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Nov 07
Tiragens das revistas de Julho a Setembro de 2009 no Japão
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Lancaster |
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6
Categorias: tiragens

Bom, eis a listinha oficial de tiragens do semestre anterior, e as quedas sempre pequenas mas consistentes de vendas prosseguem, comendo pouco a pouco as vendagens de antologias no Japão. Reparem que as duas únicas revistas nesse trimestre a crescer em tiragens foram a tradicional revista semanal para garotos Shonen Jump da Shueisha, e a revista seinen (para adultos) Young Animal Arashi, da Hakusensha, se bem que no caso desta, isso é mais sinal de
estabilidade do que crescimento; é cerca de 1% de aumento e como não se trata de uma revista com mais de um milhão de exemplares, isso não é algo para se estourar o champanhe – é mais para respirar aliviado no atual cenário. Já a Jump... bom, não há muito o que se discutir sobre ela. Todos criticam os atuais rumos da revista, mas sejamos honestos: se pesos pesados como a Shonen Magazine da Kodansha e a Shonen Sunday da Shogakukan continuam caindo (eu mesmo esperava que esta pudesse reagir e retomar sua posição de terceira revista mais vendida do mercado japonês, perdida para a Shonen Magazine Mensal ano passado; vejo que me enganei. As duas andam caindo pouco a pouco, e a overdose de marketing da Sunday na esteira dos 50 anos da revista parece não ter feito tanta diferença assim) e a Jump pouco a pouco sempre continua crescente, é porque algo de muito, muito correto eles estão fazendo. Ela cresceu 1,42% nesse trimestre, mas diacho, 40.000 exemplares é uma tiragem maior do que muitas revistas de porte dirigido e reduzido que são consideradas bem-sucedidas, como a Morning 2 da Kodansha! O mais visível exemplo de estabilidade, entretanto é a Dragon Age, que conseguiu
reverter sua queda de vendagens com uma reformulação editorial total. Nessas horas, temos um pequeno crescimento seguido por uma parada. Pode haver uma pequena queda no próximo trimestre, mas se ela acontecer, será previsível e não chega a ser um sinal dramático: a Dragon Age opera sob patamares muito menores e se ela sobrevive assim, está dentro de suas dimensões. Entre as revistas femininas, quem se saiu melhor foi a Asuka, apesar da Lala vender mais: enquanto os mil exemplares a mais dessa revista representem nada além de sinal de estabilidade (é um crescimento pouco maior do que meio por cento – leia-se, flutuação de tiragem), a Asuka teve um desempenho mais satisfatório, embora seus 35.334 exemplares nem de longe arranhem os 180.667 exemplares da Lala; para uma revista de 32.000 exemplares de tiragem, um crescimento de quase 10,42% é bem significativo, e em termos de comparação, podemos dizer que ela foi a revista que mais cresceu ao longo desse trimestre – mais importante do que números brutos de vendagem é a lucratividade que conta de verdade, e em mercados que tendem ao encolhimento, isso faz diferença. Mas falando de uma revista nessa faixa de tiragem, até onde ela realmente pode crescer a longo prazo? Nesse sentido, ela não é muito diferente da Dragon Age: sua expressão é limitada e seu público é restrito. É para as menores que qualquer sinal de crescimento é crucial.
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Vendo superficialmente, parece que o mercado editorial Japonês não tá indo bem, mesmo que as quedas não sejam assim tão grandes. Será isso por causa do baixo número de crianças que estão nascendo atualmente?
Só a Jump mesmo pra segurar a peteca e conseguir crescer em meio a tantas baixas.
Você acha possível que os japoneses, estão preferindo comprar direto os volumes encadernados em tempos de crise?
Alexandre: Já havia uma tendência a diminuição, mas o ponto é que a tendência de mercado naquele momento era de rearranjo de perfil. Pode reparar que antes da crise, o problema era outro: havia o encolhimento das publicações semanais. Pense bem: tirante a Comic Bunch da Shinchosha, qual foi a última antologia semanal a surgir no mercado? O que era visível é que os leitores ainda estavam habituados as revistas semanais, que exigem uma infra-estrutura absurda de quem produz, mas em compensação estavam começando a dar uma boa atenção das revistas mensais justamente por elas oferecerem histórias bem melhor acabadas e ordenadas, sem tanta preocupação em esticar cenas para ganhar tempo enquanto ordena-se roteiros posteriores. Revistas emergentes como a Gangan vieram de revistas mensais.
