Busca
Out 13
O Mangá que Vem das Antilhas
Compartilhe:
Lancaster |
PERMALINK |
1
Categorias: mangá global

Isso é interessante. A Caraïbéditions é uma editora sediada em Guadalupe e Martinica, cujas primeiras iniciativas na área dos quadrinhos foram publicar Asterix e Titeuf no linguajar local (créole) das ilhas do Caribe – vendendo 10.000 edições dos álbuns de Uderzo no país (ótimo para as dimensões e população
dessas áreas). Mas na hora de surgir produção local, a iniciativa foi óbvia, de acordo com Florent Charbonnier, fundador da editora: está sendo lançado o mangá Les Îles du Vent, de Hector Poullet e Élodie Koege. Segundo Charbonnier, "Eu queria uma história em quadrinhos que falasse do cotidiano dos jovens antilhanos nos dias de hoje. O formato mangá foi imposto devido à sua força e ao rumo que eu queria atingir. O alvo é o mesmo dos leitores de mangá tradicional, os jovens de 15 a 25 anos. Por isso mesmo lançamos o material em francês, já que os jovens caribenhos lêem muito pouco em créole". A história é um romance adolescente que tem como pano de fundo a imigração ilegal de haitianos nas Antilhas Francesas – lembrem que assim como a Guiana, locais como Guadalupe e as Ilhas Martinicas são "departamentos administrativos" do governo francês (ou seja, são cidadãos franceses). Esse é um problema real vivido pela região e há uma intenção clara de que, através do mangá, seja exportada a cultura do Caribe para os Franceses (uma
vez que eles são o segundo maior mercado de quadrinhos do mundo, perdendo apenas para o próprio Japão, e os mangás respondem por 40% das vendagens do mercado local). A editora tem o apoio do Ministério da Cultura e o Conselho Regional local – contam para isso os subtons de "desfolclorização local" da história – e sem dúvida este é um excelente exemplo de como a força do mangá fora do Japão não vem de sua origem nipônica nem da imitação de cacoetes e clichês que só fazem sentido para japoneses e fãs hardcore, mas das histórias que podem ser contadas através dele – e que só aqueles que as vivem podem contar.
Posts similares:
Entrevista com Junko Kawakami na Shoujo Café
Mangás nas Bibliotecas Francesas
80 anos de Uderzo rende homenagens a Asterix
Post anterior: A Volta de Locke, o Super-Homem das GaláxiasPróximo post: Rin-Ne: Tudo ao Mesmo Tempo Agora MESMO.


Endereço de trackback para este post:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/38386Comentários, Trackbacks:
Vamos torcer para que um dia os brasileiros interessados em virar manga-kas percebam o que é realmente importante em um mangá. =)
Deixe seu comentário: