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Out 18
Maximum Cosmo Podcast nº 001 – 18/10/2009
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Lancaster |
PERMALINK |
20
Categorias: Podcast

Boa parte dos blogs que se prezam tem seu podcast. Eu decidi tomar vergonha e fazer o meu. Não há muito o que dizer quanto a isso. Claro, ele terá menos de 15 minutos por edição; eu estou fazendo este podcast sozinho, e convenhamos que uma voz falante por mais de uma hora, sem convidados, é um porre. Além do mais o tempo do ouvinte vale ouro. O tema dessa edição inicial são as movimentações de grandes editoras quanto ao mangá global: o braço hispânico da editora francesa Glénat anunciou a criação de uma linha voltada a autores espanhóis, e não custa lembrar que isso vem a reboque dos movimentos recentes da Viz – leia-se, Shueisha e Shogakukan em operação conjunta – em território europeu, com a compra do grupo Kaze (marcando presença em França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Polônia, Holanda e Itália no terreno de distribuição de dvd e publicação de mangás). A competição da Kodansha e da Viz passará pela produção de material autóctone nos Estados Unidos e por isso mesmo, o tema merece uma atenção especial e quase ganhou um artigo imenso escrito.
Mas esse podcast inicial pode ser considerado em "fase de testes". Por isso eu não duvido que tenha cometido erros, inclusive na hora de pronunciar algumas palavras na correria, e peço desculpas com antecedência por isso – podem ser sinceros e fazer sugestões para melhorá-lo. Como eu sabia que esta tentativa teria falhas, é melhor que elas aconteçam aqui para que não se repitam mais tarde. Como estou numa fase particularmente atribulada na minha vida, ele não vai ter uma periodicidade muito fixa, então não vou dar uma data para a segunda edição, mas ela vai acontecer, podem ter certeza.
Em todo caso, divirtam-se.
Download AQUI.
Posts similares:
VIZ, Vidi, Venci: Shueisha e Shogakukan Tomarão a Europa!
Kodansha Contra os Scanlators
Podcast De Primeira #2
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Comentários:
Alexandre: Estranho, testei e não houve nenhum problema. vou perguntar a outras pessoas.
UPDATE: Tente de novo agora.
TOTALMENTE diferente do que eu imaginava.
Acredito que cê tá lendo uma cola e por isso um comentário improvisado aqui e ali são bem vindos.
...por fim, que sotaque carregado, heim!? Cadê o padrão Globo de qualidade..?
Ficou bacana! Aguardando o próximo...
Espero sinceramente que a idéia do podcast tenha futuro, pois o conteúdo do blog é algo que cresce a cada dia, novamente, parabéns pelo trabalho.
Muito boa iniciativa, você com certeza esta se firmando como um referencial do que é jornalismo de qualidade dentro da area dos quadrinhos.
Sugestões: Dizer as noticias e jogar um comentario aqui e ali é o que se espera ja que o podcast deve trazer mais do que simplesmente o seu sotaque carioca (ligue não porque eu também sou).
So que eu acredito que isso pode render mais.
Por exemplo, o comentario sobre os rankings poderia ter um pequeno review escrito e ser dissecado no podcast.
Noticias mais relevantes que levantassem assuntos que merecessem comentarios mais profundos poderiam render blocos.
Entrevistas, afinal você é um cara com contatos.
Claro que tudo isso da trabalho, gravar e editar e correção de erros consome tempo que temos de menos, mas a longo prazo são coisas que podem ser implementadas que serão um atrativo a mais
Alexandre: Eu estou estranhando isso, por causa das pessoas que já ouviram, mas vou disponibilizar um link de download para quem não conseguiu escutar.
Fiquei ateh assustado! Voce gravou o historico do MSN, eh? Falou do mesmo jeito que eu escrevi!!
Mas ficou bacana! Ah, e o player nao funciona, ouvi via download!
