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Jul 24
Gin, Weed e agora Orion: Shonen de Quatro Patas
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Lancaster |
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1
Categorias: Ginga Densetsu Weed
Imaginem a seguinte situação: Um quadrinhista cria uma história de amizade entre garoto e cãozinho. A história não emplaca, porque afinal de contas, todas as histórias de amizade entre menino e cãozinho são insuportavelmente chatas (mas continuam sendo feitas porque são vistas como entretenimento "seguro" do ponto de vista dos pais que querem deixar seus filhos quietos em
um canto fazendo outra coisa). Então em um ato de insanidade, ele faz uma loucura – e tanto fazia, porque naquele ritmo, a série seria condenada, então que tudo se danasse: primeiro, resgata um evento do início da história (o cachorro é órfão porque um urso matou seus pais) e o reformula dentro de um novo contexto, fazendo com que ele ganhe outro significado; segundo, insere um dado novo do nada – o de que cães falam entre si, na sua própria língua, incompreensível para seres humanos; até aquele momento, cachorro latia e apenas isso. Terceiro, transforma tudo em um violentíssimo shonen de luta com plot de vingança em grande escala, nos moldes de séries casca-grossa como Hokuto no Ken.
Deu certo.
Nunca consegui reunir nenhuma informação a respeito dos bastidores da clássica série Ginga Nagareboshi Gin, publicada pela antologia para garotos Shonen Jump da Shueisha pelos idos dos anos oitenta. Mas porque será que acredito que a história por baixo dos panos não deve ter sido muito diferente do cenário que descrevi acima? A série, escrita e desenhada por Yoshihiro Takahashi, é talvez uma das obras mais violentas de toda a história da Jump, e sua versão animada pela Toei foi pesadamente retalhada no ocidente (ela fez um grande sucesso nos países nórdicos, e considerando a ambientação da história, sempre em montanhas cheias de neve, faz sentido; os finlandeses e suecos só puderam ver o material integral em 2003, quando do lançamento de um box em DVD com a série completa). Só que também é um roteiro dramático de primeira, que marcou época (há um episódio inteiro de Excel Saga parodiando esse material), e ganhou o prestigiado Shogakukan Manga Award de 1987 como melhor quadrinho shonen (para garotos). E se trata de um dos conceitos mais ensandecidos da história dos quadrinhos do gênero: lembre-se, quando falamos de shonen de luta, os golpes especiais estão no pacote.
A série teve vários derivados: o prelúdio Ginga Dentetsu Riki, as séries paralelas Meteor Gin, Meteor Gin: Akakabuto's Last Intense Fight e Meteor Gin: Bear Dog Birth Complication; além disso, ganhou uma continuação produzida pelo mesmo autor, Ginga Densetsu Weed (epa, Weed significa, em inglês nada mais nada menos do que... ei, será que foi assim que ele teve a idéia salvadora de transformar Gin em uma série de luta?), publicada pelo almanaque Weekly Comic Magazine Goraku da Nihon Bungeisha. Ela já foi bem mais longe do que a série que a precedeu (Gin teve 18 volumes, Weed acabou de ser concluído com 60 volumes) e já teve outros spin-offs, como o mangá de quatro volumes Gajo no Ketto Hen e a história curta Ginga Densetsu Weed: Meishobu Retsuden.
Agora a franquia está ganhando uma nova série: Ginga Densetsu Weed: Orion, que está começando a ser serializada nas páginas da Goraku imediatamente após a conclusão da série Weed (capa da edição acima). A série enfoca o filhote de Weed (que nasceu no último volume) e assim começa mais uma vez a roda generacional de porradaria com pulgas. E se houverem alguns filhotes sobrando eu quero alguns deles para proteger minha casa de assaltantes.
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