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Ago 08
Da série "Perguntando aos Leitores": Os Mangás Perderam Intensidade?
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Categorias: Perguntando aos Leitores

Eu topei por acaso em um post do website japonês Akiba Blog que levanta uma questão interessante. Como toda pessoa interessada em mangá já deve ter ouvido em algum lugar, parece haver um consenso de que os quadrinhos japoneses de modo geral perderam intensidade nos dias de hoje, especialmente levando em conta que os materiais de massa já foram muito mais intensos ou inovadores em comparação no passado. E faz sentido. Eu gosto de Hajime no Ippo, mas ele não é
um mangá que simplesmente para a nação a cada capítulo como Ashita no Joe fazia em 1970. A Jump é divertida, e é bem capaz de One Piece ser lembrado no futuro como o título que ditou a cara de uma época – mas isso não é o mesmo que ser lembrado como aquela obra que redefiniu tudo o que veio depois (gostem ou não, é isso que Dragon Ball é; basta pensar se existiria um Naruto ou mesmo o citado One Piece sem sua influência). O ponto é: antes, os quadrinhos para garotos chegavam a abordar temas intensos. O denso Homem-Aranha de Ryoichi Ikegami foi publicado na Shonen Magazine Mensal da Kodansha, e abordava temas como prostituição, alienação, a (ausência de) posição da mulher na sociedade, a inexistência de um estado de bem-estar social, o colapso da sociedade em meio a crises; é duvidoso que vejamos esses temas em quadrinhos para leitores mais jovens novamente em nossos dias (e olha que a Shonen Magazine Mensal de nossos dias me parece ter um conjunto mais sólido de títulos, em termos de conteúdo, do que sua irmã semanal de modo geral).
Por outro lado, houve uma série de fatores que contaram para essa radicalidade. Em primeiro lugar, o caráter explosivo do final dos anos sessenta. O segundo, uma certa competitividade entre os títulos para garotos e os recém-surgidos títulos para adultos. As revistas juvenis introduziram elementos adultos para tentar evitar a migração dos leitores para o novíssimo (à época) segmento seinen (para adultos) e as revistas adultas decidiram tentar atrair garotos adicionando elementos dos materiais juvenis. Esse intercâmbio teve seu lado positivo: tanto shonen quanto seinen são sinônimos de pluralidade estilística. Se isso não tivesse acontecido, talvez os quadrinhos adultos
fossem todos padronizados com traços anatômicos em nossos dias e não teríamos tido muita coisa boa nesse setor. Da mesma forma, talvez não tivéssemos visto materiais bacanas como City Hunter e Rookies em uma revista juvenil.
Mas o que o tal post do Akiba Blog tem a ver com isso? Bom, eles decidiram pôr a prova essa liberdade e compararam duas edições da Shonen Jump separadas por quarenta anos de distância. O alvo da comparação seriam duas histórias do gênero ecchi (leia-se, malicioso) publicadas na revista – o recente (2006) To Love-Ru Trouble, de Saki Hasemi e Kentaro Yabuki, que já teve seu auge mas vem despencando nas tabelas de popularidade na Shonen Jump dos dias de hoje, e o seminal Harenchi Gakuen, de Go Nagai, que causou comoção lá pelo início dos anos 60, mas que hoje é incapaz de levar um adolescente entupido de hormônios a um banheiro. Está em japonês, mas não é preciso ler o texto: a comparação das imagens fala por si só. Lembrem, saíram na Jump, então não espere algo pesadamente pornográfico – embora falemos de materiais apelativos para cacete. Já vimos cenas
mais às claras do que as de To Love-Ru em novelas, inclusive.
As imagens podem ser vistas aqui. Elas até depõem contra esse discurso e é provavel que essa fosse a intenção, mas uma olhada mais atenta de modo geral mostra: não dá para negar que houve algum tipo de pasteurização. Saísse hoje na Jump, Cavaleiros do Zodíaco teria o festival de tinta preta e decepações de membros que o celebrizou? Deixariam que o pentelho Anthony caísse do cavalo e morresse em Candy Candy caso saísse na Nakayoshi dos dias de hoje? Devilman pisaria nas páginas da Shonen Magazine? Porque os dramas parecem mais intensos em materiais de antigamente do que nos materiais atuais?
Eu tenho minha própria opinião, mas queria ler as conclusões que vocês, leitores, tem a oferecer. A seção de comentários é sua – apenas se mantenham educados entre si. Divirtam-se.
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Comentários:
Alexandre: Acredito que isso tenha sua parte, e uma parte grande, mas não pode ser apenas isso por um motivo: apenas de uns anos para cá os japoneses começaram a dar importância de VERDADE ao mercado externo. E essa tendência de pasteurização já vem desde pelo menos 1994. Além disso, mesmo materiais voltados ao público exterior como "As Misteriosas Cidades de Ouro" conseguiam ser mais dramáticos e envolventes em muitos aspectos (se bem que o alvo era a França e os franceses não são cheios de frescura como os americanos nesse sentido).
