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Jan 02

DVD em Edição Limitada de XXX Holic

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Lancaster | PERMALINK | 6

Categorias: Clamp

Clamp

Se eu disser o que penso da Clamp, sou capaz de ser linchado em plena rua – e isso não tem nada a ver com o seu nível como ilustradoras, mas ilustrar é diferente de narrar visualmente e roteirizar. Como não quero me deter quanto a isso, vou me limitar a notícia. No dia 23 de Abril de 2010, a série XXX Holic (publicada pela Kodansha, através do almanaque semanal para adultos não tão adultos Young Magazine – o mesmo de Initial D e da nova série de Ghost in the Shell – Stand Alone Complex) terá seu 17º volume sendo lançado nos pontos de venda japoneses, em duas versões – a normal e a limitada, que trará no pacote um dvd com uma versão animada, com roteiro escrito pela própria Nanase Ookawa do mangá original. Se pensarmos bem, essa iniciativa já virou rotina e não vem sendo mais praticada apenas pela Kodansha, que tem tido excelentes resultados com mangás como o Negima de Ken Akamatsu e alguns outros, mas por outras editoras como a Akita Shoten (que fez o mesmo com sua pornochanchada incestuosa Aki Sora). Esse tipo de abordagem mercadológica só tende a crescer: todo mundo já deve estar careca de saber que a dinâmica das adaptações animadas é propelir as vendagens dos mangás nas livrarias; com os dvds animados, simplesmente se elimina as emissoras de televisão como intermediários. É uma idéia válida e que poderia ser experimentada por aqui.


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Comentários:

Nome: Leandro Nisishima 02/01/10 02:55
"Se eu disser o que penso da Clamp, sou capaz de ser linchado em plena rua"

Nunca fui linchado por falar mal do visual da Clamp em Code Geass =P(e também nem do próprio Geass, embora elas só tenham feito o visual da série), pelo menos por enquanto.

E de vez em quando gosto de algum trabalho delas, embora esteja bem longe de ser considerado fã.

Alexandre: Você não viu o ataque que eu tive quando falei mal de Chobits na época em que eu escrevia para a Anime Pro. Passeio na favela é pouco comparado a aquilo. XD
Nome: Petra L. 02/01/10 03:32
Eu compartilho da sua opinião sobre o CLAMP -- só acho que essa observação não merecia estar numa nota sobre xxxHolic, o mangá em que elas vão mais contra seus "maus instintos" (ou seja, onde os personagens não são meros deleites visuais sem personalidade -- pelo contrário, são mais interessantes psicologicamente que visualmente; e em xxxHolic o roteiro é bom e a narrativa é clara).

Alexandre: O Clamp andou dando muito poucas oportunidades de ser notícia este ano. Se eu não aproveitasse agora, eu não poderia falar mal delas tão cedo... :D

No mais, vou querer essa edição especial pra poder dar minha opinião depois!

Alexandre: Espere isso ser colocado em pré-venda por antecedência, porque essas edições não são limitadas a toa.
Nome: Jussara Gonzo 02/01/10 04:22
Eu te entendo! As senhoras (meninas? pelamor, né?) do CLAMP como ilustradoras são... razoáveis! Mas roteiro e narrativa...

Lembro que quando comprei a primeira edição de X 1999 (que veio com toda aquela ovação da JBC de ser o "primeiro mangá publicado em formato tankohon... blá, blá. blá...") eu fiquei com vontade de jogar aquele volume bonitinho pela janela - não aguentava mais ver a palavra "kamui" escrita numa média de duas a tres vezes POR PÁGINA!!!

Alexandre: X é horrível. E pior, os tão propalados designs dela eram chupados de Terra E da Keiko Takemiya – só que ela os usa com função narrativa e um certo experimentalismo, eu os comparo aos diálogos quase concretistas de "O Homem Demolido" do Alfred Bester. Em X, elas usam esses recursos para tentar transformar a página num pôster! E tem uma personagem lá extremamente suspeita de ter sido chupada pela Clamp... ;)
Nome: Pato_Supersonico 02/01/10 07:48
É bom lembrar que no Japão, os leitores possuem não só uma boa renda, mas também um elevado nível de desenvolvimento moral. Assim, o ambiente mercadológico japonês possui características (inclusive algumas muito raras em outros países) que beneficiam muito a indústria de lá:

