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VIZ, Vidi, Venci: Shueisha e Shogakukan Tomarão a Europa!

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Lancaster | PERMALINK | 6

Categorias: business

Viz

Sim, não tem outro nome isso. A companhia francesa Kaze, que conta com uma distribuidora de dvds de animação japonesa, um selo musical especializado em música pop (Wasabi Records) e trilhas sonoras japonesas, um website de streamline (o Kaze TV), uma editora especializada em mangás (a Asuka), presente na França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Polônia, Holanda e Itália, com expansões nos campos editorial, marketing, comunicação, eventos, distribuição, pós-produção... enfim, essa empresa que está longe de ser nanica, agora é parte oficial do grupo Shonen JumpShoPro – o joint venture formado conjuntamente pela Shueisha e Shogakukan, representado no ocidente pela companhia Viz Media. Isso quer dizer que Shueisha e Shogakukan passarão a editar e distribuir diretamente seus DVDs no velho mundo; difundir seus animes na televisão com acesso a novas plataformas e tecnologias; desenvolver merchandising; editar e difundir seus mangás não apenas em países francófonos, mas ao longo do território europeu. Agora, é a hora da Viz Europa bater de frente com empresas como a Glénat (que tem boa parte das principais licenças da Jump na França). Essa é uma verdadeira porrada – e o maior temor dos editores franceses. Não custa lembrar que a subsidiária européia da empresa japonesa DoComo, especializada em telefonia móvel, fez um acordo com a Viz Européia, que estava quietinha e agora está dando seu bote, começou em junho o seu serviço de download de mangás para celular, na França, Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha, disponibilizando muita coisa boa da Shueisha e Shogakukan. Na verdade esse foi apenas um primeiro passo. Basta lembrar das licenças que não foram renovadas com a Tokyopop alemã, da Kodansha, sinalizando que ela deve entrar no continente. Mas a Viz/Shopro se antecipou, e está prestes a fazer o mesmo que fez nos Estados Unidos. A guerra começou e a Europa é o palco da batalha: Hoje a Viz Europa também anuncia a aquisição da companhia suíça Anime Virtual, que tem subsidiárias na Alemanha (a distribuidora de dvds AV Visionen), Polônia e Suécia. É uma ofensiva total – e que vai mudar muita coisa daqui para a frente.


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Comentários:

Nome: Pato_Supersonico 28/08/09 04:31
Toquem as sirenes! Combatentes a seus postos! A Primeira Guerra Mundial dos mangás começou!

É certamente um ótimo negócio para as editoras japonesas, já que a Europa sempre demostrou um potencial muito grande para a expansão do mercado de Mangás.

Vai ser interessante ver como os mercados editoriais de cada país irão reagir a essa invasão.

Alexandre: Bom, a França já é o segundo maior mercado para os mangás no Japão – e também é o segundo maior mercado de quadrinhos no mundo. Um volume de Largo Winch pode chegar a casa dos milhões. O que acontece é que o mangá já responde por 40% do mercado francês, pelas editoras locais. O que vai acontecer é competição em alto grau – acredite, as editoras francesas não devem nada às japonesas em poder econômico dentro de casa. E não pense que eles andam investindo em mangá local à toa: a invasão já era prevista.
Nome: Carlos Eduardo 28/08/09 09:05
Pois é, não vai dar para as editoras francesas competirem... Imagine o quanto as editoras japonesas não vão conseguir baratear os custos dos mangás? Sem licenciamento nem nada, só escolher o que lançar e pronto. Desleal, mas fazer o quê, a vida nem sempre é justa.
Nome: Pato_Supersonico 30/08/09 02:32
Eu acho que vai dar sim, pois as editoras francesas são competentes.

A França não é um dos maiores mercados de quadrinhos do mundo por pura sorte de seus editores, pois os mercados (exceto os de produtos básicos) não nascem sozinhos, um mercado é uma coisa que se cria e se cultiva. No caso, foi criado pelos editores franceses.