Pô, Black Jack foi publicado na Shonen Champion nos anos 70! Hoje ele só daria as caras em uma revista seinen...
Hunter (Pedro Bouça)
Alexandre: Ainda tem coisa boa no mangá shonen, mesmo. A Shonen Magazine Mensal publica materiais como Kaiouki, Capeta e Tekken Chinmi Legends – mas droga, quando eu fui verificar este último, ele era continuação de uma série dos anos noventa, Shin Tekken Chinmi, que por sua vez é continuação de uma série que saía na Shonen Magazine regular nos anos oitenta, Tekken Chinmi; Tekken Chinmi Legends é para todas as idades, sim, mas é absurdamente bom na sua simplicidade de história básica de aventura e é assustador ver que um dos melhores shonens que topei nos últimos tempos é simplesmente o terceiro grande arco de aventura de uma série veterana dos anos oitenta.
Nos anos 70 (minha geração), Speed Racer, Fantomas, O Judoka e "Sawamu" (Kikku no Oni) serviam de introdução ao que nos 80 nos marcaria e encantaria sobremaneira, com "Candy, Candy", Yamato e Pirata do Espaço (se bobear, até com Don Drácula e "Superaventuras"). Todos novelas (e novelões) que acompanhávamos religiosamente aTVp (antes da TV paga) afora, porque, senão, só nas reprises — se houvesse.
A bem da verdade, todas nos marcaram, porque eram marcadas por histórias e dramas com que nos identificávamos. E embora ainda hoje haja essa identificação com as grifes e franquias da vida (caso contrário, nem isso seriam), sinto a perda dos elementos que aqui deram a, p. ex., Yamato o status de referência da animação japonesa que ainda é: uma trama amarrada, temperada por dramas humanos e espírito de sacrifício, em meio a cenas de batalha impactantes e romantismo açucarado (ao contrário dum LOGH, onde o romantismo não tem vez no realismo que cerca as batalhas). Conta para isso a falta de espaço desses sentimentos nos dias cínicos, imediatistas e corretos de hoje, que ou solapam os sentimentos mais autênticos ou autocensuram o que há de mais humano nas nossas relações em sociedade...
Ainda há mais a falar, mas me faltam elementos, que passo aos outros leitores pra desenvolverem.
A propósito, Lan, já é a segunda vez que vc cita Dragon Ball como o divisor de águas na história do mangá. Não está na hora de contar o porquê, hein?
Alexandre: Bom, tem um fator extra: boa parte dos animes que conhecemos são baseados em mangás originais. Não tenho certeza quanto a Fantomas, mas tirante Superaventuras e Patrulha Estelar, todos são baseados em mangás pregressos. Não sou tão romântico quanto você e lendo obras como os mangás de Yoshihiro Tatsumi (ou mesmo o Aranha de Ikegami, que começa mais infantil e se reinventa – e olha que antes disso já apresentava sombras do que viria a ser), a minha impressão é que o Japão já foi até mais barra-pesada do que hoje (e há muita coisa barra-pesada por lá
Quanto a Dragon Ball, é como eu falei: goste-se ou não da série, ela criou um paradigma de sucesso nacional e internacional monstruoso – sem falar que esse paradigma influenciou muitos artistas que vieram depois. Pode ver que não haveria Naruto nem One Piece sem a influência gigante de um Dragon Ball nas costas, em diagramação, estilo, narrativa e até roteiro. Isso não se limita a jump – transformou o shonen como um todo. Além do mais, o sucesso comercial dela levou a busca por um novo Dragon Ball. Muitos jovens artistas de hoje também cresceram lendo essa série e seus assistentes provavelmente podem carregar influência desses autores, o que pode levar a criação de Toriyamas de terceira ou quarta geração – só que isso é um efeito xerox; a cada cópia da cópia, a impressão fica com menos qualidade... Nesse sentido, a virada estilística do Masashi Kishimoto em Naruto é até corajosa e eu admito isso. Pena que ficou tão chato...
Eu diria que Dragon Ball transformou os mangás principalmente pelo tamanho de seu sucesso – e note, ele abriu muitas portas mundo afora. Não se pode negar isso. É como eu falei: você pode gostar, você pode não gostar, mas a importância histórica desse material é inegável.
Alexandre: E na verdade Naruto é um Dragon Ball de segunda geração, mesmo. É legal? É, ou pelo menos foi. Mas ele é o que se chamo de exemplar bem-sucedido do padrão. Já Bleach é Yu Yu Hakushô encontra Samurai X (acho inegável a influência da fórmula do Samurai Pop na série, só que nela se usa uma desculpa sobrenatural para que ela seja inserida em um grupo de personagens tipicamente identificáveis em ambiente escolar). Essas séries ainda tem sua própria personalidade e são exemplos bem-executados de materiais pop funcional em sua proposta de entreter e grudar o leitor. Mas são uma mostra clara do padrão se formando. Meu medo é o que será da terceira geração, e ela está começando a aparecer.
Há 18 anos, vi um mangá dos anos 40 de Fantomas. Este, por sinal, já aparecia nos "kami shibai", que rodavam pelo Japão pós-guerra e apresentavam histórias contadas com acompanhamento de pranchas desenhadas.
Qto a Patrulha Estelar, tenha certeza de que veio do mangá, sim. Com aquele desenho ultracaricato do Matsumoto, mas toda a dramaticidade que só ele ainda é capaz de proporcionar nestes tempos.
Alexandre: Não, isso eu tenho certeza: o mangá de Patrulha é complementar à série e foi lançado como instrumento de divulgação desta. Tanto que sem a série, ela é confusa e perde sentido. Nesse sentido, acho que os melhores mangás de Patrulha são os mangás que adaptam os filmes, sem a presença de Matsumoto, mas muito melhor "amarrados" como roteiro.
Alexandre: Mas um toque tem que ser dito: quando da época dos robôs gigantes, surgiram obras que subverteram o gênero e o reinventaram, como Ideon ou mesmo o primeiro Gundam. Falta justamente quem queira subverter o shonen e editores que apoiem essa subversão.
Temos também casos de obras "inovadoras" (pelo menos no mercado atual) como o caso de Death Note que desandou no final do mangá apenas para prolongar a série. A interferencia editorial causa esse auê todo no mercado de antologias japonesas, que despenca cada vez mais graças às repetições de fómulas. ;P
Alexandre: Mas os autores tiveram muito bom senso quanto a suas carreiras: muita gente que gostava de Death Note detestou Bakuman (que eu gosto muito mais do que Death Note, mas isso não vem ao caso), mas Ohba e Obata fizeram o certo: migraram para um gênero totalmente diferente para que não fossem estigmatizados e obrigados a fazer o mesmo tipo de coisa pelo resto da vida.
Diferente dos autores ocidentais, que se veem como artistas, os autores japoneses - especialmente os atuais - estão pouco se lixando para esse negócio de "oitava arte", e estão mais preocupados em divertir seus leitores do que em enriquecer a vida deles. Não possuem mais interesse em criar algo intenso por puro comodismo, porque seus editores os censuram se fizerem algo ousado que possa prejudicar as vendagens ou fugir dos padrões estabelecidos pelas políticas internas de cada editora.
Os mangás das antigas eram mais intensos porque os autores japoneses das antigas ainda tinham um pouco do orgulho e da pretensão artística natural aos autores e criadores em geral. Por conta da vaidade inerente a natureza humana, desejavam se ver e serem vistos como artistas, como criadores de coisas grandiosas que fizessem diferença na vida das pessoas.
Assim, tinham interesse em criar algo que atingisse o coração de seus leitores, algo que mexesse com seus sentimentos, seja emocionando-os, empolgando-os, ou mesmo escandalizando-os.
A coisa mudou com o surgimento da Jump e sua nova abordagem, que girava unicamente em torno das vendas. Essa filosofia com um pragmatismo inédito exigia autores mais humildes e mansos, dispostos a trabalhar inteiramente dentro das orientações dos editores, que por sua vez, orientavam os autores a desenvolverem suas obras inteiramente com base em pricípios mercadológicos.
O sucesso de Dragon Ball mostrou que esta nova política funcionava e era lucrativa. E como resultado, dentro da melhor lógica darwiniana, a política da Jump fez escola em diversas outras editoras.
E o resultado está aí, para todo mundo ver.
Devo destacar que esse processo não é exclusivo dos mangás. Se você observarem a evolução de praticamente todas as manifestações artísticas e criacionais - do rock até o webdesign de sites de vendas - há essa tendência darwiniana das idéias e iniciativas mais bem sucedidas tornarem-se dominantes e acabarem por homogeneizar a produção criativas em suas áreas.
Alexandre: Realmente a Jump tem sua culpa no cartório. Isso não pode ser negado: ela tomou o lugar da Shonen Magazine como revista nº1 do mercado pelo ano de 1974/1975, mas temos que notar que ela fez isso ao perceber uma falha no sistema: as revistas para garotos estavam se afastando dos próprios garotos. Note que muitas obras de peso foram criadas ainda assim sob o mesmo sistema. Haviam autores que sabiam driblar as limitações. Aí temos um grande problema: equilibrar o autoral e o comercial, e os autores de hoje em muitos aspectos parecem não conhecer nada além do comercial.
Ele fala que os mangas eram para os jovens sonharem. Mas a revolucao cultural da decada de setenta do Japao mudou muito a cabeca dos leitores e mesmo os mais jovens estavam mais interessados em realidade. Coincidiu com o movimento do Gekiga, movimento mesmo, por que Saitou Takao organizava ateh reunioes entre autores que buscavam historias mais reais e exatamente, tentavam se distanciar de Tezuka especialmente, simbolo dos mangas ateh aquela epoca.
Tezuka se lamentava da falta de vontade das pessoas em simplesmente sonhar, ler os mangas como uma forma de sair da realidade por um momento. Isso funcionou na epoca, por que depois da guerra, era o que realmente o publico buscava, fantasia.
