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Out 24
Quadrinho Jornalístico na Young Jump Mostra Investigação de um Crime
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Lancaster |
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4
Categorias: Young Jump

Alguns trabalhos são realmente desagradáveis, mas são extremamente necessários. Na faculdade de jornalismo, tive oportunidade de ter aulas com um professor que já trabalhou, em determinado momento na carreira, em um desses programas policiais sensacionalistas de televisão. Obviamente ter que visitar portas de cadeia, registrar o momento em que a polícia encontra cadáveres
em decomposição e testemunhar o pior lado da vida, todo santo dia, não faz nada bem para a auto-estima de um ser humano. E mais obviamente ainda, ele se lamentava de estar em um programa desses, até que um dia foi anunciada a prisão de um estuprador de crianças porque a vizinha do sujeito assistia o programa no qual ele trabalhava como repórter de rua. Ou seja, por causa de sua reportagem, uma menina a menos seria vitimada por esse filho da p***. E isso lhe deu consciência da importância de seu trabalho. É muito fácil malhar certos programas de televisão em nome do conforto e prazer de fingir que o mundo é limpinho e seguro. Mas esse é um serviço sendo prestado a sociedade – principalmente quando a telinha tem uma presença tão grande na vida do cidadão comum por aqui. Há uma função social nesses programas, por piores que pareçam, e isso não pode ser negado.
Quando o mangá tem uma presença igualmente grande na vida do japonês, acha que cedo ou tarde não surgiria algo assim nos quadrinhos locais? A revista semanal para adultos Young Jump, da Shueisha, divide o topo do segmento adulto em termos de vendas com a Young Magazine da Kodansha. Essa tem uma vantagem de modo geral, mas a diferença é tão ínfima que é melhor considerar como empate técnico (ano passado as duas emparelharam em termos de tiragem, ambas com 940.000 exemplares por edição). Isso é um público potencial muito grande,
principalmente se levarmos em conta o fator "de mão em mão" que acontece com essas antologias, que uma vez lidas podem ser largadas em qualquer canto, como qualquer ser humano que andou de metrô no Japão pode testemunhar; o fator share é muito grande. E tendo o poder dessa mídia em mente, foi lançada na edição de 22 de Outubro (a nº 47 deste ano), a série VS.: Kitakantô Renzoku Youjo Yuukai Satsujin Jiken no Shinjitsu (VS.: A verdade final sobre o rapto e assassinato de meninas em Kitakanto), de Kenichi Tachibana. A história levanta o caso de cinco assassinatos de meninas de idade entre 4 e 8 anos nessa região, que aconteceram entre 1979 e 1986, e que permaneceu sem ser resolvido. O quarto assassinato levantou um suspeito – um motorista de ônibus escolar, com 45 anos em 1990, preso como um criminoso apesar da alegação de inocência.

Para complicar a situação, outros dois suspeitos confessaram, mas acabaram sendo inocentados por testemunhos vagos e contraditórios, além da falta de evidência. Só que mais um assassinato aconteceu em 1996 e isso levou a reabertura posterior do caso. Em Junho deste ano, acabaram sendo levantados erros nas evidências de DNA que o levaram a prisão (provocadas pela pressa da
polícia em encontrar um culpado), mostrando que o motorista era realmente inocente; o verdadeiro culpado está à solta, de acordo com a história, feita em parceria com o repórter Shimizu Kiyoshi da NTV News. Como há um inocente nessa história, acho essa atitude muito importante em particular: Basta lembrar do episódio da Escola Base aqui no Brasil, que por conta dos excessos de uma imprensa irresponsável, acabou por destruir a carreira de pessoas que estavam limpas no cartório. E é mais uma mostra tanto de um papel social dos mangás, quanto uma grande frente para os quadrinhos em si, como linguagem e como função. A propósito, dêem uma olhada em um filme chamado Capote nas locadoras, mostrando a investigação que acabou gerando o livro A Sangue Frio (que também recomendo), considerado o marco zero do que chamamos de jornalismo literário nos dias de hoje. E acho que com trabalhos como os de Joe Sacco nos Estados Unidos, iniciativas como a Manga de Yomu News da KaBa Net e este VS.: Kitakantô Renzoku Youjo Yuukai Satsujin Jiken no Shinjitsu, já podemos delimitar o estabelecimento de uma nova tendência: o Jornalismo Sequencial.
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Comentários:
Esse caso desse mangá que conta a história de um homem que era inocente é muito interessante. É engraçado ver como a mídia destrói a reputação de uma pessoa e quando ela é inocentada ninguém fica alardeando isso, limpar o nome de uma pessoa e mostrar que a justiça e a mídia erram é bom de vez em quando, é claro que esse não é o único objetivo do mangá. De qualquer forma não é o meu estilo de leitura.
E quanto ao livro, bom, eu estou enrolando pra ler. Já me recomendaram no trabalho e sempre quis ler sobre o Truman Capote mas falta saco pra sentar pra ler.
Enfim, excelente post, Alexandre. Você tornou um mangá que por si só deve ser interessante em algo mais interessante ainda...
Alexandre: Sônia Abrão não é jornalismo mesmo. E obrigado, Val.
Também concordo que esses programas policiais têm sua utilidade.Mas realmente exploram de mais o morbido, mostrando os corpos das vítimas.(Pelo menos nos jornais locais aqui em João Pessoa).
Alguém aqui compraria um hipotético mangá baseado nas histórias do programa "Linha Direta"?
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