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Out 11
Produtor da Square Enix Fala sobre Mercado de Anime e Mangá
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Lancaster |
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Categorias: business

O website Anime News Network publicou uma entrevista do produtor executivo Kouji Taguchi durante o Festival Japonês de Conteúdo Internacional. De acordo com Taguchi, a empresa já teve 30 títulos baseados em propriedades relacionadas à empresa e nenhuma deu prejuízo. Ao invés de ficar tecendo elucubrações, achei mais simples traduzir por completo o artigo. Provavelmente devo fazer um post apenas comentando o que foi dito aqui, mas por ora, divirtam-se. 
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"Nenhum Anime da Square Enix Perdeu Dinheiro em Oito Anos"
Kouji Taguchi compara a produção de animes a uma pescaria, e discute vendas de mangá no exterior

O produtor Kouji Taguchi (Fullmetal Alchemist, Soul Eater, Kuroshitsuji, Saki), do braço editorial da empresa de videogames Square Enix, discutiu suas experiências em produção de animes no evento Gekiteki 3-Jikan Show (Programa "Três Horas de Drama") durante o Festival de Contéudo Internacional do Japão na terça-feira (06/12). De acordo com Taguchi, as propriedades da Square Enix geraram cerca de 30 animações nos últimos oito anos, mas nenhuma delas fez a empresa perder dinheiro. Taguchi começou trabalhando na Enix em 1988, antes desta fundir-se com a Squaresoft, formando assim a companhia como a conhecemos hoje. Ele é agora responsável pelos departmentos de música, publicação e propaganda, recebendo frequentemente créditos de "planejamento" ou como "produtor executivo" em desenhos animados.
Comparado com os games, Taguchi disse que usar animações em colaboração com o setor editorial é, de fato, bem mais simples. Ele mencionou que a Square Enix se especializou em quadrinhos de gêneros direcionados, tais como moe (o fetiche por meninas infantilizadas com o que vou chamar de inocência sexualizada), fujoshi (fãs de romances GLS), comédia nonsense, e manga shonen (para garotos) tradicional. Ele citou Saki e Bamboo Blade como exemplos de títulos moe direcionados a homens entre 30 à 40 anos. Full Metal Alchemist é um exemplo de manga shonen tradicional – o mais potente dos gêneros.
Embora aponte que a Square Enix está planejando uma segunda temporada do anime fujoshi Kuroshitsuji, ele acrescenta que este é um gênero difícil. O primeiro volume do manga de Kuroshitsuji eventualmente vendeu 1 milhão de cópias, mas apenas 50,000 cópias foram feitas na primeira impressão. Da mesma forma, Taguchi descreve o gênero da comédia nonsense (exemplificado por Tentai Senshi Sunred e o mundo de GOLDEN EGGS) como muito difícil, do ângulo dos negócios, devido às ondas imprevisíveis de momento. Ele aponta que os mangás de humor que ele um dia leu quando era garoto na escola já não eram mais engraçados quando os releu mais tarde. GOLDEN EGGS começou como uma pequena série na TV à cabo, e espalhou-se como uma febre em apenas 5 anos.
Comparando Anime e Pescaria
Taguchi comparou o direcionamento a um público-alvo com ir pescar no lugar certo, com a isca certa. Especificamente, disse que é essencial para a companhia: primeiro buscar onde os peixes estão (busca de um gênero popular); então decidir que isca o peixe iria gostar (decidir que trabalho adaptar); e finalmente conseguir que o peixe morda a isca (escolher o estúdio de animação).
As companhias de publicação têm que direcionar bem os seus custos de produção, marketing e propaganda antes de colocar um anime na televisão. Um episódio custa em torno de 10 a 20 milhões de ienes (cerca de 110 a 220 mil dólares) para ser produzido. Além disso, a companhia paga a taxa pelo horário em que o anime é inserido, o que pode custar aproximadamente 50 milhões de ienes (560,000 dólares) para horários tardios em cinco a sete canais, por “dois períodos” (seis meses). Entretanto, pagar por horários em canais UHF podem custar a metade disso. O orçamento total para uma série de animação no nível de um Fullmetal Alchemist (transmitida em canais-chave por um ano, às seis da tarde nos Sábados – N. do T.: Horário Nobre Japonês) é pelo menos 500 milhões de ienes (5,6 milhões de dólares).
