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Dez 03
Ranking da Taiyosha (JP) – 29/11/2009
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Categorias: rankings

A Taiyosha não pôs no ar o seu ranking semana passada, sei lá porque. Mas a julgar pelo Ranking da Tohan, foi uma semana boa para a Shonen Sunday da Shogakukan (Detetive Conan no topo, mais Cross Game em quinto lugar), e melhor ainda para a Shonen Magazine da Kodansha (que emplacou Tsubasa, Negima, Fairy Tail, Diamond no Ace, Area no Kishi e Sayonara Zetsubou Sensei – e isso é muita coisa). E não custa lembrar que a Tohan é uma lista geral, que contabiliza todo tipo de quadrinho na hora de montar suas vendagens – eu publico o ranking da Taiyosha porque ele separa seus títulos por demográfico. E então me pergunto: porque numa semana legal dessas a Taiyosha fica fora do ar, e quando volta, é com uma lista cujo topo é o repelente KUROSHITSUJI? A vida não é justa, mas ao menos o campeão da lista geral não é ele – e sim o campeão da lista seinen, o ótimo Yotsuba &! de Kiyohiko Azuma.
Shonen/Para garotos
01. Kuroshitsuji 8 (Square Enix)
02. Negima 28 (Kodansha)
03. Detetive Conan 66 (Shogakukan)
04. Mirai Nikki 9 (Kadokawa)
05. Cross Game 16 (Shogakukan)
06. Fairy Tail 18 (Kodansha)
07. Pani Poni 13 – Edição de Colecionador (Square Enix)
08. Tsubasa 28 (Kodansha)
09. Bamboo Blade B 2 (Square Enix)
10. Princess Resurrection 10 (Kodansha)
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Yotsuba &! 9 (Kadokawa)
02. Real 9 (Shueisha)
03. Bamboo Blade 12 (Square Enix)
04. Billy Bat 2 (Kodansha)
05. Kiss X Sis 5 (Kodansha)
06. Oh My Goddess! 40 (Kodansha)
07. Pandora Hearts 10 (Square Enix)
08. Umi no Misaki 6 (Hakusensha)
09. Nogizaka Haruka no Himitsu 3 (Kadokawa)
10. Puchimasu! 1 (Kodansha)
Como ainda tenho que comentar a lista para garotos, vou dizer logo que a presença de Kuroshitsuji indica um problema mais sério do que sua existência em si. Se olharmos na lista geral, Kuroshitsuji não alcança o pódio – fica atrás da medalha de ouro e prata da lista seinen, Yotsuba &! e Real, e da campeã da lista josei (para mulheres adultas), Nodame Cantabile. Claro, esses títulos são três merecidos vendedores, mas o problema não é esse. Significa que pode ter havido uma despencada geral nas vendagens dos títulos que sobraram da semana passada na lista shonen, sejam quais forem – e duvido que a listagem da Tohan semana passada tenha sido muito diferente da listagem da Taiyosha. A aparente estabilidade de Negima, Conan, Cross Game, Fairy Tail e Tsubasa, apesar de ainda refletir a força desses títulos, pode significar também que eles tiveram uma queda maior do que imaginavam.

Dito isso, vamos a lista adulta, que esta semana é o que está interessando. Claro, a lista shonen não está ruim, apesar de tudo, mas boa parte dos materiais que interessam são da semana passada e por isso mesmo não podem receber destaque. E na lista seinen, mesmo com uma forte presença de material mais restrito – como Puchimasu, derivado do jogo Idolmaster, por exemplo – os quatro primeiros merecem destaque. Yotsuba &!, por exemplo, é talvez o melhor quadrinho para
toda a família disponível no mercado. Eu considero o material superior ao afamado Azumanga Daioh, mas talvez a questão de formato contribua: longe das limitações das tirinhas, a autora Kiyohiko Azuma tem mais espaço para desenvolver histórias simples e eficientes sobre o cotidiano de descobertas de uma alegre menininha de seis anos.
Yotsuba me deixa com uma certa tristeza, porque ele é um quadinho infantil que não está numa revista infantil – na verdade os almanaques infantis estão todos povoados com adaptações de videogames, o que não tem nada de errado e é parte do jogo. O que me deixa meio chateado é que temos vários bons materiais originais infantis (vamos direto ao ponto: "infanto-juvenil" é de um reducionismo atroz. Ou se é infantil ou se é juvenil, e tanto o shonen, para garotos, quanto o shoujo, para meninas, são juvenis por definição. Não infantis. "Infanto-juvenil" é uma forma de colocar crianças e adolescentes no mesmo saco e infantilizar estas últimas por definição) e até juvenis em potencial nas revistas para adultos...

