lugar entre os adultos e vale umas palavras extras: ele é um extraordinário exemplo de quadrinho adulto de massa. Ambientado em um hospital aonde são enviados os pacientes que os outros hospitais não fazem questão de atender, a série pinta uma visão negativa do sistema hospitalar japonês.

Team Medical Dragon

Diferente do Brasil, o problema não são recursos; é o descaso. Os médicos na verdade estão lá para bater ponto e não se importam mais com os clientes; na prática, estão lá para fazer uma tentativa meramente formal de tratar o paciente e entregá-lo para o papa-defunto rapidinho antes do almoço. Mas rapidamente entendemos que isso é mero fruto de um sistema aonde um jovem médico entra na engrenagem, é formatado, só cresce na profissão após anos seguindo a cantilena da ordem Team Medical Dragongerontocrática japonesa – que de acordo com a série, reflete uma estrutura arraigada que vem desde os tempos do Japão feudal e dita o tom da burocracia japonesa. E é nesse ponto que o roteiro tem um twist: um grupo de jovens médicos, rebeldes, que decidem lutar contra o sistema por dentro e sabotar as estruturas em prol dos pacientes – com o objetivo expresso de destronar o idoso "shogun" que encabeça toda essa estrutura podre. Sim, isso mesmo: reflete e muito os pontos de vista expressos em séries como Sanctuary, e mostra que talvez o grande sonho da média dos leitores adultos japoneses é que surja uma nova geração que livre o país do poder gerontocrático que faz com que as coisas tenham dificuldade em evoluir. Giant Killing, que provavelmente foi impulsionado pelo anúncio de uma animação baseada na série, a seu próprio modo segue essa mesma norma – a inovação contra a estagnação, a luta do novo contra uma tradição que faz com que tudo seja sempre o mesmo e nada evolua. Talvez seja isso que no íntimo, o povo japonês pede. O melhor das publicações de massa é que seu sucesso fala muito sobre os desejos mais íntimos de seus leitores. De resto, rearranjo de forças (Vagabond, Moteki, Melty Blood, Tenjho Tenge), algum humor rasteiro com Astro Fighter Sun Red (gag mangá – leia-se, quadrinho de humor), que chegou a ganhar uma série animada de 26 episódios em Nana to Kaoru2008 e ela deu tão certo que já tem continuação sendo exibida na televisão japonesa… e, finalmente, o erocom (leia-se: pornochanchada em quadrinhos) Nana to Kaoru, com um estranho casal formado por um sujeitinho repelente com taras sadomasoquistas e uma garota azarada mas muito bem dotada que gosta dele sem saber de seus gostos perigosos – e quando descobre, acaba sendo enredada para a situação. E na verdade isso não passa de uma comédia romântica que usa o sadomasoquismo (consensual) como uma forma de apimentar uma história que não teria nada de mais – é mais próximo de, digamos, um Futari H do que de um quadrinho pornográfico pesado, e justiça seja feita, na verdade os limites do outro são bem respeitados, o que não deixa de ser surpreendente em termos do gênero. Dito isso, o que tenho a dizer? A arte é boa, é produto para leitores adultos mesmo, é menos pesado do que poderia ser – é, enfim, mera pornochanchada, e pornochanchada vende. Faz até sentido que ele esteja no chão da lista geral em vendagens brutas, mas na lista da Taiyosha, tenha peso e esteja na frente de material como Giant Killing e Moteki.
A menos que os leitores peçam muito, muito, MUITO, segunda que vem teremos o enterro da Taiyosha nesse blog. Então, os interessados que se manifestem agora.


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Comentários:

Nome: Antonio Pereira 04/02/10 04:30
Eu gostaria de acompanhar os dois rankings, mas entendo o trabalho que dá fazer um só, quanto mais dois. Então, voto com certeza nesse ranking de povão.

Alexandre: Em todo caso eu quero ver se alguém vai morrer se o Ranking da Taiyosha for dispensado. XD

Sobre os títulos, essa moça da capa da pornochanchada é IGUALZINHA a Kanako de Maria-Sama Ga Miteru. Tudo, até o laço no cabelo, o penteado e a testa grande. A unica diferença é que essa daí é mais "cheinha". Não sei quem copiou quem, mas dava até processo lol. Apesar que, acho que eles nem levam em consideração, a essa altura deve ser praticamente impossível criar uma garota que não lembre outra...