Querendo ou nao, mesmo deus nao pode contrariar uma coisa. A vontade dos leitores! Tezuka caiu de uma epoca em que publicava varios mangas simultaneos para outra, em que nao publicou NADA. Por causa da decada de setenta.
Veja bem: No Brasil, estariamos preocupados com comunismo, militarismo, etc. No Japao, saindo da epoca triste do pos-guerra, caindo na boca da bolha economica que tornou o Japao numa potencia, a populacao passava por grandes mudancas de valores, e pelo ocidentalismo, que nao era soh agragar valores ocidentais, mas o que eles achavam das influencias que sofriam, principalmente da cultura americana e francesa.
Hoje, num pais completamente diferente, os leitores nao se interessam mais por assuntos como os que voce citou, do Homem Aranha japones.
Nao lembro que autor que era, mas falava que o publico de hoje nao se interessa por nada por mais que um mes. Por isso que toda a industria cultural se renova a todos os meses. A musica de antigamente tocava por meses nos radios, hoje, uma musica durar no top 10 por meses eh um feito notavel.
Portanto, eu acho que eh epoca, o mundo, a politica, o interesse popular que influem no conteudo dos mangas.
Alexandre: Tudo bem, esse é um ponto válido. Então fica a pergunta: o que mudou no Japonês para que tudo isso tenha se perdido – e porque esses mangás feitos para outro público japonês conseguem ser lembrados até hoje enquanto muitos mangás de dez anos atrás e que já foram queridos dos leitores simplesmente sumiram do mapa? O que é o Japonês de hoje?
E não custa lembrar que após os anos 70 Tezuka fez mangás mais realistas e que não podem ser considerados "para sonhar", como Gringo (que ele deixou inacabado com sua morte).
Em todo caso, eu acho que o que ele fala faz sentido. Hoje o Japão vive a pior crise econômica desde o final da Segunda Guerra e qual o sucesso-surpresa da temporada? K-On! Uma série que em outra ocasião, tenho certeza de que não passaria de artigo de consumo de fãs hardcore que nunca tiveram uma namorada na vida, mas que em meio a uma crise devastadora, representa a idéia de escapismo total que você menciona e ganharam o grande público. Menininhas bonitinhas cantando na tela, soltando risinhos desafinados, e pintando um cenário de mundinho perfeito e sem preocupações de verdade em um mundo onde a realidade porta afora está virada de ponta-cabeça.
É assustador se pensarmos bem.
Alexandre: Pode até ser no caso do ecchi, mas repare que hoje em dia uma obra como Ginga Nagareboshi Gin jamais pisaria nas páginas da Jump.
e eu nao acho Dragon Ball um divisor de aguas. Nao tirando seu merito, nem seu valor como obra, mas Dragon Ball era simplesmente o novo material do autor de Dr Slump, seguindo mais ou menos a mesma linha, mas que aproveitou seu pano de fundo para se adaptar a tendencia da epoca, os mangas de luta. Ele foi eh jogado pela mareh, mesmo tendo sido jogado ao topo.
Alexandre: Mas não dá para negar que ele mudou a face do shonen. Será que haveriam Naruto, One Piece ou mesmo Rave Masters e Soul Eaters sem DB? Eu acredito que não. Pode ter havido uma tendência de mangás de luta na época, mas a influência da obra de Toriyama foi fundamental sim para o que veio depois. Ou você duvida que até hoje a Jump procura um novo Dragon Ball?
Cada publico tem o material que merece ler. Aos que nao se encaixam, pelo menos nos resta o consolo de que o mercado eh grande o bastante hoje pra abrigar ateh os velhos ranhetas e saudosos.
Alexandre: Essencialmente os que liam certas séries no passado e continuam lendo suas continuações, conservadas em formol, como Ginga Densetsu Weed, as continuações de Kinnikuman e similares. E de modo geral essas séries são meras sombras do material original e vivem de nostalgia (embora eu tenha realmente ficado impressionado com Tekken Chinmi Legends, que é a terceira série de uma franquia que vem desde os anos oitenta. Mas compare o material novo com o original e não dá para negar que o autor evoluiu com o tempo. E Worst, de Hiroshi Takahashi, não é uma mera série para gente saudosa dos anos noventa apesar de ser continuação de Crows). Há casos e casos.
O tempo passou, as coisas mudaram. Nada mais justo que o manga mudar junto, mantendo seu papel, que eh o de representar o gosto de seus leitores, em sua epoca.
Alexandre: Nisso nós concordamos, mas fica a pergunta: o leitor se tornou conformista, avesso ao que pode envolvê-lo dramaticamente?
Alexandre: Aliás, uma coisa curiosa: alguns mangás adultos parecem apontar para uma grande frustração a respeito dos sonhos dessa geração. Até Sanctuary arranha algumas menções a isso.
Tezuka publicou material adulto depois de muito tempo sem publicar nada, para se adaptar. Era isso ou parar de fazer o que mais gostava e sabia. Por isso mesmo ele comecou com Black Jack, sobre o assunto que o liga ao mundo dos adultos, a epoca em que trabalhou como medico.