... e eles frequentemente são melhor leitura para uma criança do que os materiais publicados nas revistas pensadas e dirigidas para elas atualmente.
Claro que mesmo um Yotsuba &! tem espaço para seus produtos e isso é corretíssimo, mas deveria haver um espaço para subir o nível dos quadrinhos infantis japoneses nos dias de hoje, em que eles pudessem se desenvolver e quem sabe até voltar a despertar em crianças o interesse em comprá-las. O mercado está precisando.
Dois títulos de esportes ocupam o segundo e o terceiro lugar – e não custa dizer que semana passada mostrou a força popular do gênero na lista para garotos. Real (de Takehiko Inoue), o drama sobre jogadores paraplégicos de basquetebol, e o surpeendentemente digno Bamboo Blade de Masahiro Totsuka – cuja série derivada Bamboo Blade B inclusive está na lista para garotos, também. A Young Jump da Shueisha é uma revista de massa, assim como a Young Gangan da Square Enix, de onde essas duas séries respectivamente vieram. Real, de tanto que eu já falei neste blog, já deve dispensar apresentações, então digo apenas que ao meter as mãos no material e olhar o festival de "meninas bonitinhas"™, esperamos dar de cara com mais uma daquelas séries voltadas ao fã hardcore, gosmento e babão. E temos uma grata surpresa. Não é harém, não tem gestuário moezeiro que alguns acham "fofo" e eu, sinônimo de debilidade mental, e até onde li não tem fanservice desnecessário – embora, e isso não pode ser negado, muitos dos produtos gerados pela série acabem sendo dirigidos a essa fatia de público, mais por conta da animação do que pelo mangá em si. Temos um senso de
normalidade cotidiana – diabos, uma das meninas entra para o clube para acompanhar o namorado, por exemplo. Não é desse tipo de normalidade que materiais para otakus solitários são feitos, como o caso Kannagi, de triste memória, deixou bem claro. A história é construída como quadrinho de esportes e é assim que deve ser lida, sem se deixar enganar pelo character design. É quadrinho leve, bobo (no bom sentido da palavra) e com sua dose de humor tosco, mas é um material honesto. E que conseguiu abrir espaço justamente por conta disso, acredito. – ou pelo menos quero acreditar.
O quarto lugar é o Billy Bat de Naoki Urasawa, misturando conspiração e religião, e ensinando umas duas ou três coisinhas para o Dan Brown quando o assunto é fazer isso direito. E o resto é meio dispensável: o harém praieiro de Umi no Mizaki, que se mostrou sólido e popular; o resiliente Oh My Goddess, mostrando sempre mais do mesmo – e seu público não quer mais do que isso; o dispensável Kiss X Sis; o citado Puchimasu e o definitivamente produto otaku Nogizaka Haruka no Himitsu. Não foi uma semana maravilhosa, mas ao menos os seus campeões de vendas mantiveram a dignidade da listagem.
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Comentários:
Alías, falando em material otaku, esse Nogizaka Haruka já ganhou a segunda temporada para tv. Impressionante como esses materiais ganham anime fácil.
Esse Youtsuba deve ser bacana demais, o Azumanga já era bem legal.
Até mais.
Talvez houvesse algum mangá em muito boa posição (ou simplesmente constando na lista) que eles prefeririam esconder. Ou então esperar que ele caísse mais algumas posições... ou então esconder a ausência de algum mangá que eles queiram que apareça sempre na lista - e publicado só na outra semana poderia justificar a não-presença dele... Não duvido, mesmo sendo o Japão.
Alexandre: Eu acho pouco provável. Até porque mesmo que houvesse interesse em manipular informação, a quantidade de rankings que existe no Japão é enorme e ninguém quer ser desqualificado. Mas a Taiyosha é famosa por volta e meia cometer essas mancadas.
E por falar nisso, engraçado esse negócio de haver pouco espaço no Japão para hqs infantis inteligentes. Creio que seja mais ou menos como no caso do Brasil. Yotsuba &! seria uma espécie de "Cocoricó" da vida que não vinga mais do que estes desenhos animados toscos como "Três espiãs demais" e outros assim.
Alexandre: Na verdade vinga, tanto que suas vendagens falam por si. Mas o ponto é que ele está como título "para a família" em um almanaque para leitores mais velhos. Os almanaques para crianças viraram palco para adaptações de videogame, e nem culpo as editoras – foi a forma que elas encontraram para sobreviver quando os garotos começaram a trocar pelos videogames os mangás; a idéia de encontrar os personagens que os garotos interagem nas páginas dos quadrinhos ajuda a despertar interesse.