Se eles conseguiram transformar seu povo no segundo maior mercado de quadrinhos mesmo tendo um população (60,7 milhões) que corresponde a metade da população do Japão (126,9 milhões) e não chega a um quarto da dos EUA (295,7), pode apostar que eles não são tanga-frouxa como os editores americanos. Certamente irão planejar uma reação e procurar alternativas, que, no caso deles, são muitas.

Outra coisa a considerar é que não será fácil para os japoneses. Com o licenciamento, a empresa local parceira é quem arca com todo o trabalho de explorar o mercado e os japoneses apenas forneciam o conteúdo e chupavam o din-din. Se os japoneses agora vão assumir a frente do negócio, terão que comprar briga com antigos aliados, liberar dinheiro do próprio bolso, e o mais difícil, encarar pessoalmente uma realidade diferente.

Os japoneses são persistentes e tem muita bala da agulha, por isso eu não tenho dúvida de que a invasão deles será bem sucedida, mas isso não significará que a indústria francesa irá minguar, pois diferente da nossa, a indústria de lá não cresce apoiada apenas nos mangás. No começo a briga vai ser feia, mas cedo ou tarde todos vão achar seu lugar (seu público cativo) e se acomodar nele.

A única certeza é que as coisas vão ficar bastante bagunçadas por lá por uns tempos. Isso é bom em um certo sentido, pois quando a concorrência fica acirrada, os consumidores ganham muito.

Que vença o melhor.
Nome: Pedro Bouça 30/08/09 08:10
Na verdade os mangás na França são bem baratinhos - ainda mais levando em conta que têm papel e impressão de qualidade, não existe JBC francesa!

Agora, baratos ou não é importante frisar que nenhum mangá vende ainda no nível das séries de álbuns francesas de maior sucesso (Asterix, Titeuf, XIII, Largo Winch), que custam BEM mais caro!

Até o momento, os mangás têm vendido mesmo para o segmento adolescente na França. A criançada prefere o material local (e ninguém bate os franceses em termos de quadrinho infantil de qualidade) e, apesar da vasta gama de mangás adultos disponíveis por lá, o pessoal mais velho tende a comprar mais o quadrinho adulto francês do que o mangá.

Por fim, mesmo no material adolescente a concorrência na França é forte. A série francesa de maior sucesso com esse público, Lanfeust, vende por álbum o dobro do que vende um volume de Naruto.

Sempre houve uma dicotomia entre quadrinho caro e barato na França. Só que nos velhos tempos o material barato em P&B costumava vir da Itália (Boneli e cia.) e Inglaterra (séries de bolso inglesas que vocês nunca devem ter ouvido falar, como Battler Briton ou Steel Claw). Esse material foi varrido do mapa nos anos 80 e acabou sendo substituído pelos mangás. A grande diferença é que estes eram publicados pelas mesmas grandes editoras que publicam o material tradicional. Agora vai voltar a haver uma dicotomia entre editoras de material caro e barato.

Da última vez que isso aconteceu, quando a França era menos rica e os quadrinhos menos valorizados como arte, o material "caro" venceu. Vamos ver o que acontece agora.

Hunter (Pedro Bouça)
Nome: Pato_Supersonico 31/08/09 04:30
A burocracia e o sistema tributário francês são bem mais racionais que seus equivalentes brasileiros, então lá na França é possível vender material barato de qualidade.

E se o que você disse, caro Pedro Bouça, é verdade, então temos mais motivos para creditar que, se existe um mercado editorial capaz de encarar os "invasores" japoneses, este sem dúvida é o françês.

O que acontecer na Europa agora, especialmente na França, será uma grande fonte de lições para nós. Se o mercado latino-americano de mangá vier a crescer, cedo ou tarde também atrairá os japoneses, e caso isso aconteça, as lições e experiências das editoras européias, especialmente as francesas, nos será de valor inestimável.
Nome: R. Moss 01/09/09 02:04
Acho até que demorou essa invasão.
Só espero, olhando beeeem de longe, que deem um jeito de publicar Karakuri Circus na íntegra (Nem que seja em papel higiênico), pois é minha única chance de ler, e entender, toda a série.

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