- Políticas públicas rigorosas: A cultura japonesa valoriza muito a disciplina e, diferente da nossa, cultua o respeito as autoridades (seja patrão, seja o agente público), de modo que o Estado tem um poder de vigilância muito forte. Lá, quem vende qualquer coisa tem que prestar contas ao poder público, até quem vende picolé. Lá, todo comércio é formal, e qualquer atividade não-reconhecida oficialmente é automaticamente classificada como criminosa. Os japoneses não reconhecem o conceito de “comércio informal”, pelo menos não na escala e no nível em que este se manifesta no Brasil.

- Um forte senso de cidadania: quando um japonês vê alguém fazendo algo que não deve, denuncia sem pestanejar, e o ato de denunciar é considerado um ato digno. São bem diferentes de nós brasileiros, que zombamos dos "caguetas" e, ao mesmo tempo que exigimos eficiência dos agentes públicos, dificultamos ao máximo o trabalho deles e não temos nenhum senso de dever para com o que é público. Ou seja, no Japão, os malandros tem que tomar cuidado não apenas com a polícia.

- Uma ética firme e objetiva: Uma conjunção única de diversos fatores (históricos, geográficos, políticos, etc...) tornou os japoneses um povo culturalmente homogêneo, de modo que no Japão todo mundo é educado de uma mesma maneira e com base nos mesmos valores, inclusive dentro de suas casas e com rigor militar, o que resulta em códigos de conduta padronizados universalmente (independentemente da posição geográfica, econômica ou social) e que orientam até os atos mais banais (como a maneira certa de se cumprimentar, de se sentar ou como manusear talheres, por exemplo) e seguidos ao pé da letra por todos, sem exceção. Todo mundo lá recebe praticamente o mesmo tipo de criação, e portanto, compartilham uma visão de mundo comum em um nível que não encontra paralelo em outros lugares. Por isso, lá no Japão não existem dilemas como as discussões que tentam definir o que é pirataria e até onde ela é aceitável. Adquirir quaisquer produtos não-oficiais sem autorização dos respectivos proprietários é considerado pirataria, e quaisquer atos de pirataria são considerados criminosos. E ai de quem disser “ai”.

- Altíssimo nível de desenvolvimento moral: Lá, fazer o que certo é mais importante do que tudo, TUDO mesmo, lá não tem esse negócio de um pai, por exemplo, proteger um filho infrator, como ocorre aqui. Aliás, se um pai descobre que seu filho é um infrator, ele mesmo tem o dever de entregá-lo para as autoridades. Se alguém faz o que não deve, todo mundo cai em cima do pilantra, inclusive a família e os amigos.

- Renda alta: Preciso explicar? =P

Como é impossível comprar, por exemplo, DVD no camelô, quem quiser comprar o DVD inevitavelmente terá que economizar mais para comprar um produto oficial. E como a renda per capita lá é alta, não dá trabalho nem doi no bolso preferir produtos oficiais.

Não que a pirataria inexista (malandrinho tem em todo lugar), mas pelo menos lá a (pouca) pirataria existente é não-comercial e não concorre diretamente com o comércio legal, e se restringe aos downloads e cópias feitas em casa para consumo próprio.

Agora, vamos lembrar que o Brasil não é o Japão.

-Nosso Estado de Direito é permissivo e faz vista grossa do “comercio informal”.

- Nosso povo não tem muito respeito pela lei e vê os empresários como "burgueses apropriadores de mais-valia". Aqui não existe uma mentalidade de apoio aos esforços de quem trabalha.

- Nosso povo tem uma visão confusa e frequentemente conflitante sobre o que é pirataria e até onde pode ser considerada aceitável. As autoridades e a opinião pública não se decidem sobre como o assunto deve ser encarado. Como ninguém sabe o que fazer, então ninguém faz nada.

-Mesmo quando este comércio flerta com o crime, as instituições criminosas geralmente são mais organizadas e ágeis que as organizações oficiais que as combatem.

- Nosso nível de desenvolvimento moral é extremamente baixo, de modo que a fama de pilantra, de malandro e de arruaceiro do brasileiro chega a correr o mundo. E não sem razão.