Alexandre: E curiosamente Black Jack saía na Shonen Champion, uma revista para garotos – e o que ela publicava era considerado para garotos; eles ainda lançavam coisas como Plowres Sanshirou (ancestral dos Pokemons e Monster Ranchers de hoje) na época em que Black Jack foi concluído – e apesar de um ou outro mamilo a mostra gratuita e desnecessariamente, Plowres era coisa de fedelho mesmo. A série começou em Novembro de 1973 e terminou dez anos depois, em Outubro de 1983. Como ele era prolífico, imagino que publicar menos do que sua capacidade era o mesmo que não publicar nada. É difícil considerar Black Jack adulto, e mesmo hoje eu o consideraria juvenil ao ler.
Ginga nao pisaria na Jump de hoje por que quem le a Jump de hoje nao estah interessado em um manga de cachorros, SERIO, que trata de guerra. Manga de cachorro hoje em dia, eh igual aquele que voce apontou antes aqui, de uma adestradora de animais.
Mas se o publico de hoje gostasse disso, duvida que teria?
Alexandre: Olha, sinceramente, um mangá de cachorros com técnicas especiais de combate é uma idéia tão inusitada que mesmo na época deve ter causado um susto...
Dragon Ball influenciou muitos autores, mas assim foi com Saint Seiya, Hokuto no ken, Kinnikuman, Devilman, Mazinger Z, etc. Mas ele nao criou essa obrigatoriedade de materiais de luta, visto que ele mesmo virou um por causa da onda que jah existia.
Alexandre: Eu não digo obrigatoriedade, eu digo padronização. Se pensarmos bem, um Hokuto no Ken também é um material de luta e dificilmente o veríamos na Jump de nossos dias.
E Worst, apesar de ser uma continuacao postuma, nao eh uma revisitacao do cenario. Crows e Worst nao tem tanto tempo de distancia, basicamente sao o mesmo manga, continuado durante anos.
E... saudoso dos anos noventa, num manga que dura mais de dez anos? Pra ser saudoso, o manga tem que ter acabado com o tempo suficiente pra dar saudade.
Alexandre: Ou ter fãs que não querem que ele feche as portas e querem mais, mesmo após o final.
Eu acompanho todos os lançamentos, anuncios e cancelamentos da Jump desde ano retrasado e posso dizer q chega a me assustar a rejeição do publico a quem foge do padrão. Basicamente o q segue uma formula comprovada eles aceitam de braços abertos e o q tenta inovar um pouco é cortado no ato.
Um bom exemplo disso é o de 2 mangás de esporte q sairam esse ano, Kuroko no Basket e Hoopmen. O primeiro é insosso, previsivel, segue uma formula batida e os capitulos tem uma estrutura forçada na tentativa de "impressionar" o leitor. O segundo era inovador, valorizava mais a vida escolar dos personagens q os jogos em si e ate tinha um traço meio "away" dos padroes da revista. Adivinhem qual deu certo e qual deu errado.
Pq isso acontece? Não sei, mas algo me diz q é menos culpa das antologias q dos proprios leitores. São eles quem ditam o que querem e não querem, afinal. Porém, é óbvio q as preferencias deles hoje em dia são fruto do modo como as editoras os vem "tratando" ao longo dos anos, então no fim das contas elas acabam tendo culpa no cartorio tambem.
Bom, finalizando, eu não fico tão incomodado assim com essa tendencia, mas tambem não acho q ela va mudar nem tão cedo. Até pq nos tempos atuais ja ta tudo tão batido, tão desgastado. Dificil é ter uma ideia realmente original hoje em dia. Não culpo os autores por buscarem apoio no q é mais garantido em vez de serem mais ousados. A Jump ja mostrou que no mundo shonen pelo menos, inovação raramente compensa.
Alexandre: Verdade. Por outro lado, Death Note quebrou todas as regras – na verdade as abordou de uma forma para lá de elástica, se analisarmos a fundo – e conseguiu marcar terreno e se tornar um sucesso. A verdade é que quebrar padrões é uma jogada de risco: pode dar certo ou não. Eu mesmo credito o fracasso de Asklepios a mudança de personalidade que fizeram no personagem em relação ao piloto. Podem reparar que o último capítulo apresenta o personagem com a personalidade segura de sua primeira aparição na Akamaru Jump. Mas acredito – e isso é muito chato de se dizer – de que o fato da parte da ação mano-a-mano estar na mão de sua parceira Rosary contou muitos pontos contra o personagem.
Claro, tem coisas que emplacam por não ser boas, mesmo. Meister não tinha nada de inovador ou que fugisse as regras da jump, mas era fraquinho que dói. Mas também acho que o fato de Hoop Men competir com Kuroko no Basket teve muito a ver com essa rejeição. É uma regra elementar nas antologias não competir pelo mesmo público – e no final aquele que ofereceu mais imediatamente o fator basquete acabou ganhando. Tem isso também. Tem também o fator de identificação: Hatsukoi Limited, outro titulo cancelado, não iria emplacar de jeito nenhum na Jump. É uma revista para meninos e faltava um gancho de identificação para estes, definitivamente.
