Busca
Ago 28
VIZ, Vidi, Venci: Shueisha e Shogakukan Tomarão a Europa!
Compartilhe:
Lancaster |
PERMALINK |
6
Categorias: business
![]()
Sim, não tem outro nome isso. A companhia francesa Kaze, que conta com uma distribuidora de dvds de animação japonesa, um selo musical especializado em música pop (Wasabi Records) e trilhas sonoras japonesas, um website de streamline (o Kaze TV), uma editora especializada em mangás (a Asuka), presente na França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Polônia, Holanda e Itália, com expansões nos campos editorial, marketing, comunicação, eventos, distribuição, pós-produção... enfim, essa empresa que está longe de ser nanica, agora é parte oficial do grupo
ShoPro – o joint venture formado conjuntamente pela Shueisha e Shogakukan, representado no ocidente pela companhia Viz Media. Isso quer dizer que Shueisha e Shogakukan passarão a editar e distribuir diretamente seus DVDs no velho mundo; difundir seus animes na televisão com acesso a novas plataformas e tecnologias; desenvolver merchandising; editar e difundir seus mangás não apenas em países francófonos, mas ao longo do território europeu. Agora, é a hora da Viz Europa bater de frente com empresas como a Glénat (que tem boa parte das principais licenças da Jump na França). Essa é uma verdadeira porrada – e o maior temor dos editores franceses. Não custa lembrar que a subsidiária européia da empresa japonesa DoComo, especializada em telefonia móvel, fez um acordo com a Viz Européia, que estava quietinha e agora está dando seu bote, começou em junho o seu serviço de download de mangás para celular, na França, Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha, disponibilizando muita coisa boa da Shueisha e Shogakukan. Na verdade esse foi apenas um primeiro passo. Basta lembrar das licenças que não foram renovadas com a Tokyopop alemã, da Kodansha, sinalizando que ela deve entrar no continente. Mas a Viz/Shopro se antecipou, e está prestes a fazer o mesmo que fez nos Estados Unidos. A guerra começou e a Europa é o palco da batalha: Hoje a Viz Europa também anuncia a aquisição da companhia suíça Anime Virtual, que tem subsidiárias na Alemanha (a distribuidora de dvds AV Visionen), Polônia e Suécia. É uma ofensiva total – e que vai mudar muita coisa daqui para a frente.
Posts similares:
Novo canal por Assinatura dedicado a Anime...
Vem aí... Shonen Sunday Pela Viz.
Naruto, Bleach e Death Note em streamline
Post anterior: Parceria de Canal Esportivo Por Assinatura e Mangá de Ciclismo Gera LicenciamentosPróximo post: Um Ano de Maximum Cosmo


Endereço de trackback para este post:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/37410Comentários, Trackbacks:
É certamente um ótimo negócio para as editoras japonesas, já que a Europa sempre demostrou um potencial muito grande para a expansão do mercado de Mangás.
Vai ser interessante ver como os mercados editoriais de cada país irão reagir a essa invasão.
Alexandre: Bom, a França já é o segundo maior mercado para os mangás no Japão – e também é o segundo maior mercado de quadrinhos no mundo. Um volume de Largo Winch pode chegar a casa dos milhões. O que acontece é que o mangá já responde por 40% do mercado francês, pelas editoras locais. O que vai acontecer é competição em alto grau – acredite, as editoras francesas não devem nada às japonesas em poder econômico dentro de casa. E não pense que eles andam investindo em mangá local à toa: a invasão já era prevista.
A França não é um dos maiores mercados de quadrinhos do mundo por pura sorte de seus editores, pois os mercados (exceto os de produtos básicos) não nascem sozinhos, um mercado é uma coisa que se cria e se cultiva. No caso, foi criado pelos editores franceses.
Se eles conseguiram transformar seu povo no segundo maior mercado de quadrinhos mesmo tendo um população (60,7 milhões) que corresponde a metade da população do Japão (126,9 milhões) e não chega a um quarto da dos EUA (295,7), pode apostar que eles não são tanga-frouxa como os editores americanos. Certamente irão planejar uma reação e procurar alternativas, que, no caso deles, são muitas.
Outra coisa a considerar é que não será fácil para os japoneses. Com o licenciamento, a empresa local parceira é quem arca com todo o trabalho de explorar o mercado e os japoneses apenas forneciam o conteúdo e chupavam o din-din. Se os japoneses agora vão assumir a frente do negócio, terão que comprar briga com antigos aliados, liberar dinheiro do próprio bolso, e o mais difícil, encarar pessoalmente uma realidade diferente.
Os japoneses são persistentes e tem muita bala da agulha, por isso eu não tenho dúvida de que a invasão deles será bem sucedida, mas isso não significará que a indústria francesa irá minguar, pois diferente da nossa, a indústria de lá não cresce apoiada apenas nos mangás. No começo a briga vai ser feia, mas cedo ou tarde todos vão achar seu lugar (seu público cativo) e se acomodar nele.
A única certeza é que as coisas vão ficar bastante bagunçadas por lá por uns tempos. Isso é bom em um certo sentido, pois quando a concorrência fica acirrada, os consumidores ganham muito.
Que vença o melhor.
Agora, baratos ou não é importante frisar que nenhum mangá vende ainda no nível das séries de álbuns francesas de maior sucesso (Asterix, Titeuf, XIII, Largo Winch), que custam BEM mais caro!
Até o momento, os mangás têm vendido mesmo para o segmento adolescente na França. A criançada prefere o material local (e ninguém bate os franceses em termos de quadrinho infantil de qualidade) e, apesar da vasta gama de mangás adultos disponíveis por lá, o pessoal mais velho tende a comprar mais o quadrinho adulto francês do que o mangá.
Por fim, mesmo no material adolescente a concorrência na França é forte. A série francesa de maior sucesso com esse público, Lanfeust, vende por álbum o dobro do que vende um volume de Naruto.
Sempre houve uma dicotomia entre quadrinho caro e barato na França. Só que nos velhos tempos o material barato em P&B costumava vir da Itália (Boneli e cia.) e Inglaterra (séries de bolso inglesas que vocês nunca devem ter ouvido falar, como Battler Briton ou Steel Claw). Esse material foi varrido do mapa nos anos 80 e acabou sendo substituído pelos mangás. A grande diferença é que estes eram publicados pelas mesmas grandes editoras que publicam o material tradicional. Agora vai voltar a haver uma dicotomia entre editoras de material caro e barato.
Da última vez que isso aconteceu, quando a França era menos rica e os quadrinhos menos valorizados como arte, o material "caro" venceu. Vamos ver o que acontece agora.
Hunter (Pedro Bouça)
E se o que você disse, caro Pedro Bouça, é verdade, então temos mais motivos para creditar que, se existe um mercado editorial capaz de encarar os "invasores" japoneses, este sem dúvida é o françês.
O que acontecer na Europa agora, especialmente na França, será uma grande fonte de lições para nós. Se o mercado latino-americano de mangá vier a crescer, cedo ou tarde também atrairá os japoneses, e caso isso aconteça, as lições e experiências das editoras européias, especialmente as francesas, nos será de valor inestimável.
Só espero, olhando beeeem de longe, que deem um jeito de publicar Karakuri Circus na íntegra (Nem que seja em papel higiênico), pois é minha única chance de ler, e entender, toda a série.
Deixe seu comentário: