Artigos

Do Crescimento do Mangá Global


Outros Artigos e Reviews de Interesse



Perguntando aos Leitores


Entrevistas


Comentarios Recentes


Posts Recentes



Busca

Set 06

A Importância dos Quadrinhos Para Adultos (em homenagem a chegada de Golgo 13 ao Brasil)

Compartilhe: Delicious Digg technorati Stumble Upon

Lancaster | PERMALINK | 12

Categorias: Artigos e Reviews

Acabou de sair no website J-Box: Está sendo lançado no Brasil um material obrigatório: Golgo 13, de Takao Saito. Desnecessário dizer que essa é uma das melhores notícias em muito tempo dentro de nosso mercado de mangás. Golgo 13 foi a obra que tem o mérito histórico de estabelecer o que vamos definir como quadrinho para adultos mainstream, lá pelo final dos anos 60, no Japão – e continua até hoje: é a segunda série de mangá mais longa de todos os tempos, com mais de 150Golgo volumes. E merece mesmo sua fama, podem acreditar.
Quando falo de quadrinhos adultos, nada de cabecices aqui: é quadrinho de massa, escarrado, cuspido, assumido, refletindo o gosto do entretenimento do cidadão comum que passou da adolescência e vai ao cinema, assiste televisão e gosta de seriados de tv – nesse sentido, é mais certeiro do que o conceito de quadrinho adulto da Vertigo, por exemplo (mesmo um quadrinho potencialmente bacana como Alvo Humano, que poderia ter um tratamento similar a Golgo, se perdeu por algum ranço de se "mostrar maturidade" típico dos quadrinhos do selo. Será que um adulto não quer apenas se divertir?). Golgo é simples como seu conceito: Assassino profissional tem missão e a cumpre. Não sabemos seu passado e mesmo seu nome oficial, Duke Togo, pode muito bem não ser seu nome verdadeiro. Mas matar pode não ser tão fácil e por isso ele vai ter que passar por cima de muito mais gente no caminho. Simples. Nesse sentido, ele se aproxima muito dos quadrinhos italianos – conhecidos como fumetti – que são campeões de longevidade em nossas bancas. Assim como as histórias do cowboy Tex, suas histórias são fechadas e não exigem continuidade.
Golgo 13É quadrinho de fórmula, como os bons seriados costumavam ser, antes de ter surpresas de fim de temporada e meta-tramas intermináveis. De certa forma, ele lembra a receita de bolo dos livros da Gold Eagle – o braço masculino da Harlequin. Enquanto as heroínas românticas desses livros querem ser seguradas pelos braços cabeludos de algum marmanjo, os protagonistas dos livros da Gold Eagle tem sempre um trabuco na mão e detonam mafiosos, terroristas, gangues de motoqueiros...
Em miúdos, Golgo existe para a alegria do Charles Bronson que existe dentro de você, sem frescuras. E representa um caminho precioso para a percepção do que é quadrinho adulto no país. A editora JBC vai começar aparentemente pelas coleções de coletânea, e desconfio seriamente que eles vão trazer ou o Best 13 of Golgo 13, ou o Golgo 13 Anime Selection, que pinça justamente as histórias que foram escolhidas para ser adaptadas em anime. Por isso mesmo, não vou falar demais sobre o personagem: estou postando aqui o artigo "de adultos para adultos", originalmente publicado na revista Neo Tokyo, aonde eu falo um pouco sobre Golgo, a história de sua criação, sua importância e sobre o contexto maior ao qual ele pertence. Leva um pouco de tempo até chegar até lá – mas divirtam-se, assim mesmo.

