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Ranking da Taiyosha (JP) – 26/07/2009

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Lancaster | PERMALINK | 4

Categorias: rankings

Q-Taro

Esta semana a maior surpresa, aquela que não pode ser ignorada, veio de uma lista que não costuma ser muito registrada fora do Japão: a lista infantil (Kodomo). Na esteira do relançamento da obra completa do autor obrigatório do gênero Fujiko F. Fujio, simplesmente os três primeiros lugares foram os primeiros volumes de três de seus personagens principais: Super-Dínamo 1 na terceira posição da lista, Doraemon 1 na segunda posição e, como campeão, Obake no Q-Taro! Isso deixando para trás pesos pesados como Pokemon, Inazuma Eleven (que vem para o Brasil e que aparece na lista infantil em duas posições) e até os produtos atuais da franquia Doraemon, conduzida por outros autores (a série esportiva Doraemon Super Baseball Gaiden – ou Dorabesu, para simplificar). Nada mau mesmo: o que é bom nunca perde o valor com o tempo. Dito isso, vamos ao que interessa aqui, que são as listas shonen e seinen – sendo que a primeira delas continua sob o efeito da invasão dos títulos da Shonen Sunday da semana passada.

Shonen/Para garotos

01. Hayate no Gotoku 20 (Shogakukan)
02. The Melancholy of Haruhi Suzumiya 9 (Kadokawa)
03. The Melancholy of Haruhi Suzumiya-chan 3 (Kadokawa)
04. Azumanga Daioh: Hoshuu Hen 2 (Shogakukan)
05. Cross Game 15 (Shogakukan)
06. Fairy Tail 16 (Kodansha)
07. Keroro Gunso 19 (Kadokawa)
08. Shijou Saikyou no Deshi Kenichi 34 (Shogakukan)
09. Zettai Karen Children 17 (Shogakukan)
10. The World God Only Knows 5 (Shogakukan)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Saki 6 (Square Enix)
02. Moyashimon 8 (Kodansha)
03. Ah My Goddess 39 (Kodansha)
04. Giant Killing 11 (Kodansha)
05. Aki Sora 2 (Akita Shoten)
06. Yuru Yuri 1 (Ichijinsha)
07. Mokke 9 (Kodansha)
08. Moyashimon 8 – edição limitada (Kodansha)
09. Hyougemono 9 (Kodansha)
10. Initial D 39 (Kodansha)

