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Jan 29
Ranking do Oricon (JP) – 24/01/2010
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Categorias: rankings

É o segundo post da Oricon que estou postando, com atraso de dois dias (ele foi traduzido anteontem pelo Anime News Network) – provocado pela urgência de escrever aquele texto sobre plagiadores enquanto precisava lidar com sobrecarregamento de tempo. Só para relembrar, os números ao lado do título correspondem às vendas da semana e às vendas acumuladas desde que foi lançado o material (mais sua posição no ranking geral do Oricon em colchetes). A pedidos, não nos limitaremos ao Top 10, mas incluiremos também os materiais shonen que se espalham pelo Top 30 do Oricon. Seria bem mais fácil apenas reproduzir a lista original, mas o público de quadrinhos para garotos não é o mesmo dos quadrinhos para meninas que não é o mesmo dos quadrinhos para leitores adultos. Então continuaremos fazendo nossa listagem por demográfico, que você só encontra aqui na Maximum Cosmo. ;)
Shonen/Para garotos
01. Fairy Tail 19 (Kodansha) – 129.346 / 292.799 [4]
02. Hayate no Gotoku 22 (Shogakukan) – 97.603 / 153.829 [5]
03. Diamond no Ace 19 (Kodansha) – 88.170 / 183.804 [6]
04. Gundam: The Origin 20 (Kadokawa) – 72,349-72,349 [8]
05. Hayate no Gotoku 22 – Edição de Colecionador (Shogakukan) – 57.104 / 110.619 [11]
06. Naruto 49 (Shueisha) – 54.841 / 983.174 [12]
07. The World God Only Knows 7 (Shogakukan) – 53.807 / 92.266 [13]
08. Aoizaka High School Baseball Club 23 (Shogakukan) – 38.522 / 38.522 [18]
09. Magical Girl Lyrical Nanoha ViVid 1 (Kadokawa) – 34.545 / 34.545 [22]
10. Seitokai Yakuindomo 3 (Kodansha) – 34.042 / 77.923 [23]
11. Gintama 32 (Shueisha) – 26.068 / 397.590 [24]
12. Tony Takezaki no Gundam Manga 3 (Kadokawa) – 24.390 / 24.390 [26]
13. Yankee-kun to Megane-chan 15 (Kodansha) – 23.269 / 48.580 [27]
14. Godhand Teru 50 (Kodansha) – 22.536 / 49.169 [28]
15. Deadman Wonderland 7 (Kadokawa) – 22.427 / 22.427 [29]
16. New Prince of Tennis 2 (Shueisha) – 22.369 / 296.604 [30]
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Tenjho Tenge 21 (Shueisha) – 192.717 / 192.717 [1]
02. Vagabond 32 (Kodansha) – 134.435 / 374.390 [3]
03. Giant Killing 13 (Kodansha) – 70.674 / 70.674 [9]
04. Moteki 3 (Kodansha) – 49.199 / 49.199 [14]
05. Addicted to Curry 35 (Shueisha) – 37.387 / 37.387 [19]
06. Hyouge Mono 10 (Kodansha) – 25.943 / 25.943 [25]
É importante notar que com isso temos uma idéia mais clara de como tudo funciona dentro da dinâmica dos autores japoneses. Peguemos o mega-hit da vez esta semana, Tenjho Tenge – campeão indiscutível. A série não é um exemplo de roteiro lá muito coerente, mas é estupidamente plástica e bem-narrada. O trabalho de Oh! Great me lembra uma resenha a respeito da velha banda Monkees: na abertura de seu seriado, eles diziam "We're the young generation/ and we've got something to say" (somos a geração jovem/ e nós temos algo a dizer). E o resenhista (acredito que tenha sido o Tom Leão, da coluna Rio Fanzine do jornal carioca O Globo) respondia, bem-humorado: "deviam estar precisando de rimas. O grande barato dos Monkees é que eles não tinham rigorosamente nada a dizer, mas o faziam com estilo."
Tenjho Tenge e Air Gear, ambos do mesmo autor, são justamente isso.
