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Out 29
Agora Sim! Especial de Black Jack na Shonen Champion!
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Lancaster |
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7
Categorias: Black Jack

Cometi um erro outro dia: creditei a edição em que sairia o especial de Black Jack na revista semanal para garotos Shonen Champion, da Akita Shoten, como a anterior. Eu já reescrevi esse post, corrigindo os dados, e agora sim chegamos a edição correta – a 48, que comemora tanto o aniversário de 80 anos de Osamu Tezuka como faz parte das comemorações de 40 anos da Champion. Isso porque Black Jack, publicado nos anos 70 e começo dos anos 80, talvez tenha sido
o mais emblemático e importante título publicado em sua história. E mesmo que surja um título de peso em suas páginas que impulsione a revista e mude seu status na cadeia alimentar das antologias para garotos japonesas algum dia, dificilmente ele terá a relevância histórica que Black Jack tem para a Champion. Sério.
No final dos anos 60 e início dos anos 70, Tezuka não era mais visto como o queridinho de público e crítica que um dia foi – era tratado por uma nova geração de criadores como uma relíquia que desempenhou um papel muito importante, mas que agora já havia cumprido sua missão e que precisava desatravancar o caminho – ainda mais sob a esteira da falência da Mushi Produções, sua companhia de animação, que estava em todos os jornais e chamava atenção negativa para seu nome. Tezuka reagiu, depois de anos priorizando a animação (embora jamais tenha deixado de produzir quadrinhos), entrando de cabeça naquilo que ele sempre soube fazer bem, e se adaptando a um novo público, que queria material mais realista. Após experiências em revistas como a COM, Tezuka veio com um médico fora-da-lei, que faz as operações que nenhum outro cirurgião ousaria fazer – a um preço muito alto. No final das contas, Black Jack foi um grande sucesso, que marcou seu nome para uma nova geração em seu tempo.
Agora a edição traz uma série de ilustrações e declarações de artistas para quem a série Black Jack foi extremamente marcante. Fujiko Fujio A., Shinji Mizushima, Takao Yaguchi e tantos outros. Além disso, temos a presença destacada da série mais recente do personagem em andamento, Black Jack 2009, nas mãos de Akihito Yoshitomi, publicada desde Maio na Champion semanal. Ainda não li o material, mas a primeira vista eu não estou tão animado – basta lembrar das recentes reinvenções de Astro Boy (que saiu pela Panini no Brasil) e A Princesa e o Cavaleiro, com uma Safire irreconhecível que lembrava mais a protagonista de Sakura Card Captors da Clamp. Mas Yoshitomi tem no seu currículo a sua presença na coletânea em dois volumes Black Jack Alive (2005), aonde ele aparece ao lado de gente como Go Nagai (Mazinger), Ken Yagami (Nanaka 6/17), Naoki Serizawa (Saru Lock) e vários outros. Não é como se ele não tivesse familiaridade com o personagem. De qualquer forma, isso apenas mostra o respeito para com um dos mais importantes personagens já criados na história dos quadrinhos japoneses, e que um dia ainda tem que ser publicado por aqui. Se bem que é melhor esperar sentado.
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Comentários:
Alexandre: Seja bem-vinda.
PRECISO dar um jeito de conseguir essa edição da Shonen Champion. Tezuka é o cara e Black Jack é um dos seus personagens mais interessantes e atraentes, na minha opinião.
Alexandre: Bom, eu compro na Fonomag, mas essas revistas semanais vem em pacotes – ou seja, você compra o mês e a edição que você quer vem no lote. O que eu recomendo é que se você quiser essa edição em especial, faça isso agora, antes que ela não seja mais disponibilizada pelos distribuidores.
Queria saber qual a próxima obra do MESTRE vai ser publicada aqui no Brasil. A Princesa e o Cavaleiro merecia ser republicado com mais decência.
Alexandre: Morreu com 60 anos, em 1989. Mas eu jamais entendi o porquê da contagem de sua vida começar do ano seguinte, já que ele nasceu em 1928.
Eu também gostaria de que viesse uma nova edição de Princesa e o Cavaleiro, mas eu acho que se há uma obra de Tezuka que tem mais chance em livraria, ainda mais se for atrelada comercialmente à sua versão de Buda, é Fênix. Ainda era cedo para Adolf, na minha opinião.
Na verdade o Yoshitomi (autor do lendário Eat-Man) tem bem mais experiência em termos de Black Jack. Na sua série médica Ray, sobre uma garota capaz de fazer diagnósticos milagrosos, Black Jack aparece de relance no início, salvando a vida da protagonista (o que a motiva a se tornar médica) e depois em um verdadeiro crossover dos dois personagens, no especial Ray Plus.
Ambas as obras foram publicadas em francês (por isso eu conheço) e ao menos parcialmente nos EUA, mas acho que estão fora de circulação em ambos os países.
Pode não estar no nível de um Pluto, mas acho que o Black Jack do Yoshitomi é bem melhor que aquele Astro Boy aberrante que saiu por aí...
Vale notar que o Black Jack já teve pelo menos outras duas séries pós-Tezuka. Black Jack Kuroi Ishi de Kenji Yamamoto, um simples - mas honesto - "remake" da série original com arte mais moderninha, e Black Jack Neo, de Masayuki Taguchi (o cara do mangá de Battle Royale), que tentou modernizar o personagem, aparentemente com pouco sucesso.
Não acho que outro personagem de mangá tenha tido tantos "revivals", o que por si só já coloca Black Jack em uma posição de destaque!
Hunter (Pedro Bouça)
Alexandre:E novamente a França nos dá mais oferta em termos de mangá do que os Estados Unidos. Depois de ver os mangás da Glénat e ver o quanto de oferta nesse sentido tem por lá, a impressão que fica é que é mais jogo ler francês do que inglês se a idéia for procurar mangás em uma língua mais acessível...
Alexandre: Bom, depois de Black Jack, ele ainda fez Unico e Mitsume ga Tooru em termos de material mais juvenil. Mas ele se restabeleceu a um ponto acima do bem e do mal, basta lembrar que sua coleção de obras completas começou a ser publicada em vida – e ele foi tão imensamente prolífico que vou levar anos caçando a bibliografia dele. Não custa lembrar que seu Buda é uma história para todas as idades.
Assim, por exemplo, quando um japonês diz que tem dezesseis anos, na verdade tem dezessete para o padrão de contagem ocidental.
O porquê disso eu não sei, presumo que seja simples convenção.
Alexandre: Bom, então está explicado. Obrigado!
Quanto ao Tezuka, eu tenho mais de 100 volumes de material dele aqui em casa (a maioria franceses, mas alguns americanos) e ainda sinto como se mal tivesse começado a acompanhar a obra do cara. Isso é trabalho para uma vida! Mas vale a pena.
Hunter (Pedro Bouça)
O Mitsume Ga Tooru bem que podia ter mais repercussão fora do Japão, afinal, depois de Tetsuwan Atom, é a mais famosa série de aventura para garotos do Tezuka. E eu ainda espero que Hi no Tori venha para o Brasil, mas você deve se lembrar que a série levou mais de 10 anos pra terminar nos EUA e nunca foi lá muito bem em vendas.
Alexandre: Isso é verdade, mas Fênix tem uma linha direta temática com Buda, se pensarmos seriamente.
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