Alexandre: Bom, como não me interesso por Maria-Sama, não sei dizer. Mas se foi de propósito, foi ironia com certeza. XD

Eu achei a semana bem fraca, o primeiro colocado nem atingiu cem mil cópias. Só valeu pelo Gundam em primeiro. Semana que vem devem sair os títulos da Jump, aí sai de baixo que a porrada é violenta.

Alexandre: Com certeza. Porque em semana de Jump, TODOS sentem o impacto.

Abs

Alexandre: Abs e até.
Nome: Qwerty 04/02/10 05:00
Por mim pode acabar com a lista da Taiyosha. Mas comentador novo tem é que ficar no seu lugar, hehe.

Em vendas, semana ridícula - parece que o começo do ano para os japas tá difícil em termos monetários.

Bem, para complementar, do Ranking de Light Novels [Oricon via MAL]:

*1, 31,371 *70,316 Zero no Tsukaima vol.18

Isso é mais que Greed Packet, mesmo a mídia dos livros curtos com ilustrações sendo bem mais restrita - e quase totalmente otaku. Acho que dá uma ideia do quão nicho o campeão da Taiyosha é...

Alexandre: Então você sentiu o ponto.
Nome: Gabriel 04/02/10 05:35
Do ranking da Taiyosha eu só gostava quando você falava das séries que aparecem mais no ranking da Oricon, como da vez que cê falou do Tenjho Tenge. Mas no Oricon tem isso tambem.

Então o ranking da Taiyosha, pode mandar pra cova XD. Pois eu achava ridículo ver uma série como aquele Greed Packet Unlimited no topo dos seinens.
Nome: Júlio Nunes da Silva Filho 04/02/10 06:48
Lancaster, para não dar muita confusão entre os fãs da Taiyosha (eles existem...), que tal um apanhado desta lista uma vez por mês, para não dar trabalho, e todo mundo ficar feliz?
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho

Alexandre: Pior que me pergunto o porquê, porque vai ter o ranking do oricon de qualquer maneira. O único que se manifestou sentindo falta foi porque ele achava divertido me ver malhando o título moezeiro da vez, e duvido que no Oricon vejamos títulos como Aki Sora ou o inacreditável Oniichan no Koto Nanka Zenzen Suki ja Nai n da kara ne!! (se alguém quiser que isso venha ao Brasil e seja lançado com esse nome, vai levar no pé do ouvido duas vezes, por cada uma dessas razões. XD). Por outro lado eu falei de Toradora hoje, e me pergunto porque a Tati Hirata da Japan Pop Cuiabá não veio reclamar de como falo de sua personagem favorita. XD Mas acho que com o Oricon, não vai haver muito motivo para reclamação.

Ah, sim, tenho que responder seu mail com calma. Foi mal.
Nome: Jussara Gonzo 04/02/10 07:30
Pode colocar a Taiyosha nas mãos dos médicos antagonistas de Team Medical Dragon e levá-la para o caixão (alias, incrível como uma coisa dessa pode existir num país tão "civilizado" como o Japão - talvez seja porque lá eles não estão acostumados a ver tanta desgraça em termos de saúde pública e por isso não se sensibilizam).

Alexandre: Eu não sei dizer, mas eu não duvido que haja muita verdade nisso – é o tipo de trama que nasce com um olho em noticiários.

E as vendas estão tristes no Japão, heim? E receio que o problema seja justamente estes editores estilo os do Bakuman - eles pensam demais em termos de "popularidade rápida" e "rankings altos". É uma briga de foice severa demais e que pode estar matando boas idéias que ainda estão saindo do berço.

Alexandre: Bom, essa é uma semana fraca. Popularidade rápida pode se tornar um luxo no andar da carruagem. :-/
Nome: Carlos Eduardo 04/02/10 08:20
Não exagera Lancaster, não foi desperdício de vida, até pq é bom saber o que o nicho consome. Por menores que eles sejam, eles ainda são um público importante e que pro mal ou pro bem dita tendências.

Alexandre: Bom, mesmo que eu não o publique mais, ele me serviu para afiar a análise. Isso não posso mais negar.

Não, a ANN publica o ranking do Oricon faz bem mais do que um ano, talvez até dois (se não tem 2 anos, tem quase isso). Eu postava o Oricon no meu blog tbm, mas eu já acompanhava o ranking há um bom tempo antes de começar (e parar) de fazer isso.