Tendo em vista isso, não é difícil de imaginar o porquê do comércio de informação (inclusive o de DVD’s e similares) sofrer tanto no Brasil. A indústria de mangás só consegue encarar o problema porque é tecnicamente bem mais difícil piratear um impresso. E como o mercado de informação digital brasileiro tem um péssimo histórico, é muito pouco encorajador.

Também tem o fato de que nosso mercado ainda é muito pequeno e não fornece capital na escala necessária para iniciativas que exijam investimentos maiores, lembrando que tanto produzir localmente quanto licenciar animações custa bem caro.

Enfim, não tenho nada contra as editoras oferecerem extras com seus mangás, mas nesse caso, é melhor “começar do começo”, com produtos como materiais didáticos, chaveiros, álbuns, coleções (figurinhas, bonecos, por exemplo), roupas, alimentos, e coisas deste nível.
Nome: Carlos Eduardo 03/01/10 12:48
O Clamp andou dando muito poucas oportunidades de ser notícia este ano. Se eu não aproveitasse agora, eu não poderia falar mal delas tão cedo...

\o/ Isso pq vc não procurou inbformação nos lugares certos, esse ano foi o ano de 20 anos do Clamp, o que mais houve foi notícia. Em blogs especializados (Chibiyuuto) havia atualizações praticamente diárias, praticamente todos os mangás delas foram reeditados e houve muito anúncio, inclusive divulgação do anime de Kobato (que é seinen) com cartões telefônicos, cards e muitos outros produtos, eventos foram pelo menos 10, inclusive a viagem delas à feira de Angoulamme (acho que escrevi errado) na França com direito a ciclo de palestras e exposições de originais, sem falar nos contratos com a Dark Horse e o provável filme de Clover... Se vc fosse anunciar cada pausa que elas tiveram esse ano seu blog teria uma coluna semanal do Clamp xD.


E só para te corrigir, esse OAD não é apenas uma "abordagem mercadológica." O problema é que xxx HOLiC em sua atual fase tem crossovers com Tsubasa, porém a série animada de xxx HOliC foi veiculada por um canal diferente da NHK que veiculou Sakura Card Captor e Tsubasa, os direitos de imagem dos personagens é da NHK e eles não podem ser veiculados em outra rede de tv além da NHK. A solução para finalizar a série foi lançar o fim em OAD.
Assim como Tsubasa (anime) que precisou ser cancelado pelo alto teor de violência a partir da saga de Tokyo pq a NHK é uma rede de tv educativa e os executivos veteram as mutilações e banhos de sangue que ocorreriam a partir de então.

BTW eu ajudo no linchamento xD.

Entretanto concordo com você em partes, acho X um lixo sem tamanho, os melhores mangás do Clamp são os curtos. A Ohkawa não sabe escrever um mangá longo sem se perder. Elas vão criando tanto fanservice que se perdem na própria história, os mangás curtinhos são os melhores. Suki dakara suki, Tokyo Babylon, Wish, Chobits são os melhores mangás que elas produziram em minha opinião pq são curtos e vão direto ao ponto e não se alongam demais por causa de fanservice. Clover é simplesmente overrated, aquilo lá parece um monte de informação espalhada a esmo, dizem que ainda está incompleto e eu tenho medo do que pode sair disso.

Aliás, esse OAD era pra ter saído junto com o volume 16 em dezembro, mas parece que a produção atrasou. Espero que o volume 17 seja o fim de xxx HOLiC, essa fase Rou (Gaiola) não tem nada a acrescentar.
Nome: Jet Fidelis 03/01/10 06:37
"X é horrível. E pior, os tão propalados designs dela eram chupados de Terra E da Keiko Takemiya – só que ela os usa com função narrativa e um certo experimentalismo, eu os comparo aos diálogos quase concretistas de "O Homem Demolido" do Alfred Bester. Em X, elas usam esses recursos para tentar transformar a página num pôster! E tem uma personagem lá extremamente suspeita de ter sido chupada pela Clamp... "

Poxa, eu nem sabia que esse Terra E é Toward the Terra! E muito menos que isso foi base para a Clamp.

Taí, fica a dica para uma matéria sobre o mangá, Lancaster! :)

Alexandre: Eu tô com a série completa em inglês me esperando. Só preciso terminar a leitura (que interrompi por causa da monografia). :)

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