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Out 24
Garota Detetive chega a Sexto Volume
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Lancaster |
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Categorias: Gag Manga

Soredemo Machi Ha Mawatteiru (mais conhecida como Soremachi, para facilitar), de Masakazu Ishiguro, é uma série cômica que sai no almanaque para adultos Young King Ours, da Shonen Gahosha. A princípio, nem de longe aparenta ser o tipo de material que me interessa: a protagonista tem aquele maldito pé no
moe (aquele gosto por meninas que parecem mais novinhas e infantilizadas do que deveriam) que parece ter se alastrado em boa parte das revistas para leitores mais velhos; a série ainda está atrelada ao fetiche do maid (as empregadas uniformizadas em moldes pseudo-vitorianos que se tornaram moda e até presença urbana no Japão); e a trama é focada na garota desajeitada de sempre, que aqui, gosta de bancar a detetive, sempre com resultados questionáveis. Antes que vocês se perguntem porque estou falando disso, o ponto é que o autor, admito, mostra sacadas estéticas bem interessantes em termos visuais – além de ter um gosto por um senso de humor bizarro e por eventuais situações esquisitas que pode dar um belo susto em quem esperar o bonitinho pelo bonitinho – na verdade o autor também desenha, e bem, personagens pra lá de feios no elenco fixo e isso é mérito; no fim das contas a soma dos fatores deu personalidade a um material que prometia cair em um valão comum e acabou valendo a olhada. Agora, com o lançamento do sexto volume, a editora Shonen Gahosha está cuidando da divulgação do material, com direito a tarde de autógrafos em Yokohama, limitada a 100 volumes para os que forem mais rápidos. Só para registrar.
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Comentários:
Huahuahuahuahuahuahua...
*Risada maligna*
É interessante como lá Japão o lançamento de cada novo volume é um evento por si mesmo. Aqui, o mesmo tipo de atenção só é dada ao lançamento do título, e olhe lá.
Alexandre: Bom, eu dei uma olhada. Ele perde foco, verdade, mas observando bem o lado moe é concessão superficial (graças a Deus) e o autor envereda por um humor bem mais sarcástico (o flashback de como ela foi trabalhar naquele maid café é uma pérola do cinismo). E tem momentos que aquilo me lembra mais kochikame em tom do que (aaaargh) Lucky Star. Ou seja, para mim ele está limpo.
Falando sério, é altamente provável que o autor só tenha introduzido estas "concessões" por orientação de seu editor. Na indústria editorial japonesa o editor, mais do que o autor, é o verdadeiro responsável pelo formato final de um título.
Alexandre: Verdade. Em todo caso eu entendi que este é simplesmente um mangá de humor, não é sobre "meninas bonitinhas fazendo coisinhas engraçadinhas enquanto mostram a calcinha". E como apontou uma amiga minha no twitter, as saias são bem compridas aqui. Nem havia percebido isso, mas é verdade. No final o maid café aonde ela trabalha não apenas é apenas um lugar aonde o elenco se reúne, como inclusive é ridicularizado em determinado capítulo – o que fala de como o local virou o que é.
Afinal, baixaria sempre ajuda a vender, vide Love Hina, Love Junkies e Futari H aqui no Brasil. Seja no Brasil ou no Japão, homem curte baixaria que é uma maravilha! XD
Aliás, como o papel do editor é zelar pelo sucesso comercial do título, acredito que é o contínuo ganho de poder que os editores vem ganhando desde a criação do "sistema Shonen Jump" o fator mais importante para o fenômeno que você chamou aqui no seu blog de "perda de intensidade".
A experiência japonesa mostra que, para um mangá ser vendável, ser divertido é mais importante do que ser "intenso".
Alexandre: Bom, em todas as épocas e mídias nos deparamos com autores que tiveram que equilibrar necessidades autorais e comerciais – ou então transformaram sua metodologia de lidar com o público em expressão autoral, como o caso do Billy Wilder (que sempre roteirizou seus filmes, raramente teve fracassos – o único grande desastre comercial dele, "a montanha dos sete abutres", é um filme idolatrado hoje em dia – e cuja obra é uma recomendação que faço para todo mundo que sonhe em escrever um dia. Ele sabia o que fazia). Ele tinha "dez mandamentos" (que eram onze) para lidar com o público na hora de escrever um roteiro e eles funcionavam.
1- O público é instável.
2-Agarre-o pela garganta e não o deixe fugir.
3-Crie uma clara linha de ação para o personagem principal.
4-Saiba onde você está indo.
5-Quanto mais sutil e elegante for a forma pela qual você camufla seus pontos de desenvolvimento da trama, melhor escritor você será.
6-Se você tem um problema com o 3º ato, o problema verdadeiro está no 1º ato.
7-Deixe o público somar dois mais dois. Ele vai amá-lo para sempre.
8- Em narrações em "off" tenha cuidado para não descrever o que o público já está vendo. Acrescente ao que ele está vendo.
9-O evento que acontece no fim do segundo ato desencadeia o fim do filme.
10-O terceiro ato deve ser construído, construído, construído em ritmo e ação até o último evento, e então...
11...É isso. Não vagabundeie.
Mas publicamente, dizia apenas isso:
Eu tenho dez mandamentos como diretor. Os primeiros nove são: Não entendiarás o espectador. O décimo é: Terás direito à edição final.
Esse era um cara que fez tudo o que quis a um ponto de fazer do tema de Irma La Douce, sobre um guarda que se apaixona por uma prostituta e se torna seu cafetão, uma comédia leve que pode ser vista com a namorada sem problema. Me pergunto o que um editor mandaria um autor de seinen fazer com um tema desses nos dias de hoje... XD
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