Agora, eu duvido MUITO que Viz e Kodansha realmente produzam material nos EUA (ou na Europa, ou em qualquer lugar que não se chame Japão). A Viz opera nos EUA há VINTE anos e nunca produziu material novo por lá. Diabos, a Raijin Comics, no seu curtíssimo período nos EUA, mostrou mais interesse nisso do que a Viz em toda a sua história!
Quanto à Kodansha, nos seus primeiros lançamentos nos EUA (que saíram essa semana por lá
Esses caras não estão interessados em criar material novo, apenas em ganhar dinheiro fácil.
A Glénat também não produz material estilo mangá na França (para ser minimamente justo, ela produz TONELADAS de material no estilo tradicional franco-belga), na Espanha eu suponho que seja apenas porque o quadrinho tradicional espanhol foi destruído pelos comics e mangás, daí a necessidade de procurar um estilo mais similar a esses últimos.
Hunter (Pedro Bouça)
Alexandre: Um toque, Hunter: a declaração da Viz foi oficial. é só olhar aqui.
- a gravação ficou com um eco forte
- a música de fundo também estava alta
- você não deu nem um oi pros ouvintes e se identificou. =P
Contudo, estarei esperando pelo próximo.
Alexandre: Bom, o oi é culpa minha mesmo. Foi mal.
E você não se apresenta não? Lembre-se que um podcast é uma mídia que se alastra meio que sem conexão com o site original e eventualmente alguém pode ouvir sem saber de onde raios veio esse episódio.
Alexandre: Pois é, você não é a primeira a reclamar disso e novamente peço desculpas. Mas como eu disse, estou cometendo todos os erros agora – os próximos estarão melhores. Juro.
Engraçado, falaram do som alto, mas pra tá ok, não me atrapalhou... Achei um pouco diferente a sua voz. Deu uma "maquiada" na coisa? Tá parecendo o Darth Vader!
Alexandre: Sinceramente não sei mesmo. É meu primeiro podcast e não esperava por essa variação de tamanho. Vou estudar isso melhor.
Eco demais * todo mundo falou.
O que não falaram: Ficou muito artificial por vc estar lendo uma cola. Você deveria fazer um papel com tópicos e comentar sobre eles, anotar os dados mais importantes pra nao esquecer, faltou naturalidade e vc embolou algumas palavras quen não davam pra entender (mais no começo).
Alexandre: Anotado.
Quanto ao Naruto, eu sei que não chega a 400.000 mas duvido que não chegue a 100.000, com uma tiragem média de 40.000 e Naruto lotando as bancas eu dúvido que a tiragem não seja de pelo menos uns 200.000.
Não sei se vc lembra mas Naruto teve que fazer uma segunda tiragem, se reparar o volume de mangás nas bancas (nunca vem menos de 10 exemplares por banca - só perde pra TMJ em termos de tiragem, bem mais exemplares que Luluzinha e olha que já divulgaram que Luluzinha vende 100.000 por mês), dá pra ver que só perde mesmo pra TMJ, qq coisa é só perguntar pro jornaleiro (eu já perguntei xD).
Alexandre: 100.000 por mês é um número honroso para nosso mercado. Ou seja, se esses dados forem oficiais, temos um precedente. E o custo de produção eu acredito que esteja baixo. De acordo com uma artista que conheço e que foi chamada para trabalhar em Luluzinha Teen (confio na palavra dela), são 40 R$ a página à lápis e 70 R$ arte-finalizada. Dependendo de sua tiragem, isso veio pra ficar.
Realmente TMJ é feita para os pais, quem consome a TMJ são crianças, adultos saudosistas e adolescentes retardados (no sentido daqueles adolescentes q acham q ainda são crianças, não no sentido de deficiência mental). A revista é ruim de dar dó ~_~U pelo menos teve uns arcos legais, como "O Brilho de um Pulsar", e "World of Animecraft" e só.
Pensar na força do próprio país é essencial na hora de criar um quadrinho. Será que ninguém nunca teve a sacada de fazer uma versão local de Love Hina com clima praiano (tipo aquele mangá q vc comentou semana passada)? Uma coisa boa das histórias de fantasia é que elas são universais, dá pra produzir e exportar, mas é claro que não tem como fazer algo no brasil pra colocar -chan, -san, -dono no meio, eu gosto dos honoríficos nos meus mangás mas em produtos brasileiros seria uma vergonha.