Big Comic

______________________

1989 não foi uma safra brilhante para o quadrinho japonês, cheia de novidades marcantes, mas foi um bom ano. A revista nº1 do mercado nipônico, a Shonen Jump, não chegou a ter um lançamento de destaque (apenas Fly, o Pequeno Guerreiro, merece nota entre os lançamentos daquele ano), mas vivia sua época áurea em um tempo onde suas páginas abrigavam vários mega-hits como Dragon Ball Z, City Hunter, Cavaleiros do Zodíaco, Magical Taruruuto-kun (que revelaria Tatsuya Egawa, o mesmo de Golden Boy) – e o começo dos anos noventa traria grandes sucessos que Big Comic 40th Anniversaryajudariam a abrilhantar esse período – até que o fim de DBZ derrubasse suas vendagens pela metade e encerrasse toda uma era.
Nesse ano, porém, o maior destaque foi estatístico: de acordo com pesquisas mencionadas pelo crítico e ensaísta Natsume Fusanosuke, o número de publicações dirigidas a adultos e jovens adultos naquele ano superou o conjunto das demais publicações, para algum tempo depois se estabilizar em níveis similares. Em miúdos: metade dos quadrinhos japoneses são para adultos, embora quadrinhos juvenis vendam bem mais.
E isso foi excelente. Ao contrário do que muita gente pensa, o Japão não foi sempre essa democracia quadrinhística que tantos acreditam. Foi um processo gradual que tomou mais de trinta anos para tomar forma, e que passou inclusive pelo obstáculo padrão a ser vencido – a mentalidade comum de "quadrinhos são coisa para crianças".
Contou para isso a força de uma geração que começou a ler quadrinhos quando criança e que hoje obviamente está velha, mas que legou respeitabilidade à mídia em questão aos filhos e estes, aos seus netos. O antropólogo Matt Thorn, professor assocido da Escola de Produção de Mangá da Universidade Seika de Kyoto, mencia a existência de "uma linha surpreendentemente clara que Golgo 13separa a 'geração pré-mangá' da 'geração mangá', e essa linha pode ser delineada em algum lugar por volta de 1950. Encontrei um punhado de japoneses nascidos após estes anos que amavam mangá, e encontrei muitos nascidos antes de 1950 que não tinham interesse em mangá, mas para a maior parte das pessoas, a geração anterior considerava mangá 'coisa de criança', e parou de lê-los ao entrar no curso médio, enquanto as gerações seguintes sempre tiveram o mangá garantido como apenas outra mídia que pode ser aproveitada tanto por adultos quanto por crianças".
Ainda segundo esse raciocínio, "Um garoto nascido em 1950 teria cerca de nove anos de idade quando a mídia do mangá foi revolucionada pelo formato semanal (N.do R.: das antologias). Ele poderia estar no colegial quando os excitantes caminhos de meados dos anos sessenta tomassem seu lugar. Ele poderia ser um universitário ou um jovem trabalhador quando o gênero seinen (N. do R.: para jovens adultos) estivesse firmemente estabelecido. Outro japonês nascido um ou dois anos atrás poderia ter deixado os quadrinhos de lado antes que o formato semanal começasse a alcançar seu potencial, mas o jovem leitor, ao qual nunca foi permitido um momento ruim, poderia ser fisgado pela vida, assim como todas as Tezukagerações subsequentes de japoneses." (THORN, Matt: Animerica: Anime & Manga Monthly, Volume 4, Numbers 2, 4 & 6; disponibilizado na íntegra, e em inglês, neste link aqui. Podem ler sem falta, vale a pena).
Outros autores parecem confirmar isso. O próprio Fusanosuke declara que no final dos anos sessenta, o mangá se consolidou como parte da cultura jovem de seu tempo – e eventualmente estes adolescentes se tornaram adultos. Quando chegaram aos cinquenta, os japoneses nascidos no "boom" de nascimentos pós-guerra e que viriam a tomar papéis pivotais na sociedade, acabaram por dar suporte a toda uma cultura de quadrinhos que, como bem dissemos, foi encampada por seus filhos e netos. E naturalmente, de modo geral, crianças lêem quadrinhos para crianças, adolescentes lêem quadrinhos para adolescentes e adultos lêem quadrinhos para adultos, todas com suas faixas de transição entre uma fase e outra. Mesmo dentro da segmentação por gênero, encontramos segmentação por idade. Assim como não se espera de forma obrigatória que o leitor de One Piece vá procurar um Planétes, também não se espera que a leitora de Arina Tanemura corra atrás do material de Erica Sakurazawa tão cedo. Mas antes de começar, temos uma pequena pergunta: O que é ser adulto, nos termos que nos interessam?

Crescendo e Aprendendo

Kaze no ShoPara começo de conversa, se falamos de enfiar sexo, nudez e violência, sinto muito – isso não é sinal de amadurecimento para ninguém. Em muitos casos, só indica falta de maturidade mesmo – e muitos dos que defendem mais e mais sexo, nudez e violência nos quadrinhos na verdade são pessoas que jamais se tornaram adultas de verdade. Por outro lado, sabemos que em obras realmente adultas, sexo, nudez e violência não podem se furtar a ser mostrados QUANDO necessários por uma questão de contexto. O que torna O Livro do Vento, de Kan Furuyama e Jiro Taniguchi, um trabalho realmente adulto (embora possa ser lido por qualquer um), e Berserk, de um mero quadrinho para adolescentes mais velhos onde sangue e sexo jogam a faixa etária de leitura lá pro alto? O que faz de Sanctuary um trabalho realmente maduro enquanto um Ero-Guro não mostra mais do que um autor metido a "maldito" que gosta de chocar por chocar e valida isso com citações culturais ("Oh, ele cita Salvador Dali"), apesar de ambos terem sexo e violência?
Essa pode ser uma postura muito pessoal, e sei que essa discussão pode ir muito longe, mas o fato é que em termos práticos o adulto é alguém que já é dono do seu nariz, preferencialmente se sustenta – apesar da "geraçãoYukemuri Sniper canguru" estar criando homens e mulheres que se emancipam na faixa dos trinta graças à irregularidade de nossa economia – e têm o que se chama de maioridade legal (ou seja, é responsável legalmente por suas ações). Ou seja, é a massa que vai ao trabalho e volta cansada no fim do dia, querendo algum tipo de diversão para esvaziar a cabeça. E geralmente procura temas que se aproximam de seu universo de compreensão, o que os leva em média a coisas simples, como novelas de televisão, séries com duplas de policiais, dramas com "interesse humano"... mesmo jornalismo é, à sua própria forma, entretenimento – e essa última palavra, aliás, é a chave de tudo. Toda mídia é um copo vazio, que só difere no que está sendo preenchido. Pode-se informar, pode-se educar, mas pode-se sobretudo entreter – e é esta função primária a maior responsável por sua grande difusão. Isso vale para o rádio, a televisão, a imprensa escrita... e também vale para os quadrinhos.
O adulto quer entretenimento que se relate ao seu mundo, pura e simplesmente. Garotos fazendo amigos em meio a grandes aventuras, (ou o primeiro romance de uma menina de doze anos, no caso de mulheres) podem até cair em sua estima uma vez ou outra – mas não são mais o seu mundo, ou o mundo que ele (ou ela) entende como tal. E quadrinho underground não quer dizer nada para ele.