Tenjho já abandonou todo pé e toda cabeça que poderia ter tido um dia, a um ponto de que, eventualmente, nem sabemos mais o que está acontecendo; mas é visualmente linda (independentemente do traço estranho com que a série começou; o autor evoluiu a níveis tão astronômicos que eu não duvidaria que seja o melhor desenhista em atividade no Japão, no momento), e esse caos é narrado de uma forma tão atraente que não nos preocupamos; seguimos o transe da batida e acompanhamos a canção, por assim dizer.
E o público responde bem. Para que tenhamos uma idéia, de modo geral os autores recebem 11% do preço de capa nas compilações para livraria (de acordo com declarações, novatos e autoras shoujo em certas editoras tendem a ganhar um percentual menor, mas o padrão é este). Como o preço de capa de Tenjho Tenge é de 540 Ienes (um título normal shonen como Naruto custa 420 Ienes), são nada mais nada menos do que 11.447.389,80 Ienes (equivalente a aproximadamente US$ 127.355,95 – ou R$ 238.155,63 caso prefiram) diretamente entrando na conta do autor em uma única semana. Nada mau mesmo. Com esses dados, dá para ter uma idéia mais clara do quanto todos faturam no processo – e isso faz uma diferença enorme no cômputo final dos fatos.
E em números brutos dá para ver que muita coisa dentro de territórios restritos são na verdade ilusórios. No ranking da Taiyosha, por exemplo, uma tralha indefensável como Yuru-yuri, que o website J-Box definiu acertadamente como "um desses mangás que brincam com o fetiche de “garotas com garotas”, mesmo não mostrando nenhuma cena muito explícita (apesar de todas as personagens aparentarem ter 12 anos e adorarem se esfregar umas nas outras com pouquíssima roupa…), deixando tudo no 'será que elas são?'”, aparece na terceira posição, perdendo apenas para pesos-pesados como Vagabond e Tenjho Tenge, e passando na frente dos populares Giant Killing e Addicted to Curry. Mas quando vem os números brutos em ação, longe do fator "otaku de gibiteria", nos damos conta de que esse tipo de material é colocado em seu devido lugar: ele nem dá as caras. Inclusive é até bom ver um título sério como Hyouge Mono (publicado, como não poderia deixar de ser, na revista Morning da Kodansha – provavelmente a melhor publicação para leitores maduros da atualidade no Japão) aparecendo entre os materiais mais vendidos para o segmento adulto. Ele conta a história de um samurai que ascende socialmente na corte dos Nobunaga com o domínio da arte de fazer chá, e definitivamente não é o tipo de material que se populariza na internet com scans feitos por fãs.
O topo da lista para garotos continua com Fairy Tail, de Hiro Mashima (lá no topo do post, lembram?) – que mostra bem a diferença entre um blockbuster e um grande sucesso. Serializado na revista Shonen Magazine, da Kodansha, Fairy Tail já vendeu 292.799 exemplares até agora desde que foi lançado em livrarias, e esses são números muito respeitáveis – mas não dá para compará-los com os números esmagadores dos títulos mais famosos que estão sendo serializados na concorrente Shonen Jump da Shueisha: o volume mais recente de Naruto pode estar entrando na espiral descendente (todo volume entra após certo período, e isso é normal), mas só esta semana vendeu 54.841 exemplares e já carrega 983.174 exemplares vendidos nas costas desde seu lançamento. Não duvido que em duas semanas chegue a um milhão de exemplares, e se não chegar lá dentro desse prazo, chegará mesmo depois de sair do Top 30 do Oricon. Os fãs podem chiar, mas Fairy Tail jamais chegará às dimensões comerciais de um One Piece, a menos que o destino traga uma virada muito grande.
De resto, a presença de materiais populares dá uma nova luz à títulos que passam normalmente batidos, como Aoizaka High School Baseball Club – um dos muitos quadrinhos de esporte da Shonen Sunday, que já está no volume 23 e eu nem saberia que existe se dependesse do ranking da Taiyosha. Lidar com números brutos e não com "ilhas" de mercado faz muita diferença, afinal de contas.
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Comentários:
Tenjou realmente está cada vez mais fantástico - um Artbook com preço de volume de mangá. E no momento acho que está um pouco melhor que Air Gear, que anda meio esgotado. Mas eu adoraria que o autor terminasse logo ambas as séries e começasse algo novo...
