Submarino.com.br

Artigos

Do Crescimento do Mangá Global


Outros Artigos e Reviews de Interesse



Perguntando aos Leitores


Entrevistas


Comentarios Recentes


Posts Recentes




Busca

Ago 24

Ranking da Taiyosha (JP) – 23/08/2009

Compartilhe: Delicious Digg technorati Stumble Upon Twitter Creative Commons License

Lancaster | PERMALINK | 0

Categorias: rankings

Doraemon

Um toque: enquanto as listas para garotos e para adultos seguem sua trajetória comercial tradicional, a lista infantil, que costuma ser ignorada no ocidente, está sendo interessantemente virada pelo avesso com o lançamento das obras completas de Fujiko F. Fujio: clássicos do tempo do Dom João e Charuto nos quadrinhos estão sendo alçados a campeões de vendagem no segmento, e esta semana, o campeão nada mais é do que a nova edição do primeiro volume de DORAEMON! E sinceramente, isso é simultaneamente espetacular e preocupante. Espetacular porque mostra que esses trabalhos não envelheceram, continuam vivos no coração dos Japoneses e mostram firmeza para as novas gerações. Preocupante porque também aponta para o negligenciamento do quadrinho infantil na última década, que passou a ser ligada em excesso a videogames e franquias pré-existentes (a Coro-Coro praticamente se tornou uma revista de adaptações de personagens de jogos – e pior, é difícil questionar a editora por isso, porque ela estava perdendo leitores e sinaliza para um não-funcionamento das antigas fórmulas para as novas gerações de crianças. Graças a esse movimento, ela não teve o mesmo destino da Comic Bonbon, por exemplo). Mas o que importa é: são materiais que permaneceram, e ele aponta que talvez seja uma hora de renovação nos quadrinhos infantis – e que talvez haja espaço para novas idéias. Mas como fazer isso se as antologias infantis estão cada vez mais dependentes de suas associações com franquias e os melhores títulos "para todas as idades" tem aparecido paradoxalmente em revistas para adultos?

Shonen/Para garotos

01. Detetive Conan 65 (Shogakukan)
02. Azumanga Daioh 3 (Shogakukan)
03. Full Metal Alchemist 23 (Square Enix)
04. Ace of Diamond 17 (Kodansha)
05. Sayonara Zetsubou Sensei 18 (Kodansha)
06. Area no Kishi 17 (Kodansha)
07. Code: Breaker 6 (Kodansha)
08. Naruto 47 (Shueisha)
09. Shinyaku Kyojin no Hoshi Hanagata 15 (Kodansha)
10. Maou Juvenile Remix 10 (Shueisha)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Capeta 20 (Kodansha)
02. Liar Game 9 (Mag Garden)
03. Sangatsu no Lion 3 (Hakusensha)
04. 81 Diver 12 (Shueisha)
05. Linebarrels of Iron 13 (Akita Shoten)
06. Adamas 3 (Kodansha)
07. Countach 17 (Shueisha)
08. VITA Sexualis 2 (Akita Shoten)
09. Piano no Mori – The Perfect World of Kai 16 (Kodansha)
10. Touhou Bougetsushou - Tsuki no Inaba to Chijou no Inaba (Ichijinsha)

Detective ConanA lista para garotos é encabeçada por dois blockbusters da linha Sunday: o bom e velho Detetive Conan, cujo desempenho aqui é extremamente sólido e parece refletir a aproximação do (já publicado) capítulo 7000 da revista. Era de se esperar a derrubada até precoce de Full Metal Alchemist de seu topo por conta dessas circunstâncias. Já o novo volume do requentado e redesenhado Azumanga Daioh, de Kiyohiko Azuma, (eu associo o material a linha Sunday porque sua nova leva de histórias está saindo na Shonen Sunday mensal – e a mudança fez bem a marca em termos de alcance, porque a Shogakukan é uma editora bem mais poderosa em termos econômicos do que a Media Works) mostra que é material popular, aponta para a solidez do formato Yon-Koma (a tirinha de quatro quadros, e antes que alguém torça o nariz, lembrem-se que o eterno Sazae-San era uma tirinha nesses moldes) e pode sobreviver a prova do tempo, após sua conclusão. Fechado o pódio dos três mais, o que temos é o segundo time da linha Shonen Magazine da Kodansha Ace of Diamondem ação, encabeçado pelo quadrinho de beisebol Ace of Diamonds na quarta posição. É curioso, porque eu estava até conversando sobre ele esses dias: ele não tem forças para bater os bem-sucedidos títulos de beisebol da Sunday – tradicionalmente a Magazine impera em esportes de ringue. Mas Diamond tem o mérito de não ser necessariamente surrado, embora não tenha fôlego para ultrapassar a concorrência de Major e Cross Game – e até de seinens como Ookiku Furikabutte da própria Kodansha. Há outros dois materiais de esportes da Magazine na lista: Area no Kishi, um quadrinho de futebol simpático que toma para si as premissas básicas de Touch, de Mitsuru Adachi, jogada para o meio das quatro linhas – não sem alguma dose crítica embutida em relação ao material que o inspirou. Eu já falei dele em postagens sobre rankings anteriores – é só dar uma procurada. Não há realmente o que reclamar dele: é um quadrinho tecnicamente bem-feito, bem escrito, bem desenhado e com personagens bem-conduzidos, claro, mas está longe de ser um quadrinho genial: os autores Kaya Tsukiyama e Hiroaki Igano não são nenhum Adachi. Por outro lado, esse tem melhores chances comerciais por aqui do que qualquer Adachi, o que sempre é uma perda e uma pena. Mas o material esportivo da Magazine mais digno de palavras extras aqui é sem sombra de dúvida Shinyaku Kyojin no Hoshi Hanagata, de Yoshiyuki Muragami.