Hayate no Gotoku continua sendo o campeão da vez, enquanto Fairy Tail, o único título da Kodansha a estar presente nos rankings do dia 19/07 continua na listagem de hoje, subindo uma posição. Quem enceta reação contra o domínio da Shogakukan é a Kadokawa, com dois títulos de peso em seu segmento: Haruhi Suzumiya, que vem tanto na sua versão regular quanto comHaruhi Haruhi-Chan, uma série de tirinhas com os personagens da série em versão mais largada. Não admira que tenham derrubado justamente Azumanga Daioh: Houshuu Hen do segundo lugar do pódio; ambos tem um grande contingente de leitores no mesmo segmento de público no Japão. Azumanga foi empurrado para o quarto lugar e o resistente Cross Game do veterano Mitsuru Adachi foi colocado no quinto. A sétima posição pertence a outro título da Kadokawa: Keroro Gunso, que apesar de sair no principal título shonen da editora, é em essência um título infantil e deveria ser percebido como tal na hora das listagens: considerar este material para adolescentes não desce muito bem. Por fim, os que se mantiveram: The World God Only Knows é o que mais cai, da quarta para a décima posição; o divertidíssimo Kenichi caiu menos – apenas duas posições, e por fim, o chatinho mas bem-cotado Zettai Karen Children cai da quinta para a nona posição. Nenhum desses três últimos deve permanecer na lista, semana que vem, a menos que as vendagens gerais caiam e estes permaneçam estáveis.
SakiEm todo caso, tanto esta quanto a semana passada representaram ótimas vendagens para o demográfico shonen – e o mesmo pode ser dito para a lista seinen. Embora haja o indefectível título consumido por gordões solitários cercados por bonecas de PVC, Yuru Yuri – que aborda menininhas com cara de bonequinha vivendo... relações lésbicas (e reparem que é título de editora nanica, que tradicionalmente publicam esses materiais voltados a nichos dos nichos) – a lista seinen é uma das melhores e mais bem-recheadas dos últimos tempos. Para começar, o comercialmente sólido Saki, que assim como um companheiro de publicação, a consistente Bamboo Blade, tem um character design enganoso que acaba acenando para esse público de nicho, mas se estabelece com força por se encaixar em um outro nicho – no caso, um subgênero muito popular entre leitores Sakimais velhos: o mangá de Mahjong. Mahjong é um jogo de tabuleiro que já rendeu muitas histórias em quadrinhos no Japão e é praticamente um subgênero em si, chegando até ao extremo de merecer revistas especializadas que contém, além dos artigos específicos sobre o jogo, histórias que o tomam como ponto de partida. O inteligente em Saki é que simplesmente as meninas bonitinhas são mero chamariz. A série, ambientada em um clube escolar dedicada ao Mahjong, depende de conhecimento prévio do jogo e é hermética para quem não entende nada sobre ele. Com uma diagramação extremamente tradicional, limpa e cristalina ao ponto de ser didática (olhem ao lado) – e quanto mais velhos os leitores, mais a diagramação limpa é bem-cotada – o material simplesmente consegue se dirigir a duas fatias opostas de público, o que explica seu bom desempenho: os fãs de Mahjong o compram pelo jogo e aquelas criaturas que nunca tiveram uma namorada na vida (e provavelmente vão continuar não tendo) vão comprá-lo para olhar as menininhas. Simples assim. Mas se vocês quiserem um mangá bom MESMO sobre Mahjong, eu recomendo Akagi, de Nobuyuki Fukumoto, que é honesto e não precisa desses expedientes baratos para dar certo no seu segmento.
MoyashimonO segundo lugar é o hit bacteriológico Moyashimon, mostrando aos japoneses as maravilhas do mundo microscópico dentro daquela perspectiva tão Globo Rural de ser. Moyashimon acompanha um jovem com o poder de enxergar e falar com micróbios e similares – que por acaso viraram febre no Japão pelo fato de todos eles serem potenciais plushies e bonequinhos ambulantes. Isso em uma universidade rural, aonde aprendemos como evitar que fungos estraguem os tonéis de cerveja. Emocionante, não? Piadas a parte, há uma função social por trás desse tipo de material e é fabuloso que uma série como essa consiga espaço na mídia. Sua versão animada merecidamente teve um bom desempenho de audiência e não custa lembrar que Moyashimon comparece duas vezes, graças a sua edição limitada, com brindes e extras para o leitor disposto a pagar mais com isso. Já o terceiro no pódio é manjado: Oh My Goddess, trazendo a infinita saga de Keiichi Morisato, um universitário que... ah, eu preciso repetir isso de novo? Okay, okay. Keiichi ligou para o disk-pizza e acabou caindo por engano no serviço autorizado das deusas, aonde um pedido lhe seria atendido. E ele pediu a atendente só para ele.

Oh My Goddess

Ao invés de uma mulher que engordou anos atrás de um balcão de telemarketing, recebeu a bela deusa nórdica VERDANDI, que os japoneses pronunciam Berudandi – e que em um atentado cultural sem perdão, foi traduzido internacionalmente como Belldandy por algum japonês que jamais fez o dever de casa (podem verificar, o nome Belldandy está presente em produtos romanizados lá no Japão). O estrago já foi feito e consertar o dano não vai ser fácil após vinte anosAh Megami-Sama de açúcar nas páginas dessa história, fazendo o horror dos dentistas. Mas dificilmente algo vai mudar: é uma série episódica, publicada nas páginas da revista Afternoon da Kodansha. Cumpre seu papel de série cômica leve, voltada a um leitor universitário cuja casa é uma bagunça e adoraria ter uma deusa para fazer a faxina – porque o dia em que ela for mais do que isso para o protagonista Keiichi, a história acaba e depois de duas décadas, duvido que o autor Kosuke Fujishima decida fechar tão facilmente o caixa que paga suas contas. Melhor recheada é a série de futebol Giant Killing, publicada na Morning da mesma editora, e que mostra um time profissional no fundo do poço, em busca de sua grande virada: se não quiserem parar na segunda divisão (e o técnico não quiser perder seu emprego), não podem perder mais nenhum jogo. O termo Giant Killing é emprestado do futebol inglês e se reflete a rodada decisiva aonde só os grandes sobrevivem e aonde nenhum jogo mais pode ser perdido se eles quiserem ter esperança de chegar ao título. Se há um título de futebol que eu gostaria de ver por aqui, provavelmente seria este pelo pouco que vi; mas eu gostaria de ver mais para fazer um julgamento melhor.
A quinta posição é ocupada pelo misto de material erótico softcore e drama intimista Aki Sora.