Alexandre: Eu sou contra os honoríficos em mangás por uma série de razões. A primeira é que os graus de polimento e similares se confundem com a gramática no Japão. Uma vez que não se usa isso em outras línguas, não há necessidade – é como meter uma palavra em japonês só para enfatizar que é japonês, dar temperinho exótico quando não é necessário. Adaptar é importante. E eu gostaria de saber se os japoneses cortam o honorífico quando fazem histórias ambientadas em outros países ou se os mantém para tirar a dúvida. De qualquer forma, convenhamos que isso aqui no Brasil é de lascar e temos muita coisa boa que pode ser usada para uma história.
Kodansha eu quero mais que vá a falência.
Alexandre: Não que você vá ver isso. XD
Como já fui radialista, posso te dar duas dicas:
- Tentar falar um pouco mais devagar. Se mesmo assim você achar que o podcast ficará muito longo, tente enxugar o texto sem perder a qualidade de raciocínio. É um bom desafio.
- Texto escrito é diferente de texto falado. Quando você escreve para o blog é uma coisa. Pode usar muitas vírgulas e o parágrafo pode ficar longo dentro de seu estilo de escrever.
Mas quando você cria o texto para falar no podcast, é bom ajustar para este outro formato. Um parágrafo longo fica cansativo para quem está ouvindo. Você não dá muitas pausas para respirar. O ideal é escrever um texto com páragrafos mais curtos, com frases curtas, sem perder a qualidade do raciocínio. Evitar os textos com muitas vírgulas. Um exemplo, pegando um próprio texto seu do blog:
"De 31 de Outubro a 3 de Novembro, a galeria UDX no bairro japonês de Akihabara (Tokyo) estará exibindo a exposição Akiba Ultra Jump Festival 2009." (para aqui. pausa de 1 segundo para respirar)
(recomeça) "Acontecerão tardes de autógrafos com autores de séries publicadas na revista..."
Entende?
Alexandre: Agradeço as sugestões quanto ao podcast. Ele foi feito assim meio que de estalo, então eu sabia que teria problemas. Mas fiz assim mesmo.
Bom... Você começou o texto informando sobre o evento.
Agora sua opinião:
"É importante lembrar que este não é o primeiro evento ligado a revista nesta comemoração de dez anos." (pausa de 1 segundo para respirar)
(recomeça) "É importante que esses eventos não sejam iniciativas isoladas, mas façam parte de uma campanha contínua de divulgação."
Assim fica mais fácil para você ler e não fica cansativo para o ouvinte. :^)
E é legal também porque você vai interpretando melhor o texto. As pessoas até esquecem que você está lendo.
E mais uma observação. Teve uma hora que você falou "lê-se". Como não estamos lendo e sim ouvindo, pode substituir para o termo "entende-se". ;^)
Sobre o assunto que você abordou no podcast...
Eu concordo com sua opinião quando você diz que uma obra tem que ser local, mas pensando global.
Luluzinha Teen é feita por uma agência de publicidade. Por isso o conteúdo é todo voltado para o consumismo. É estilo "Malhação", só que ao extremo.
O Maurício de Sousa também tem seu lado capitalista nas histórias da Turma da Mônica Jovem, porém o conteúdo é melhor elaborado e ele gosta muito de passar bons ensinamentos e há o escoteirismo. Isso sempre agradou muito aos pais. Eles sempre comprarão os gibis para os filhos sem medo.
Quem consome Turma da
Mônica Jovem é o leitor que comprava as revistinhas quando era criança. E também o Maurício busca, ao mesmo tempo, o público que gosta de mangá. Foi uma tacada de gênio e é sucesso absoluto. Palmas para ele.
O problema é que nós temos só um Mauricio de Sousa. Então, nem faço mais críticas a ele. Poderíamos ter uns 10, cada um num estilo diferente e bem sucedido. Até abriria espaço para obras hardcore, escrita e desenhada de fã para fã. Não teria problema nenhum, se houvesse um grande mercado. O que não há no Brasil.
Quanto a escrever aqui no Brasil uma obra transgressora e bem irreverente para o público jovem, como por exemplo Urusei Yatsura ou Ranma 1/2, com uma linguagem fácil e popular para atingir a todos os públicos, acho que seria bem complicado.
Nossa cultura é diferente da cultura japonesa. Aqui nós somos bem hipócritas. Existem programas como o Pânico que os pais deixam as crianças assistirem.
Entretanto, os editores vetariam muita coisa para o público na faixa de 12 anos a 15 anos, até mesmo o tal de "mostrar o dedo". Eles não vetam nos mangás estrangeiros, mas pode ter certeza que se for produzido aqui, vetam.
Por exemplo... se eu crio um roteiro igual ao do primeiro capítulo do mangá de Hayate no Gotoku, o mais vendido no Japão na semana dentro do segmento shonen, onde a personagem Nagi (que tem 13 anos) estica as pernas dentro do carro dos seqüestradores e irrita o seqüestrador falando sobre pedofilia, o editor daqui VETA.
Se eu desenho algo como o Hayate salvando a Nagi e tocando nos seios dela sem querer e a Nagi fica vermelha, o editor daqui VETA.
Acho que eu escreveria uma obra jovem evitando essas situações comuns nos mangás japoneses shonen. As coloco no mesmo patamar de gags de pinguinho em cima da cabeça, olhos esbugalhados e rosto infantil deformado em situações extremas.
Eu tentaria usar outras formas caóticas e engraçadas de humor, de uma forma sutil, para que eu não entrasse em polêmicas desnecessárias e desgastantes com a nossa sociedade conservadora. Isso você pode achar discutível, mas tenho essa sensação clara.
Outro dia perguntaram para o Mauricio de Sousa no Roda Viva se ele colocaria um personagem gay na Turma da Mônica Jovem. Ele disse que já recebeu muitas críticas negativas pelo fato de uma personagem dele usar gírias típicas do público GLS. E que, portanto, só vai criar criar um personagem gay quando a nossa sociedade mudar e amadurecer.
Outro detalhe a ser abordado quanto ao mercado consumidor atual de quadrinhos no Brasil, o que vale para o mangá nacional:
O público jovem de classe média é o que mais consome cultura em nosso país. Ou seja, consome quadrinhos, livros, dvd's, música...
O quadrinho se tornou algo elitizado a partir dos anos 90 para cá. Muitos quadrinhos você tem de ir a uma livraria para comprar. E nem todas as cidades, principalmente do interior, tem uma livraria como a Saraiva. Dificilmente você vê um quadrinho custando menos do que 5 reais. Poucos títulos, os mais populares, você encontra nas banquinhas de jornal.
Então, no Brasil se faz quadrinhos pensando apenas neste público de maior poder aquisitivo e de um nicho específico. Não se faz quadrinho para atingir o público em geral, de renda mais baixa, que é a maior parte da população do Brasil. Então, a linguagem dos quadrinhos fica mais restrita. Como você mesmo disse, quadrinho criado por fã para fã ler.
Os nerds só querem saber de falar expressões em inglês, de coisas estrangeiras, tecnologia estrangeira. A maioria dos fãs do mangá querem ser iguais aos japoneses. Fanzineiros que aprendem a desenhar mangá querem pôr nome japonês nos personagens, querem desenhar Japão feudal, etc..
O detalhe maior é que ainda existe muito preconceito com a nossa cultura popular brasileira. Quer dizer, para muitos o que é de nossa cultura não presta. Muitos rebaixam a cultura negra, nordestina e indígena. Folclore para muitos é coisa ridícula. Quando o povo do Sul viaja para Salvador, Maceió, Manaus, Belém, é como se ele estivesse fazendo uma viagem exótica. Como se estivesse indo para outro país.