Kyojin no Hoshi

Não que Hanagata seja exatamente o ó do bobó, a última bolacha do pacote, a oitava maravilha do mundo ou o mangá mais obrigatório do universo: é que ele simplesmente chama atenção para si pelo simples fato de ser uma espécie de remake daquela que é a pedra fundamental por excelência dos modernos quadrinhos de beisebol: o seminal Kyojin no HoshiKyojin no Hoshi, do mestre Ikki Kajiwara e daquele que seria um de seus dois parceiros de trabalho mais recorrentes, Noboru Kawasaki (o outro seria Ken Nakajo; apesar de sua mais importante obra, Ashita no Joe, ter sido desenhada por Tetsuya Chiba, eles nunca chegaram a fazer tantas parecerias assim). Mais conhecida no ocidente pelo nome internacional Star of the Giants, ele praticamente se tornou a pedra fundamental não apenas dos atuais quadrinhos de esportes no Japão (e a série que tornou a Shonen Magazine a gigante número um do mercado, posto que ela manteve até que uma certa Shonen Jump da Shueisha a derrubou do trono em 1975), mas também de muitas das normas que dirigem o próprio shonen em si; podemos encontrar a sombra dessa obra em qualquer shonen de combate em nossos dias, para que se tenha uma idéia. Essa obra marcou a estréia de Kajiwara nos quadrinhos na busca editorial de uma resposta aos quadrinhos influenciados por Osamu Tezuka, em um momento em que as velhas fórmulas não funcionavam mais, autores adultos como Takao Saito, Hiroshi Hirata e Yoshihiro Tatsumi levantavam o gekiga como bandeira e o quadrinho para garotos daquele novo tempo não poderia ser mais o quadrinho para garotos de dez anos atrás. Kyojin no HoshiA ordem não era mais procurar quadrinhos fantasiosos; havia um esforço de se buscar a dor, o suor e o sangue dos esportes na vida real. Kajiwara trouxe uma história pungente naquele ano de 1966, sobre Hoshi Hyuma, um garoto filho de um jogador profissional que, sendo alistado para a Segunda Guerra Mundial, voltou com um dos braços inutilizado e foi forçado a se aposentar – e desconta a frustração no garoto. Este decide se tornar um jogador de beisebol, mas tem que passar por um verdadeiro moedor de carne para alcançar seu objetivo – até hoje, inclusive, os treinamentos com aparelhos para forçar Hoshi a ganhar preparo físico são famosos e ganharam centenas de citações ao longo dos anos nos quadrinhos japoneses, e olha que eles são assustadoramente exagerados. Kyojin no HoshiE claro, surge um rival que tem que ser vencido, inaugurando uma tradição que até hoje hoje é presente nos quadrinhos japoneses. Sasuke em Naruto? Miyata em Hajime no Ippo? Toru Rikishi no Ashita no Joe do mesmo Kajiwara? Aonde há uma grande rivalidade a ser acertada, há a sombra da disputa entre Hyuma e seu grande rival, Mitsuru Hanagata – que também tem um peso de herança paterna a superar e acabou se tornando o personagem mais popular da série.
É justamente Hanagata o astro desse remake, aliás: Shinyaku Kyojin no Hoshi Hanagata reconta a história do ponto de vista do maior rival de Hyuma, colocando este no banco de trás dos coadjuvantes e passando a bola de protagonista para o grande rival. Interessante? É, com certeza. Bem-feito? Sem sombra de dúvida. Uma boa idéia? Talvez não. Para começar, a história foi atualizada – o que em si não tem nada de errado, mas como corre paralelamente com uma história produzida em 1966, em um Japão durante a árdua recuperação do pós-guerra, as coisas ficam parecendo muito fáceis para Hanagata (visualmente irreconhecível em relação ao original, mas isso não faz diferença fora do Japão), e seus dramas muito menores. A impressão que os materiais de Kajiwara sempre deram foi de que na melhor das hipóteses os seus personagens tinham que carregar o peso do mundo em suas costas, mesmo que esse peso fosse apenas psicológico; A trajetória de Hyuma