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Out 16
Young Magazine Bimensal Reduz Periodicidade
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Lancaster |
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6
Categorias: Monthly Young Magazine

Eu vou ser bem franco: as editoras japonesas costumam fazer tantas versões da mesma revista, com essencialmente o mesmo logo e uma variante – e eu falo de identidade visual mesmo – que acredito que prejudiquem a si mesmos. Não vejo tanto problema em si no fato de que há uma Shonen Magazine semanal, uma Shonen Magazine mensal e uma Shonen Magazine Bimensal – os três da Kodansha – se o assunto for só periodicidade (tem uma Shonen Magazine Zôkan, mas não a vi ainda). Vejo problema no uso do ativo de marca. Até a Sunday mensal (da Shogakukan), em um ato de racionalidade editorial, veio ao mundo com um padrão gráfico diferenciado em relação à revista matriz. Você bate o olho e vê que é uma revista diferente no ato – ela tem identidade visual e isso é importante para uma revista se destacar em meio à concorrência. Mas se pegarmos a Shonen Sunday e a Shonen Sunday Super, que diferença elas tem além de um selinho escrito "super" no canto do mesmo logo, parecendo em um primeiro momento a mesma revista – algo péssimo se pensarmos que as duas publicações tem públicos-alvo diferentes?
Mas os títulos da Kodansha tendem a ser até mais problemáticos nesse sentido: ponha lado a lado as várias Shonen Magazine que eu citei e vocês vão entender bem o que eu quero dizer. Então não há grande diferença entre uma e outra publicação – e não me espantaria se essas revistas
acabassem competindo entre elas mesmas. É o que me vem a mente quando chega um anúncio como este: a Bessatsu Young Magazine (leia-se, Young Magazine Bimensal), a partir da edição de 9 de Dezembro, mudará de nome e de periodicidade: ela passará a se chamar Gekkan Young Magazine (Young Magazine Mensal) – o que aponta para um desempenho não muito bom da publicação, mas não ruim o suficiente para que ela seja cancelada. O último número da versão antiga da revista trará o encerramento de cinco séries (Guerrilla Shiritori de Mitsu Yasuda, Majôkko Riina no Fushigi Daisakusen de Shigemitsu Harada e Madoka Matsuura, Bakezaru de Yoshiaki Nishigawara, Shiitake Milk de Ryôchi Seto e, finalmente, Tsukumo Nemuru Shizume: Meiji Juunana-nen-hen de Juzo Takada – o mesmo autor dos bem conhecidos 3X3 Eyes e Blue Seed), limpando o terreno para novas estréias que venham a dar algum destaque à nova fase da revista quando ela começar. Há também a estréia de uma nova série, Nude (a biografia de uma atriz de "filmes adultos", se vocês entenderam bem o que quero dizer), provavelmente para evitar a dispersão de eventual público fiel da revista nessa mudança de fase. E olhando a capa (okay, a nível de marmanjo não vou reclamar), eu vejo na moribunda Bessatsu uma revista igual em perfil visual à Young Magazine semanal de sempre. Até prova em contrário, é o que eu espero da nova Young Magazine Mensal que está para estrear. E me pergunto: mudar para não mudar vai mudar alguma coisa?
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Comentários:
É uma maneira barata e eficiente de passar para o público uma sensação de novidade sem mexer em aspectos mais custosos, trabalhosos ou sensíveis, como o formato físico da revista, os materiais utilizados na fabricação (como o tipo de papel e de tinta, que exigiriam gastos maiores com a infra-estrutura relacionada), ou (o mais importante) o conteúdo, o que é arriscado nas publicações mais tradicionais, cujo público já está acostumado com a "personalidade" do título, lembrando que a identidade de um título é importante. Podem, assim, tentar conquistar um público novo sem "trair" seus leitores fiéis.
Superinteressante e Galileu, por exemplo, são revistas científicas, mas possuem estilos bem distintos e abordagem diferenciada. Se uma simplesmente copiasse o estilo da outra, o leitor iria comprar uma ou outra, mas como ambas tem formas diferentes de abordar o mundo da ciência, o leitor que possui poder aquisitivo maior irá comprar as duas, o que permite que ambas lucrem mais. Outro exemplo são as revistas "Veja" e "IstoÉ". Mas esses casos não são muito exemplares, já que são de editoras diferentes.
mais esclarecedor é o caso da Superinteressante, que é uma marca forte, e ajuda a explicar o caso "Shonen Sunday" - "Shonen Sunday Super".
Tempos atrás, a Editora Abril percebeu que entre os leitores da Superinteressante existia um público que vivia pedindo matérias de temas inúteis (matérias sobre curiosidades), que fugiam da proposta da revista, que são as novidades do mundo da ciência.
A editora remediava esse problema alternando matérias sobre novidades e sobre curiosidades, mas isso gerava reclamações dos dois lados. Um lado queria mais novidades, e o outro queria mais curiosidades. O velho problema de se agradar a gregos e troianos.
Foi quando surgiu a idéia de se lançar uma revista especialmente voltada para curiosidades, mas essa idéia tem os tradicionais dilemas de qualquer estréia, o principal é ter uma boa repercussão inicial, pois a primeira impressão é algo importante.
A solução? Se aproveitar da credibilidade da marca Superinteressante, já que o público-alvo da nova revista seriam os "troianos". Nasceu a revista "Mundo Estranho" que inicialmente era uma espécie de complemento da Superinteressante, mas teve bom desempenho inicial e ganhou seu próprio espaço. Hoje a Mundo Estranho tem seu próprio público, mas o selo "Superinteressante" que ela tinha inicialmente foi crucial para que ela começasse bem. Assim a editira abril fez com que milheres de leitores que antes compravam apenas um título dessa editora passassem a comprar dois, e de quebra criou um novo filão.