O japonês, ao contrário, exauta sua cultura e seu folclore. Nos mangás japoneses há inúmeras referências. E muitos bobos aqui no Brasil desprezam a cultura brasileira, mas revereciam os japoneses que valorizam sua própria cultura e sua história. Isso não tem lógica.
Falta cultura geral para a maioria que cria mangá no Brasil. Estou também cansado de ler quadrinho brasileiro fazendo parodia e referência a outros quadrinhos e seriados estrangeiros. Por que tem que colocar um Batman, um Pato Donald, um Naruto, um Bart Simpson, um personagem do Lost num gibi toda hora?
Minha sobrinha está escrevendo uma história. Ela quer que essa história se passe na Escócia. Ela me disse que o sonho dela é morar na Irlanda. Tudo bem que isso é coisa da idade (ela só tem 14 anos) mas quantos jovens como ela não falam a mesma coisa por aí: putz! Brasil é uma bosta! Queria ir pro Japão, queria morar na Europa, queria ir pros EUA!
Tudo isso acontece porque somos bombardeados por produtos de cultura estrangeira todos os dias.
Muitos, se optassem, nem seriam japoneses, seria americanos, pois consomem rock e cantoras pop americanas, rap americano, se portam como estrangeiros (McDonalds, cerveja gringa, times de futebol estrangeiros, quadrinhos estrangeiros, seriados e filmes americanos, Nike, e por aí vai).
E há um complexo de vira-latas histórico no brasileiro, que felizmente, aos poucos, está mudando.
Confesso que já fui muito assim quando era moleque. Melhorei muito na vida adulta. E ainda preciso melhorar ainda mais. Saber mais de nossa cultura e entender melhor o nosso país é essencial para criar ótimos quadrinhos, não só mangás. Principalmente, visitar vários lugares e conhecer de perto outras regiões para conhecer melhor nossa cultura, conversar com as pessoas (não só pela internet).
Meu gosto musical é rock e música eletrônica, por isso eu gosto mais de sons estrangeiros. Acho que brasileiro não sabe fazer rock direito. Quando faz é uma cópia mal feita do original, assim como você diz no podcast sobre fazer mangá: melhor consumir o original, por que consumir um genérico inferior cheio de referências?
Eu xingo muito as bandas nacionais que fazem som de gringo. Só que respeito movimentos como o mangue beat (nação Zumbi é espetacular), respeito bandas que misturam ritmos regionais com o rock, como muitas dos anos 90 faziam. Sempre achei interessante. Acho o samba de raíz fenomenal. O samba do morro.
Eu moro no interior há anos num bairro popular na minha cidade.
Aqui ainda a molecada de 6 a 15 anos joga bola na rua descalça, com "traves" dos gols feitos com chinelo. Empinam pipa. Às vezes fazem a pipa com pedaços de sacos de lixo. Brincam de taco, usando garrafa de plástico vazia e bolinha de tênis. O taco é de pau, pedaço de algum caixote de madeira que acham em lixo de depósito. Essa A molecada da rua ouve sertanejo, funk e pagode e acessa a internet via as lan houses que tem aqui perto. A maioria é mulata. Não estão associados a nenhum clube que tem quadra de futebol, basquete, piscina, etc.
Já conversei com eles. Eles não sabem nada dessas "coisas de nerd" que a gente conhece. Não vão a shopping (aqui na cidade não existe shopping). Nunca foram num cinema em 3D. Essa molecada é a maioria do público jovem do nosso Brasil, o público do interior, que não tem preconceito com suas origens: batem rangão, mandam ver na feijoada, ouvem samba e chupam manga catada da árvore. Molecada que estuda em escola pública caindo aos pedaços, sem aula de música, teatro, passeios culturais interessantes...
Podem até assistir "Malhação" da Globo, mas para essa molecada é um mundo de fantasia, assim como as empregadas domésticas fantasiam o Leblon das novelas do Manoel Carlos (apesar que, ultimamente, as novelas dele perderem o fôlego. A audiência da nova novela dele não é satisfatória. A novela da 7, onde o núcleo principal está no bairro da Lapa em São Paulo e a novela das 6, onde o Marcos Palmeira ficou pobre e se apaixonou por sua ex-empregada (Camila Pitanga), que dirige uma perua kombi e mora numa pensão, estão fazendo mais sucesso).
