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Ago 11
Algumas Palavrinhas sobre Aflame Inferno – o Novo Mangá Coreano no Brasil
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10
Categorias: manhwa

Tem nova editora no pedaço. A Savana está trazendo quatro mangás novos para o Brasil: dois japoneses (a comédia seinen Tokyo Toybox e o shoujo Unordinary Life – por que colocar um nome em inglês se o material originalmente se chamava Kanojoiro no Kanojo?) e dois coreanos (porque o sentido de leitura não faz diferença: manhwa é mangá coreano e fim de papo), o bem exportado Jack Frost – e a série Aflame Inferno, de Im Dal Young e Kim Kwang Hyun. Os destaques naturais são
Toy Box por ser o primeiro material do gênero a chegar aqui – a comédia adulta, não-erótica, voltada para um público para mais de vinte anos, e não por acaso publicada na antologia Morning, da Kodansha (tenho certeza que se esse material der certo, sua continuação, Giga Tokyo Toy Box ainda em curso, deve aportar em nossas praias); e o citado Aflame Inferno. Mas por que falar dele em especial, já que Toy Box é o mais relevante do pacote pela porta que está abrindo em termos de gênero no mercado?
É que ao lado da comédia maliciosa Unbalance X2, escrita pelo mesmo Dal Young e desenhada por Lee Soo Hyun (e que talvez tivesse sido uma escolha até mais segura, já que material saliente tende a vender bem por aqui), Aflame simplesmente furou o bloqueio ao ser lançado também no Japão e entrou na lista dos dez quadrinhos mais vendidos na categoria seinen um punhado de vezes, desde que começou a ser publicada. Hoje eles tem mais companhia – com a série Freezing, que traz mais uma vez a mesma dupla de Aflame Inferno reunida; e a comédia Demon Princess VS, que também traz de volta Dal Young e seu parceiro em Unbalance. Todos com o mesmo combo que abriu suas portas para o Japão: arte de primeira linha e fêmeas voluptuosas com seios que desafiam a gravidade em meio a cenas altamente dinâmicas. A fórmula que celebrizou autores como Oh! Great, de Tenjho Tenge e Air Gear, diga-se de passagem.

Não é preciso dizer, após todo esse palavrório, que se trata de material para marmanjo. O rótulo está lá: Tchungyun – para leitores maduros. É o equivalente coreano ao rótulo japonês Seinen, e não por acaso, sai no almanaque adulto Booking Comics, da editora Haksan. O seu perfil não é diferente dos dois almanaques seinen mais vendidos do Japão: diferentemente da citada Morning da Kodansha, que são voltados a adultos mais na faixa dos vinte e poucos anos, já
entrando no mercado de trabalho, a Young Jump e a Young Magazine têm um perfil mais universitário, sinalizando que eles ainda consomem material similar ao que consumiam anteriormente, mas que sofreram um ajuste fino em relação às suas percepção de mundo. Essa Jump tem títulos como Zetman, Gantz e Tough, enquanto a Magazine tem Initial D, Karate Shoukoushi Kohinata Minoru e Wangan Midnight. Pensem bem: o que torna esses materiais realmente diferente dos quadrinhos shonen (para garotos) se tirarmos os elementos menos juvenis e mais, digamos, perigosos do pacote?
Os materiais da Booking não são diferentes: foi de lá que veio a árdua série Chonchu, publicada por aqui pela Conrad e deixada incompleta quando seu autor se mandou de mala e cuia para o Japão – mas é para isso que servem as classificações: para garantir que materiais com determinado perfil de público cheguem ao público com esse perfil. O leitor da Young Jump não é o mesmo leitor da Morning e talvez não se interessasse pelo drama corporativo de Shacho Shima Kosaku ou pelo samurai "sério" de Vagabond.
Antologias servem para isso, para fazer sintonia fina de público e achar o seu nicho editorial. Isso acontece também em revistas para garotos – ou acham que o leitor da Shonen Jump é o mesmo leitor da Shonen Magazine no Japão?
Mais: em terras nipônicas, Aflame Inferno, Unbalance, Freezing, Demon Princess e outros são publicados pela editora Kill Time Communication, que espelha as páginas e altera as onomatopéias, como já tive oportunidade de mostrar AQUI. Não discordo deles – afinal deu resultados, mas se for feito o mesmo por aqui os puristas pegam no nosso pé. Em todo caso, como o mangá coreano é lido no mesmo sentido de leitura que o nosso, da esquerda para a direita, não vejo do que reclamar; a Savana estreou com um mix variado e bem escolhido. Acho que eles tem uma boa chance de emplacar de cara com esses materiais – e é importante que um mangá não-japonês, porque é isso o que um manhwa é, consiga mostrar que pode ter um bom desempenho comercial por aqui. Só lamento pelas páginas coloridas – elas são muito bonitas mas devem acabar sendo publicadas em preto-e-branco, em nome do preço de capa.
Ah, sim, sobre a história da série? Bom, teoricamente é uma história de ação sobrenatural, mas no website da editora, Aflame Inferno está sendo apresentado dessa forma: "Muita ação, aventura e sutiãs tamanho GG. Realmente tudo o que a gente queria!!!" E temos que admitir: eles foram honestos. Se é o que você quer, porque você vai perguntar por mais?
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Comentários:
Alexandre: Só devo falar de Tokyo Toy Box depois que ele acabar. É tão curto que provavelmente vai ser melhor assim. Por ora só digo que ele abre uma porta de gênero não-publicado por aqui.
Alexandre: É sim, mas há seinens e há seinens. Até porque assim como não existe uma infância, existem infâncias na vida de uma única pessoa, também há várias fases em uma vida adulta. Um homem aos trinta não é igual ao que ele foi aos vinte. E os direcionamentos individuais de cada antologia refletem isso.
Como ele é diferente dos mangás japoneses? pode ser chamado de mangá também?
Alexandre: Sinceramente, eu não vejo grande diferença entre os mangás coreanos e os japoneses e para mim, manhwa é apenas um rótulo; o que os coreanos fazem é mangá, mesmo. A diferença mais óbvia é o sentido de leitura: eles escrevem como nós, da esquerda para a direita, e seus quadrinhos também são produzidos dessa forma, mais parecida conosco. De um modo geral, eu diria que a grande diferença não é de forma, mas de conteúdo: o coreano, a julgar pelos materiais mais cotidianos, é uma sociedade menos fechada do que o Japonês na hora de mostrar emoções: é possível ver uma moça coreana abraçar um amigo após revê-lo depois de muito tempo e não haver nenhuma "paixão escondida" no pacote, ela estar só abraçando um amigo, por exemplo. Ou seja, o japonês fica trancando suas angústias – o coreano, a julgar pelos manhwas que li, as chora no ombro do alheio. Mas eu acho que isso é algo legal – o mangá sendo usado como forma de expressão e servindo de voz para um ponto de vista que é única e exclusivamente local, ao invés de ser mera imitação do que faz o Japonês.
De resto, demos meio que azar ao trazer material coreano para cá. Há muito material completo e que poderia ser melhor escolhido. Na minha série de artigos dedicados ao mangá global há uma matéria, com participação inestimável da Sett do blog Pavilhão do Chá, referente aos mangás coreanos. Dê uma olhada nela, neste link.
Alexandre: Bom, se todo mundo pensar dessa forma, ninguém deveria abrir uma editora de quadrinhos. Em um cenário como este, o que você pode fazer é se posicionar no mercado com um nicho de público que não está sendo atendido ou que não esteja ocupando tanto espaço e possa dar margem a competição. Material cotidiano para meninas? A Panini tem estado praticamente sozinha nesse território, então ela pode abrir terreno. Comédia para adultos? Porta pedindo para ser aberta. Como não vejo procedência como um fator fundamental para definir qualidade ou sucesso de um produto, posso ignorar o fato de ser coreano como determinante e julgá-los pelo que eles são: Jack Frost é de terror, voltado para um público pós-adolescente e terror tem apelo no Brasil. Ponto. Já Aflame Inferno é um chamariz ambulante: Ação, arte muito bem-feita e fanservice não-otaku para um público masculino. Como eu disse, só lamentarei se as páginas coloridas forem perdidas, que é o que acredito que vá acontecer para que o preço se mantenha no chão.
Ou seja, se o material mais inovador em termos de mercado por aqui der com os burros n'água, ele vai ao menos ser curto.
Vou dar uma chance para Tokyo Toy Box.
E que venham mais títulos. Tem uns coreanos que eu gostaria muito de ver por aqui, como Dangu e Banya.
Esse Jack Frost comprarei com certeza \o
Alexandre: Se mantiverem, sob esse preço, vão merecer palmas.
Graças aos infelizes pacotes com desconto da Conrad e dos vários eventos que baixam os preços, muitos leitores devem esperar essas séries emplacaram por aqui para começarem a comprar, o que seria horrível. Então acho que esses coreanos pelo menos, não irão atingir o público médio dos mangás (o que, de certa forma, é ruim em termos empresariais).
