Busca
Fev 01
Ranking da Taiyosha (JP) – 31/01/2010
Compartilhe:
Lancaster |
PERMALINK |
11
Categorias: rankings

Eu realmente, realmente, quero ver o ranking do Oricon desta semana. Porque vai ser um tira-teima incrível para a validade da Taiyosha e ver se devo continuar com ela ou não. Porque tivemos uma lista shonen dominada quase por completo pelos títulos da Kadokawa, (em sua maioria egressos da revista Shonen Ace, que tende a se equilibrar em um meio-termo entre massa e apelo para fã hardcore – claro, vale a pena ver Gundam the Origin no topo da lista para garotos, mas não é esse o ponto). Além do mais, tanto a lista seinen quanto a lista geral têm como campeão, pasme, o terceiro volume de Greed Packet Unlimited, de Yuu Kamiya, pseudônimo que esconde o brasileiro Thiago Furukawa Lucas.
Shonen/Para garotos
01. Gundam: The Origin 20 (Kadokawa)
02. Mahou Senki Lyrical Nanoha Force 1 (Kadokawa)
03. Tony Takezaki no Gundam Manga 3 (Shueisha)
04. Deadland Wonderland 7 (Kadokawa)
05. Melty Blood 8 (Kadokawa)
06. Magical Girl Lyrical Nanoha ViVid 1 (Kadokawa)
07. Hayate no Gotoku 22 (Shogakukan)
08. Gundam: The Origin – Guide Book 2 (Kadokawa)
09. Fairy Tail 19 (Kodansha)
10. Shikabane Hime 12 (Square Enix)
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Greed Packet Unlimited 3 (Kadokawa)
02. Toradora 3 (Kadokawa)
03. Tenjho Tenge 21 (Shueisha)
04. Bloodalone 6 (Kadokawa)
05. Team Medical Dragon 22 (Shogakukan)
06. Nana to Kaoru 3 (Hakusensha)
07. Astro Fighter Sun Red 10 (Square Enix)
08. Giant Killing 13 (Kodansha)
09. Moteki 3 (Kodansha)
10. Kill me Baby 2 (Hounbunsha)

Mas, antes de falar de Greed Packet, vamos tratar da lista shonen. A retomada do universo clássico de Gundam (o Universal Century, a.k.a.: UC), tem realmente impulsionado a franquia e isso está se refletindo nos quadrinhos, como indica não apenas a presença constante de Gundam: the Origin (a sensacional versão em quadrinhos da série clássica feita por seu criador visual, Yoshikazu Yasuhiko). É bom lembrar também que Gundam opera em um canto especial do imaginário japonês: é tanto produto de massa quanto um dos impulsionadores da primeira geração de fãs hardcore (a.k.a.: Otaku). Eu compararia a diferença de percepção de Guerra nas Estrelas, a trilogia clássica,
e a do "Universo Expandido": sente numa cadeira de barbeiro nos Estados Unidos (e não só nos Estados Unidos) e puxe papo: todo mundo sabe quem são Luke, Leia, Chewbacca – esses personagens tiveram impacto em todo um imaginário cultural. Mas vá falar do universo expandido, de Mara Jade, ou sobre quem é, digamos, Jaden Korr (quem?). Em miúdos: coisa de nerd.
Dito isso, eu comparo a retomada do UC com Gundam Unicorn ao Star Trek de J. J. Abrams: depois de anos com tralhas como Enterprise, o nefando Voyager (sério candidato a pior série de ficção científica de todos os tempos) e os horrorosos longas da Nova Geração, o universo trekker voltou aos braços do grande público com seu mais recente longa. Eu reparei justamente que os que mais atacaram o filme foram justamente aqueles nerds de longa data (e quando alguém chega a dizer que atrocidades como os longas da Nova Geração – incluindo o pavoroso Nemesis – são melhores do que o longa de Abrams por "propôr uma discussão bla bla bla", é sinal que gente assim não deve nem de longe ser levada a sério). Mas Gundam e Jornada nas Estrelas são dois casos diferentes: a opção da Bandai por descartar o cenário clássico o deixou limitado aos quadrinhos, livros e outros produtos – o que no Japão não é pouco, nem de longe, mas não é a mesma coisa do que ter uma série na televisão – que afinal de contas é a mídia original da franquia. Só que Gundam
ainda é um nome de impacto cultural e as visitações ao Gundam em tamanho natural ano passado provam isso. A chegada de Unicorn é a volta triunfante do Gundam clássico após anos de 00's, Seeds, Wings (argh), e isso explica até a presença de um guia de referência da série Gundam the Origin nas listas de venda em pontos localizados: eles tendem a ser mais sensíveis a esse tipo de franquia. Vamos ver no meio da semana se isso vale também em números brutos.