Otoko no Jigazou

O adulto médio não só é como define o que é o mainstream. E esse tópico em especial precisava ser puxado, porque existe muito, entre fãs de mangá, uma tendência de chamar qualquer título adulto de underground só porque "não são conhecidos". Como o underground se faz em oposição ao mainstream, supõe-se que só os shonens e shoujos de nosso mercado o são, certo? Mas não é bem assim. Na Wikipedia, "Mainstream é o pensamento corrente da maioria da população. Este termo é muito utilizado relacionado às artes em geral (música, literatura, etc)."
MorningPor sua vez, "Underground ('subterrâneo', em inglês) é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Muito conhecido como Movimento Underground ou Cena Underground. A cultura underground também pode ser chamada de contra-cultura."
O que se esquece é que a partir do momento que metade da produção japonesa é voltada para adultos, o grosso dela é material mainstream. Underground seria justamente o anti-mainstream, o anti-comercial. E por isso mesmo eles são uma minoria em qualquer parte do mundo. Nos Estados Unidos, o Underground de Crumb e Shelton são adultos em oposição a um mainstream que é essencialmente voltado a pré-adolescentes do sexo masculino. Na Europa e Japão, onde há quadrinhos adultos mainstream (e quadrinho autoral que não é niilistamente anti-comercial, mas ele não conta nessa disputa), underground existe em oposição a ele, também. Esqueçam shoujo (o quadrinho para meninas) e shonen (o quadrinho para garotos). Vamos falar um pouco de quadrinho mainstream adulto. E para isso, vamos retornar aos anos sessenta.

