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Dez 25

Feliz Natal, Pessoal

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Lancaster | PERMALINK | 13

Categorias: Natal/Boas Festas

One Piece

O título do post é auto-explicativo, não? Pensei em reunir algumas capas natalinas de almanaques japoneses para marcar a data. Infelizmente, o fato é que como o Japão é um país de tradição xintoísta/budista, o Natal acabou sendo apropriado por lá de forma mais assumida como uma festa do consumo: virou um dia para levar a namorada ao motel. Claro, isso é com eles e não vou discutir como os japoneses deveriam ou não comemorar a data, porque não temos nada a ver com isso; mas deve ser uma experiência particularmente depressiva para um ocidental passar o Natal no Japão. Mesmo que ele tenha quem levar ao motel. Por isso mesmo, boa parte das capas natalinas que eu encontrei são mais ou menos assim:

Young Jump

Okay, não vai ser TÃÃÃO depressiva assim se você tiver quem levar ao motel.
Mas na nossa cabeça Natal não é para isso. Natal é para se reunir com a família, para trocar presentes, para tudo o mais. Claro, família vai de cada um: aquelas "grandes reuniões" quando todo mundo está presente tende muitas vezes a nos pôr em contato com gente que queremos distância. Eu particularmente considero minha família de verdade um núcleo bem reduzido. Mas é com eles que me sinto bem ao passar essa data. E acho que se Natal significa alguma coisa realmente, é isso.
Então, aproveitem o resto do feriado – e espero que a ceia de vocês tenha sido boa, e os presentes tenham sido bacanas. Divirtam-se. :)

Sunday GX, Young King

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Comentários:

Nome: Hakeru-chan 25/12/09 01:42
Nem gosto de OP, mas a cara do Zoro tá impagável XD

Feliz Natala:)

Alexandre: Pra você também. ^^
Nome: Antonio Pereira 25/12/09 02:43
Eu aceitaria uma Robin de presente de natal lol.

Cara, sobre o que você disse de ocidental passar o Natal da maneira japonesa, se tiver interesse, procure por "Sushicast". É um podcast feito por brasileiros que moram no Japão, abordando diversos assuntos, como o sexo no Japão, a vida de um ocidental por lá, comida japonesa, entre outros assuntos. Geralmente o programa é de humor, mas o último foi sobre o Natal e foi meio tenso, pois eles falam sobre essa coisa de ter que trabalhar pacas em pleno natal, passar o natal sozinho, rolou até choro. Mas o programa é muito legal.

Alexandre: Bom saber, vou procurar. E realmente não duvido que role choro – somos brasileiros. Somos animais sentimentais e gregários. Eu estava comentando hoje mesmo com um amigo sobre essas diferenças e eu percebi uma coisa: para o japonês, o "Amizade" da trinca jumpiana (amizade, perseverança, vitória) tem a ver com a construção de um espírito de equipe. O Brasileiro, se pensarmos bem, tá se ******* por equipe: ele quer um espírito de família e congregação. Isso faz diferença monstro em termos de percepção. É melhor estar ao lado de pessoas que compartilham o simples fato de gostar de você e você gostar deles do que estar unidos por uma causa ou objetivo e comum.

Eu brinco, mas não há modelo em motel que compense um natal com uma família que você realmente veja como uma família.


Bom, feliz natal, felicidades e saúde para você e para o pessoal que comenta aqui também.

Até mais.

Alexandre: Feliz natal, felicidades e saúde para você também.
Nome: Antonio Pereira 25/12/09 03:27
Isso é verdade. No Eyeshield, por exemplo, vemos bastante isso: tem personagem que fica a série toda sem trocar 5 frases, mas pregam a amizade e tem aquela coisa toda de querer ganhar o campeonato para realizar o sonho do Hiruma, mesmo que não necessariamente ele seja um sujeito querido rs.

É fácil de achar, mas se vc quiser poupar tempo:

http://sushicast.net/category/podcasts/

Além do de Natal, recomendo também o cap 5, que eles falam sobre sexo no Japão. Eles falam um pouco da relação que existe entre pessoas casadas no Japão e aí dá para entender o por que vemos esse cenário assustador de baixa natalidade no Japão.