De qualquer modo, porque vc não aproveita e publica também a lista Josei e Shojo?
Alexandre: Porque o Shojo e Josei saem sempre aqui. Inclusive foi essa a minha inspiração para traduzir a Shonen e Seinen: ninguém o fazia, então decidi pôr a mão na massa. Além do mais, eu provavelmente seria atacado e morto na rua se começasse a comentar boa parte desses títulos. XD
Digo isso porque é impossível não ler Umi no Misaki e não rasgar as páginas depois.
Achei que esse tipo de história numa faixa demográfica acima do usual seria diferente.
Um cara não fazer nada quando 3 mulheres dão bola para ele ainda vai. Mas nessa história as 3 mulheres estão a TODA DISPOSIÇÃO dele por causa da tradição. Tudo bem que para ganhar o coração de todas tem que ser bonzinho e talz, mas o rumo que essa história toma deixa qualquer um fulo, principalmente porque o protagonista não é boboca nerd molenga padrão.
O pior de tudo é que continuo lendo. A arte é muito bonita e quero saber o que vai acontecer com a macumba quando o protagonista decidir que é gay (porque nesse rumo, acho difícil ele escolher alguém ).
Mas sinceramente, nessa semana achei a lista shonen melhor que a seinen.
Alexandre: Friamente, ela é melhor no geral, tanto que dei um update no meu texto para deixar mais claro porque dei mais destaque a lista para leitores mais velhos. Afinal na lista seinen a qualidade está concentrada no topo, enquanto na shonen está pulverizada e isso é vantagem. O ponto para eu dar destaque a Yotsuba ao invés de Cross Game (que é um dos favoritos daqui da casa) e os outros é o fato de que eles já estão aqui desde a semana passada. E ser derrubado por material de nicho como Kuroshitsuji é mau sinal.
Alexandre: Não tão revolucionária assim: na França, os quadrinhos infantis – que são um segmento até mais poderoso do que no Japão – são comprados usualmente dos pais para os filhos...
Se um mangá infantil não tem personagens famosos de video-game (e por questões editoriais/comerciais não encontraria lugar numa coletânea infantil), nada melhor que poder contar com os pais como cúmplices pra mostrar pros seus pimpolhos o quanto aquele mangá é bom. Mas tem que ser bom!
Alexandre: Esse é um ponto.
Nodame é o primeiro da lista geral, mas nem tem como não ser, é o último volume de uma série que foi sucesso em todos os veículso possíveis, cinema, novela, animação e mangá. Real é um mangá de um mestre, Yotsuba é um sucesso, Kuroshitsuji vc gostando ou não também. E digo mais, só não está em melhor posição pq é um mangá voltado para o público feminino e tem vendagens menores mas estáveis, fica mais tempo no ranking.
O fato é que a lista está muito boa, tem sucessos demais.
Fairy Tail deu uma caída mas mesmo assim sua vendagem aumentou em 60.000 em relação ao volume anterior, realmente o anime cumpriu o seu papel.
Tsubasa teve uma vendagem total boa, mas todo mundo sabe que quem compra os títulso do Clamp são aquele mesmo fandom e não o público que acompanha pela revista.
Negima é dividido em dois,então não dá para conferir na lista da Oricon direito, semana passada pelo menso as duas vendas somadas estavam bem inferiores a Fairy Tail.
Saiu a lista dos 25 volumes mais vendidos esse ano no ANN e a lista está simplesmente assustadora, One Piece quebrou a barreira dos 2 milhões com o volume 53. Pelo visto essa tiragem do volume 56 não é só pra Shueisha se gabar.
Se Yotsuba &! fosse oferecido diretamente para as crianças, não seria comprado por elas e ainda passaria despercebido dos pais delas, o que seria um duplo desastre.
Vocês abem como são as crianças. Não importa se a coisa em questão é comida, vestuário ou leitura, elas preferem comprar porcaria e dependem da influência e incentivo dos pais para criar juízo e poderem fazer escolhas mais sensatas.
Mais uma vez é presciso lembrar do pragmatismo e da experiência das editoras japonesas. O melhor lugar para um produto ser exposto é lugar de onde ele poderá vender mais. No caso, a melhor maneira de empurrar uma coisa saudável para uma criança é através dos responsáveis dela.
Quando for vender coisa que não presta, aí sim você dá um jeito de driblar os pais para vender diretamente pra elas. Capitalismo é uma coisa linda. =P
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