Agora, se a editora realmente almeja outro público, já passou da hora de mirar nele. Acho que uma publicidade via orkut e twitter (-_-) poderia pegar em cheio um público diferente, mas teria que ser uma campanha muito bem pensada, porque não vejo esses títulos fazendo sucesso dentro do nicho criado por aqui. De qualquer forma, parece, de forma muito sutil, que o dono/editor/responsável pela editora fez uma pesquisa e graças a isso não seremos "presenteados" com outros shonen porrada ou mais um shojo escolar.
De início não me animei muito, mas agora pretendo dar uma força comprando esses títulos, pois estou com um olho no futuro, espero que esses títulos abram novas portas por aqui. E claro, espero boa qualidade do material (cansei dos mangás cinzas da JBC e Panini).
Título da Kodansha é quase certo que me agrada, esse é compra certa.
No mais, coreanos vão à praia de roupa. -_-
O mercado para um publico mais velho é tanto uma mina de ouro quanto uma porta para o inferno. Poderia levar o público que lê as comics ler os mangás mais sérios e um publico ja familiarizado com os mangás a comprar as series seinens. Mas o mercado brasieiro de mangás atual sofre com o preconceito por parte dos leitores que acham que todo mangá tem ninjas e cavaleiros lutando por alguma coisa. Ou seja, que o mercado atual visa o publico mainstream (e até certo ponto "infantil"). Ficarei de olho no que vai acontecer.
Alexandre: As suas considerações são bem válidas. Por isso mesmo acho que o melhor que eles tem a fazer é cuidar da própria divulgação. Enviar press-releases a jornais – se bem que pelo que vi, a Folha de São Paulo entrou numa categoria de credibilidade em cheque após o comentário infeliz que algum boitatá plantou sobre Grimms Mangá 2. Mesmo assim, press-releases e exemplares de cortesia para jornais são importantes e necessários em termos de divulgação para um público maior.
De resto, lembre que temos séries seinen nas bancas – mas o histórico delas é irregular. A Conrad plantou materiais como Monster e Sanctuary, como eu cansei de repetir aqui, e quebrou a cara. Por outro lado, a JBC não parece estar tendo motivos para reclamar de Tenjho Tenge. E são materiais tão diferentes quanto água e vinho. A Conrad se arriscou no seinen pós-universitário, de um perfil mais adulto propriamente dito. Tenjho Tenge – assim como Aflame Inferno – é material pós-adolescente, ou seja, não tem grande diferença em relação ao shonen padrão salvo direcionamento etário. É material de transição entre o juvenil e o adulto propriamente dito, e isso é válido. Talvez devêssemos ter mais materiais assim antes de chegarmos a ter um Shima Kosaku algum dia.
Tudo bem que deve estar bem no início, mas eles deveriam se esforçar para deixar uma boa impressão.
Por exemplo, na parte superior, você clica em algumas seções e cai em lugar nenhum. Também tem um tal de "Comsumidor" na parte inferior. (Mas isso pode ser erro de digitação).
Mandei um e-mail falando isso, mas eles já cairam um pouco no meu conceito (e olha que nem lançaram os títulos ainda).
Como revisor e tradutor, tenho horror a erros imbecis por falta de revisão (erro de digitação na hora de comentar em blogs é aceitável =P ), e isso é algo que o público está bem acomodado e que eu não suporto. Então fico na expectativa de que as primeiras edições não contenham tantos erros e que os volumes seguintes sejam perfeitos nesse quesito.
Acho que as editoras deviam investir mais em manhwas,e a Savana está no caminho certo,só precisa corrigir os seus erros já falados.E a Conrad precisa lançar manhwas para outros públicos alvos,lançar 3 manhwas de luta de espada e monstros ao mesmo tem não dá(acho que fui o único "otário"que comprou os 3,e vai completar todos.),epesar de serem parecidos,eu gostei de todos eles.
E o povo atualmente está buscando além de mainstream,nas bancas se vê os populares aos montes,mas devemos pensar que são esses os que dão mais lucros para a editora.E a maiora dos fãs modernos de mangá baixa a maioria dos t´tulos que vê da internet.Um manhwa que parece mainsteam mas é muito bom é Witch Hunter,conheci graças a um amigo que pediu as raws para saber o que acontece(ao menos ver o que acontece.xD).O traço é simplistico mas caí muito bem com o mangá,o mesmo posso dizer da história,mesmo assim ele te prende e faz você querer mais nem faz você parecer um idiota.Recomendo esse mnagá para todos.
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