Seinen e Gegika

Yoshihiro TatsumiOs anos sessenta foram uma época de efervescência cultural – e marcaram também uma mudança na forma em que os quadrinhos eram encarados. Quadrinho já havia deixado de ser coisa para crianças, tendo sido absorvido pela cultura jovem dos anos sessenta. Havia uma tendência à contestação de tudo o que fosse cânone naquele tempo – e mesmo o mangá não foi exceção: Os meados dos anos sessenta foram marcados pela absorção dos artistas dos mangás de aluguel, os Kurai, no mercado de trabalho. Os Kurai eram quadrinhos menos infantis e com uma conotação mais "povão", com histórias mais adultas, feitos para locação em lojas especializadas. A recuperação do poder aquisitivo japonês fez com que o povo pudesse voltar a comprar quadrinhos, ao invés de alugá-los.
O que esses autores trouxeram foi justamente uma nova visão que alargou as fronteiras do mangá – e que seria fundamental para a estética que conhecemos hoje. Ao serem jogados nos quadrinhos para garotos, ainda dominados pela estética tezukiana em vários campos (isso é visível basicamente nos autores shonen como Shotaro Ishinomori, de Cyborg 009; no shoujo a Drifting Lifeestética visual já existia nas revistas femininas, e Tezuka contribuiu mais em sentidos narrativos do que em termos de influências visuais. Há exceções: Hideko Mizuno, do mangá original de Honey Honey, é Tezuka puro em seu trabalho), podemos dizer que eles bagunçaram o coreto – muito para desgosto do ego de Tezuka, que via seu trabalho de repente ser sinônimo de material conservador destinado a se tornar ultrapassado. Claro que não foi isso o que aconteceu, mas o fato é que o público japonês apreciou as novidades e o velho estilo de se fazer mangá havia sido posto em cheque.
Começou a ser cunhado o termo Seinen, que com outra grafia signfica "adulto" – mas observando bem, o que chamamos hoje de seinen teria mais a ver com jovens adultos, entre os dezoito e os vinte e cinco, do que com adultos propriamente ditos. O Seinen parece muitas vezes ser o shonen "proibido para menores" – se pensarmos bem, materiais como Bastard! e Tenjou Tenge NÃO SÃO ADULTOS: São materiais profundamente adolescentes em cada fio de cabelo, mas com índices de nudez e violência proibitivos para revistas voltadas para públicos mais jovens. Não custa lembrar que a casa inicial de Bastard! foi a Shonen Jump; após poucos volumes, ela foi relocada para outra revista, voltada para um público mais velho.
O detalhe é que se analisarmos friamente, Bastard! tem toda a cara de um material feito paraBastard publicação na Jump durante aqueles anos. O diferencial é, justamente, o grau de nudez e sangue. E títulos como estes são adultos "pro forma": um adulto de verdade não precisa mais disso. E se precisa, provavelmente ele é uma dessas criaturas que continuam nos seus quatorze anos – para sempre.
O seinen dos seus primórdios se voltou para o público que estava abandonando as revistas shonen. Os autores shonen começaram a se voltar para traços mais anatômicos tentando evitar a migração dos leitores mais velhos. Os seinen por sua vez começaram a manter elementos de traço dos mangás para um público mais jovem – e isso levou a uma certa uniformização estilística de ambos, que acabaram definindo o mangá, esteticamente, para os dias de hoje.
Os quadrinhos para adultos propriamente ditos passaram a seguir por outras direções. Takao Saito foi um dos autores que catalisou essa mudança e se tornou uma espécie de ícone para muitos outros manga-kas cansados do que se fazia até então. Nascido em 3 de Novembro de 1936, Saito pertenceu, em seus anos de formação, à primeira geração de leitores de mangá após a guerra. Nas décadas de 50 e 60, entretanto, Saito – que sempre foi muito vocal – serviu de catalisador para os anseios de autores que queriam trabalhar com linguagem e situações adultos, na esteira de precursores como Yoshihiro Takao SaitoTatsumi (autor de "Mulheres", publicado no Brasil pela Zarabatana books), que cunhou o termo gekiga – literalmente, "desenhos dramáticos" (em contraponto ao mangá, "desenhos irresponsáveis").
O gekiga se tornaria uma bandeira a ser carregada por Saito, que ao lado de Tadao Tsuge, Yoshiharu Tsuge, Shinji Takahashi, Iwai Shige e Susumu Yamamori, criariam a Gekiga Kojo, declarando em tom de manifesto que o Gekiga era o futuro do mangá. Que ainda naquela época, era visto por muitas pessoas como "coisa pra criança". O gekiga enfatizaria uma separação onde o mangá seria visto como produto infanto-juvenil e o gekiga, para adultos. Curiosamente, o tempo faria o gekiga ser absorvido como mais uma das manifestações estilísticas que, junto ao shonen/seinen, o shoujo e o josei (diferentemente da relação shonen/seinen, a diferença estilística entre shoujo e josei – os quadrinhos adultos para mulheres – é mais pronunciada visualmente), comporia o imenso guarda-chuva estético que define o mangá.
Mas na época havia uma proposta de ruptura e, tanto comercialmente quanto em termos de crítica, os trabalhos desses autores foram bem recebidos e gradualmente foram conquistando o seu lugar na indústria. Tezuka, antes visto como mestre e transformado da noite pro dia em COMtelhado de vidro de uma geração, se voltou a trabalhos mais arrojados, como a legendária série Fênix, assim como obras como Buda e Adolf, nas décadas seguintes. Além disso, ele criaria a hoje extinta revista experimental .COM, para tentar colocar seu nome como sinônimo de arrojo estético – e tirar a pecha de material conservador de seu trabalho. O tempo lhe faria justiça: poucos materiais são um exemplo tão bem acabado do que significa quadrinho para adultos do que Adolf, publicado no Brasil pela Conrad.
Já Takao Saito, durante aqueles anos, foi amealhando nome o suficiente para seu estúdio, a Saito-Production Co. Ltd., conseguir em 1964 a autorização para a produção de mangás adaptando os romances originais de James Bond, que estavam no seu auge de popularidade nos anos sessenta, quando o personagem era interpretado por Sean Connery. Essas histórias foram originalmente publicadas pela Shogakukan em uma de suas antologias shonen, com quatro volumes fechados.
007Essas adaptações são muito livres em relação ao material original. Personagens e situações originais estão presentes, mas a história em si foi mudada por completo – e elas se tornaram um sucesso, somando o nome da franquia ao de um autor ascendente. Entretanto, oficialmente, a Gildrose Publications, responsável pelo espólio literário de Ian Fleming, não ficou muito feliz com as liberdades que Saito tomou com a história e interrompeu a publicação do material. Assim, na edição de Agosto de 1967 da Shonen Life, foi publicado o último capítulo do quarto volume da série, "007 contra o Homem da Pistola de Ouro". Em 25 de Dezembro do mesmo ano, seria lançado o tanko-hon derradeiro da coleção nas livrarias especializadas – e seria o fim. Os volumes compilados dessas séries só voltariam a ver a luz do dia nos anos oitenta. Mas esse material teria uma importância enorme na carreira de Saito, uma vez que definiu seu perfil para o grande público e que o levou ao personagem mais popular de sua carreira, e um dos ícones do quadrinho mainstream para adultos: Golgo 13.

Golgo 13

Meu nome é Togo, Duke Togo

Pouco mais de um ano após o último suspiro de Bond nas livrarias, a edição de janeiro de 1969 da Big Comic (que existe até hoje e é uma das principais antologias de quadrinhos para adultos no Japão) trouxe a estréia de um matador de aluguel chamado Duke Togo, que atende pelo codinome de Golgo 13. A carreira de Saito passaria a se confundir com o personagem a partir daí: Sem grandes avanços na fórmula, Golgo é composto essencialmente de históriasGolgo 13 episódicas que, analogamente a fumettis italianos como Tex, Nick Raider e Mister No, são focadas menos no personagem do que em sua função – no caso, a de matador. Não há espaço para desenvolvimentos psicológicos ou dramas aqui: Togo tem que matar alguém e em suas missões, se envolve frequentemente em tramas muito maiores do que ele próprio, escritas com um olho nas atualidades dos jornais. Nada escapa ao olhar arguto de Saito, que já o fez se envolver com os meandros da política dos petrodólares, com os confrontos de interesses da guerra fria e até mesmo com a morte da princesa Diana. Material tão influente e palpitante que pessoas como Taro Aso, ex-ministro das relações exteriores do Japão, ex-primeiro-ministro japonês e ele próprio um entusiasta da política do mangá como divulgação cultural do Japão, declaram que muito do que aprendeu sobre política internacional vem das páginas de Golgo... E talvez seja este o ponto. O que esses quadrinhos adultos de massa passaram a levar para suas páginas é o conteúdo e linguagem que encontramos nos best-sellers de autores multimilionários no ocidente.

Golgo 13

Muito se criticou a respeito de Sidney Sheldon, de Frederick Forsythe, Robert Ludlum e John Le Carré, mas convenhamos: eles não foram feitos para ser alta literatura, mas literatura de entretenimento para adultos de classe média, que querem ler diversão que seja compreensível dentro dos seus interesses de mundo. Golgo 13E é para estes leitores que mangás como Golgo 13 são feitos, embora, se formos fazer esse tipo de comparação, ele seja mais análogo às séries de bolso de personagens como Mack Bolan, o Executor (escritas por Don Pendleton, publicadas no Brasil pela Ediouro nos anos setenta – e pela Abril, na década seguinte). Não a toa, Golgo continua até hoje, sem grandes mudanças além da evolução natural do artista (comparem um dos primeiros volumes de Golgo dos anos sessenta com as artes dos volumes recentes), já tendo ultrapassado a marca extraordinária de 150 volumes (sendo o segundo mangá mais longo da história, perdendo apenas para a comédia policial Kochikame, publicada a fio na Shonen Jump desde sempre) e tendo vendido mais de 200 milhões de exemplares ao longo dos anos.

Best-Sellers

Kaiji KawaguchiEssa aproximação do quadrinho adulto mainstream com a linguagem da literatura de Best-Sellers não é exclusiva do Japão. Séries européias como XIII (Publicada no Brasil pela Panini e claramente inspirada em primeira mão no Identidade Bourne original de Ludlum) e Largo Winch (fincada na intriga e no glamour do mundo dos negócios) também seguiram essa abordagem e se deram muito bem, vendendo milhares de exemplares nos seus países de origem.
Mas o Japão também é uma prova do sucesso dessa abordagem: Uma olhada na lista dos dez quadrinhistas mais ricos do Japão fatalmente vai incluir o nome de Kaiji Kawaguchi, que não é um nome óbvio para o leitor de mangás no ocidente. Poucos autores podem exigir uma percentagem maior de vendas por preço de capa nos títulos por ele escritos – e ele é um deles. Tendo um perfil mais próximo de autores como Tom Clancy ("A Soma de Todos os Medos", "Perigo Real e Imediato"), ele despontou com a polêmica criada pela série de 32 volumes "Serviço do Silêncio" (Chinmoku no Kantai), onde um submarino nuclear, numa missão conjunta entre tropas americanas e japonesas, declara-se como um estado independente (no molde do conceito de "micronação" como a Sealand), pegando carona Kaiji Kawaguchinas discussões que agitavam o Japão na época a respeito do país acumular armas nucleares como uma forma de dispensar a guarida das tropas americanas.
A obra de Kaiji Kawaguchi é um excelente exemplo do uso recorrente da política como tema nos quadrinhos adultos. Após o "Serviço", ele prosseguiu com esta temática na série Eagle, de cinco volumes, serializada entre 1997 e 2001 na antologia Big Comic da Shogakukan. Eagle trata da ascensão política de um candidato a presidente nipo-americano cheio de esqueletos no armário, e rendeu elogios de autores como o americano Warren Ellis, que o definiu como "Uma teia selvagem de sexo, segredos, ódio e intriga maquiavélica. É 'Cores Primárias' (nota: o livro que, via ficção, expõe os podres de Bill Clinton durante sua campanha para governador do Arkansas) de mau humor."
Kawaguchi não é o único. Um exemplo tão claro quanto é "O Primeiro Presidente do Japão", de Yoshiki Hidaka e Ryuji Tsugihara. Uma das séries mais interessantes publicadas pela finada antologia Raijin Comics na terra do Tio Sam, "O Primeiro Presidente" é a história de um primeiro-ministro japonês que, pela primeira vez na história, é eleito pelo voto direto – sendo apelidado, sim, como "Primeiro Presidente do Japão". No entanto, ele assume o poder em uma época tempestuosa, onde a Coréia do Norte começa a colocar suas garras de fora e há desgaste político entre Japão e Estados Unidos.
SanctuaryO fato é que política é um tema universal entre os povos. Onde houver um personagem em posição de mando, há uma abertura para exposição do tema. O encontramos de forma visível em um quadrinho como o extraordinário Sanctuary, de Sho Fumimura e Ryoichi Ikegami, publicado pela Conrad e desgraçadamente pouco lido. Nele, o thriller político se mistura com o drama de gângsters, em uma história cujo tema é a ascensão conjunta de um político e de um criminoso que, juntos, querem mudar a face do Japão. Sanctuary chegou a ganhar um longa-metragem dirigido por Yukio Fuji, com Hiroshi Abe no papel de Chiaki Asami e Toshiya Nakasawa no papel de Akira Hojo. E não custa lembrar que se o "Serviço do Silêncio" de Kawaguchi ganhou um especial de televisão e uma curta série de animações para vídeo, o fato é que de modo geral o destino desse tipo de quadrinho é o cinema – como foi o caso da série de Fumimura e Ikegami.
Não custa lembrar que a abordagem do sexo e da violência neste último título não é diferente da encontrada nas mãos de um autor como, digamos, Mario Puzo. Uma lida em "O Poderoso Chefão" mostra que o livro em si não é muito mais ou menos pesado do que o que se encontra em Sanctuary nesse quesitos – na verdade, em termos de sexo, o "Chefão" é até bem mais gráfico quando esse tipo de cena é por Puzo descrita.

Quadrinho, Literatura de Massas

Shima KosakuO ponto é que no Japão, o quadrinho ocupou o espaço destinado a literatura de massas – e isso ocorreu numa época onde a literatura japonesa em si se voltava a uma linguagem intimista e menos acessível. Com isso, leitores adultos passaram a migrar para o quadrinho como forma de encontrar os temas e enredos que antes acompanhavam. Se Kawaguchi ocupou um nicho que nos Estados Unidos pertenceria a um Clancy, um autor de horror como Junji Ito ocupa o mesmo nicho que pertenceria a um Stephen King. Uma série completamente obscura para o fandom ocidental como Kacho Shima Kosaku, de Kenshi Hirokane, não diz absolutamente nada para a maioria dos leitores médios de mangá no ocidente; no Japão, a história de um executivo de 34 anos que ascende na profissão (enquanto seu casamento vai pro buraco) vendeu mais de 8 milhões de exemplares durante sua serialização na antologia Morning da Kodansha, de 1983 a 1992, para um público alvo de perfil adulto, masculino, corporativo e cujo equivalente no Brasil deve estar lendo revistas como a Vip e a Exame. Não é material para estudantes de segundo grau. Não é material para fãs hardcore. É material para leitores adultos, de poder aquisitivo e com vontade de ler sobre algo mais próximo de seu mundo. Não custa lembrar que essa série também teve duas continuações. Dificilmente um material como este, que aos olhos de um adolescente tem um perfil "chato", teria tanto fôlego se não tivesse atrativos.
seinenNão é a toa que metade da produção japonesa é dedicada para adultos. Os quadrinhos infantis conquistam os leitores, os quadrinhos adolescentes exploram sua capacidade de consumo ao máximo, e dez anos depois... os leitores de quadrinhos adolescentes não serão mais adolescentes. Migrarão para revistas seinen como a Young Jump ou a Young Animal, e estarão se dividindo. Mais alguns anos e os leitores de uma Animal migrarão para uma Morning ou a Afternoon, de acordo com seu perfil. Com o tempo, se fragmentarão cada vez mais – e é por isso que nenhuma dessas séries parecem vender tanto quanto os sucessos juvenis da Jump ou da Nakayoshi. O tempo passa e sempre traz novos rumos na vida de uma pessoa. E serão estes rumos que o definirão como leitor também.
Para os leitores que um dia acompanharam Naruto fidedignamente, essa série será uma ótima lembrança de sua juventude. Mas mesmo que toda a coleção completa de tanko-hons do nosso ninja favorito esteja completa em sua estante, espera-se que eles leiam outra coisa. Para que o quadrinho não seja apenas "coisa de criança", ele também tem que crescer com o leitor.
Para a frente é que se anda.


Posts similares:
40 anos de Golgo 13 na Big Comic
Clássico de Takao Saito Relançado no Japão
Nova Série Policial na Big Comic

Endereço de trackback para este post:

http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/37598

Comentários, Trackbacks:

Nome: Pedro Henrique 06/09/09 09:35
Que beleza a chegada de Golgo 13 no Brasil. Como você disse acima, é gibi pra gente adulta, que não tem na cabeça os estereótipos dos manga otaku, assim como não fica assistindo comédias açucaradas americanas a não ser que esteja com a namorada.

Eu posso dizer que meu manga "Naruto" da adolescência seriam três séries: Cavaleiros, Dragon Ball Z e Yu Yu Hakusho. E como dito, os gostos mudam: eu já não consigo gostar muito dos Shonens porrada, justamente porque os temas não me interessam mais tanto quanto antigamente. Os três que eu citei continuam no meu gosto pela questão nostalgia. Naruto eu li só o primeiro volume, é legalzinho, mas o público é outro. Por isso odeio essas discussões manés em comunidades de orkut falando que Cavaleiros e os outros eram a última bolachinha do pacote, e que hoje só tem porcaria como Naruto, só porque veem umas crianças com bandana do desenho. Como se não simulassem lutas com os amigos ou brincassem adoiado com os bonequinhos dos Cavaleiros do Zodiaco.

Alexandre: Eu acho Naruto legal, mas é um produto infanto-juvenil e deve ser visto dessa forma. Não é mais para mim. Podemos gostar de produtos que não são dirigidos para nós, mas temos que tratá-los com a devida proporção. Nostalgia é uma faca de dois gumes, e pode nos levar a agir como um velhote ranheta – no fundo o que você fala é o mesmo sintoma que levava ao troféu imprensa premiar Pica-Pau como melhor desenho todo ano a fio (além do fator puxa-saquismo ali). Mas o ideal é isso, você crescer e a medida em que seus interesses mudam, procurar material novo para ler, mais adequado a seus novos interesses. O mercado japonês se construiu nesse sentido e acredito que deveríamos fazer o mesmo.

Nome: Pedro Bouça 06/09/09 09:54
Excelente artigo e excelente novidade, Alexandre! Golgo 13 é uma das melhores coisas que poderia acontecer ao mercado brasileiro. Espero que faça mais sucesso do que Monster ou Sanctuary, porque essa é uma série que eu gostaria de ver durar.

Só uma coisa, a melhor tradução para Silent Service seria Serviço Silencioso. Como são detectados pelos sons que emitem, os submarinos, como o que aparece no mangá, precisam "trabalhar em silêncio" (ou seja, com o mínimo de ruído em suas máquinas) para evitar detecção, daí a expressão.

Aliás, é outra série que eu gostaria de ler um dia desses, mas ela ainda não parece ter dado as caras fora do Japão...

Um abraço,
Hunter (Pedro Bouça)

Alexandre: Obrigado, Hunter. Eu também gostaria de ler "O Serviço" por aqui, mas sendo realista: é uma série de 32 volumes. Eu vejo dificuldades para uma série tão longa se segurar assim de cara nas livrarias – porque isso não venderia em banca por aqui nem morto. Mesmo se reunirmos vários volumes em um só, seria longo. Eu optaria por Medusa, que fala sobre os confrontos estudantis no final dos anos 60 no Japão, tem doze volumes mas em livraria poderia ter uma edição que reunisse dois volumes em um só – seis volumes seria palatável – ou mais certeiramente Eagle, que já foi publicado em vários países e poderia ter um bom retorno de divulgação nos cadernos culturais de jornais.
Nome: R. Moss 06/09/09 12:17
Artigo muito legal, mas tenho uma pergunta diferente:

Golgo 13 (se bem sucedido na JBC) poderia abrir caminho para que? Novos quadrinhos adultos na JBC ou quem sabe outros "melhores momentos" de mangás gigantescos (como Oishinbo e Kochi Kame).

E se Golgo 13 emplacar, até onde você acha que a JBC vai insistir com a série?

Alexandre: Acredito que o caminho natural da JBC caso Golgo emplaque é expandir sua presença em livrarias, com materiais mais adultos e que possam ter sobrevida nelas. E talvez até materiais não tão adultos, se pensarmos bem.
Nome: Pedro Bouça 06/09/09 12:34
Bem, Alexandre. Na verdade eu tenho esperanças de que o Silent Service fosse publicado na França, aí eu poderia comprar.

No Brasil eu poderia apostar dinheiro em como ele jamais será publicado...
Nome: Yukino 06/09/09 02:56
Ufa, finalmente acabei de ler...A matéria como sempre, foi ótima. Quanto ao lançamento da JBC, foi algo muito inesperado, e na minha opinião, é bom pro mercado. Estratégia melhor que essa (Poucos volumes, só pras livrarias e lojas especializadas) não tem, e isso com certeza abre mais portas pra que um dia mais coisas assim possam chegar aqui. ótima iniciativa, só duvido que o público irá responder à altura.

Alexandre: Obrigado, Yukino. Bem, quanto ao desempenho, está nas mãos da JBC: depende de marketing, de enviar press releases a meios de comunicação, de distribuição... é com eles. Só sei que com certeza eu vou comprar: se o tratamento for bom, eu elogio; se for ruim, eu meto o cacete; mas que vou comprar, eu vou.
Nome: Pedro Henrique 06/09/09 05:01
"Podemos gostar de produtos que não são dirigidos para nós, mas temos que tratá-los com a devida proporção."

Pra você ver, eu acompanhava religiosamente Sakura Card Captors no Cartoon, e até hoje gosto pra caramba do anime (o manga é chato). E vendo as coisas que normalmente gosto, de longe não é um produto alvo pra mim.

"O mercado japonês se construiu nesse sentido e acredito que deveríamos fazer o mesmo."

Se formos analisar, nosso mercado atual de mangas começou em 2000, 2001 (por mais que tenhamos tido Akirá, Lobo Solitário e Mai nos anos noventa). Acho que ele está se desenvolvendo num bom ritmo, se expandindo com mais força nas livrarias do que antes.
Nome: Marcelo Santarem 06/09/09 07:58
Impressão minha ou você já mexeu na matéria, tirando Kochikame como o mangá mais longo de todos os tempos? Porque, de fato, esse posto pertence a... Doraemon, não?...

Alexandre: Mexi realmente na matéria porque não iria jogar esse material no ar sem o mínimo de atualização e revisão. Mas o que torna Kochikame e Golgo os campeõess são seu número de volumes. E Doraemon, bom dizer, não conta, porque ele tem diferentes séries (como o Doraemon em si, o Daichonen Doraemon, o Doraemon Plus, um de beisebol dele que não lembro o nome agora... – ou seja, se formos contar todas as séries do Doraemon, ele até tem mais. Mas o Kochikame em si é uma série que nunca parou. Quando o Osamu Akimoto e o Takao Saito se aposentarem, eles morrem uns meses depois, que nem o Charles Schultz. Não imagino outra razão de ser na vida deles).
Nome: Warty 06/09/09 09:09
Ótima matéria. Parabéns.

E bem, concordo em muito com o que se disse nela. E torço pra que Golgo 13 dê certo por aqui. Se a JBC falhar nessa, nada mais clássico essa editora lança. Lembrando que ela não foi muito feliz com A Princesa & o Cavaleiro (devido a diversos fatores ;p).

Mas como você disse, cabe a JBC lutar por isso. Lançar em livraria e com luxo já foi bom. Agora precisa conquistar um público. Porque otaku nem chega perto disso. Espero que dê certo mesmo. Ao menos minha parte estarei fazendo, é compra na certa!
Nome: Carlos Eduardo 06/09/09 09:13
Parabéns pela excelente matéria, tive que dar umas paradas para relaxar um pouco mas li o texto todo.

Como comentaram acima acredito também que o nosso mercado está caminhando no passo certo, a quantidade publicada reflete o nosso poder aqusitivo e a qualidade do material reflete nosso amadurecimento como leitores. O que eu me pergunto é, será que algum dia nós conseguiremos fazer o mesmo com material nacional? Será que o material para adolescentes e adultos vai surgir de forma viável economicamente?

Só discordo de você em um ponto, Sidney Sheldon está muito mais para um Osamu Tezuka do que qualquer outro mangaká, o Sheldon tem aquele estilo que lembra um pouco o shoujo mais maduro, entra no josei mas que poderia ser classificado também como seinen em boa parte dos momentos. Na parte do terror um bom exemplo também seria o Robin Cook, no mundo dos negócios/advocacia John Grisham. A descrição do Takao Saito em certos aspectos me lembrou a Agatha Christie, sempre a mesma base, a fórmula do mistério ali onipresente mas sempre diferente.
Nome: Marcelo Santarem 07/09/09 03:58
Registre-se que esse anime que abre a matéria foi lançado, sim, no Brasil, pra home video, lá pelo fim dos 80, início dos 90. Seria o caso de a JBC incluí-lo (e os outros) como parte duma estratégia de divulgação do título junto ao público mais amadurecido e chegado a um entretenimento “macho” nas horas vagas.

Alexandre: É uma grande idéia. Uma parceria com a JBC e a empresa que o relançasse poderia valer eventos aonde ele poderia ser exibido. Mas já acho que já foi mais longe do que todo mundo imaginava o lançamento de Golgo no Brasil. Pedir marketing conjunto e plano de divulgação infelizmente tem sido demais de nossas editoras. :(
Nome: Pato_Supersonico 07/09/09 04:50
Parabéns por mais um ótimo post.

As informações apresentadas nesta matéria sobre o processo de desenvolvimento do mercado de mangás no Japão, inclusive a consolidação da indústria de mangás para adultos me chamou a atenção para uma coisa: A indústria brasileira de mangá está começando do meio ao invés do começo.

Está dando aos público adolescente e adulto uma importância maior que ao mercado infantil, que é justamente o mercado mais decisivo para indústria de mangá a longo prazo.

Pelo que pude entender, no Japão o mangá começou como diversão juvenil, que só se tornou universal porque a indústria editorial "mordeu e segurou" seu público, se esforçando para fazer com que seus leitores não perdessem o hábito de ler quadrinhos.

O trecho que fala sobre a "geração pré-mangá" e "geração mangá" nos lembra do fato de que não é preciso ser especialista em marketing para saber que mudar a cabeça de um adulto é bem mais difícil do que moldar a cabeça de uma criança, principalmente quando se trata de preconceitos. Para que as nossas editoras consigam mudar a mentalidade do grande público sobre os mangás, o investimento em publicidade necessário para converter o povão mais velho é proibitivo.

Investir em publicidade juvenil é algo que traz mais resultado, pois os jovens são mais sugestionáveis e desde Freud já se sabe o quanto as impressões que deixamos nas crianças são importantes para a visão de mundo que elas terão quando crescerem.

O que a indústria editoral japonesa tem a nos ensinar neste caso é que, por mais irônico ou contraditório que isso possa parecer, o futuro do mangá adulto no Brasil está nas crianças, pelo fato de que elas um dia se tornarão adultas.

Posto isto, digo que as nossas editoras erram em não planejar visando o longo prazo. Só investem visando retornos imediatos, e com isso estão condenando nosso mercado de mangás a eterna estaganação.

Alexandre: Ótimas considerações. Dito isso, fica a pergunta: Muitos candidatos a quadrinhista no Brasil, influenciados pelo mangá ou não, querem fazer o próximo Naruto por aqui. Alguém, da atual geração, já parou para pensar em fazer o nosso Doraemon para bater de frente com a Mônica? Pensem nisso.
Nome: Quiof 20/11/09 07:05
ninguém pensa em fazer Gekigá ou Kodomo (poderiam criar algo nessa linha ao invés de copiarem Mauricio, Ziraldo e Ely Barbosa), no Brasil é só Shojo e Shonen.

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Set cookies for name, email and url)
(Allow users to contact you through a message form (your email will NOT be displayed.))

Post anterior: Novo Trailer de Negima: Magic WorldPróximo post: Grandes Personagens Históricos do Japão em Quadrinhos, no Jornal Asahi Shinbun


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]