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Autora de Love Junkies na revista Super Jump

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Lancaster | PERMALINK | 2

Categorias: erocom

Kyo Hatsuki

Ou não. Para quem não liga o nome a pessoa, Kyo Hatsuki se tornou, contrariando todas as expectativas, a responsável por aquele que se tornou o mais vendido mangá da JBC no Brasil durante sua publicação, graças a um acidente de percurso: por seu próprio posicionamento (afinal, Love Junkies se apresentou – corretamente – como produto erótico), os jornaleiros passaram a colocar o material nas bancas, de modo geral, ao lado do material do gênero; isso fez com que o material não ficasse restrito à meia dúzia de fãs hardcore (que de modo geral o receberam com rejeição) e puderam atingir um segmento popular, no que deveria ser percebido como um case de mercado importante aqui no Brasil – o mais importante é saber como aplicar isso em outros gêneros. De resto, Hatsuki já está com trabalho novo nas páginas da Young Champion da Akita Shoten (Cross and Crime, que na verdade é um mangá de suspense) e como se não bastasse, foi anunciado o seu retorno a um erocom (comédia erótica – o equivalente dos quadrinhos japoneses à nossa boa e velha pornochanchada) interrompido nas páginas da antologia para adultos Super Jump da Shueisha: Ukari/Mariko-San. A autora está com tudo fora do país: Além de ser, no Brasil, uma campeã de vendas mais sólida do que hits como Full Metal Alchemist e Inu-Yasha, na França ela estará chegando amanhã para participar do evento Chibi Japan Expo 2009. Nada mau para quem essencialmente, é uma espécie de versão japonesa do Carlo Mossy (pergunte ao seu pai sobre seus filmes. Ele sabe de quem está se falando).


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Comentários:

Nome: Rick Blaster 28/10/09 04:24
Bem, eu aproveitei a noticia que você trouxe pra dar uma aprofundada na coisa toda lá no meu blog.
Mas, fica ai uma pergunta, Tirando essa besteira toda de quem lê LJ é tudo safado e talicoisa e coisa e tal.. Lancaster, vc chegou a ler Love Junkies? Se sim, o que achou?

Alexandre: Bom, analisando friamente:

Hatsuki é uma excelente desenhista – mas vou além disso: ela tem uma narrativa afiadíssima. Considero o trabalho dela em LJ até didático nesse sentido. Quanto ao material em si... bom, me lembra uma frase do François Truffaut sobre todos os filmes americanos serem bons.

Na época em que ele falou isso, fazia sentido.

Se você pegar um canal por assinatura que cate filmes antigos sem tanto critério assim além de sua idade, vai pegar o ponto. Filmes policiais noir B dos anos 40 com elenco obscuro e subtom moralista. Comédias musicais com atores que hoje estão esquecidos (alguém sabe quem era Eddie Cantor, de quem um crítico de cinema que odiava as chanchadas dos anos 50 – algo mais importante para o cinema brasileiro do que toda a obra conjunta do Gláuber Rocha – acusava Oscarito de ser clone?). Coisas do tipo. O que você vai ver é que nenhum deles é uma obra-prima, mas todos são eficientes, te seguram na tela por uma hora e meia e era isso o que Truffaut queria dizer. Quando você ia para o cinema assistir um melodramalhão lacrimejante como "Stella Dallas, Mãe Redentora", você foi para o cinema chorar e é isso o que você vai conseguir. Eles eram feitos para despertar interesse e dar o que o consumidor foi buscar.

O que isso tem a ver com o Love Junkies? Bom, eu diria que funciona se pensarmos no paradigma de Truffaut – e por ele, analogamente, todos os mangás seriam bons. Não, não são, no sentido de ser bom ou ruim
realmente. Mas se eles se sustentam em uma revista aonde há competição para uma vaga, é porque eles conseguiram encontrar seu público – souberam se comunicar e dar a ele o que ele quer. Repare que Hatsuki tem mais expressão fora de seu próprio país do que dentro dele. Lá, ela é competentíssima, mas é apenas mais uma. Comédias eróticas existem às pencas em revistas adultas.

E é isso o que LJ é: um desses materiais que "são bons" porque foram bons em propôr algo e cumprirem exatamente o que propõem, com alta competência técnica. Ele não quer ser uma obra prima. Ele é feito para oferecer divertimento picante leve em uma revista repleta de titulos de ação, dramas, etc. É o "cine privê" de TV aberta (que não mostra as ultimas consequências de forma gráfica em seus filmes), após o noticiário, o filme de ação, o sitcom com risadas de claque e o seriadozinho policial.

E Hatsuki sabe disso. Tanto que seu material praticamente
sempre é episódico: é pensado mais em função de seu papel na antologia aonde está do que nas vendagens em livro e para esse gênero, essa abordagem funciona. Claro, tem capítulo em que não acontece nada, mas ainda está dentro do humor malicioso da coisa e é isso o que uma pornochanchada é. Já fiz artigo dizendo que erocom nada mais é do que a versão nipônica e quadrinhística daquilo que chamamos de pornochanchada nos anos setenta, e não tenho medo de usar esse termo para falar de Love Junkies e Futari H.

Então não vejo o que criticar nela. Hatsuki sabe o que faz – e faz bem. Apenas não sou mais seu público. :)
Nome: Pato_Supersonico 28/10/09 06:00
"...) o mais importante é saber como aplicar isso em outros gêneros"

Quando li esse trecho, me lembrei do texto explicativo que vem na capa das edições da versão brasileira de NANA, que começa com "NANA é a revista Shoujo mais vendida do mundo".

Eu acho que teria sido bem melhor se a JBC tivesse dito "NANA é o quadrinho para mulheres mais vendido do mundo". É um detalhe trivial, mas que poderia fazer uma bela diferença.

Alexandre: TOUCHÉ! E ainda não é tarde para a JBC corrigir isso...

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