Aki Sora

Aki Sora é uma dessas séries que nos faz pensar seriamente nos limites do que pode ser abordado no quadrinho de entretenimento, mesmo para adultos, ao trafegar em um tema perigosíssimo: um casal de irmãos que passa a viver uma relação incestuosa e por isso tem que viver com esse segredo – o que trava qualquer chance de vida normal para esses dois (por exemplo, há uma menina interessada de longa data no rapaz na escola, e ele não vai poder simplesmente Aki Soranamorá-la como seria de se esperar – e por outro lado não há como assumir publicamente uma relação como a que ele vive). Claro, a série voa muito mais baixo quando cede a concessões desnecessárias como vestir eventualmente o personagem de mulher (aproveitando o gancho dado por um clube de cosplay – fantasiar-se como personagem de animação), o que é um fetiche típico de meninas japonesas, por mais assustador que pareça fora do Japão; ou introduzir uma garota exibicionista, digamos assim, no quarto capítulo. Mas em boa parte do tempo, especialmente no começo, ele não trata levianamente dos temas que levanta (como a comédia Oniichan no Koto Nanka Zenzen Suki ja Na N Da Kara Ne – e se aliás, se algum sujeito pedir para que este material seja publicado em banca no Brasil com nome original japonês, ele tem que levar porrada e muita) e apesar das cenas eróticas, e de forçadas de barra (des)necessárias para enquadrar o material como um erocom (e que gradualmente só conseguem tornar o material mais sombrio, depressivo e eventualmente assustador – afinal, aonde há desvio da norma, a perversão e suas piores implicações batem a porta) – ele se sustenta por suas próprias pernas em seu início como um drama sobre sexualidade, tabus e até sobre os limites da normalidade para leitores que querem mais do que material para contar os azulejos do banheiro.

Aki Sora

Em todo caso, a série emplacou muito rapidamente e já vai ganhar animação para dvd (para televisão seria muito complicado). E não custa lembrar, a classificação "para adultos" sinaliza muito bem a qual cada público se destina. Se em todo lugar – aqui, inclusive – houvesse um selo facilmente reconhecível e identificável em toda capa de revista sobre a qual faixa etária o material se dirige, muita dor de cabeça poderia ser evitada.
MokkeCaindo no extremo oposto, Mokke poderia ser facilmente classificado como material para todas as idades, contando a história de duas irmãs – uma, capaz de ver monstros, outra, assombrada por eles. Sai na Afternoon da Kodansha e acredito que só é publicado aí por conta de uma pegada mais lenta e reflexiva. Infelizmente os quadrinhos infantis de hoje em dia tendem a ser ligados a franquias de videogame e brinquedos, frenéticos, vistosos e enérgicos, e bons materiais como este (ou como Yotsuba &! de Kyohiko Azuma), que tem méritos compartilhados com a boa literatura infanto-juvenil e poderiam ser lidos por leitores mais novos, acabam migrando para revistas adultas onde podem existir com maior liberdade e descompromisso. Fechando a lista temos Initial D, a série de rachas automobilísticos que ocupa no Japão e em boa parte dos países do extremo oriente o peso que a franquia Velozes e Furiosos tem do lado de cá do mundo, e que cai na categoria que eu pessoalmente chamo de "material adulto para adolescente" – ou melhor, material que até sai em revistas adultas (no caso a Young Magazine da Kodansha) mas na verdade É feito para adolescentes, se pensarmos bem – aqueles que tecnicamente já são adultos, masHyougemono ainda estão vivendo essa fase da vida, na beirada de seus vinte anos. São os almanaques com esse perfil etário os que mais vendem no segmento adulto, os "pós-adolescentes". Os que passarem dessa fase e continuarem lendo quadrinhos irão migrar para as Morning e Business Jump da vida – e é na Morning que sai a nona posição do top 10: Hyougemono, de Yoshihiro Yamada. Essa série é um drama histórico seríssimo (embora não desprovido de seu próprio senso de humor) sobre um homem ambicioso chamado Sasuke Furuta, subordinado ao próprio senhor feudal Nobunaga Oda (1534-1582), que em busca de ascensão social, domina as artes da cerimônia do chá com o mestre-de-cerimônia Senno Rikyu e passa assim a orbitar assim os círculos do poder político do Japão. Porque mais do que sexo ou violência, é na abordagem dos temas que o rótulo adulto deveria se justificar – e esse material é um exemplo perfeito disso.