Até mais.
Nome: Marcelo Santarem 25/12/09 05:41
Bem que eu queria dizer que seria uma vingança japonesa pelo fato de o Natal ter-lhes sido enfiado goela abaixo durante a ocupação americana. Mas duvido haver tamanho propósito. No fim, consumismo é o que move o homem. E tamanha “rebeldia” seria tão, sei lá, superflat...
Boas festas, Lan, e a todos os leitores.
Nome: Jussara Gonzo 25/12/09 09:37
Ah, as pessoas AINDA fazem sexo (com pessoas de verdade) no Japão? :P

Alexandre: Há controvérsias... :>

Mas gracinhas à parte, um bom ano-novo à todos (pois natal tá quase acabando, hehehe!)

Alexandre: Um bom ano novo desde já, mas deve ter um post melhor do que este de natal (não que eu a nível de marmanjo reclame do mulherio). O ano que vem é o ano do tigre no horóscopo chinês e isso está gerando umas capas mais legais.
Nome: Marcio E. Goncalves 25/12/09 09:44
"Bem que eu queria dizer que seria uma vingança japonesa pelo fato de o Natal ter-lhes sido enfiado goela abaixo durante a ocupação americana."

Muitas coisas foram enfiadas goela abaixo dos japoneses depois da derrota na Segunda Guerra (incluindo a Constituicao e a proibicao de se ter um exercito) mas o Natal NAO É UMA DELAS.

Eles comemoram Natal pela mesma razão que hoje em dia se comemora Halloween - viram tanto em filmes, series, livros que acharam legal e adaptaram a sua maneira.

Alexandre: Leia-se, mediação cultural. Por isso mesmo eu até falei lá em cima que o que eles fazem com o Natal não é problema nosso. Mas que é barra para quem está no Japão e não é de lá, é; eu ouvi o podcast que me sugeriram e deu para sentir isso.
Nome: Pato_Supersonico 29/12/09 04:18
Japoneses só transam uma vez por ano, ouvi dizer. Os sortudos, pelo menos. =P

Justiça seja feita, um natal triste deve ser problema para qualquer imigrante solitário, especialmente para trabalhadores temporários, daqueles que não levam a família porque estão lá só para juntar dinheiro, situação que envolve boa parte dos brasileiros que vivem lá, já que os japoneses combatem ferrenhamente a imigração.

O fato dos japoneses terem uma visão diferente do Natal não chega a ser algo preocupante, lembrando que os japoneses possuem outras datas comemorativas que criam oportunidades para se juntar com os chegados.

Não quero dizer com isso que esteja tudo bem por lá. Muito pelo contrário, digo que prestar atenção apenas aos feriados é um erro porque acaba desviando a atenção a algo mais importante, que são os dias úteis, que constituem o dia-a-dia dos japoneses.

Aqui no Brasil, devido a questões culturais (como considerar a família mais importante que o trabalho) e legais (as leis e a ética trabalhistas), mesmo nos dias úteis é possível aos membros de uma mesma família se verem diariamente, ou pelo menos nos fins de semana no caso das profissões que exigem mais dedicação.

Mesmo as profissões que demandam afastamento prolongado da família e dos amigos (marinheiros, militares, caminhoneiros, etc...), há compensações, como férias mais longas.

Mas no Japão, como vocês já devem saber, tempo é artigo de luxo. A cultura japonesa coloca o dever acima de tudo (TUDO mesmo), e o dever mais importante é para com o trabalho, lembrando que a cultura japonesa é extremamente coletivista.

Quem aqui lê os extras dos mangás já devem ter notado que os estúdios dos mangakás normalmente possuem quartos ou um cantinho reservado para dormir. Isso porque no Japão, para se atingir níveis máximos de produtividade, os trabalhadores são incentivados a eliminar todas as atividades consideradas gastos inúteis de tempo, e assim, o tempo para ir e voltar de casa, dormir com a esposa e tomar café e jantar com os filhos acaba sendo sacrificado, já que o tempo com a família é considerado de importância secundária.

Isso sim é algo que podemos considerar errado, não só por uma questão de ponto de vista, mas porque é são prátricas que fazem mal no sentido clínico da coisa.

