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Dez 07
Yen Plus Lança Mangá de Gossip Girl
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Lancaster |
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7
Categorias: mangá global

Não é minha praia, eu detesto aquele seriado e não quero chegar perto da série de livros, mas é uma notícia importante em termos de mercado: a Yen Plus, principal antologia da Yen Press – que na verdade é o selo dedicado a mangás da Orbit, o braço voltado a quadrinhos e literatura juvenil da editora Hatchette nos Estados Unidos (a Hatchette é a maior editora da França e isso não é pouco, nem de longe) – irá lançar uma versão mangá da série Gossip Girl a partir da edição de janeiro da revista. Diferentemente de outras adaptações lançadas pela editora (como Maximum Ride, também publicada na Yen Plus), o material não será uma adaptação direta, mas uma espécie de "reboot" dos personagens, garantindo maior liberdade à artista e roteirista HyeKyung Baek. A Yen Plus é uma revista plural (metade dela é de material japonês, da direita para a esquerda – é nela que saem as séries Soul Eater e Jyuushin Enbu nos Estados Unidos – enquanto a outra metade é de material americano e coreano); Sua série Maximum Ride (que é um produto tecnicamente bem-feitinho) é um dos títulos mais vendidos de mangá nos Estados Unidos e o seu segundo volume está no top 10 do New York Times. Okay, a revista é voltada a garotos e garotas, mas seria interessante que o pessoal da editora reunisse artistas locais para alguma série mais voltada ao leitor masculino também; todos os materiais não-femininos da revista até agora foram coreanos e japoneses, e tanto Maximum Ride quanto o elogiado Nightschool (de Svetlana Chmakova) trafegam no limite. Se a idéia é adaptação, um material como "O Soldado", assim como sua continuação, "A Revanche", de Andy McNab e Robert Rigby (publicada no Brasil pela Record) seria uma ótima pedida…
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Comentários:
Ouvi falar muita coisa boa deste Maximum Ride. Parece bacana!
Alexandre: Eu li o primeiro volume. Achei meio sem sal o roteiro, mas acho que é por causa de meu perfil como leitor. Independentemente disso, é um produto bem-feito e entendo que faça sucesso.
“...a Yen Press, principal antologia da Yen Plus – que na verdade é o selo dedicado a mangás da Orbit...”
“...A Yen Plus é uma revista plural...”
Na verdade, é “Yen Press”, não?
Alexandre: Na verdade não. A revista é Yen Plus, a editora é Yen Press. Vou corrigir isso agora mesmo.
Isso está ficando como as revistas japas, q têm nomes muitos próximos uns dos outros (“Shonen Jump”, “Young Jump” [sendo que shonen = young, ‘inda por cima]), embolando o meio de campo da área.
Alexandre: Pior que eu não confundo as Jumps porque seus primeiros nomes sempre são diferentes. Se fossem, digamos, "Jump Isso" e "Jump Aquilo" seria mais fácil de confundir.
Alexandre: Esse é um comentário interessante e me lembra observações feitas pelo Toren Smith (ex-proprietário do Studio Proteus) sobre o descolamento dos mangás e animes da órbita nerd nos Estados Unidos: "Os fãs hardcore, foram, em suma, atingidos pelo seu próprio disparo. O mercado de mangás expandiu-se de forma explosiva. Isso quer dizer que muitos novos leitores entraram no mercado, leitores que não são otaku, são apenas... leitores. Eles não são fanáticos, não assombram os fóruns e listas de discussão, e agora são o coração do mercado. Em suma, os fãs hardcore foram marginalizados pelo surgimento de um núcleo de leitores médios de mangá." E quanto menos forem vistos como nicho, mais os mangás serão vistos de forma positiva em território americano. E sinceramente, acho importante que aconteça o mesmo por aqui.
Pelo amor de Deus, que isso aconteça aqui. as editoras tem que aprender que pode existir um público normal, não-otaku hardcore maluco e afins que consomem seus produtos.
Nos EUA, me parece que a nova geração de editoras, beneficiadas pela experiência (desagradável) das editoras de comics que apostaram nos mercados de nicho, fizeram o possível para não se prender aos fãs. E a fórmula encontrada por estas editoras foi planejar seus lançamentos com base nas características da cultura pop de lá. Uma sacada genial.
E se vocês pensarem bem, isso já está começando a ser feito aqui no Brasil. Sei que muita gente (inclusive eu) torce a cara para títulos como Luluzinha Teen, mas se vocês pensarem bem, a idéia de lançar títulos baseados em obras conhecidas pelo público daqui não é ruim. E o fato dos fãs brasileiros largarem o pau neste tipo de iniciativa não deve ser considerado como motivo para desacreditar essas iniciativas, já que a finalidade destas ações é justamente libertar as editoras locais do público de nicho.
Mas é bom lembrar que marginalização é diferente de abandono, pelo menos em termos mercadológicos. No japão, embora o grande motor da indústria de animes e mangás seja o público de massa, o público hardcore também recebe bastante atenção, afinal, apesar de todos os problemas que causa, é um público lucrativo (que compra muito), e portanto, um público para quem vale a pena vender. No Japão, pelo menos.
Empresa que se preza tem que ir aonde o dinheiro está.
acho que o Brasil tá muito atrasado em relação aos EUA.
o Franco de Rosa disse no HQ&Cia que vai fazer Didi em Mangá, não desmerecento o talento do Franco (um dos grandes pesquisadores de Quadrinho no país), mas o que se pode fazer com Didi?
seria interessante ver Mangás da Disney no Japão, no Inducks (site que cataloga HQs Disney) dá pra alguns.
Muita coisa, como aliás, já foi feito por autores de outros estilos. O simples fato de ser um título baseado em um nome popular já dá alguma visibilidade junto ao público, o que é um bom começo, desde que o autor em questão tenha competência.
Criar quadrinhos baseados em figuras famosas já é uma prática comum no país e seria uma boa se tal prática fosse feita por autores de mangás, nem que fosse apenas a título de experiência. Se eu soubesse desenhar, gostaria de fazer um mangá biográfico do Renato Russo ou sobre as aventuras de um "Boina Azul" brasileiro no Haiti. Como não sei, fica aí minha sugestão a quem possa interessar.
Fazer mangá "de brasileiro para brasileiro" seria uma experiência interessante não somente porque ajudaria a dar impulso para a criação de uma nova classe de mangakas mais voltado para os gostos populares locais (lembrando que "pop" nada mais é que "cultura do povão"), mas também porque ajudaria a criar uma nova mentalidade livre das amarras da cultura pop japonesa. Nada contra a cultura pop japonesa, mas o fato é que o Brasil não é o Japão, e o que faz sucesso lá não serve de parâmetro para definir o que pode fazer sucesso de público aqui.
Isso também nos lembra sobre o Mangá do Corinthians. Aquilo é um lixo imundo, mas a idéia e si é boa, e é um ótimo exemplo de um título feito pensando no que o povo daqui (o povão mesmo, e não "aquele povinho", se é que me entendem) poderia comprar, se tivesse sido feito por alguém mais talentoso. Os próprios mangás esportivos do Japão são um exemplo do potencial que um mangá desse tipo pode ter.
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