O resto da lista shonen veio da revista mensal para garotos Shonen Ace da Kadokawa, salvo sobreviventes das listas anteriores como Fairy Tail e Hayate no Gotoku. É bom lembrar que os materiais dela tem uma penetração bem mais restrita de modo geral: a tiragem da revista em 2009 foi de 83,334 exemplares por edição, e isso em termos de mercado nipônico não é nada, nada mesmo. Em outras editoras, um título com essa vendagem seria prontamente cancelado; mas a Kadokawa deve ser vista como uma espécie de "Diários Associados" do mangá, formada por pequenas mini-editoras. Ela pode ser a quinta maior editora do Japão, mas isso acontece porque é formada por várias editoras ridiculamente pequenas, e um setor acaba apoiando o outro. Temos a Kadokawa Shoten em si, que é a maior dessas editoras e não deve ser confundida com A Kadokawa, mas também temos editoras dirigidas como a Enterbrain, a Fujimi Shobo e, claro, a ASCII Media Works, de onde sai a revista Dengeki Maoh, lar do título vencedor dessa semana, Greedy Packet Unlimited.
Esse título chamou a atenção por aqui pelo fato, como eu mencionei lá em cima, de ser escrito e desenhado por um Brasileiro. Mas a Dengeki Maoh é uma revista voltada a um perfil de fã hardcore. Esse tipo de material vende bem na primeira semana e se paga rapidinho, até por não ter tiragens grandes, mas não perdura de modo geral. Greedy Packet tem todo o perfil desse tipo de material, efêmero por natureza. E é relativamente raro que a Media Works chegue entre os dez mais vendidos na lista seinen.
Também temos que lembrar que essa não é a história de um imigrante que chega e entra na indústria: o autor mora no Japão desde a infância e aparentemente não tem grandes laços com o país onde nasceu. Há muitos casos de estrangeiros que ao chegar aqui, se tornam legitimamente brasileiros. Somos quem escolhemos ser, afinal de contas – e quando nascemos na encruzilhada de duas culturas, cedo ou tarde somos forçados a fazer alguma escolha; nascer no Brasil não faz necessariamente um Brasileiro. Algo me sinaliza, em suas declarações para a imprensa, que ele fez sua escolha cedo e é japonês. E isso não o denigre nem deve ser considerado como um ato de virar a casaca. A vida não é um jogo de futebol e se num jogo de Brasil X Japão ele estiver vestindo a camisa azul de seu país em meio a torcida, ele estará em seu pleno direito. Foi o país aonde ele construiu sua identidade, afinal de contas.
Dito isso: Eu li o primeiro capítulo desse material. Kamiya é um bom desenhista e tem boas idéias (é difícil não olhar com simpatia a cara de pau que é batizar um casal de personagens como Casio e Nokia em uma história focada em celulares), admitamos. Mas vou ser sincero... logo no final do primeiro episódio, acontece uma cena lolicon (a.k.a.: sensacionalismo pedófilo) cabeluda, que é pau a pau com o que vemos em um traste como Kodomo no Jikan. Não dá vontade de se orgulhar de um conterrâneo nessas condições, com sinceridade, e talvez seja até bom que ele não seja visto como brasileiro depois dessa – ele não parece fazer muita questão. Se quiserem conferir, o primeiro capítulo ainda está nos previews da Dengeki em japonês. É só olhar AQUI – a cena perigosa está na última página.
Ainda bem que o sensacional Team Medical Dragon está lá, para salvar a dignidade da lista. Provavelmente ele tem um desempenho superior a Greedy Packet no mundo real, por isso vamos esperar o ranking do Oricon para tecer mais comentários sobre isso. De resto, Tenjho Tenge cai uma posição e temos o transtorno bipolar ambulante de Toradora (a pequerrucha rabugenta aí do lado) marcando presença na lista, desafiando a lógica e a suspensão de descrença do leitor. Como é que um adolescente bem crescidinho vai ter tensão amorosa reprimida com uma garota que tem o corpo e as dimensões de uma menina pré-púbere? Tem algo que explica isso, em termos de perfil dirigido de leitores, mas eu vou deixar quieto, senão vou ser espancado pelos leitores em turba. ;)
Posts similares:
Ranking da Taiyosha (JP) – 24/01/2010
Ranking da Taiyosha (JP) – 30/08/2009
Ranking da Taiyosha (JP) – 01/11/2009
Post anterior: Dupla Estreia na Big Comic SpiritsPróximo post: O Mangá no Festival de Angoulême



Comentários:
Alexandre: Tá bom, se você diz...