Kyojin no Hoshi(que na atual versão realmente está parecendo o Naruto de cabelo preto) passava por pauladas emocionais que só a geração de autores como Kajiwara sabia como dar – porque eles sentiram isso na carne: desculpem a minha grosseria, mas a julgar pelos quadrinhos da época, tudo indica que a situação do Japão naqueles idos de 1966 estava uma merda de dar gosto para o cidadão comum – e nesse contexto, Hanagata como personagem sai esvaziado; comparativamente ele não parece ter tido problemas de verdade. É o peso do nível: para quem traça uma linha direta com uma hipotética disputa entre Nilton Santos e Garrincha (não, não sou botafoguense), não dá para se contentar com Robinho e Kaká.
E para aqueles que como a maioria dos seres humanos no ocidente jamais leram Star of the Giants? Bem, a história funciona, mas aí ela sofre por outro motivo: muito do que foi plantado por Kajiwara em mais de uma década nos quadrinhos para garotos acabou sendo absorvido por Kyojin no Hoshi geração atrás de geração de quadrinhistas e devidamente reutilizado e diluído. Ele traz toda a visibilidade dessa diluição: nada parece mais novo. Muragami é altamente competente e faz justamente isso: material altamente competente, mas duvido que alguém vá se surpreender com o que está lá – sem falar que ele dificilmente vai soar tão verdadeiro para um leitor novato quanto o original soou para os garotos da mesma idade nos anos sessenta. É melhor correr atrás de Major, da Sunday, que talvez seja o herdeiro da vez do Star of the Giants original.
Os esportes encabeçam a lista para adultos, que está bem melhor e mais sólida do que a triste semana anterior. De material otaku, só o pseudo-erótico Vita Sexualis, que sai na Champion Red Ichigo – a revista mais voltada ao fã hardcore da Akita Shoten, e o mimimi meloso de Touhou Bougetsushou - Tsuki no Inaba to Chijou no Inaba – tanto título para tão pouca coisa: Menininhas com orelhas de coelho para marmanjos que nunca tiveram infância. Piano no MoriOu seja – de modo geral, as vendagens foram boas, porque material de fã hardcore tem vendagens limitadas e sua presença excessiva significa que nada mais popular vendeu tanto para ultrapassar o material com desempenho calculadamente restrito. Capeta deveria estar na verdade na listagem para garotos: é material de esportes de boa cepa, focado no automobilismo e com roteiro e personagens muito bem-construídos, publicado no almanaque Shonen Magazine Mensal – que me parece ter mais estofo do que a Shonen Magazine semanal atualmente. É ela quem publica o meu atual quadrinho favorito de aventura, Tekken Chinmi Legends, mas como ele não está nesta listagem (infelizmente), não vou me deter sobre ele. O sólido Liar Game está impulsionado pelo bom desempenho de sua versão televisiva que ganhará nova temporada. O drama cotidiano Sangatsu no Lion da autora Chica Umino segura com galhardia a medalha de bronze de uma semana que tem materiais voltados a fãs de automóveis (Countach), robôs gigantes (Linebarrels of Iron) e dramas interessantes como Piano no Mori, que conta a saga de dois amigos – um filho de prestigiados músicos, outro nascido na pobreza, ambos unidos por sua grande paixão pela música. Enfim, uma boa semana no geral – e levando em conta o que foi a lista para adultos na semana passada, é ganho. De longe.


Posts similares:
Duelo de Gigantes
32 Anos de História da Corocoro
Ranking da Taiyosha (JP) – 15/03/2009

Related Posts with Thumbnails

Comentários:

Sem Comentários para esse post ainda...

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Set cookies for name, email and url)
(Allow users to contact you through a message form (your email will NOT be displayed.))

Post anterior: Kenichi ao Gosto do FreguêsPróximo post: Nova Série do Autor de Dragon Zakura na Evening