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Comentários:

Nome: R. Moss 27/07/09 05:00
Na pressa antes de sair (só li metade. Dessa vez você caprichou no texto da Taiyosha).

Acho que você repetiu o título de Saki na lista seinen.

E esta abordagem foi inédita, hehe:
"título consumido por gordões solitários cercados por bonecas de PVC".
Nome: Pedro Henrique 27/07/09 10:16
"Em todo caso, a série emplacou muito rapidamente e já vai ganhar animação para dvd (para televisão seria muito complicado)."

É comum no Japão se apoiar em mangas desse gênero para fazer filmes com pessoas de verdade? O hentai em si seria tão ou mais forte que as similares as nossas revistas de mulher pelada, ou eu que estou viajando? Porque a quantidade de material que parece sair de hentai e as variantes eróticas é absurdamente grande, comparado com o que eu (não) vejo da existência de material erótico com pessoas de carne e osso no Japão. Já vi em algumas antologias de manga que tenho as fotos de meninas de biquini, mas desconheço como funciona a pornografia japonesa nos termos da nossa.

Alexandre: Bem, eu não consideraria isso pornografia comum nos moldes que empregamos por aqui. Claro, há cenas de sexo e rotinas obrigatórias, mas há um roteiro por trás e isso tem que ser levado em conta – não é "a garota da vez". Na verdade, acho que ele até ganharia mais maneirando nas cenas de sexo e cortando algumas delas – mas ainda está na categoria erocom, o material de erotismo light, sem exposição de genitália ou mostrando penetração graficamente.

Quanto aos ensaios fotográficos... na boa: é mais ou menos como em revistas como a Vip, que tem matérias, artigos e ensaios sensuais. Só que o pacote no caso inclui quadrinhos. Não tem muita diferença. Na verdade poderia ser um bom molde para uma revista de quadrinhos adultos por aqui. Se tivesse a Juliana Paes você não acha que eu iria querer dar uma olhada?
:D

"Porque mais do que sexo ou violência, é na abordagem dos temas que o rótulo adulto deveria se justificar – e esse material é um exemplo perfeito disso."

Em uma livraria, a seção de quadrinhos é a seção de quadrinhos e ponto final. Não existe a idéia de dividir os títulos por gênero, o que é uma pena. Na minha opinião, isso só demonstra como os quadrinhos em si são subestimados. Espero o dia em que eu não precise ir em uma comic store pra comprar certos títulos.

Alexandre Eu acho que isso tem que partir das editoras. Dividir por gênero e faixa etária. Criar selos. A ediouro fazia isso nos seus livros juvenis, porque não fazer isso com quadrinhos? Selo policial, selo aventura, selo romance. Colocar na capa a faixa etária a que se destina. Isso facilitaria muito até na organização dos titulos em uma livraria.
Nome: Matheus 28/07/09 03:00
Sei que é questão de gosto mas senti um preconceito tremendo quando você comentou sobre esses materiais dedicado ao publico ''otaku''. Pelo fato dos personagens terem um determinado tipo de design e maneira de agir parece que todo tipo de manga/anime com essas caracteristicas é uma porcaria.

Não somente com Saki mas com Suzumiya Haruhi tambem, concordo com vc que existem mangas e animes que atendem a esses tipo de ''modismos'' que são terriveis (os que são declaradamente feitos para um certo tipo de publico que compra esse material). Mas manga ruim existe de todos os generos.

Mtos outros tambem atendem a essas caracteristicas mas ao mesmo tempo possuem qualidades proprias. Tnto é que existem varios animes que estreiam numa mesma temporada com essas caracteristicas de ''moe'' feitos pra agradar otakus baboes e vender bonecas de PVC e travesseiros com figuras estampadas e etc.
Mas se comparar com a quantidade de animes desse tipo que estreiam poucos se destacam, e os que se destacam fazem grande sucesso no periodo (exemplo recente é aquele K-ON!).

Eu tambem nao gosto da mentalidade de alguns otakus que assistem a alguns animes ja pensando em comprar figures, dakimuras e tudo que for tranqueira do anime. Mas isso é mais culpa da mentalidade da pessoa do que o anime/manga em si (me referindo aqueles que nao atendem somente a fazer isso).

Ficar falando que quem gosta de animes desse tipo são "gordões solitários cercados por bonecas de PVC", entao quem lê a Shonen Jump aos 30 anos de idade é o que?
-
É só uma opiniao pessoal, curto mto teu blog e gostei da materia.
Flw

Alexandre: As seis da manhã é meio complicado para mim dar uma resposta muito extensa. Então vou tentar ser breve... generalizar sempre é perigoso, mas o fato é que no Japão essas coisas são feitas para esse público mesmo. Por que? Porque ele está disposto a gastar imensamente em quinquilharias que compensam com folga o investimento. Séries voltadas ao fã hardcore são exibidas em horários inóspitos e dão traço de audiência, mas não tem problema nisso por um motivo simples: eles vão render muito em produtos. Não duvido que uma série possa individualmente agradar a quem está fora desse esquema, mas não há como negar que como conjunto, seu publico não é esse indivíduo. Meu irmão não é leitor de quadrinhos e ele comprava Love Hina, tem a coleção completa aqui em casa. E ele odiou Negima. Volta e meia recebo alguma reclamação de alguém com esse perfil, e não duvido que seja de um caso isolado indignado em seu perfil de isolamento, mas esses materiais são feitos para o fã hardcore sim – e todo mundo sabe que esses tipos no Japão são casos terminais. Para dar um exemplo simples em outro sentido, eu meio que dei uma boa referência de um material erótico neste post mesmo e não sou um leitor frequente desse tipo de material, nem de longe. Já passei da idade de procurar combustível imaginário para ir ao banheiro (e convenhamos – você acha mesmo que Yuru Yuri é um título que merece perdão?).

Eu mesmo dei uma olhada em K-On para traçar uma opinião concreta e cheguei a conclusão de que simplesmente ele se espalhou por estar aparecendo em um momento de crise, aonde o Japonês está em um processo de negação do que acontece ao redor. É algo muito comum em períodos de depressão econômica – pode verificar: o auge da era dos musicais em Hollywood foi durante a década de 40, quando o país sofria com a Grande Depressão e ninguém tinha mais emprego. Pode reparar também que os musicais voltaram quando os Estados Unidos entraram no vermelho recentemente. O governo Bush não apenas afundou o país – trouxe Mamma Mia! e High School Musical por tabela. Só por isso ele merece ir para o inferno. Se eu fosse os produtores japoneses, faria testes de elenco e produziria uma versão
dorama de K-On, com um grupelho de meninas amestradas para interpretar na tv e fazer shows e gravar cds, que nem fizeram com os Monkees. Isso daria dinheiro para cacete por lá.

O ciclo tende a ser este: após o fim de uma depressão, vai haver um impulso de produção e uma sensação geral de recuperação. Quando passar a euforia, o pessoal vai sentir necessidade de olhar para os próprios problemas. Eu tenho certeza de que quando isso acontecer, os Ichigo Mashimaros da vida vão virar telhado de vidro – e menos cobertos do que o telhado de vidro da virada dos anos 60 pros 70, que foram as obras de Tezuka. Foi isso que gerou a fama da Shonen Magazine.

Quanto a Jump, ela é um caso especial: todo mundo a lê ou conhece seus produtos por lá. Não há como ignorar isso. É como não saber nada sobre a novela das oito no Brasil. E eu mesmo só vejo dois titulos nela que me mantém lendo por gosto: Bakuman, talvez por identificação pura, mas por ser um novelão mesmo, e o Sket Dance, que é uma verdadeira aula em termos de variedade e execução. Fora isso, eu escrevo e desenho, e eu mesmo como autor me enquadro numa categoria "para garotos". E não custa lembrar que Ashita no Joe e Devilman foram produzidos em revistas Shonen, para leitores adolescentes, e são histórias relevantes até para um leitor velho de guerra. Posso dizer até que falta isso hoje em dia no Shonen: a vontade de chutar o balde e ainda dizer que jogou dentro das regras para zombar daqueles que acharam que você podia ser inofensivo trabalhando com elas. Então não posso ignorar o segmento. Mesmo hoje.
Nome: Matheus 28/07/09 08:30
É exatamente isso que eu quero dizer, produtos desse tipo são feitos visando um certo tipo de publico (os otakus) mas isso não é necessariamente algo ruim até porque o que compreende a qualidade do anime/manga não é a imagem inicial que ele passa mas sim o seu conteudo e as suas caracteristicas proprias que vao atrair os fans (sejam eles fans baboes que só pensam no fator ''moe'' da coisa ou fans que procuram algo para se divertir sem ficar procurando esses ''fetiches'').

Concordo que sao feitos para certo tipos de publico e que esse publico possuem uma lista de ''caracteristicas'' que o atraem (e que eu acho perigoso em certo ponto) mas existem maneiras de mesmo com essas caracteristicas eles se superaram e apresentarem mais do mesmo. Um grande exemplo é o anime Suzumiya Haruhi no Yuutsu, possui todas as caracteristicas que fazem os fans otakus pirarem mas ao mesmo tempo possui uma das historias mais originais e divertidas que eu ja vi nos ultimos anos.
Aqui eu falo da questão da qualidade desse tipo de produto e não do seu publico-alvo.

Mangas por exemplo como K-ON! sao diversões descompromissadas cujo sucesso nao dura mais do que um ano e quando acaba o ''calor'' do momento some da cabeça dos fans.
Mas isso nao tira o fato dele ser um manga que diverte (mesmo que por pouco tempo), somente assisti parte do anime deste e gostei por ser um slice-of-life de humor que me lembra aquelas sitcoms americanas (tipo Seinfeld e Friends) e por nao se prender demais na imagem do ''moe'' / ou nao tornar isso o foco principal da obra (como tambem existem em outros mangas em grande quantidade).

Se são espelhos do que a sociedade vive na epoca eu nao acho que isso importe tanto, assim como a explosão de animes de super-robot da decada de 70 é uma epoca em que um monte de coisa do mesmo estilo vem junto buscando agradar ao publico que procura assistir sempre a mesma coisa, no meio de varios animes com roteiros vazios e personagens insonssos aparecem aqueles que se destacam entre os demais. Podem nao se tornar classicos de uma geração ou serem lembrados anos e anos como fizeram Yamato, Gundam, Ashita no Joe, Dragon Ball, Heidi e etc...Mas nao necessariamente devem ser excluidos desse universo.
Da mesma maneira como os musicais americanos estreiam hj em dia, temos besteiras como High School Musical nos cinemas, mas temos coisas boas como Moulin Rouge tambem.

*Nao sei se estou me expressando mal mas eu me refiro somente aos mangas e animes que tem como publico alvo os otakus mas que possuem alguma qualidade, pois tem mta coisa desse mesmo ''genero'' que busca apenas alimentar fetiche de otaku, e nao apresenta conteudo nenhum.

**Isso tudo é de acordo com meu proprio gosto pessoal.

Alexandre: Bom, talvez pelo meu próprio background não posso separar uma obra do contexto de mundo em que ele é feito. Vamos aos robôs gigantes que você citou. Chegou a ler a minha matéria sobre Ideon? Lá eu citei que os robôs gigantes eram feitos para vender brinquedos – mas chegou a um ponto de ousadia em que tendo um robô gigante, se podia fazer muita coisa. Mas é possível que saia um Ideon de uma série cuja premissa é fazer meninas de saiazinhas fazendo coisas fofas para que os outros digam "awww"?

Talvez seja esse o problema. Olha, o único anime que me animou este ano e que não é baseado em nenhum mangá é o Tokyo Magnitude 8.0. Se o nível não despencar – e eu rezo para que não despenque – pode ser uma das poucas produções da década que podem ser lembradas daqui a dez, vinte anos. Kaiji é fabuloso e poderia ser lembrado também no futuro, mas quem viu esse anime? Mas sendo sincero, não vejo margem para a criação de algo brilhante do cenário moe. Na verdade, acho que ele já estava começando a ser dinamitado pela galera do Superflat – e a crise simplesmente anulou esse ataque, porque agora as pessoas precisam de escapismo desesperado.

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