Alexandre: Curiosamente, estou lendo no momento o Family Compo do Tsukasa Hojo e ele mostra um... hm, (não pergunte) pai de família manga-ka que contorna o problema de forma até simples: trabalha em casa. Mas algo me diz que isso é utópico.

Mas realmente acredito que essa política de trabalho antes do bem-estar esteja cobrando seu preço até nos prazos de natalidade. Algo me diz que ou eles abrem a porta para a imigração generalizada, ou seus negócios irão afundar a longo prazo. Simples assim.
Nome: Pato_Supersonico 29/12/09 05:20
"Eles falam um pouco da relação que existe entre pessoas casadas no Japão e aí dá para entender o por que vemos esse cenário assustador de baixa natalidade no Japão."

É até verdade que as relações familiares japoneses estão bem longe de serem um comercial de margarina, mas isso não é nem de longe uma das causas da baixa natalidade do Japão.

É bom lembrar que existem países que são sociologicamente tão atrasados quanto o Japão ou até piores - como algumas comunidades da Índia, certos países muçulmanos ou africanos - cujos habitantes fazem ninhada como se fossem coelhos.

E temos exemplos no extremo oposto em países onde as relações familiares são consideradas perfeitamente saudáveis em termos socilógicos e psicológicos e que ainda assim sofrem do problema de implosão populacional tanto quanto o Japão, caso de muitos países do norte da Europa. Até no Brasil estão começando a aparecer sinais preocupantes.

A verdadeira causa é econômica mesmo.

Embora nós, seres humanos, estejamos biologicamente programados para nos reproduzirmos, o desenvolvimento tecnico-científico (camisinha, medicamentos, planejamento familiar, etc...) nos tornou capazes de enganar nossos instintos e até mesmo nos impormos sobre eles, e assim, (pelo menos nos países mais desenvoilvidos) ganhamos o poder de escolher racionalmente se iremos ou não ter uma família.

E por fatores culturais, especialmente a sociedade de consumo e a mentalidade capitalista, as nossas decisões racionais são geralmente orientadas por referências materiais e de status, e assim, as pessoas tendem a abdicar de uma família se isso puder prejudicar a carreira profissional ou se não se encontrar um parceiro socialmente bem colocado.

E no atual contexto social dos países desenvolvidos, está estatisticamente comprovado que uma prole pode comprometer muito as possibilidades de boa colocação social, por conta do alto custo de se criar um filho com dignidade. Senão vejamos:

http://contabilidadefinanceira.blogspot.com/2008/04/custo-de-criar-um-filho.html

http://veja.abril.com.br/especiais/mulher/filhos.html

São dados do Brasil, mas já dão uma idéia do tamanho do drama, e no caso do Japão, é altamente provável que o problema seja ainda pior, já que lá até bens de primeira necessidade são caros.

Não digo que o Japão seja o país das maravilhas, mas pelo menos na questão da natalidade, não podemos dizer que eles estejam "doentes", já que a redução de natalidade é uma consequência natural (e por hora, inevitável) do desenvolvimento, e o Japão, apesar de todos os seus defeitos e da crise pela qual vem passando, ainda é considerado um dos grandes modelos a serem seguidos em matéria de desenvolvimento. E assim, é perfeitamente compreensível que seja um dos que mais sofram com as consequências negativas do desenvolvimento.
Nome: Pato_Supersonico 29/12/09 07:15
“Curiosamente, estou lendo no momento o Family Compo do Tsukasa Hojo e ele mostra um... hm, (não pergunte) pai de família manga-ka que contorna o problema de forma até simples: trabalha em casa. Mas algo me diz que isso é utópico.

Mas realmente acredito que essa política de trabalho antes do bem-estar esteja cobrando seu preço até nos prazos de natalidade. Algo me diz que ou eles abrem a porta para a imigração generalizada, ou seus negócios irão afundar a longo prazo. Simples assim.”

Sim, é algo utópico, pois um mangaka – pelo menos um que trabalhe para uma grande editora - geralmente prescisa da ajuda de uma equipe para cumprir os prazos. Mesmo que isso fosse possível, só resolveria o problema do mangaka, pois sua equipe iria ficar na mesma, a não ser que juntassem a família de todos na mesma casa. E eu citei os mangakas apenas como exemplo, lembrando que muitos empregos (especialmente os braçais) não permitem trabalhar em casa.