Nem digo só mangá, mas o quadrinho em geral no Brasil só vai ter um boom de verdade quando esse público popular, maioria em nosso país, se interessar também e consumir junto com o público de classe média. Os quadrinhos necessitam atingir o mesmo público universal que consome as novelas. Tanto que a Globo vende suas novelas com êxito para vários países, mesmo fazendo várias referências à cultura brasileira. Até mesmo uma obra de ficção científica que trouxesse romance, humor e dramaticidade na dose certa, numa linguagem de folhetim brasileiro, faria sucesso. Sem brincadeira!
Uma genialidade do autor da obra na jogada, a competência para escrever e o mais importante: se divertir e amar criando algo assim. Esquecer um pouco o lado da agência de publicidade, esquecer a 'nerdice' e tentar criar uma bela obra de arte histórica. Ser lembrado para sempre, como o Mauricio de Sousa é. Só aparecerão outros Mauricio de Sousa se tiverem esse pensamento abrangente.
Acho que esses gibis, mangás, deveriam ser vendidos a preços populares, baratos para o povão comprar. A gente não pode elitizar os quadrinhos. Repito: os quadrinhos se elitizaram muito dos anos 90 para cá. Têm que custar menos do que 5 reais. Se puder vender a 2 reais, ótimo. É só uma notinha! (a de 1 real está saindo de circulação). Barata, mas nem por isso com material de qualidade inferior. Tem de haver uma jeito. E também um belo trabalho de marketing para que o grande público saiba do produto e onde comprá-lo.
O governo federal vai lançar em breve o vale-cultura. Para a pessoa que ganha até 4 salários minimos, haverá um cartão no valor de 50 reais para a pessoa gastar o quanto quiser. Imagina todo mês um quadrinho popular desse estar atrelado ao vale-cultura? Toda cidade do interior tem uma banca de jornal e um supermercado para essas revistas em quadrinhos serem vendidas.
Bom... no final, no caso de mangá, tudo pode ser compilado em volumes e depois vender a obra também nas livrarias para colecionadores, com capa dura e até com uns extras bacanas, como art books, um livrinho contando bastidores da produção, etc.. Ou seja, mais atrativos. As bandas de rock lançam lá fora box especial do disco (com o cd, alguns vinis de 10 polegadas, um livrinho com informações e USB com mp3's do álbum para a pessoa carregar no ipod).
Como conseguir isso, ainda não sei. Seria um debate. Temos que aproveitar que o Brasil será uma potência econômica forte nos próximos anos.
É isso. Um abraço.
Alexandre: Você não está errado quanto a muitas de suas considerações – principalmente quanto a elitização do quadrinho e do leitor de quadrinhos brasileiros em média.
Agora, quando chegamos ao Rock, tenho que discordar – e por tabela, de alguns aspectos do que você falou. Nosso rock teve bastante tempo pra se desenvolver e goste você ou não, criou uma identidade. E convenhamos que quando rolam misturas, ele tende a funcionar. Ainda acho o primeiro disco dos Raimundos espetacular, e se você não gosta do que rolou no mainstream, procure discos como O Circo Está Armado, do Relespública, ou mesmo um disco dos anos 70 como Fruto Proibido, da Rita Lee (com a banda Tutti Frutti). E repare: muitos deles conseguiram comunicação com seu público.
Eu acho que o rock, assim como o mangá, transcende geografia e se tornou um movimento cultural. E em cada lugar aonde ele chega, adquire suas próprias características, como todo bom movimento cultural de alcance internacional. O problema é que ainda há resistência a isso no mangá. O rock brasileiro não é cópia malfeita e levou anos para conquistar entre os brasileiros o direito de falar português e ser reconhecido como rock assim mesmo. E mesmo em um grupo de sonoridade mais tradicional como Ultraje a Rigor, seu senso de humor é algo que vem sendo cultivado culturalmente desde o tempo das marchinhas de carnaval dos anos 40.