Vendas de Manga Saltam Após Veiculação em Anime
Taguchi acrescentou que é simples ver como editoras lucram ao transmitir animações na televisão. Por exemplo, cada volume do mangá de Full Metal Alchemist custa ao comprador 420 ienes (US$ 4.70) nas livrarias e outros pontos de venda, mas subtraindo-se a percentagem do autor, custos de impressão e papel, a editora fica com 150 ienes (US$ 1.70) por livro. Se é preciso ao menos 500 milhões de ienes para se financiar um anime na televisão, este tem que aumentar as vendas totais do mangá em pelo menos 3.3 milhões de cópias para ser lucrativo à editora (N. do T: eu sei, prometi não fazer grandes comentários, mas não resisti: lembram de quando falei que um anime na verdade é um grande comercial de tv de 26 minutos para um mangá?
).
Só as vendas do primeiro volume de Full Metal Alchemist saltaram de 150.000 para 1.5 milhão de exemplares depois que o anime foi para o ar. Antes de sair a segunda série do anime, cada volume vendia em torno de 1.9 milhão de cópias, mas agora tais volumes vendem 2.1 milhões de cópias cada. Taguchi estima que 4.6 milhões a mais do manga de Full Metal Alchemist foram vendidos no total, graças ao anime.
Quatro semanas antes que o anime de Saki fosse ao ar, o primeiro volume do mangá vendeu 500 exemplares em uma semana. Entretanto, as vendas saltaram para 3.000 exemplares na semana anterior à sua estréia, 4.500 na semana da estréia em si, 17.000 na segunda semana e 9.000 na terceira semana. Se ao todo cada volume de mangá vendeu ao todo 150.000 exemplares antes da exibição do anime, o número subiu para 350.000 exemplares (agora há seis volumes do mangá na praça).
Em comparação, o primeiro volume de Kuroshitsuji vendeu 4.000 cópias semanais três semanas antes do anime estrear, 8.000 cópias a duas semanas da estréia e 12.000 cópias na semana final pré-lançamento. Na semana da estréia vendeu 14.000 cópias, 17.000 na segunda semana, 16.000 na terceira semana, 14.000 na quarta semana, 13.000 na quinta semana, e 14.000 na sexta semana. O primeiro volume do mangá havia vendido 600.000 cópias antes do anime ter sido exibido, mas ao término da série na televisão japonesa, as vendas totais desse mesmo volume chegaram a 910.000 exemplares (mais recentemente, eles finalmente chegaram ao milhão de cópias do volume um).
Razões Pelos Quais os Mangás Não Vendem Bem no Exterior
Taguchi percebeu que a Japan Expo em Paris e a Comic Con International em San Diego atraem, cada uma, cerca de 100.000 pessoas a cada mês de Julho. Entretanto, ele também acreditar que os quadrinhos, como negócio, não vão bem no exterior. Depois que Full Metal Alchemist foi exibido, tanto este quanto Naruto se tornaram os títulos mais vendidos em território americano. Entretanto, suas vendas locais oscilam de um décimo a um vigésimo do tamanho de suas vendagens nipônicas.
Taguchi explica que a primeira razão para tal diferença é o preço mais alto dos mangás, graças a tiragens menores. A segunda razão é a relativa quantidade menor de dinheiro que é colocada na mão das crianças. A terceira razão é logística – de acordo com suas palavras, um típico residente de Tóquio pode ter ao menos três livrarias dentro de seu alcance por bicicleta, mas no resto do mundo os mais jovens tem que ir a um shopping center nos fins de semana, com seus pais. Como resultado, os animes exibidos pela televisão são extremamente populares entre várias pessoas, mas nem todas elas compram os mangás.
Ele também apontou que Shueisha, Shogakukan, Kadokawa Shoten, e Square Enix anunciaram mês passado no Tokyo Game Show que irão distribuir mangás na Rede PlayStation da Sony para consoles portáteis PlayStation japoneses. Taguchi crê que métodos de distribuição similar irão baixar a barreira de aquisição em locais sem livraria na Europa e América. No entanto, ele também aponta que as especificações de celulares no ocidente não se comparam com as de seus equivalentes japoneses, logo ele não espera que o mangá para celular decole, ao compará-lo com o mangá publicado por outros meios – como smartphones, PSPs, Apple IPods e consoles de Nintendo DS. Taguchi também expressou reservas quanto a serviços Europeus e Americanos de distribuição online de mangá, nos moldes do próprio site Gangan Online da Square Enix, no Japão.