A questão é saber como quebrar as regras.
Alias, de qual obra é o personagem em posição de luta na capa da Jump antiga que encabeça o post? Karate Baka Ichidai de Ikki Kajiwara?
Alexandre: Não consegui identificar ainda, mas não é Karate Baka Ichidai; essa série saiu na Shonen Magazine e na Jump, Kajiwara escrevia Otoko no Jouken – a série que é homenageada no primeiro volume de Bakuman, sobre o ofício de se fazer quadrinhos.
Fatores para "pasteurização":
1 - Nos dias de hoje tudo é pasteurizado, consequência do imediatismo atual, tudo é prático e rápido se as séries não agradarem em 10 capítulos elas já podem ser canceladas.
2 - Leitores viciados em mais do mesmo, há a enxurrada de mangás de luta com pouco espaço para os gags, mangás de esporte pq estão todos viciados em lutas, é o que vende no exterior, é o que dá vazão à fabricação de produtos relacionados, lucro. Acima de tudo mangás são negócios.
3 - Ranking da Jump, ele mata qualquer mangá. Não entendo pq o Jaguar não entra, mas... É incrível ver como ele força os mangás a entrarem na fórmula. Lendo Bakuman e lembrando dos mangás da Jump já lidos dá para perceber como os mangás acabam indo sempre de encontro às fórmulas batidas. Meu mangá não está bom então enfio umas piadas (Akaboshi ficou podre desde que começaram a enfiar piadas sem graça).
O fato da Jump ter 3 mangás de popularidade extremamente forte ao mesmo tempo acaba com o método do ranking, há pouco espaço para mangás novos crescerem e isso é um tiro no próprio pé da Jump, não tem como as séries novas se degladiarem com monstros como One Piece e Naruto líderes de popularidade e que estão se encaminhando para momentos decisivos. A Jump deveria tirar ambos do ranking de uma vez e estabelecer uma meta de um cancelamento por mês no máximo. A quantidade de cancelamentos na Jump nos últimos 2 anos foi absurdamente alta e a Jump só se segura no posto por ter estes mangás, com o ranking não há tempo hábil do autor desenvolver uma história sem se preocupar com um possível cancelamento. Se ele não emplacar o mangá em 10 semanas ele está fora, emplacar fica difícil levando em conta que eles só conseguem pegar boas posições na primeira semana e tem Naruto, One Piece e Bleach pra brigar + Reborn!, Toriko e Beelzebub que estão sempre na trilha deles esperando um intervalo de lutas para tomar a 1ª posição.
Considerações:
O lugar em que o shonen está "mudando" de forma é a Shonen Gangan, os mangás são parecidos com os da Jump mas são diferentes, não sei explicar mas a atmosfera ao se ler Fullmetal Alchemist, SE, KS é totalmente diferente da Jump, provavelmente por se tratar de uma revista mensal.
Kuroshitsuji e outros "shonens para garotas" estão se tornando um gênero forte e já mudou bem a cara dos shonens obrigando a ter sempre um bishonen pelo menos em 95% das séries de sucesso, não será uma surpresa se algum dia surgir uma revista bem-sucedida de shonens para garotas.
Death Note apareceu em um momento de "quebra de tabus", Light Yagami não é mais o único protagonista mau-carater (Light é mau e não é, acredito que no fundo ele saiba que é mau), Code Geass é um bom exemplo disso, o Taisou de Akaboshi tbm parece não se importar com vidas alheias só com grandes objetivos, em Kuroshitsuji eles coletam almas humanas com pouco escrúpulos quanto a isso. A perspectiva Maquiavélica está crescendo no mundo do animangá.
Não acredito que não haja um "novo Dragon Ball", Naruto e One Piece são mais que isso, talvez Bleach. As vendas de One Piece alcançaram as de Dragon Ball e vale a pena lembrar que hoje em dia nós temos scans. 2.700.000 de revistas vendidas semanalmente e 1.700.000 tankohons em 4 semanas de vendagem eu acredito que é mais significativo hoje em dia do que seria na época de Dragon Ball. Quando Dragon Ball era lançado não havia scans para concorrer, até o Japão era menos apertado.
Vale a pena lembrar que o fato da maioria dos mangás de hoje em dia serem descartáveis não é uma exclusividade da mídia dos mangás, hoje em dia livros, música, filmes, enciclopédias são todos descartáveis. É difícil algo ficar de verdade, cantores de um sucesso só, autores de um livro só, de um mangá só são mais comuns hoje em dia. Os mangás são cada vez mais longos pq os autores sabem que dificilmente emplacariam outro sucesso.
BTW não acredito que o mercado esteja perdido, Beelzebub tem ainda muito a crescer, Toriko vai indo bem e está consolidado mas ainda falta o anime, sempre há o "confiável" Togashi para voltar a publicar HunterxHunter ou criar um novo sucesso (dizem que ele está lançando outro mangá sob pseudônimo, creditam D.Gray-man a ele inclusive, não duvido. Também não duvido de que HxH seja um mangá em reserva para tempos futuros quando um Naruto acabar) de qualquer forma qualquer mangá ficaria eclipsado por One Piece, não importa o quão bom seja. É improvável que algum mangá cresça esse torne um grande sucesso em uma tão imediatista e eclipsado por algo tão épico e grandioso como One Piece se tornou.