Não podemos ficar presos em um nacionalismo exacerbado e restritivo, senão culturalmente vamos permanecer em um mundo de palafitas mentais que nada tem a ver com o leitor do país. Eu quando falo do genérico, não falo para não fazer mangá. Falo pra fazermos como as bandas de rock brasileiro, que trouxeram algo nosso ao mangá e nisso, fizeram algo novo dentro de uma linguagem que hoje, é internacional.
Mas foi o que eu quis dizer, talvez não me expressei bem e dei a impressão de estar generalizando.
O rock brasileiro fica interessante quando ele agrega elementos da cultura nacional, como os exemplos que citei e os seus. Ele até deixa de ser rock e se torna mais pop. O Ultraje até gravou junto com Tonico e Tinoco (ironicamente criticando os americanos e exautando os japoneses. rere). As letras irreverentes são outro ponto interessante no Ultraje.
Os Paralamas, na minha opinião, são a melhor banda dos anos 80. Uniram vários estilos, não só fizeram rock. É difícil até chamar Paralamas de uma banda de rock. É uma banda pop.
Falo que é mal feito quando o rock brasileiro quer ser puramente chupado dos gringos:
As bandas nacionais que cantam em inglês, por exemplo. Sepultura só acertou nos anos 90 quando incorporou a cultura brasileira, berimbau e batuques da Timbalada, foi aí que a banda estourou de verdade no exterior, porque chamou a atenção dos gringos, deixou de ser uma banda de trash igual as outras centenas que existiam.
Outro exemplo ruim: os Titãs, principalmente na época do Titanomaquia, quando quiseram ser grunge para lucrarem com a moda da época (até gravaram com o Jack Endino). E eles tiveram ainda a cara-de-pau de gravarem a música "A melhor banda de todos os tempos da última semana" tirando sarro dos críticos que reverenciam as novas bandas gringas do momento, sendo que eles mesmo quiseram se aproveitar de uma onda musical gringa.
Por isso que escrevi: "Eu xingo muito as bandas nacionais que fazem som de gringo".
Mais exemplos: as bandas EMO nacionais, as bandas indie "Mamãe, quero ser europeu" em sua maioria, a própria Pitty. As produções são inferiores e são constrangedoras para mim. Cachorro Grande é uma banda que gravou até no Abbey Road, mas parece que foi à toa, pois seu trabalho é pouco criativo e repetitivo, na minha opinião.
Você citou a Rita Lee, ela junto com os Mutantes foi uma das poucas bandas brasileiras que fizeram sucesso lá fora. Eles foram os primeiros a usarem elementos da cultura brasileira no rock. Os gringos são apaixonados pelos Mutantes até hoje. E os Mutantes fizeram suas músicas em português. Não precisaram cantar em inglês para fazerem sucesso lá fora. E isso aconteceu já nos anos 60!!
Junto com Secos e Molhados, revolucionaram a música jovem nacional. Apesar de alguns classificarem como rock progressivo, Secos e Molhados não se pareciam com nenhuma banda gringa, muito menos de rock progressivo. A identidade própria veio com as referências à cultura portuguesa e de poetas brasileiros, além do visual ousado na época (maquiagens e roupas).
Bom... é tudo uma opinião pessoal.
"Não podemos ficar presos em um nacionalismo exacerbado e restritivo, senão culturalmente vamos permanecer em um mundo de palafitas mentais que nada tem a ver com o leitor do país. Eu quando falo do genérico, não falo para não fazer mangá. Falo pra fazermos como as bandas de rock brasileiro, que trouxeram algo nosso ao mangá e nisso, fizeram algo novo dentro de uma linguagem que hoje, é internacional."
Fiz essa crítica ao rock justamente para traçar paralelo com o mangá (veja que aqui usamos a palavra original gringa para falar rock e também manga - por isso sempre vou chamar quadrinhos de gibi, palavra unicamente brasileira) para comparar com a galera fanzineira que quer fazer mangá no Brasil, por exemplo, e coloca nome japonês nos personagens, fala do Japão feudal, etc.. Não disse que não devemos fazer mangá. Podemos sim fazer mangá. Mas o mangá brasileiro necessita ter identidade própria, aí concordarei sempre com você. Caso contrário, não fará sucesso nem aqui e nem lá fora.