Agora, nunca se leu tanto mangá quanto agora e há vários lugares aonde se possam ler esses materiais. Lembre que sua função primária é pré-publicação – os grandes lucros estão nas vendas em volumes para livrarias e lojas de conveniência. Então pode ser isso sim. Agora, como você mesmo apontou, são tempos de crise. O mangá anda mal porque o Japão anda mal. Quando ele se recuperar, o mangá se recupera, mas o fato é que se ele não se mover e se abrir internacionalmente, ele vai acabar sendo engolido por países como a China.
Que aliás, já estão produzindo seus próprios mangás.
Alexandre: A lista está longe de estar completa, mas nem todas parecem fazer relatórios trimestrais, acho. Geralmente as portas dos dados só parecem se abrir em massa no final do ano. E ele está chegando perto.
Alexandre: Não. Falo de abrir porta para imigração irrestrita mesmo e até para a entrada de quem possa gerar novos empregos e investimentos. O problema dos mangás passa por uma economia que não está bem – mas que talvez não se recupere 100%.
Está na hora das antologias começarem a reagir e dar vantagens para os leitores para quem compra as antologias, perfis de personagens, entrevistas, cards extras... Qualquer coisa para sair dessa queda. Parece areia movediça, suga todo mundo aos poucos.
Alexandre: Só que não parece ser apenas isso. Se notarmos bem, os mangás que mais vendem ainda são aqueles que saem em revistas e a tentativa mais clara de modelo de negócio novo nesse sentido está ainda sob observação (a experiência de Shuho Sato na Internet, que parece inicialmente ter tido um bom retorno, mas que ainda está para ser devidamente avaliado na íntegra). Mas repare que tem leitores que pegam uma antologia e lêem duas, ou três séries para deixar para lá. Sinceramente acho que estes leitores são os mais propensos a deixar para lá uma revista quando o cinto aperta.
Agora vamos pegar a fase áurea das antologias. Repare: Nos anos 80, já olhou a lista dos outros titulos da Jump? Super Campeões (eu acho uma bomba, mas foi popularissimo e fez história), Slam Dunk, Video Girl Ai (outro que eu não suporto mas que é considerado paradigma no gênero), Yu Yu Hakusho, Magical Boy Taruruto-Kun, Hokuto no Ken, Cavaleiros do Zodíaco, Ginga Nagareboshi Gin... e lembre da sombra de Dragon Ball durante todo esse tempo! Hoje mesmo eu recebi minha edição da Shonen Sunday 1983, e pombas, só naquele ano tinham na mesma revista títulos como Urusei Yatsura, Touch, Blazing Transfer Student (pomba, aquilo é sensacional) e varios outros titulos que acabariam sendo lembrados ao longo dos anos. O ponto é: ninguém gosta de todos os títulos de uma antologia e isso é normal (eu mesmo, que acho a Shonen Champion Mensal superior a Semanal, não esqueço que o título mais conhecido da revista entre os brasileiros é um ovo podre – Dear Boys). Mas o fato é: será que mais títulos bons, que prometam e cumpram o que prometem, não são o maior diferencial na hora de valer a pena comprar uma antologia, ainda mais em uma época de bolso curto? Talvez por isso parece que há uma onda de gag mangás na Jump – elas são mais certeiras na hora de atrair leitores casuais, que compram uma revista, lêem e a deixam para lá. Na verdade, Dragon Ball começou com uma fórmula bem próxima das gags.
Talvez seja isso: uma revista precisa de hits, e quanto mais séries que um leitor queira ler, mais ele vai se convencer a comprar a revista aonde estão esses materiais. E a época das fábricas de sucessos parece ter ficado na memória. Por outro lado, conta a redução de publico a favor. A frase clássica de Bakuman de jamais haver um novo dragon ball volta sempre a tona, porque isso é verdade. Menos leitores novos, menos sucessos novos.
Oras, a faixa etária que eles abrangem é bem maior que a dos títulos shonen (ainda que o público seja admitidamente menor) - e tem, ao menos em teoria, um perfil econômico mais sólido. Portanto não é simplesmente a queda de natalidade ou a crise econômica que os está afetando.
Vi uma entrevista com um especialista em mangá (acho que era o Schodt) que visitou recentemente o Japão e ele mencionou que, para sua tristeza, o número de pessoas lendo mangás nos transportes públicos caiu uma barbaridade. O pessoal agora fica brincando com seus celulares!
Ora, você sabe bem que as antologias de mangá visam muito precisamente esse público "leitor de trem". Se ele está desaparecendo, elas sofrem as consequências.
Repare que, até onde eu sei, as vendas de tankohons não estão sendo afetadas da mesma maneira. Acho que estão até subindo.
Hunter (Pedro Bouça)
A internet e os celulares, se bem aproveitados pelas editoras, podem até vir a ser melhores que as antologias para a divulgação de títulos.
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