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Ago 22
Das Profundezas do Inferno...
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Lancaster |
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Categorias: otaku

As vezes não há como evitar dizer isso: certos tipos de público são uma desgraça. A revista Comic High da editora Futabasha, que surgiu sob o duvidoso discurso editorial de uma revista shoujo (para meninas) voltada ao público masculino, e que na verdade usou isso como desculpa para ser mais uma das revistas de perfil completamente "otaku moezeiro fã de meninas bonitinhas que viram travesseiro tamanho família" (se eu traduzir o significado disso para língua de gente, vou ser atacado em massa por uma horda hidrófoba) é o lar da abominável série Kodomo no Jikan, que gerou uma quizumba medonha ao quase ser publicado nos Estados Unidos pela editora Seven Seas... e me rendeu uma dor de cabeça imensa quando eu escrevi uma matéria realista sobre o que é realmente essa coisa, na revista Neo Tokyo. Mas esse atentado ao bom-senso fez sucesso no Japão dentro de seu público, e agora ele está ganhando uma versão em radionovela, que vem em um cd de brinde na última edição da revista. O detalhe é que eles falam de "cenas ultra-violentas não vistas em anime", com o selinho "proibido". Lindo, não? Depois quando descemos o cacete nesse tipo de material, é
"miopia conservadora", é puritanismo, é coisa de quem não tem nada o que fazer, os leitores desse tipo de coisa são perfeitamente normais... Kodomo no Jikan, para os sortudos que ficaram de fora dessa e não sabem do que se trata, conta a história de um professor assediado sexualmente por sua aluninha de... oito anos. O tema em si nem chega a ser tanto o problema – uma abordagem séria e menos leviana poderia ser válida. O problema é que este é um material total e descaradamente sensacionalista e fetichista, e a própria chamada do produto dá a entender que os editores sabem disso; a sinopse já diz tudo o que tem que ser dito. Mas não poderia deixar passar batido; afinal, brindes como cds de radionovela são exemplos cabais de um marketing válido para vender quadrinhos. Funciona – mesmo que com o pior que eles tem a oferecer.
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Comentários:
Otakus em geral, inclusive os moezeiros, destinam uma porcentagem maior de seus orçamentos domésticos para alimentar esse seu hobby, e não creio que as editoras japonesas achem essa atitude ruim.
Para mim, público "desgraçado" é aquele público que exige o lançamento de seus títulos favoritos e depois inventam desculpas esfarrapadas para não comprá-los; que reclamam e reclamam do trabalho das editoras e não pensam sobre o trabalho danado delas para trazer estes títulos para nós; que só compram produtos piratas e ainda posam de herós anti-imperialistas; que fazem um monte de exigências egoístas sem se preocupar sobre a viabilidade do comprimento delas, e coisas afins. Isso sim é um "público desgraçado", que exige uma boa dose de paciência, perseverança e um pouco de masoquismo das empresas que trabalham com este tipo de público.
Aliás, isso me lembra o público de uma certa república bananeira cujo nome não estou lembrando agora.
Quando lembrar, posto aqui.
Alexandre: Esses não são uma desgraça, porque sua alcunha é de público maldito.
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