(...e eu sempre achei que era Monkeys aos invés de Monkees
Alexandre: Você definiu bem a série. E quanto aos Monkees, é aquele mesmo tipo de trocadilho feito entre Beat/Beetles que gerou... Beatles. Embora eu nem imagine com o que misturaram Monkeys para gerar Monkees.
Não tem nem metade da vendagem de Fairy Tail, mas para um título altamente moezeiro que eu nem esperava ver no Oricon, fiquei felicíssimo.
Estar no Oricon reduz consideravelemnte o risco de cancelamento e estimula os autores a trabalhar com mais emprenho.
Alexandre: Bom, se Godhand Teru – um título que é veterano na Magazine mas é obscuro fora do Japão – continua lá e chega ao volume 50, nas posições mais baixas, é sinal de que The World God Only Knows está numa posição ótima.
Não que mereça.
Só ver a ultima capa da Ultra Jump e você verá que isso é trabalho de dar inveja a qualquer outro desenhista, porém a história é difícil de compreender, o que acho que fa zo titulo perder alguns leitores, mas agora irei comprar a série inteira de Tenjo Tenghe aqui no Brasil, (E se alguma editora lançar Air Gear ela já tem um cliente) pois quero ver toda evolução do autor eu quero curtir cada gota de tinta em cada linha. E pelo o que vejo esse caminho do Oh! Grat não é ruim, e sim de muito sucesso.
Mas Alexandre, o que será que faz mais sucesso nesse caso uma série ao estilo de Tenjo Tenghe ou uma série com o traço até que agradável mas não tão realista e com uma historia boa como, digamos, Naruto?
Alexandre: Bem, convenhamos: o roteiro de Tenjho Tenge, atualmente no Japão, chegou a um ponto praticamente experimental. E ele não poderia estar tão experimental e ainda assim fazer tanto sucesso se não fosse esse elemento plástico; mesmo os fanservices acabam sendo incluídos nele, porque tudo em Oh! Great é guiado pelo efeito visual: nudez, violência, ação, mesmo exploração em ambiente – TUDO é conduzido no sentido do olhar. A Jussara acertou na mosca, é um artbook ao preço de um mangá. O texto já está virando quase um adendo.
É claro que ele só pode fazer isso porque é o Oh! Great. Se fosse qualquer outro, teria um editor olhando torto sobre seu ombro.
No final das contas ter personagens e histórias são mais confiáveis. A arte chama a atenção, mas assim que passar o encanto que ela gera, a falta de um roteiro vai pesar contra seu material. Então ter um texto bom é o mais importante de tudo...
A menos que você seja tão hábil que consiga não precisar de texto. Como o Oh! Great. XD
Alexandre: Mas eu não disse que ele não vende bem ou que o desenho animado não conte para o resultado. Disse que é um grande sucesso, mas está longe dos blockbusters da Jump.
Essa lista está muito boa e cada vez mais vc vê a diferença braba entre os números brutos e fiéis aos gostos populares da Oricon x a lista moezeira da Taiyosha.
Alexandre: Verdade, nem tem o que discutir.
Alexandre: Bom, em cotação de hoje (30/01/2010), um Real equivale a ¥48,146 – ou, inversamente, um Iene equivale a R$0,021 (ínfimo, mas se evita arredondamento por conta de volumes maiores ao se fazer esses cálculos). Mas há custo de transporte e um mangá desses não sai por menos de vinte paus por aqui. Talvez valha mais a pena aprender francês – eles têm uma diversidade de títulos maior do que os Estados Unidos, e a qualidade gráfica, quando não é rigorosamente a mesma dos japoneses, é até um pouquinho melhor. Talvez seja a melhor edição de mangás do mundo, incluindo o próprio Japão.
A propósito,qual é o preço médio de um livro (300, 400 páginas) no Japão? Também tem toda essa diferença em comparação ao preço no Brasil?
Alexandre: Não imagino porque até agora só importei mangás e artbooks, não livros de texto. Mas eu não duvidaria que fosse. O preço dos livros no Brasil é abusivo até se pensarmos em outros países como Estados Unidos e França!
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