Falando do "Greed Packet Unlimited", que eu já tinha lido em um site de scans de mangá há algum tempo, eu queria é saber onde encontro mais...
Alexandre: Sinceramente depois do primeiro capítulo, dificilmente eu iria procurar mais... XD
Fico imaginando também se o autor realmente não tem laços fortes com o Brasil. Pô, pra ter o nome completo de "Thiago Furukawa Lucas" - mais nomes brasileiros do que japoneses -, os pais dele definitivamente não são japoneses que o tiveram acidentalmente no Brasil...
Alexandre: Bom, aí são questões de vida que acabam pesando. Conheço pelo menos duas pessoas que nasceram em outros países mas que são brasileiras antes de tudo, se reconhecem como brasileiras e não pensam diferente.
Alexandre: XD
Alexandre: Ouvi críticas a essa matéria por conta disso, na época.
Lancaster, dá pra parar de enxergar pedofilia em tudo? Hahahaha. Sabemos muito bem que lolicon e shotacon são apenas um pequeno fetiche inocente e cultural dos japas. Ninguém vai "se transformar em pedófilo" só porque lê algo assim. Pedofilia é um desvio mental que ou se tem, ou não se tem. Pessoas que a têm precisam de tratamento, não de prisão ou linchamento dos outros. Bem, meu papo de estudante de psicologia pára por aqui... Hehe.
Sinceramente, se alguém é pedófilo cadeia é necessária no momento em que estupra uma criança.
Chamar de inocente esse fetiche em lolicon e shotacon é no mínimo suspeito. Adoro mangás nem por isso vou fingir que essa cultura arcaica e arraigada de pedofilia é culturalmente aceitável.
Alexandre: Ahn... eu acho que o Yokuo não estava falando a sério... (eu acho)
Aliás, vi a cena... nojenta! Uma menina sem nem peitos direito! Sorte que tinha uma onomatopéia tampando as genitálias. Eca, como alguém consegue sentir tesão em ver uma criança arreganhada? Uma criança que mal criou peitinho?
Alexandre: O "truque" é fazer garotas mais velhas com aparência infantil. Elas até podem existir na vida real (assim como o contrário), mas assim você faz a sugestão sem dizer abertamente que seu público que ver... isso.
Bom, as únicas coisas que me interessam são Fairy Tail e Deadman Wonderland nessa lista. Espero que ela esteja novamente corrompida e esses mangás estejam em posições bem mais altas na lista de "verdade," é esperar até quarta a noite para saber xD.
Alexandre: Se Greed Packet Unlimited não estiver na lista do Oricon, segunda que vem vai ser o funeral da Taiyosha.
Alexandre: Corrigido.
Alexandre: Mesmo? Eu olho para aquilo nessas situações e digo "que m****, vou ter que falar sobre esse treco hoje..." XD
Enfim,se você for continuar postando os dois rankings, não seria melhor postar os dois no mesmo dia? Um sairia atrasado,mas acho que assim ambos seriam mais comentados,já que isso facilitaria a comparação entre o mercado restrito do Tayosha e o "mundo real" do Oricon.
Alexandre: Eu tenho lá minhas dúvidas, mas o fato é que se eu mantiver a Taiyosha, eu continuarei postando as segundas. Porque é fato: muitas visitações regulares são de pessoas que já procuram o ranking da semana neste blog.
Espero que não seja cancelado (embora eu não saiba porque continuo a ler) -_-
É bom lembrar que essa cultura de pedofilia não é um traço da cultura Pop japonesa, o "japonês médio" não é tão diferente assim dos ocidentais no que se refere aos gostos sexuais. Gosta de fruta fresca, mas não de fruta verde.