Alexandre: Você tocou em alguns pontos fundamentais:
1) Os medalhões. Essa política realmente é daninha a longo prazo. Basta lembrar da Shonen Sunday: mesmo perdendo para a Jump e a Magazine nos anos 80, ela fazia um estrago monstruoso; Estou esperando chegar minha edição "Shonen Sunday 1983" e aquilo dá uma amostra da potência que a Sunday foi na época. Mas hoje, por mais que eu goste da Sunday, ela luta contra uma estagnação que não consegue reverter e por isso mesmo investe pesado na trinca de ouro Adachi/Aoyama/Takahashi. Adachi conseguiu voltar a velha forma das vendagens com Cross Game – que é seu melhor trabalho em anos, isso contou e muito. Detetive Conan se tornou uma franquia estável, mas eu não estou vendo ele estrear no topo há bastante tempo – ele vende bem e tem uma vendagem até mais sólida a longo prazo. E Rumiko Takahashi... sinceramente, alguém ficou tããão animado assim após ler Kyokai no Rinne? Basta lembrar que Inu-Yasha demorou a emplacar, só passou a vender realmente bem com o anime e despencou assim que este terminou. Agora o maior hit da Sunday é Hayate no Gotoku, e algo me diz que ele pode ser promovido seriamente a medalhão preferencial no lugar de Takahashi, caso Rinne se mantenha no patamar de Inu-Yasha.
E o que isso tem a ver com a Jump? O que temos é One Piece, um título de sucesso esmagador no Japão; Naruto, um título que faz até mais dinheiro do que One Piece principalmente por conta de seu desempenho no exterior (e reparem que para que isso aconteça ele ainda faz dinheiro à beça no Japão). Bleach não sei dizer se realmente é medalhão; ele já anda caindo nas listas de popularidade, mas de acordo com Bakuman, a partir de certo ponto de vendagens, as listas de popularidade passam a não fazer diferença – leia-se, se One Piece cair (e ele já anda dando suas derrapadas eventuais, com Naruto tomando a dianteira de vez em quando), ele não precisa se preocupar com cancelamentos. Não com seus níveis de vendagem.
Mas medalhões são perigosos até para a oxigenação das revistas. Eu costumo dizer que o primeiro lugar de vendagens em semana que sai One Piece novo é o título que entra no segundo lugar. Porque One Piece em primeiro lugar já virou força da natureza, é fava contada. Mas DB imperou durante anos e nem por isso a Jump deixou de ter hits marcantes durante a Era Toriyama. Então não é só isso.
Ah, a função da Gag Manga é simples: dar um "refresco" após o festival de aventuras e séries contínuas. Por isso mesmo os Pyu to Fuku Jaguar permanecem meio que intocados. Se bem que eu sempre achei Pyu to Fuku Jaguar de um humor meio imbecil...
2) A Gangan foi o título que apontou o rumo dos eventos, mas agora muitas editoras estão seguindo o caminho. Já haviam revistas mensais desde sempre, por exemplo. Mas a Shonen Jump Mensal foi cancelada e deu lugar a uma revista como a Jump Square, que investe em artistas de peso, com obras famosas no currículo, intercambialidade de mídias (com séries baseados em jogos e light novels), e mesmo uma certa independência de gênero (pombas, a autora de Hana Yori Dango está lá e não considero aquilo que ela faz lá "para garotos"). A Sunday lançou na esteira do seu meio século de aniversário a Sunday Mensal, e agora a Kodansha anunciou uma Bessatsu Shonen Magazine, o que me pareceu redundante já que eles tem uma Shonen Magazine Mensal (que ultrapassou em vendas a Sunday semanal no ano passado, e que estou começando a desbravar nos últimos tempos – e sinceramente estou achando mais interessante do que a Magazine semanal), mas faz sentido caso eles apontem um rumo editorial diferenciado, nos moldes da Jump Square. E eles estão promovendo bem o Makoto Raiku, que provavelmente vai pilotar carro-chefe na revista.
Mas por que esse crescimento dos mensais? O primeiro ponto eu diria que tem a ver com a crise econômica. Sai muito mais barato acompanhar uma série mensal do que uma semanal em uma antologia. Mas tem mais por trás disso. Num capítulo de revista mensal, acontece mais coisa do que em um capítulo de revista semanal – e talvez mais do que em quatro capítulos, sendo sincero. É possível oferecer uma história com maior unidade dramática por capítulo e o japonês parece estar se conscientizando que vale a pena ter paciência e esperar um pouco por uma história melhor escrita. Repare que hits como Beck, Full Metal Alchemist e Claymore surgiram em revistas mensais e se beneficiam desse maior espaço. Você precisa oferecer mais ao leitor em termos de história para compensar o tempo de espera. Eu não duvido que os grandes hits do futuro no demográfico shonen venham de revistas mensais.
