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Set 18
Nobuyuki Fukumoto na Revista Eureka
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Lancaster |
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Categorias: mangaka

O trabalho de Nobuyuki Fukumoto pode ser uma experiência radical para aqueles que tomarem contato com ele: alguns, mais afeitos ao bonitinho pelo bonitinho, podem ser repelidos por seu traço rude, estilizado e extremamente pessoal. Mas muitas coisas bonitinhas escondem um oco total de postura e idéias, mesmo quando usam o melodrama para parecer que seus personagens são humanos, e Fukumoto o usa para retratar, em histórias repletas de suspense e drama como Kaiji e Akagi, um mundo agressivo e impiedoso, aonde só os mais fortes sobrevivem. E está longe de ser "quadrinho cabeça" – é entretenimento adulto de primeira, tenso e nervoso. Agora, a revista de ensaios e críticas culturais Eureka, da editora Seidosha, está dando a ele destaque de capa em sua última edição; ele fala de suas influências, de sua juventude e experiência de vida (ele teve um passado duro e chegou a trabalhar como peão de obra, e duvido que isso não tenha marcado sua visão de mundo), além de seus primeiros trabalhos (que eram extremamente rudes; ele levou tempo até desenvolver um traço publicável). Para os fãs que lêem japonês, vale a pena – e para aqueles que não o conhecem, sugiram que corram atrás de sua série Kaiji agora mesmo. É um material obrigatório.
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Comentários:
No aguardo de alguma editora ter um lampejo de boa vontade e lançar o manga no Brasil (por mais que tenha muito quadrinho adulto bom aqui publicado, tem muita coisa artística demais pro meu gosto.... não que eu não goste de um Will Eisner, mas eu peguei gosto pelos quadrinhos por causa dos mangas,com a narrativa cinematográfica, com personagens sem frescura, eu sinto falta de mangas de puro entretenimento com histórias de peso por aqui.)
E eu já li na internet esse papo de que fulano não vai assistir a série por que achou o traço "feio". Que fiquem com as pseudo filosofia dos Evangelions da vida...
Alexandre: Eu entendo perfeitamente isso. As mensagens que são passadas ao longo de Kaiji são muito fortes, e realmente aquilo é como ser sacudido nos dentes de algum animal para poder acordar. Aquilo é uma fábula sobre autodeterminação, empreendedorismo pessoal (sim!), individualidade, ser dono do próprio destino e calcular seus próprios riscos. Mas todos os riscos tem consequências e o final diz tudo. Acho até que a história poderia parar por ali sem problema – e o final foi marcante; tome sua inicativa, não espere ajuda divina. Quero que no dia em que eu tiver filhos (e que eles possam entender a mensagem, claro), eles assistam isso. Sério.
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