A "libido" é um produto dos instintos humanos mais básicos, e portanto, se manifesta da mesma maneira em todos os seres humanos, independente de sua nacionalidade, classe social, etnia ou educação. O único fator que realmente pesa é o sexo, pelo fato já conhecido de que a sexualidade masculina é diferente da feminina, e pela individualidade, já que a libido se desenvolve como parte da personalidade.
Aliás, esse "fator natural" explica muito bem o fato de que os pedófilos (tanto os potenciais quanto os de fato) são tão comuns no ocidente quanto no Japão. Eis uma notícia muito esclarecedora:
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1915752/industria-da-pedofilia-na-internet-lucra-mais-que-a-industria-de-armas-no-mundo
Nós ocidentais somos tão humanos quanto os japoneses, e portanto, se existem tarados mentalmente doentes por lá, não é de se espantar que existam por aqui também em proporções parecidas. A cultura só faz diferença na forma de como as sociedades enfrentam este problema.
Ocidentais tratam os pedófilos como criminosos e os procuram com o objetivo de confiná-los, o que até ajuda a proteger as crianças, mas acaba criando uma falsa impressão de que eles existem em menor quantidade, quando na verdade os depravados ocidentais são apenas mais furtivos.
Já os japoneses aceitaram o fato de que uma pessoa não escolhe como sua sexualidade deve ser - lembrem-se do exemplo dos gays iranianos que citei lá no post de Gossip Girl - e que a ameaça de prisão ou de internação não evitará que uma pessoa desenvolva tendências pedófilas, já que isso envolve fatores que estão além do poder de escolha do ser humano.
Assim, as autoridades japonesas preferiram ser pragmáticas ao definir que o que realmente importa é que as crianças não sejam molestadas. Contanto que o tarado em questão não faça mal, nem incomode ninguém, pode satisfazer suas taras livremente. É dentro dessa lógica que opera a tolerância dos japoneses para com títulos impressos e animações que aqui no ocidente seriam impublicáveis.
Lá, existe o entendimento de que pedofilia (inclusive a hardcore) em animes e mangás não são algo perigoso porque a produção desse tipo de material não envolve o aliciamento ou o molestamento de crianças de verdade. Tem sua lógica.
Também existe a idéia de que esse material permite que o depravado em questão extravase sua libido (fap*fap*fap mesmo), e assim possa controlar a tentação mais facilmente, embora neste caso eu não tenha certeza se devo concordar com eles.
Essa idéia de que o Japão é um povo de cultura com predisposição pedófila é falsa, o mais correto é dizer que OS JAPONESES SÃO UM POVO QUE ENCARA SEUS PROBLEMAS DE UM JEITO DIFERENTE, encarando-os de frente ao invés de tentar tapar o Sol com uma peneira.
Quem acompanha os posts do Lancaster sobre as práticas mercadológicas das editoras de mangá, já deve ter notado que faz parte da mentalidade japonesa encarar um desafio atacando-o em várias frentes, adotando soluções baseadas em táticas diferentes, mas que se apoiam mutuamente dentro de uma estratégia maior.
No caso, os japoneses não se limitam apenas a punir os que saem dos trilhos (como fazem os ocidentais), mas também a recompensar, com tolerância e alternativas, aqueles que se comportam.
Não digo que o modelo deles seja o ideal, mas é fato que nós ocidentais não temos moral para criticá-los, já que o link que coloquei neste post mostra claramente que nosso modelo também está longe de oferecer uma solução adequada para o problema, e que inclusive cria seus próprios problemas, como dificultar o monitoramento desta atividade, além de prejudicar (e assim, desencorajar) aqueles que gostariam de procurar tratamento.
O que quero dizer com tudo isso é que, diferente do que muita gente pensa, NO JAPÃO, COMO EM QUALQUER LUGAR, A PREDISPOSIÇÃO PEDÓFILA É UMA CARACTERÍSTICA MINORITÁRIA, que neste caso, é inerente a um grupo específico que vocês já devem fazer idéia de qual é.
Também é bom lembrar que mesmo aqui não é bom generalizar, pois esse grupinho, apesar de pequeno, é bastante variado.
Prevejo One Piece e/ou Naruto na rabeira tomando o lugar de um Nana to Kaoru [lembrado pela comunidade da internet] da vida.
E acho que o Yoruo está falando sério. Gosto de moe, acho que você talvez exagera no sarrafo, mas seria muito hipócrita em negar que há no mínimo excessos e que, sim, contém certas coisas que precisam ser refletidas.
Valeu, Pato!
Deixe seu comentário: