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Gegege no Kitaro é Publicado na Espanha

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Lancaster | PERMALINK | 5

Categorias: Gegege no Kitaro

Gegege no Kitaro

Kitaro é um garoto que nasceu em um cemitério, cavando seu caminho para a superfície embaixo da terra após o parto de sua mãe morta em sua tumba. Ajudado pelo olho do seu igualmente falecido pai, que ganha vida para tomar conta de seu rebento (e se aloja em uma órbita vazia do seu filho), e com poderes sobrenaturais, ele trabalha no sentido de manter a paz entre os youkais (poderíamos traduzir por demônios, mas eles seriam na verdade criaturas equivalentes a sacis e curupiras) e os humanos. E isso não é fácil, acreditem. Essa é a premissa do clássico absoluto Gegege no Kitaro, de Shigeru Mizuki, que parte do que poderíamos definir como a primeira dentição do mangá shonen (para garotos), publicado originalmente através como Yokiden (revista em quadrinhos para locação) em 1959, na versão primitiva conhecida como Hakaba Kitaro; depois ela foi relançada na Shonen Magazine em 1965, aonde ficaria até 1970; a série prosseguiria na Shonen Sunday, depois na Shonen Action, depois na Shuukan Jitsuwa, e por aí vai. Seguir esse rastro não é fácil. O importante é que ao levantar todo o potencial sombrio do folclore de seu próprio país, Mizuki evitou que esses temas caíssem no ostracismo em meio a uma época onde a crença na ciência e na tecnologia estava tirando o país da lama – mas não sem um preço. Não foi a toa que seu trabalho calou fundo no povo japonês. Gegege no KitaroO triste é que dificilmente os leitores de mangá de nossos dias aqui no Brasil dariam o devido valor a este material caso ele pintasse por aqui. No mínimo, o chamariam de esquisito ou feio. (não se engane pelas interpretações "bonitinhas" que o traço dessa franquia acabou ganhando ao longo dos anos; o original é rude e sombrio) Mas na Europa o trabalho de Mizuki vem sendo amplamente reconhecido e premiado, e agora foi anunciado pela editora Astiberri o lançamento da série na Espanha, ao lado de dois outros trabalhos curtos do autor: as histórias biográficas NonNonBa, que mostra como uma senhora idosa, que contava histórias, foi determinante na hora de trazer o tema Youkai em sua vida; e a história de guerra Operação Morte, que narra suas experiências pessoais de guerra (Mizuki perdeu um braço em conflito menos por fatalidade do que por conta da estupidez de seus superiores).
Gegege é leitura obrigatória não só para aficionados que tem interesse em folclore japonês, mas também para aqueles que acreditam que o termo "folclore" só serve para dar origem a histórias chatas com ranço de material didático para alegria das professorinhas. Na cidade onde ele nasceu, ele não só virou nome de rua – mas esta também é adornada pelas imagens, em bronze, dos personagens que nasceram de sua pena. Ainda nessa cidade, foi criado um museu e centro cultural dedicado à sua obra. E tudo isso com o que, antes de mais nada, é um "quadrinho para garotos" no sentido mais literal do termo, cujo DNA de paternidade pode ser reconhecido em séries tão díspares como Inu-Yasha, Shaman King e Yu-Yu Hakusho. Mizuki merece ser lido.


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Comentários:

Nome: Gk 06/01/10 03:25
Seria interessente se algum autor brasileiro tentasse fazer algo assim com o nosso folclore, não acha?

Alexandre: Se a idéia é dar linguagem pop e reinventar, seria. O que não dá é pra continuar com esse discurso educativo adocicado com que se empareda esses elementos e se empurra "educativamente" goela abaixo para gerações de estudantes.
Nome: murilo 06/01/10 03:56
Merecia ser publicado no Brasil. Mas seu traço certamente não agradaria os brasileiros, o que torna sua vinda ao Brasil muito difícil de acontecer.

A história também me pareceu mais adulta que muitos mangás shonen de hoje, certamente por causa da tendência da época em fazer shonens mais adultos para não perder os leitores que estavam crescendo.

Alexandre: É um ponto, mas lembre-se que sua versão "primitiva", Hakaba Kitaro (que até ganhou uma animação voltada para adultos nessa década que acabou), foi criada em 1959. Ou seja, Gegege já surgiu como uma versão suavizada de um mangá mais pensado para leitores mais velhos. Além do mais, lembre também que ao longo dos anos, os personagens foram ficando mais e mais suavizados e bonitinhos. O mais recente desenho de Gegege foi voltado ao público infantil.
Nome: Antonio Pereira 06/01/10 05:37
Acredito que deve ter sido influência para o Urusei também, já que lá a Rumiko usa e abusa do folclore e de lendas japonesas.

Alexandre: Não seria uma influência tão óbvia, mas acho possível.

Eu já pensei que seria bacana ter um mangá com nosso folclore, mas me pergunto se tratassem os personagens de maneira mais de brincadeira e até satirizando (como a Rumiko faz com o folclore japonês), se não iam reclamar, dizer que é desrespeito e tal.

Alexandre: Sinceramente, não acho que vai haver nenhuma objeção.

Alías, comprei mangá na Comix e veio um folhetim do "Bonde do Saci", que era o Saci desenhado como mangá.

Alexandre: Bonde é ótimo. XD
Nome: Felipe Onodera 07/01/10 06:06
Só uma pequena correção, Lancaster, a NonNonBa não era avó do Shigeru, era uma velha senhora vizinha da casa de sua família que contava histórias de horror para ele e seus irmãos.

Shigeru Mizuki está na minha lista de melhores mangákas de todos os tempos, mas acho que o Kitaro muitas vezes ofusca o brilho de seus outros trabalhos, e acredite, ele possuí muitos títulos dignos de crédito, até mais do que Kitaro.

Alexandre: Corrigido.

Aproveitando a deixa, será que você conhece um bom site para importar mangás da Espanha? Tem muita coisa interessante sendo publicada por lá...

Alexandre: Conheço não. Pena, porque seria uma boa... :(
Nome: Carlos Eduardo 07/01/10 07:42
Felipe, eu comprei Gokinjo Monogatari da Espanha pedindo pela Livraria Cultura, só precisei passar o ISBN dos mangás.
Alguns amigos já compraram na http://planetacomic.com. Essa é espanhola de verdade mas precisa usar cartão.
De qualquer forma sempre tem o Ebay.

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