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Rin-Ne: Tudo ao Mesmo Tempo Agora MESMO.

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Lancaster | PERMALINK | 4

Categorias: business

Rin-Ne

Agora é a prova de fogo. A Viz anunciou em press release o lançamento do primeiro volume de Kyôkai no Rinne – nos Estados Unidos, apenas Rin-Ne, que estará nas livrarias americanas no dia 20 de outubro. O grande diferencial é que ele chegará nas livrarias ao mesmo tempo em que o primeiro volume do novo mangá de Rumiko Takahashi estará chegando nos pontos de venda japoneses. Ou seja, será a hora de conferir os resultados dessa simultaneidade total: desde seu lançamento nas páginas da revista japonesa para garotos Shonen Sunday, da Shogakukan, a revista vem sido publicada pela internet através do website da Viz – garantindo que os leitores americanos com acesso a internet possam ler o material no exato instante em que ele é publicado no Japão. Não é um mero alarme por conta de lançamento – até porque Rin-Ne é um material bem morninho e aquém da energia da autora que um dia nos deu Ranma 1/2; é que os resultados aqui definirão os primeiros rumos para todo um modelo de negócios, e por isso mesmo, é hora de ficar atento. Vamos ver se os rankings americanos refletirão o que acontece nos rankings japoneses.


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Comentários:

Nome: Raquel Hakeru-chan 13/10/09 08:15
Eu li sua coluna anterior e acho que o problema maior (e a curto prazo) de se tentar publicar um mangá no Brasil juntamente com a publicação japonesa esbarraria no fato de que as editoras brasileiras teriam que jogar no mercado vááááárias edições de mangás (como Naruto e Bleach por exemplo) para assim alcançar as edições japonesas. E se os leitores/fãs já reclamam de pagar 9,90 em cada edição, não creio que eles pagariam quase 20 reais com gosto para que em alguns meses as publicações se tornassem simultâneas.

O leitor brasileiro ainda tem a mentalidade de "na internet tem de graça, pra que eu vou gastar dinheiro comprando?" Creio que se lançassem 2 volumes de Bleach por mês, haveria algum reflexo negativo nas vendas, não sei se estou pensando certo...

E quanto à espera que teríamos que nos acostumar quando as edições finalmente alcançassem as nipônicas, não creio que seria algo tão ruim. Sabendo que a pausa seria porque é preciso esperar o volume japonês, acredito que os fãs teriam outra visão dessas pausas e não desistiriam de esperar por seus mangás favoritos.

Alexandre: O grande problema é que não há como se programar um sucesso. Um bom caso foi Fairy Tail: hoje ele tem vários fãs espalhados na internet, mas eu me lembro bem de que quando ele foi lançado, encarou uma boa dose de rejeição por conta do traço do autor (não há como negar a similaridade entre o traço dele com o Oda – que não era tão grande assim quando ele começou Rave Master, por exemplo). Hoje ninguém duvidaria que haveria um mínimo de público à sua espera no Brasil, mas se dependesse da reação internauta quando o material estreou, nenhuma editora apostaria suas fichas nele. Se alguém decidisse emparelhar Fairy Tail com o Japão, daria de cara com MUITO material a ser sincronizado. E isso só seria justificado se houvesse uma perspectiva de vendas muito grandes do material. No Brasil, nenhum mangá é tão grande assim, sejamos realistas.

Rumiko Takahashi, goste-se de Rin-Ne ou não, tem um eleitorado que foi sendo construído de forma restrita com Ranma 1/2 no ocidente, ganhou status de culto e só cresceu com Inu-Yasha. É natural que se aposte nela. Provavelmente, se Naruto acabar e Masashi Kishimoto surgir com uma nova obra, a Viz fará o mesmo. Emparelhar exige investimento e infra-estrutura, e para que se gaste com isso, é preciso uma perspectiva de retorno. Por outro lado, acho que os leitores teriam que engolir isso no tranco – principalmente se houvesse algum tipo de serialização simultânea. Eles sabem que enquanto saírem os capítulos, seu quadrinho sairá nos pontos de venda. E para uma editora isso é uma posição financeiramente bem conveniente. Nenhum leitor poderia reclamar de um atraso.
Nome: Raquel Hakeru-chan 13/10/09 10:58
Ah sim, no caso de se começar uma sincronia a partir do 1º volume (como está acontecendo com Rin-Ne nos EUA e eu não considerei aqui, rs), realmente não tem como se prever uma boa vendagem e consequente aceitação do público.