Evidentemente que não precisamos ser nacionalistas, exacerbados e restritivos.
Mas se quisermos que haja um mercado forte de quadrinhos em nosso país, aí você inclui também o mangá, primeiro devemos pensar no nosso público. O primeiro público consumidor tem que ser o nosso. Temos que expandir o público brasileiro que lê quadrinhos. E expandir é popularizar. Popularizar a linguagem - o que não significa cair a qualidade da linguagem, cair a qualidade dos roteiros, pelo contrário, fazer o povo se identificar mais com a obra, não ficar restrita às palafitas mentais do nicho. Tem muita gente que tem pavor da palavra 'popularizar'. Já associa com 'cair o nível'. (Claro que não é seu caso).
O Brasil tem quase 200 milhões de habitantes. O Japão, por exemplo, tem 127 milhões.
Nos quadrinhos americanos, as histórias se passam nos EUA e as referências são os costumes americanos, especialmente nas histórias de super-heróis, as que mais chegam aqui no Brasil.
Nos quadrinhos japoneses, a mesma coisa. A maioria se passa no Japão e há referências da cultura japonesa e da realidade japonesa.
O mesmo tem que ser aqui no Brasil, na minha visão de quadrinho popular. Assim como nas novelas, onde as histórias se passam no Brasil e tem referências à nossa cultura e ao nosso dia a dia. Nada forçado, evidentemente, mas que tudo esteja naturalmente no contexto do roteiro que está sendo desenvolvido. Se funciona nas novelas, porque não funcionaria nos quadrinhos. E a vantagem nos quadrinhos é que você poder ir além na fantasia, ousar mais...
Não seria um belo desafio? Criar um mangá onde os personagens tem nomes brasileiros, vivem e tem suas aventuras no Brasil, em vez de comer bolinho de arroz, comem pastel de feira... que seja uma leitura deliciosa, que a pessoa se identifique e que até esqueça que está lendo um mangá brasileiro e não um japonês.
Você pode usar a mesma linguagem universal de quadrinhos americanos, japoneses e europeus também nos quadrinhos brasileiros. Não precisa mudar a maneira que você conta a história.
As novelas da Globo, cheias de referências à nossa cultura e realidade, fazem sucesso no exterior.
O mais importante de tudo é que seja contada uma boa história e que ela possa ser compreendida e adorada pelo grande público. Aí entra o que você disse: ser local, mas pensar global.
Eu não gostaria de ver uma obra minha sendo lida apenas por um nerd. Também gostaria que um filho de pescador do norte da Ilha de Santa Catarina pudesse ler e entender. Como a molecada do meu bairro que citei. Assim como um chinelo e um filipino.
A Globo também arrisca fazer novelas que se passam em outras localidades. Índia, Egito, Portugal... Também há espaço para obras brasileiras que sejam ambientalizadas em outros lugares, épocas e eras. Não deve existir uma regra.
O que não devemos nunca ter é complexo de vira-lata, como dizia o Nelson Rodrigues.
"Eu acho que o rock, assim como o mangá, transcende geografia e se tornou um movimento cultural. E em cada lugar aonde ele chega, adquire suas próprias características, como todo bom movimento cultural de alcance internacional. O problema é que ainda há resistência a isso no mangá."
Eu proponho quebrar essa resistência. E tentarei criar uma obra que a quebre.
Um abraço!
Bom, mas tambem levei um susto com sua voz,parece voz de um gordinho de oculos, cabelo comprido mas carequinha na frente...
Eu não pareço um gordinho de óculos careca, vai por mim. E isso é polêmico. Um amigo disse que eu tinha voz de alguém de 40 anos. Outro disse que tinha voz de negão. E você diz voz de gordinho de óculos. Decidam-se. XD
Bom, so falta a pratica,
Abraços
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