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Set 21
Soul Eater: Sem Anime, Sem Mangá
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Lancaster |
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Categorias: Soul Eater

Está acontecendo na Espanha, mas quem garante que o tratamento dispensado a nós não seja o mesmo quando o assunto for o quadrinho de sucesso Soul Eater, de Atsushi Ookubo, publicado no almanaque Shonen Gangan, da Square Enix? De acordo com o website hispânico Misión Tokyo, as editoras locais estão interessadas de modo geral em trazer o material para o país – só que os japoneses são taxativos: eles se recusam em licenciar o mangá sem que seu anime esteja presente na televisão. O grande problema é que as animações japonesas estão, de acordo com o artigo, em crise no país – com vendas de dvd e audiências televisivas muito abaixo do esperado. Em todo caso, a Panini adquiriu a licença da versão animada de Soul Eater para o continente europeu, mas a Espanha está longe de ser a potência comercial para quadrinhos e desenhos animados que a França é. E se olharmos bem, não fosse o bom desempenho de um Naruto na nossa televisão aberta, não haveria muita diferença entre a nossa situação e a deles. Talvez também não vejamos Soul Eater em nossas bancas tão cedo.

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Comentários:
Alexandre: Verdade. O fato é que um desenho pode ser determinante, mas lembrem-se que nem isso pode ser o suficiente. Pouca gente lembra, mas tudo foi feito certo no lançamento de Gundam Wing: ele saiu no exato momento do lançamento do material na Cartoon Network (e não subestimem isso, basta lembrar do fenômeno de licenciamentos Ben 10 antes dele pintar na tv aberta), tudo foi sincronizado, todas as revistas estampavam o material na capa, etc... só que Wing foi um fracasso na tv, a ponto de inviabilizar o lançamento de Gundam Seed e de qualquer outro Gundam – e para piorar, o mangá era a atrocidade em forma de quadrinho. Ou seja, o anime não é tudo.
Hunter (Pedro Bouça)
Alexandre: Pergunta, Hunter, como anda o mercado de mangá na Itália?
Estudar feito um doido não é garantia de aprovação, mas se o dito cujo não estudar seriamente, aí é que ele não passa mesmo. E como a incerteza do sucesso, mesmo sendo uma ideia desagradavel, ainda é uma opção inifitamente melhor que a certeza do fracasso, não tem jeito, tem que estudar e ponto final.
No caso, embora não haja garantia de que a exibição do anime vá ajudar o mangá a ter boas vendagens, é certo de que sem exibição o fracasso é certo, no caso de mercados minguados.
Se o público é pequeno, naturalmente as vendas serão pequenas, isto está mais que óbvio e não tem como os japoneses não notarem isso, tampouco como agirem diferente, já que (mais obviamente ainda) os japoneses são muito mais experientes em termos de marketing de quadrinhos, já dominando conceitos de vendas que as editoras ocidentais com poucas exceções sequem pensam em adotar.
Cooperação entre as diferentes mídias é fundamental para a expanção do mercado de mangás, e as exigências dos japoneses são uma atitude positiva, que visa pressionar as empresas ocidentais a modernizarem suas doutrinas mercadológicas e com isso melhorar suas chances de sucesso comercial, embora não o garanta.
Pelo exposto, digo que os japoneses estão totalmente certos em suas exigências. E espero que façam o mesmo por aqui.
É significativo mencionar que a Itália é um dos mercados ocidentais com maior quantidade de clássicos publicados. Foi o primeiro a ter Ashita no Joe e o que tem mais mangás do Ishinomori, do Yokoyama, do Go Nagai e da Ryoko Ikeda.
Também tem uma presença expressiva de material mais adulto, mesmo o sofisticado (e, portanto, de público limitado) de autores como Yukinobu Hoshino.
E isso tudo em um mercado centrado EM BANCAS, onde é muito mais difícil vender material fora do feijão com arroz shonen.
Mesmo sem dados de vendas, há um número que eu posso fornecer. Uma lista (incompleta) de 851 mangás publicados no país:
http://www.mangadb.it/listamanga.php?inf=
Impressionante, hein?
Hunter (Pedro Bouça)
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