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Out 14
A Arte de Kaoru Mori
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Lancaster |
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Categorias: mangaka

Eu não acho que uma revista defina um gênero – é o conteúdo de uma história que o faz. Não acho que o fato de estar numa revista seinen torne Hataraki Man, de Moyocco Anno, menos recomendável para mulheres adultas; eu classificaria como Josei sem pestanejar. Não acho que Yotsuba &!, de Kiyohiko Azuma, seja material
otaku só por estar em uma revista como a Dengeki Daioh – para mim é um quadrinho infantil de boa qualidade, e deveria ser visto como tal (na verdade ele é uma leitura infantil melhor recomendada do que boa parte do conteúdo das atuais antologias de material infantil, repletas de adaptações de videogames. Há espaço para esse tipo de material e ele é justo, mas é bem chato que os melhores quadrinhos para todas as idades tenham aparecido em revistas para adultos nos últimos anos). E da mesma forma, eu considero Emma, de Kaoru Mori, como um shoujo, por mais que ele saia em uma revista para leitores adultos (seinen) e tenha uma narrativa mais tradicional e um trabalho de cenários mais detalhado ao contrário do que dita a estética minimalista do gênero. Se pensarmos no comparativo de novela, eu vejo Emma como uma novela das seis de época (com subtons sociológicos que tornam o material particularmente interessante, se acompanhar o romance dos protagonistas não é sua prioridade como leitor). E se pensarmos em termos de cinema eu vejo o material como um equivalente em quadrinhos dos trabalhos da dupla Ivory/Merchant. Kaoru Mori é apaixonada por história e seu apreço pela pesquisa e pelos detalhes é visível em todas as obras que
faz – Emma chega ao extemo de ter apêndices a cada volume sobre elementos vitorianos que são meramente pinçados em sua trama, mas que fazem parte da exaustiva (no bom sentido) reconstrução de época de sua autora.
Acho que não é preciso dizer depois de tudo isso que eu tenho um imenso respeito por seu trabalho. E tenho que agradecer ao Fábio Sakuda, que deu o toque em seu blog: Kaoru Mori está mostrando um making of de seu atrual trabalho, Otoyomegatari – uma história ambientada no Império Otomano, sobre uma jovem mulher que viaja para ser entregue a um noivo mais jovem. A série está sendo publicada na revista Fellows da Enterbrain, e essa sequência de vídeos é obrigatória para os interessados no corte-e-costura dos mangás. Não é preciso se saber japonês nesse caso – as imagens falam por si só, e se mostra etapa a etapa a produção de uma imagem como esta aqui ao lado. Há uma entrevista a ser traduzida, mas como o Fábio o fez em seu blog, recomendo uma olhada AQUI. Aproveitem os vídeos. :)

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Comentários:
Ótimo vídeo, excelente trabalho! So achei essas luvinhas de Ana Maria Braga bregas...
Alexandre: Heheheh... mas sabe que eu acho que isso é uma boa idéia pra evitar que o suor das mãos manche o papel? Ainda mais em um país de clima nórdico como o Brasil – só que as mãos devem ficar bem desconfortáveis dentro delas...
Magnífico o trabalho da Kaoru, Alexandre. E o mangá parece ser bem interessante também.
Acho engraçado ver você citar Shoujo, Josei, Seinen e Shonen como gêneros. Para mim isso não passa de classificação indicativa de gênero. Discordo totalmente de você. Para mim o que faz um mangá ser o que é é o enfoque dado.
Um mangá da Clamp publicado em uma revista shonen por exemplo, é bem diferente de um mangá do mesmo estúdio publicado em uma revista shoujo, josei ou seinen.
O traço é diferente, uma revista shonen pede um traço mais vigoroso, as linhas mais delicadas não aparecem na impressão grosseira de uma revisat shonen que custa 4 vezes menos que uma revista shoujo, tampouco as retículas podem ser as mesmas.
O editor é bem diferente, se em uma revista shoujo o enfoque é o romance, os enlaces das personagens na revista shonen é a aventura. O leitor se identifica com a personagem, é como se fosse ele quem estivesse passando por aqulo tudo, ele precisa ser um campeão. Na Shonen Magazine por exemplo há a política de que o protagonista não pode terminar o capítulo derrubado pelo oponente ou mesmo ajoelhado, ele sempre tem que estar de pé na última página do capítulo. A única exceção é quando ele perde a luta.
É claro que as características principais de cada autor serão mantidas, mas a linha de trabalho, a diretriz, enfoque e até mesmo os processos técnicos de revistas voltadas a públicos diferentes por consequência é completamente diferente.
Mas é claro que quando uma revista seinen pega uma autora de shoujo, ou uma revista shonen pega uma autora de shoujo o objetivo dela é atrair as leitoras cativas do sexo feminino de tal escritora para ler a revista e por isso algumas similaridades com o gênero anterior são mantidas.
Um exemplo seria novamente o Tsubasa, ele foi colocado na Shonen Magazine para atrair o público do estúdio Clamp para a revista que na maioria das suas história tem um perfil voltado para o adolescente do sexo masculino depois dos 15 anos. Qual o objetivo deles colocando o Clamp lá? Fazer as fangirls do Clamp comprarem as revistas e porventura se interessarem por algum outro mangá da revista e assim continuar comprando. Como eu percebi isso? No momento que eu descobri que a pessoa que fazia as scans de Tsubasa fazia as scans de Fairy Tail - aliás eu só comecei a ler Fairy Tail pq a Alison sempre postava as scans de Fairy Tail no mesmo post. Só que eu acho que a Shonen Magazine deveria se preocupar mais em agradar as fangirls colocando algumas séries direcionadas para elas com muitos bishonens para elas fazerem "slash", foi um belo desperdício colocar uma série do Clamp e não abrir espaço para uma ou duas séries voltadas para as Fujoshis.
Bom, acho que já me alonguei demais e desvirtuei muito do temo do post xD.
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