E não vamos nos esquecer do mais importante, que é o fator cultural, pois o conceito japonês de “bom cidadão” é o de uma pessoa devotada ao trabalho. É aquilo que vivo dizendo aqui: JAPONÊS NÃO TRABALHA PARA VIVER. VIVE PARA TRABALHAR. Japoneses trabalham até literalmente irem parar no hospital (e não raro trabalham no hospital) não só por necessidade profissional, mas também por uma questão de auto-afirmação.

Porque o ato de ser trabalhador é encarado lá como uma grande virtude, que justamente por ser uma grande virtude, é uma virtude que todo japonês (minimamente) decente tem que ter, e assim, o trabalho deixa de ser um meio para se atingir um meio e vira um fim em si mesmo. Japoneses trabalham muito porque têm que trabalhar muito e ponto final.

Ou seja, japoneses não toleram vagabundagem, lá não é presciso muito para ganhar fama de vagabundo, e isso nos lembra de outro fator muito importante e frequentemente ignorado, que é a pressão da própria família, inclusive da mulherada, pelo sucesso profissional do “homem da casa”, e no Japão “sucesso profissional” não é uma simples questão de se ser o melhor naquilo que se faz, é uma questão de ganho de status e ascensão, com seu respectivo aumento de salário. Esposas e namoradas japonesas reclamam que seus companheiros não dão atenção a elas, mas elas mesmas fogem de pretendentes com fama de vagabundos, de irresponsáveis, ou de não terem ambição.
(Essa é a grande ironia da sociologia: quanto mais machista é uma cultura, mais importante é o papel das mulheres como fonte de sustentação e de continuidade desta cultura. Mas isso já é outra história.)

E sem falar que, em uma cultura que valoriza muito o tempo (e famosa por sua pontualidade), passar todo o tempo possível na empresa e na companhia dos colegas de trabalho (mesmo fora das dependências da empresa e do horário de serviço), é uma forma de demonstrar o compromisso do funcionário para com sua empresa e para seus colegas.

(“Compromisso com a família? Eles tem mais é que entender que eu não tenho escolha, é isso ou perder o emprego. Se eu perder o emprego, minha família vai ser a primeira a me esnobar, que eu sei!”;)

A questão a imigração também é um assunto muito delicado, lembrando que os japoneses são o povo mais xenofóbico que existe, por várias razões.

Tem a religiosa, que encara o velho arquipélago como propriedade pessoal do imperador, e portanto, um lugar onde apenas súditos deles são bem vindos.
Tem a xenofobia propriamente dita, aquela mentalidade que vê os imigrantes como ladrões de emprego, como corruptores dos costumes (coisa que os japoneses valorizam muito) e como cidadãos não confiáveis, pois não são compatriotas. Vamos ser justos, o fato é que eles não são os únicos e nem mesmos os piores em matéria de desprezar quem é de fora. Pelo menos não jogam os rancores na cara dos outros, já que isso é falta de educação. XD

Outro fator importantíssimo é o fato que eles são um povo que valoriza muito sua história, e a História do Japão fervilha de exemplos que induzem os japoneses a encarar tudo aquilo que é estrangeiro como ameaça. O exemplo mais lembrado é o da tentativa de domínio espanhol através da cristianização, cujo desfecho deixou marcas profundas nos japoneses e os fazem reagir severamente a quaisquer tentativas de infiltração, deliberadas ou mesmo imaginárias. A própria cultura pop americana – que se mesclaria com a cultura tradicional japonesa para criar a cultura J-Pop – só conseguiu se firmar lá por conta da ocupação por tropas americanas, ou seja, foi algo que só foi aceito porque foi imposto mediante força militar.

Resumindo, a abertura das fronteiras vai ser a última possibilidade que os japoneses irão considerar, se é que a considerarão. Atualmente, os maiores esforços dos japoneses tem sido em avanços na robotização (criação de mão-de-obra artificial) bem como a terceirização, que, somada aos avanços da internet, permitem contratar serviços de estrangeiros sem que estes tenham que se estabelecer no Japão.