Embora Taguchi fortemente tenha minimizado as chances no exterior de gag mangás, ele foi mais positivo sobre (fenômenos de nicho como) o moe e as fujoshi. Ele citou as multidões de fãs de Haruhi ao redor do mundo e o influxo da moda Gothic Lolita em exposições como a Japan Expo.
(Tradução de Alexandre Lancaster)
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2º Fujoshi não lêem material GLS, elas lêem material gay mesmo. Fujoshis de verdade não se interessam por romances lésbicos, simpatizantes sim, elas adoram esse climinha de é ou não é.
Saltar de 50.000 para 1 milhão é coisa demais, o pior é que nem eu consigo gostar dessa série, definitivamente japoneses têm gostos estranhos.
Gags realmente não têm muitas chances aqui, a maioria das piadas não são aproveitáveis, a barreira das línguas é grande demais.
3º Realmente não é qualquer coisa que vai agradar ao público, uma boa história e um bom estúdio são sempre essenciais. Um estúdio pode estragar ou salvar uma história, já o público é volúvel.
O preço dos episódios em si me surpreendeu, eu não achava que seria tão barato produzir um episódio muito menos imaginava que o estúdio pagaria para colocar o anime no ar, eu acreditava que eram encomendas das próprias redes de tv.
4º 150 ienes de lucro por volume, se formos pensar no preço dos mangás daqui a gente percebe o paradoxo: É caro pq vende pouco e vende pouco pq é caro. Um volume de mangá não deve custar mais que 2 reais para a editora, mas em compensação um mangá é um sucesso vendendo 50% da tiragem, não seria hora de repensar a estratégia de vendas?
Quanto às vendas eu pensava que era mais instantâneo, que venderia 50.000 exemplares logo na semana de estreia.
5º Os preços altos dos mangás não são uma novidade exatamente, mas 9,50$ para um americano não é uma fortuna, para a gente pesa bem mais, a renda per capita é bem diferente...
A razão da distância dos pontos de vendas parece ser bem similar ao que acontece com a fase 2 aonde tem poucas bancas e nem sempre os mangás chegam, as pessoas querem comprar mas acabam não tendo acesso pq esgotam rápido ou só vêm aqueles q ninguém quer.
Fujoshis e Moe são uma realidade, apesar d enão curtir nem um pouquinho de Moe.
Um episódio de uma novela da Globo custa em média 300 mil reais para produzir.
O Maurício de Sousa disse que para ele poder colocar desenhos animados na televisão brasileira é preciso dividir os custos, ou seja, ele não conseguiu que uma tv custeasse tudo sozinha o projeto. Ele está produzindo a Turma do Penadinho num estúdio particular e vai entregar todo pronto o material, se não me engano, para a TV Cultura exibir. São episódios curtos, não chegam aos 26 minutos de um anime.
Vou usar agora a imaginação. Vamos supor que algum de nós ganhou Mega Sena acumulada de 30 milhões, ou investiu na Bolsa e conseguiu lucro acentuado ou achou um outro investidor (quase um mecenas... rere). Há um belo roteiro popular nas mãos e grana na mão para investir aproximadamente 15 milhões de reais num anime nacional.
Band, SBT, Record, Rede TV... vamos supor que foi fechado com uma dessas emissoras a exibição do anime num horário interessante.
Mesmo mais baratos do que produtoras asiáticas, eu me pergunto: sob encomenda, estúdios brasileiros teriam material humano para produzir e também cacife para entregar um anime de 25 episódios, de 26 minutos cada, numa qualidade similar ao do Japão em tempo hábil, e, tendo êxito, esse anime obter mais investimentos com o sucesso e aí desencadear a produção de outros produtos de franquia para venda, como revistas em quadrinhos?
Não sei como andam as produtoras brasileiras de animação, mas tenho minhas dúvidas se alguma estaria preparada e conseguiria entregar hoje esse produto na qualidade desejada.
Será que os episódios teriam de ser produzidos lá fora?
E que chato se isso acontecesse: empresas e profissionais brasileiros deixariam de ganhar todo esse investimento de 15 milhões...
Essas reflexões podem ser tolas, mas acho que, mesmo com a grana suficiente na mão para investir num anime nacional, as dificuldades seriam grandes para produzí-lo aqui mesmo no Brasil, sem que esse investimento não fosse desperdiçado no quesito de qualidade de animação.
Espero não ter sido confuso na análise.
E espero que alguém venha e escreva: "Existe sim produtoras brasileiras capazes! Vou dar o exemplo da..."
Hunter (Pedro Bouça)
E por mais que possam querer os franceses, a Europa não é SÓ a França, né? ;P
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