3) A política dos rankings não vai sumir. Nenhum editor largaria o verdadeiro tesouro que é o feedback imediato dos questionários para os leitores. Mas o nível de exigência do leitor pode se alterar com o tempo e isso sim, afetar os rumos das revistas shonen.
Alexandre: Sim, a verdade é que a perda de tantos grandes astros pop para as drogas se tornou um trauma e a comoção por trás de Amy Winehouse mostra outra preocupação – a de evitar que esses artistas se percam como os do passado se perderam. Se pensarmos bem, essa preocupação surgir de forma coletiva é algo inédito.
Mas isso também leva a novas perguntas: Os dias de hoje não tem novas preocupações que possam levar a histórias de impacto que causem comoção no grande público? Eu achei surpreendente o bom resultado do novo desenho animado Tokyo Magnitude 8.0, que mostra o que aconteceria no caso de um terremoto extremo. Mas há casos e casos. Outro dia topei com o remake de um filme dos anos setenta, "A Iniciação de Sarah". O original não era grande coisa, mas era um filme que se pretendia ser uma obra de terror. A nova versão parecia Gossip Girl com poderes sobrenaturais, até pelo elenco.
Então o problema seria geral – os mangás apenas o refletem, nas suas palavras.
Não domino tanto assim o mangá, mas tenho um excelente exemplo tirado do quadrinho europeu. A primeira revista a seguir esse sistema de questionários e ranking de popularidade foi a Tintin belga, ainda nos anos 50 (acharam que era invenção dos japoneses?). Em uma revista cujas séries mais populares eram Tintin, Alix e Blake & Mortimer, os questionários inevitavelmente tendiam a favor das séries de aventura em estilo realista, que se tornaram a marca registrada da revista.
As raras séries de humor costumavam ficar nas últimas posições. Entre elas estava um certo Umpá-Pá, série de humor assinada pela dupla Goscinny e Uderzo.
Humilhado pelas numerosas vezes em que ele ficava na lanterninha do ranking da Tintin, Goscinny fundou sua própria revista, a Pilote (1959), e decidiu que seria ele quem tomaria as decisões de quem seria publicado por lá, não o público.
Nos 10 anos em que ele editou a revista, a Pilote esmagou a Tintin em popularidade e a dupla Goscinny e Uderzo, tão desprezada pelos leitores da Tintin, criou uma série que eventualmente se tornaria ( e ainda é ) o quadrinho mais vendido do MUNDO, Asterix.
No Japão, onde o mercado é controlado por um punhado de grandes editoras, Goscinny e Uderzo teriam virado peões de obra depois do seu fracasso na Tintin. Na França criaram a HQ mais vendida do mundo.
Entenderam a desvantagem do sistema japonês?
Hunter (Pedro Bouça)
Alexandre: Por outro lado, quais seriam os gostos do público, qual seria sua evolução e como ele pôde se sintonizar com esses gostos longe do fator feedback do público fiel da revista? Não é uma resposta tão simples. Ele vendeu um peixe e se deu bem nesse processo.
De novo, muito legal esse texto.
Alexandre: Obrigado e sinta-se livre quando tiver vontade de comentar.
Não que inexistam obras artísticas japonesas, de autores mais undergrounds, que tenham liberdade criativa e etc. problema é que essa índústria ficou tão lucrativa que, como a maioria das mídias que geram muito lucro, passou a ser controlada não por quem se interessa pelo produto, e sim por quem se interessa no lucro que ele gera. ou seja, quem mais dá palpite no negócio são os editores, que estão interessados em fazer vender o produto e subir de posição na editora. Assim como no cinema americano, que quem tem voz final são os produtores, ou seja: os caras que controlam a verba, os mangás chegaram num ponto em que a principal preocupação gerada será o lucro. Acho que isso se reflete em outros países, claro.
E como resultado desse processo chegamos a pausterização do produto: os mangás são cada vez mais plásticos, mais parecidos, mais superficiais, mais padronizados. Percebo isso p´rincialmente nas séries shonen e shoujo. Por serem os produtos que tem mais visão no mercado, temos séries mais parecidas, mais padronizadas. Não se preocupa apenas com o mangá em si, mas com os brinquedinhos, os chaveirinhos, as muambas todas, os derivados desse produto.
E eu creio que nos segmentos Seinen e Josei (tirando os produtos pra otaku) temos uma liberdade criativa maior. Acho que justamente por gerarem menos dinheiro: olha, já que o prejuízo causado pelos seus malabarismos na sua série não será tão grande quanto o sucesso da nossa revista shonen nós vamos deixar você brincar a vontade com seu mangá.
Acho que a transferência do mangá de produto cultural pra produto-gerador-de-capital ocasionou essa pausterização, e também essa espécie de padrão: porque, como se sabe, não se mexe em time que tá ganhando.
Desculpe se o texto ficou confuso ou repetitivo. Mas é isso, creio.
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