Ou seja, a Shonen Sunday Super é basicamente uma revista que usa uma tática clássica, a de se aproveitar uma marca já estabelecida como trampolim para conquistar um público que, embora diferente, é composto de membros do antigo público (como leitores fiéis que querem algo mais adulto ou com estilo diferente).
A semelhança visual não é problema (pelo menos no Japão) porque pode ser remediada com a publicidade (que é praxe por lá
Essa semelhança se aproveita do fato de que no Japão (e não só lá
Ou seja, a semelhança que existe entre títulos de uma mesma editora tem um propósito duplo: Criar uma identidade que se eleve acima do título e que se vincule a imagem da própria editora, bem como fazer o leitor comprar mais de um título da mesma editora.
Lá funciona assim porque, diferente do que ocorre no mercado editorial do ocidente, onde as editoras tentam fortificar as revistas em si, no Japão a força da vendagem de uma revista não está somente na força da imagem da revista em si, mas na força da marca da editora.
Ou seja, o leitor jovem japonês, quando vai para a banca de revistas comprar uma Shonen Magazine, ele não a está comprando por ser "fã da Shonen Magazine", mas por ser "fã da Kodansha".
Alexandre: É que bimensal não é exatamente a mesma coisa do que quinzenal, embora toda revista quinzenal seja uma revista bimensal. Bimensal significa "duas vezes ao mês" e quinzenal, "de quinze em quinze dias". O Japão tem dessas periodicidades meio estranhas (tem revista que sai todo dia x e todo dia y do mês, por exemplo, mas não de quinze em quinze dias) e por via das dúvidas, prefiro usar o "bimensal".
2º rindo demais com esse pedaço do comentário:
"Superinteressante e Galileu, por exemplo, são revistas científicas, mas possuem estilos bem distintos e abordagem diferenciada. Se uma simplesmente copiasse o estilo da outra, o leitor iria comprar uma ou outra, mas como ambas tem formas diferentes de abordar o mundo da ciência, o leitor que possui poder aquisitivo maior irá comprar as duas, o que permite que ambas lucrem mais. Outro exemplo são as revistas "Veja" e "IstoÉ". Mas esses casos não são muito exemplares, já que são de editoras diferentes."
Puxa, o Pato Supersônico deve trabalhar no setor de marketing da Abril para chamar essas revistas de científicas. Como biólogo (de formação) só consigo ver essas revistas como revistas de curiosidades para leigos. Não dá para levar a sério muito menos chamar de "científica", uma revista como a "Super Interessante" que já colocou como matéria de capa "Vacina: Cura ou Doença" (que foi escrita deturpando o fato de que vacinas possuem efeitos adversos), claro que certas irresponsabilidades têm que ser retratadas e foi muito bem-feito a revista ter tido que se desculpar por escrever tamanha irresponsabilidade como fato quando não são mais que teorias (sem muito fundamento) defendidas por grupos de "proteção animal". A Galileu certamente tem um perfil mais científico mas ninguém usaria uma matéria dela em um trabalho científico sério e não é tanto um "manual do esquisito" e templo de teorias suspeitas quanto a SI.
As únicas revistas científicas que lembro agora sendo publicadas no Brasil são a Scientific American, Pesquisa Fapesp e a Ciência Hoje. Certamente tem mais revistas nas bancas mas me recordo apenas destas.
Alexandre: Bom, como não sou consumidor regular dessas revistas (eu ainda compro algumas edições especiais da Scientific American de vez em quando, e olhe lá
O primeiro eh quanto a palavra "bessatsu", que nao indica ser bimestral. Eh como se fosse uma edicao extra. Ao peh da letra eh "outra edicao". E eh tradicao da Kodansha, mesmo as revistas shojo tem, as revistas intermediarias de shonen...
E usar o mesmo nome eh uma coisa obvia. Eh o mesmo motivo que fazem um filme completamente diferente do que era uma HQ. Pra se valer do nome e do publico e tudo mais que puder. Pior que comecar do zero nao eh. Acho que se funcionasse, todas as revistas de manga de cada editora teria um nome, tipo a Shonen Sunday, a Young Sunday, uma Men Sunday, Shojo Sunday, etc.
Ah, e to de volta! O Tetsujin eh uma decepcao!!!
E ela apareceu na adaptacao de Shinjuku Swam, fez voz no game Tora ga Gotoku... Eh daquelas que saem do porno pro mainstream. Mas jah apareceu com xadrezinho na perereca!
A "Fapesp" mais parece uma coletânea de relatórios de tão formal, a "Scientific American" é igualmente profunda mas tenta ser mais didática, e a "Ciência Hoje" pode ser considerada um meio-termo entre as revistas técnico-científicas e as revistas para leigos.
Revistas como a superinteressante ou a Galileu, embora naturalmente não sejam citadas em trabalhos acadêmicos, são fonte constante para trabalhos escolares. Quando falamos em "ciência", muitos leigos (e infelizmente, até mesmos técnicos formados), logo imaginam cientistas em laboratórios produzindo novos saberes, confundindo "ciência" com "produção científica" e se esquecem que o termo "ciência" não se restringe apenas ato de se produzir conhecimento, mas ao igualmente importante ato de passá-lo adiante.
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