Alexandre: Meu blog tem cerca de um ano e cinco meses. Me lembro do oricon começar a fazer seus rankings de quadrinhos depois que comecei a escrever. Posso até estar errado, mas de memória é isso que lembro.

Sobre o infeliz comentário... felizmente aqui no Brasil vc é minoria. A maioria das pessoas que lê shonen lê shoujo também, é raro encontrar pessoas como você com fobia a shoujo. Só uma minoria muito ínfima lê apenas shonen. Dúvido que os homens japoneses não leiam um shoujo de vez em quando.

Alexandre: Opa, você prestou realmente atenção na frase? Eu falei de magical girls. E o que eu disse é que quando ela não é produto shoujo, é produto para a ala otaku. Pode confirmar isso pessoalmente. Para cada pretty cure e sailor moon da vida, existem centenas de equivalentes produzidos para marmanjos que provavelmente não saem de Akihabara.

E convenhamos que o que tem nesses títulos nem de longe interessa ao leitor usual de shonen. Sejamos sinceros! Magical Girl é feito para garotas mais novinhas quando é shoujo, ainda reflete aquele enevoamento romântico que as meninas tem em certa idade. Para um garoto da mesma idade não cola, porque ele está com raiva dessas meninas porque elas gostam de garotos mais velhos e os colocam para escanteio. Para esses garotos mais velhos isso também não cola, porque eles vão enrolar essas meninas, se divertir muito e dar um chega para lá, para descontar a época em que as meninas os trocavam por caras que tinham sua idade e agiam como eles estão agindo. E quando essas meninas forem postas para escanteio, o discurso água-com-açúcar não vai colar mais, e o universo de paixões fugazes e poderes coloridos não vai descer mais. A vida é assim mesmo.

Quando não é shoujo, é produto apelativo para otaku hardcore de akihabara. E se o leitor de shonen quer ver uma cena mais picante, ou lê os materiais assumidamente ecchi, ou compra pornografia na encolha mesmo. Então me diz: o que há de fobia a shoujo nisso?

É verdade que eu não sou fã do gênero, mas há shoujos que eu consigo gostar. Life e Vitamin da Keiko Suenobu são ótimos e quero ler esse Limit. Gostei de Galism (e um pouco menos de Bijinzaka), apesar das fãs mais ortodoxas terem detestado. Gosto do trabalho de Kaoru Mori – não adianta virem me dizer que ela faz seinen por trabalhar em uma revista seinen. Acho Nana um roteiro de nível. Que fobia é essa, meu caro?

Ah, já ia me esquecendo: A Princesa e o Cavaleiro do Tezuka é um shoujo, afinal de contas. ;)


Ah, não vejo nada da Kanako de Marimite nessa criatura. Sinceramente essa personagem é tão genérica que nem tem como chamar de plágio. Uma personagem de cabelos pretos, com franjinha e laço são comuns em qualquer lugar. Se for procurar eu poderia citar umas 5 iguais a essa.

Alexandre: Sinceramente, eu já vi e penso o mesmo que você.
Nome: Matheus 04/02/10 10:46
Esse negocio de ser shoujo ou não é complicado.
Nanoha é considerado seinen por seguir a vertente moezeira atual e fazer grande sucesso entre os otakus, mas para quem vê a historia com olhos voltados para o enredo mesmo percebe que sem certas apelações aquilo seria considerado shoujo na lata (semelhanças com Sakura Card Captors, que é shoujo, não são mera coincidência), assim como Toradora seria shounen.

Na decada de 80 as coisas era bem mais faceis, séries shoujos como Minky Momo e Creamy Mami se fossem lançadas recentemente teriam grande chances de serem mais focalizadas no nicho de "animes para otakus" (apelação ja existia naquela época assim como o fandom adulto masculino - minusculo, misturado ao fandom formados por garotinhas -) assim como se Nanoha fosse anime da decada 80 altas chances de ter sido um shoujo desse tipo tambem...