Por fim, só lembrando: Estou explicando, não justificando.
Nome: Carlos Eduardo 29/12/09 09:40
Absurdo querer comparar uma família japonesa com uma família brasileira. O único mangá que eu vi até agora em que alguma personagem queria mesmo ser mãe foi Nana (a Nana Komatsu). Sempre vejo ter filhos como uma obrigação do casal para coma família nos mangás, enquanto no Brasil as pessoas mesmo quando têm filhos indesejados, cedo ou tarde elas planejariam ter esses filhos e é até mesmo uma meta de vida para a maioria da população ter uma criança e cuidar dela. Acredito que 90% da smulheres brasileiras diriam que a(s) pessoa(s) mas importantes da vida delas são os filhos, se não for mais. Já no Japão as pesquisas apontam que 60% das pessoas acha inútil ter filho, ou seja, elas enxergam como um dever, uma obrigação, enquanto nós vemos como um privilégio, uma benção e uma dádiva ter crianças "para alegrar a casa."
Nome: Pato_Supersonico 30/12/09 05:07
Aqui no Brasil há muitas pessoas que querem ter filhos porque ainda somos um país economicamente atrasado, que ainda não desenvolveu uma sociedade de consumo em sua forma plena, embora estejamos caminhando rapidamente nesta direção.

Aliás, é interessante notar que, embora o Brasil seja muito diferente do Japão, está passando exatamente pelo mesmo processo demográfico. Se duvida, veja só:

http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/fecundidade.html

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2007/09/17/brasil-atinge-a-mais-baixa-taxa-de-natalidade/

(Não ligue para o discurso carola desse link de baixo, concentre-se nos dados e nas informações, que são muito esclarecedoras)

Durante o extraordinariamente veloz período de recuperação (conhecido como "O milagre japonês"), a taxa de natalidade no Japão cresceu de forma explosiva (processo conhecido como "baby boom"), para depois se estabilizar, e enfim, cair dramaticamente.

Com o Plano Real, o Brasil sofreu um "baby boom" quase que imediatamente, mas a natalidade brasileira se estabilizou durante a última década do século XX e agora, está iniciando um processo de queda. Aliás, nosso nível de fertilidade já caiu abaixo do nível de reposição de 2.1 filhos por mulher, o que significa que, embora “vemos como um privilégio, uma benção e uma dádiva ter crianças”, essa mentalidade, ou está mudando, ou não está me mostrando mais forte que o desejo de consumir.

Aqui no Brasil este processo de queda de fecindidade é mais lento porque nós somos um dos países socialmente mais desiguais do mundo, que ainda possui um grande contigente de pobres cujo alto nível de fecundidade compensa as taxas de crescimento da classe A e B, que já sofrem o processo de implosão demográfica.

Brasileiros e Japoneses, ainda que tenham mentalidades muito diferentes, ainda possuem em comum o fato de serem seres humanos, e se colocados no mesmo contexto econômico, tendem a se comportar de forma muito parecida. Se alguém diz que nada é mais forte que o amor de mãe, é porque subestima o poder da economia.
Nome: Carlos Eduardo 30/12/09 09:24
Pato, eu conheço esses dados, mas mesmo com a taxa de fecundidade brasileira caindo, as pessoas não desistem de ter filhso por acharem que se reproduzir é algo "inútil."
As pessoas preferem ter um ou dois filhos por razões econômicas, mas mesmo tendo filhos em menor número elas desejam isso e amam a ideia de ter crianças. Que não é o que parece que vem acontecendo no Japão.
Quando 1/3 da população adulta responde que ter filhos é algo "inútil" eu fico preocupado, aqui a gente tem filhos pq ama a ideia de ter uma criança e não por obrigação à família.
Estou reclamando da mentalidade, não da taxa de natalidade.
Nome: Pato_Supersonico 31/12/09 06:10
E eu não estou reclamando de nada. Estou apenas esclarecendo um engano.

Você insinuou que o peculiar padrão familiar dos japoneses pode ser um dos fatores responsáveis pela baixa taxa de natalidade, e eu estou mostrando (e provando com dados técnicos corroborados) que esse fator, na verdade, não tem nada a ver com a implosão populacional do Japão.

A relação familiar dos japoneses pode ser difícil (e muito), mas não é por isso que eles estão deixando de ter filhos.

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