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Dez 15
Centésimo Capítulo de Novela das Oito em Quadrinhos
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Lancaster |
PERMALINK |
6
Categorias: Manga Action

A Manga Action da Futabasha (aonde a série Shin-Chan começou sua carreira) é uma dessas revistas para o público adulto de massa que passa abaixo dos radares dos leitores ocidentais simplesmente por conta do leitor ocidental de mangás de modo geral ou ter um perfil mais juvenil, ou,
em menor grau, ter um perfil mais afeito ao autoral. Para não perder o foco: o público da Action é aquele cidadão comum mesmo, do tipo que ao chegar em casa assiste novela na televisão. E um dos títulos mais perenes da revista foi a série Shiawase no Jikan, de Yasuyuki Kunitomo, que foi lançada em 1997 e teve dezenove volumes. A série acabou ganhando uma continuação nove anos depois: Shin Shiawase no Jikan, que dá prosseguimento a essa verdadeira novela das oito e atualmente está no nono volume (a Manga Action é uma revista mensal, então a compilação tende a demorar um pouco mais, mesmo) – o décimo sairá em Janeiro. A história gira em torno de duas famílias unidas pelo casamento, mas com risco de desestruturação quando o protagonista, estavelmente casado com a filha do presidente de uma empresa, vive um romance proibido – e bem tórrido – com sua cunhada. Agora, a história está prestes a chegar a seu centésimo capítulo (contando a série original) e a Futabasha não se faz de rogada: na mais recente edição da revista, aqui abaixo, foi lançado um sorteio de edições autografadas do volume vindouro para seus leitores, com direito a papéis coloridos para
aqueles que quiserem rabiscar os seus personagens favoritos e aparecer na edição que comemorará o marco na série. E esse é um trabalho que vale a pena prestar atenção do ponto de vista que temos aqui do Brasil. Na terra da telenovela, essa ligação não deveria ser vista com olhos tão negativos: Ainda acho que, digamos, Peach Girl e Malhação tem muito em comum, quer se goste disso ou não, e ao invés de encarar essa afirmação como uma ofensa ou uma forma de diminuir o produto, ou tentar dizer que ele é raso, ou coisa parecida (como algumas pessoas cheias de frescura tendem a encarar – já tive alguns problemas meio azedos nesse sentido no orkut e tinha gente que só faltava exigir que eu ajoelhasse e "admitisse que errei", vejam só), essa linha direta entre mangás e novelas deveria ser encarada como dona de um potencial riquíssimo para se criar um laço entre os mangás e pessoas que jamais deram uma chance a eles, e assim atingir um público maior em nosso país. Porque público, afinal de contas, não é algo que se constrói do nada.
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Comentários:
Fico imaginando como seria a versão mangá de "Viver a Vida"! Se bem que atualmente o público brasileiro anda abandonando (bem devagar, verdade!) as novelas! Será que vingaria aqui?
Alexandre: Eu acho que as novelas vem sendo abandonadas por perda de qualidade – mas o problema não é o formato em si; é a queda de nível que reverte contra a percepção do próprio formato. Injetando sangue novo, novas idéias e tentando ir contra a percepção que se instalou após a saída do Boni da Globo, de que a televisão é refém da dona de casa, e que dona de casa é um ser padronizado, a coisa reverte.
E "Viver a Vida", não, por favor: Novela do Manoel Carlos é a encarnação do mal: Mal pensada (me façam uma sinopse de "Mulheres Apaixonadas" que seja coerente, por favor), mal escrita (ninguém fala, declama) e mal interpretada (porque até bons atores parecem falsos ao recitar diálogos tão forçados assim).
Alexandre: Acredito que seja ela mesma.
Legal era quando as novelas globais dos anos 70/80 eram zoadas no traço do Carlos Chagas nas revistas Clik, Mad e sua concorrente Pancada. (só uma lembrança sem nada a ver com a proposta de quadrinização de novelas).
Alexandre: Ah, eu me lembro. O JB tinha também o "TV Moleque", reunindo essas paródias na página de domingo, lá pelo começo dos anos oitenta. MUITO legal.
Ai se a Warner fica sabendo...
É exatamente esse conceito, o de algo totalmente feito pensando em um público de massa local e inspirado no que faz sucesso entre esse público, que prescisamos viabilizar se quisermos que essa indústria se torne popular no sentido mais amplo da palavra.
Prescisamos pensar em um jeito de convencer a atual geração de mangakas nacionais em formação a prestar mais atenção no que se passa na TV daqui do que no que se passa na TV lá do Japão, bem como convencer as editoras a investir nessa geração.
Isso me dá muito o que matutar.
Alexandre: Isso é algo que eu venho dizendo há muito, muito tempo. O fato é que o quadrinho japonês é um produto de massa. Se quisermos um futuro nesse sentido, é necessário pensar em termos de massa – e da massa que temos ao nosso redor. Sem isso, tudo o que vai se conseguir é ficar marretando em torno do próprio umbigo.
Obvio que se compararmos a epoca em que uma novela das 8 tinha mais de 60% de audiencia e parava o pais da impressao que estao perdendo publico - mas aquela era uma outra realidade, com midia menos diversificada e menos opcoes.
A alta audiencia de novelas em tempos de internet mostra que brasileiro eh noveleiro mesmo, pois escolhe a novela mesmo com outras opcoes - o que fortalece o argumento do Lancaster.
No mais, nao sei se todo Otaku eh refratario a novelas - veja o sucesso que Doramas fazem com uma parcela deles. E dorama eh novela/miniserie indiscutivelmente.
Mangá novela dar certo? Hmm... Love Hina foi muito bem nas vendas, pode até ser que role, mas oq ue a gente precisa mesmo é de marketing e marketing pesado em cima disso. Para o povo aprender que não pode viver mais sem algo totalmente superfluo como mangás xD.
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