A Viz talvez tenha "cacife" para bancar um mangá assim - o caso de Rin-Ne, que pode dar bem certo (por ser da Rumiko) como pode dar errado. O que eu acho que não ocorre aqui no Brasil. Apesar de principalmente a Panini investir em shoujos "não tão conhecidos", e até com poucos volumes. Não sei se é "arriscar", se é apostar na força do shoujo aqui ou se um provável encalhe de uma série nas bancas seja irrisório perto das vendas dos medalhões.

Alexandre: Bom, a verdade é que não apareceu no ocidente o que eu vou chamar de "Dragon Ball Z do Shoujo" – leia-se, aquele quadrinho que quebraria a banca das vendagens, dentro do gênero. Enquanto isso não acontecer, não vai ser dentro desse gênero que vai surgir um candidato a emparelhamento. E por outro lado, mesmo que a Tokyopop faça o mesmo com a próxima obra da autora de Fruits Basket (que vendeu bem por lá, e isso conta), ela periga ficar para escanteio caso haja uma polarização de mercado entre a Viz (que é uma dobradinha Shueisha-Shogakukan) e a nova aliança entre a Kadokawa e a Akita Shoten. E detalhe: por mais que eu goste de materiais como Crows/Worst, acho que é nos Shoujos que a Akita Shoten vai tentar se posicionar no mercado gringo, mais até do que a Kodansha (que deve tentar dar visibilidade à marca Shonen Magazine como griffe, além de tentar valorizar seus títulos adultos de qualquer forma, até porque eles são um de seus ativos mais preciosos no Japão). A linha pra garotos da Akita tem um posicionamento de mercado mais casca-grossa, chamando atenção para si justamente nas costas de uma pasteurização de boa parte dos quadrinhos shonen, que ficaram mais "limpinhos" nos dias de hoje. Mas Worst, Baki e mesmo Cavaleiros (que como franquia tem sua casa na Akita Shoten) não emplacaram da primeira vez em que foram lançados nos Estados Unidos e não acho que vão emplacar facilmente por lá. Resta sua linha pra meninas, de antologias como a Princess.

Aliás, isso me puxa outra coisa na cabeça: não é arriscado demais para uma editora apostar num mangá que o autor faz pausas constantes ou publica capítulos "quando lhe dá na telha"? No caso, estou pensando em Hunter x Hunter da JBC. Isso também causaria pausas no mangá e talvez até a interrupção definitiva da sua publicação, não?

Alexandre: Ele sobreviveria melhor em uma antologia. O autor sumiria, mas o título voltaria e ainda serviria de porta-voz para contato direto e tranquilização do leitor. É uma das vantagens do formato.

Desculpe se a minha visão de mercado parecer simplória; apesar de eu ter feito minha monografia ano passado baseada nisso, eu não achei muito material e não pude me aprofundar em muitas coisas, justo pela falta de material '^^

Alexandre: Não ligue. ^_^
Nome: Jussara Gonzo 13/10/09 11:20
Antes de mais nada, feliz aniversário!

Sincronidade não vai funcionar no Brasil. No máximo na base de scans mesmo. Eu sofro na hora de comprar meus mangás por quase um mico-leão dourado. O acabamento é bonito? É! A história e arte são boas? Sim! Mas isso não muda o fato que o salário minimo do brasileiro não chega nem a 500 reais...

Alexandre: Pode ser, mas acho que dependendo do desempenho nos Estados Unidos e na Europa, pode haver pressão dos executivos japoneses nesse sentido. Algum dia, isso será experimentado por aqui. Se vai dar certo, sabe-se lá.

E já que ergueram a lebre de Rin-Ne... sério! A Rumiko devia se aposentar.

Alexandre: Eu gostei da história curta que ela produziu para a Big Comic, que refletia a crise econômica. Sinceramente acho que ela talvez devesse migrar pro seinen. Mas os rendimentos não são tão altos quanto os quadrinhos para garotos. Bom, ela deve ter feito um bom pé-de-meia.
Nome: Gustavo 14/10/09 11:04
A única sincronicidade que me interessa é a de One Piece nos Estados Unidos. Em março de 2010 finalmente vão lançar os volumes além do que foram publicados aqui no Brasil.
Porque depender da Conrad tá difícil. :(

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