Ja havia falado isso antes, mas os papeis (um pouco mais focados na animação do que nos mangás) estão se invertendo, produçoes que se tivessem algumas minimas modificações (Nanoha é um exemplo) poderiam entrar no rol de shoujos mas são consideradas shounen. E coisas como Kuroshitsuji ao qual 90% dos fans são mulheres ainda são considerados shounens.
Não tenho nada contra moe ou yaoi, adoro Toradora!, mas tenho que concordar que o caminho que o mercado esta indo é, no minimo, estranho (a politica do ''ganhar dinheiro facil e rapido'' em tempos de crise vem a calhar nessas horas).

Alexandre: Eu pelo menos acho que essa implosão de gêneros é contraproducente para o mercado. Um dos grandes pontos funcionais dos mangás é justamente o fato de que o leitor sabe exatamente o que procura e quer sob o guarda-chuva de uma classificação.
Nome: Vorspier 05/02/10 10:12
A Taiga não é minha personagem favorita, apesar de ser tsundere. =P Portanto Lancaster, pode malhar a coitada à vontade! XD

Alexandre: Pra que? Para ela voar em minha garganta? XD

E a primeira vez que eu postei sobre Nanoha (que eu já tinha ouvido falar várias vezes, mas não me interessei pelo produto), eu pensei que fosse um shoujo tipo Sailor Moon ou aqueles animes típicos para menininhas do ensino fundamental. Mas shonen?? Como assim?? 0_0'
É bem como você disse, o produto ali tá mais pra otaku...

Alexandre: Na verdade os produtos otakus muitas vezes beberam mais do shoujo e o reconfiguraram para seus próprios usos, costumes e perfis do que do shonen, mesmo sendo os otakus padrão primordialmente masculinos. Acho que a fonte da confusão é essa.
Nome: mrs 05/02/10 12:08
Que posso dizer? Adeus, Taiyosha, sentirei falta do linchamento semanal.

Alexandre: Não tem problema, sempre haverá algo para ser linchado. XD
Nome: Qwerty 05/02/10 01:29
http://www.animenewsnetwork.com/news/2008-09-11/japanese-comic-ranking-september-2-8

Bem, há não muito tempo ANN trabalhando ainda com Tohan e somente com 10 posições.

Sobre essas classificações demográficas, acho que está havendo mais um rearranjo de forças do que uma inversão. Temos que olhar mais qual é o público-alvo na intenção, e qual responde ao chamado [podem ser diferentes]; e menos ficar olhando técnicas de narração e etc.. Lembrando que mesmo Pretty Cure e Shugo Chara!, feitos para as pequenas, tem uma base de fãs otakus.

Alexandre: Sim, tem. Acredito até que o surgimento desse tipo de produto tenha a ver com o surgimento de uma demanda dos fãs hardcore para produtos dirigidos originalmente a meninas de verdade. Não duvido que a culpa no cartório tenha surgido com Sailor Moon. As meninas assistiam o "em nome do amor e da justiça" e os nerds solitários assistiam a nudez velada das cenas de transformação. E sendo um pouco justo, não acho improvável que a partir de certo ponto isso não tenha sido estimulado discretamente pelos produtores da versão animada (com o cuidado de não alienar sua base de fãs feminina infanto-juvenil). Depois, os fãs hardcore teriam as suas próprias.
Nome: Pato_Supersonico 05/02/10 05:09
"E as vendas estão tristes no Japão, heim? E receio que o problema seja justamente estes editores estilo os do Bakuman - eles pensam demais em termos de "popularidade rápida" e "rankings altos". É uma briga de foice severa demais e que pode estar matando boas idéias que ainda estão saindo do berço."

Na verdade é o contrário, é essa agressividade (ou seja, empreendedorismo altamene enérgico)da indústria editorial japonesa que permitiu que a indústria de mangá se tornasse a gigante que é hoje e o que vem lhes permitindo sobreviver a uma crise que já dura décadas, o que é um feito notável se considerarmos que o mercado de supérfluos é o que mais sofre com uma retração no consumo.

(Aliás, isso me lembra que as pessoas estão babando demais o ovo do Lula achando que foi graças ao governo dele que o Brasil se saiu bem nessa crise. Na verdade, embora o Lula tenha sua parcela de mérito, foi muito ajudado pela competência do agronegócio brasileiro. O principal motor de nossa economia é a exportação de alimentos, que é a indústria que menos sofre com uma crise global, pois por mais que as pessoas cortem seus gastos, não irão deixar de comer)

É um interessante contraponto com a indústria editorial quadrinhística americana, QUE MURCHOU MESMO QUANDO OS EUA ATRAVESSAVAM O MAIOR, MAIS DURADOURO, MAIS ESTÁVEL E MAIS INTENSO CICLO DE PROSPERIDADE ECONÔMICA POR QUE UMA NAÇÃO JÁ PASSOU EM TODA A HISTÓRIA DA EXISTÊNCIA HUMANA. Cá entre nós, uma empresa fracassar mesmo trabalhando com um produto simples, de fácil acessibilidade, e oferecido para um público que estava nadando em dinheiro, não deixa de ser uma proeza incrível, em um certo sentido.

