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Out 30
Desenhe com Kazuo Umezu
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Lancaster |
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Categorias: Kazuo Umezu

Fora do Japão as pessoas tendem a não ter idéia da importância do trabalho de Kazuo Umezu para os quadrinhos japoneses, então eu vou ser repetitivo e dizer o que praticamente sempre digo em todo post que faço sobre o sujeito: ele passou praticamente por todos os estágios da construção da indústria japonesa de quadrinhos: começou nos mangás de aluguel criados para locadoras de quadrinhos, com o quadrinho para meninas Petal; se tornou famoso por seus quadrinhos de horror, em especial Drifting Classroom (Hyoryu Kyoshitsu), publicado nos anos setenta na Shonen Sunday (e que aliás ganhou o prêmio Shogakukan em 1975) – na verdade seu peso para o gênero foi tão forte que o prêmio mais importante do gênero horror no Japão leva seu nome; com o mangá Romance no Kusuri, de 1962, introduziu o gênero comédia romântica para garotos do público masculino; de quebra, chutou o balde do gênero gag mangá com o mais do que infame Makoto-Chan. Leia-se, sem ele não teríamos nem Uzumaki, nem Love Hina nos dias de hoje, por mais incrível que isso pareça. Juntando a isso um senso de auto-promoção imenso, com direito a construção de um excêntrico personagem para si mesmo – ele sempre se apresenta em público com uma camisa de listras brancas e vermelhas, Umezu se tornou muito popular – e recentemente ele apresentou um programa sobre a arte de se fazer quadrinhos, no canal estatal japonês – a NHK. O programa se chamava Chûkônen mo Guwashi! Umezu Kazuo no 4-Koma Manga Nyûmon, e agora ele está ganhando um livro, para ser visto, revisto e consultado. O volume tem vários artistas convidados colaborando com o projeto. Fica o registro... e bom, como não há expectativa nenhuma de que um dia vejamos o trabalho dele por aqui, Umezu está sendo publicado nos Estados Unidos, França e Espanha, a quem estiver disposto a gastar um pouquinho mais com importados...
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Comentários:
Mas é interessante. Ele é uma espécie de Tezuka vivo, não é? Vou dar uma procurada em material dele...
Alexandre: Eu não diria bem um Tezuka. O Umezu é um dos autores que estava trabalhando nos mangás de aluguel – que tinham uma pegada mais pulp – e por isso se tornou versátil. Quando o mercado de mangá de aluguel desmontou, esses autores todos, que trabalhavam em outros caminhos estilisticamente falando, acabaram sendo absorvidos pelas grandes editoras de mangá. E eu considero esse provavelmente o movimento conjunto mais criativo da história dos quadrinhos japoneses, quando gente como o Umezu, o Sampei Shirato, o Takao Saito... enfim, quando meio mundo trouxe novos estilos e variações para o mangá mainstream, que na época era totalmente influenciado pelo estilo de Tezuka. E deram uma nova cara para os mangás, de certa forma pavimentando o caminho dos quadrinhos japoneses de hoje.
O Umezu faz parte disso, nada mais, nada menos. Ele trouxe novas luzes para o quadrinho de horror e ainda foi determinante para outros gêneros (ele nunca esteve aprisionado em nenhum deles e pomba, após sua obra-prima, ele veio com uma comédia, contrariando todas as expectativas). E Drifting Classroom é bom para cacete. Mas não vou dizer que ele é um revolucionário como Tezuka.
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