Isso dá uma ótima idéia do quanto a cultura, tanto a nacional quanto a cultura interna de uma indústria, com seus efeitos sobre as atitudes, posturas e decisões dos líderes e trabalhadores do meio, pode ter uma influência muito mais decisiva do que as pessoas tendem a imaginar.
Nome: Kaesar 06/02/10 10:37
Lancaster, tomo a liberdade de dizer que o seu publico com certeza foge do padrão consumidor de titulos da Taiyosha com exceção e claro de um paraquedista ou outro que aporta atravês do google.

Se o mercado e o propio japão estivessem em uma epoca melhor eu faria questão de analises da Taiyosha pelo fato da gente poder ter uma visão tanto macro como micro mas no atual andar da carruagem solta o dedo na Oricon que é o que sinceramente interessa.

Aloha.

ps: Ja que vc fala tanto de Gundam, e eu como fã da UC acredito ser quase uma obrigação uma materia sobre Gundam 78, Zeta e CCA assim quer for lançado Unicorn :)

Alexandre: Assim que eu assistir, comento com certeza.

E aproveitando, cade as resenhas de Sanctuary e Team Medical Dragon (que esta no seu apice atualmente)?

Alexandre: Realmente elas merecem...
Nome: Carlos Eduardo 07/02/10 12:53
Lancaster, foi um exagero falar Fobia, não achei que você ficaria incomodado. Quando eu falo que eu morro lendo One Piece ou preferiria estar cego a ler Negima eu estou exagerando (mas se eu falar que eu durmo vendo Tatakau Shisho: Book of Bantorra não é exagero pq eu realmente peguei no sono e dormi por quase uma hora assistindo esse anime, nem o head-set me incomodou xD). Pense em fobia como uma hipérbole. Quando for ler meus comentários divida por 10, eu costumo exagerar nas palavras xD.
Mas enfim, foi só para enfatizar o que qualquer um que lê o Maximum Cosmo sabe, você não curte shoujo de jeito nenhum (exceto por raríssimas excessões).

O que eu quis dizer com isso é que homens podem curtir shoujo sim e que mesmo que a massa moezeira suje a imagem da população masculina que curte shoujo só por curtir sem ter pensamentos libidinosos com as menininhas pré-púberes.
Aliás, tem muita gente que curte esses materiais moe sem ser necessariamente pedófilo e sem ficar de pau duro só pq a Haruhi Suzumiya fez alguma gracinha. Aliás, acredito que esse público é a grande maioria.
Principalmente aqui no Brasil as pessoas gostam de coisas fofas e não assistem a esse tipo de material para ficar caçando referências lolicon, a maioria das pessoas assistem pq o visual é "kawaii," as músicas em geral são bem legais e tem histórinhas divertidas que fogem daquele padrão do herói que salva o mundo, ver assuntos cotidianos é bem legal e é isso que a maioria desse material trata.

P.s. Falando em shoujo e moe eu te recomendaria dar uma olhada no Aishiteruze Baby. Tem scans no Chrno Scanlator. É sobre um rapaz que de repente tem que cuidar de uma priminha de 5 anos. Só que é escrito por uma mulher e a relação dos dois é praticamente a de um pai adolescente e sua filhinha, ou a de um garoto que tem que cuidar da irmãzinha temporã. Ele tem namorada e o alvo amoroso dele são as garotas da idade dele, bem diferente do que o material shonen costuma trazer, acho que vale olhar pq é o mesmo assunto do material moe, mas sob uma ótica quase oposta.

Alexandre: Opa, só para pedir desculpas pela demora em liberar a mensagem. Por um tempo boa parte dos mails avisando da chegada do material não chegaram. O problema foi consertado e agora todos os comentários (que eu tinha que entrar post a post para verificar e liberar) estão chegando de uma vez.

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