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Ranking da Taiyosha (JP) – 19/07/2009

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Lancaster | PERMALINK | 6

Categorias: rankings

Hayate no Gotoku

Semana retrasada, a Taiyosha simplesmente atrasou horrivelmente a postagem de sua lista de mais vendidos. Tudo bem, havia a desculpa do feriadão do dia de finados. Semana passada, entretanto, simplesmente não foi postado nenhum ranking – e o desta semana chega hoje, com atraso de um dia. Isso complica qualquer avaliação, e por isso vamos ter que apelar para a listagem da Oricon para fazer algum tipo de inferência: da semana de 6 a 12 de Julho, o campeão foi Katekyo Hitman Reborn e o seinen mais vendido foi justamente Angel Heart, de Tsukasa Hojo. O resto é estréia (exceto de Kodomo no Jikan, que estreou lá embaixo mas galgou rapidamente posições na lista de mais adultos, o que quer dizer que sensacionalismo barato vende). Com isso já sabemos o que é lançamento e o que é inédito – então vamos dizer logo: quem apita nesta semana, sem sombra de dúvida, é o material do almanaque para garotos Shonen Sunday, da Shogakukan: seus títulos tomaram de assalto a lista dos mais vendidos, encabeçados pelo mais do que sólido Hayate no Gotoku – ou Hayate, the Combat Butler, como queiram – e deixando como único bastião da concorrência no segmento a presença de Fairy Tail, de Hiro Mashima – publicado na Shonen Magazine da Kodansha.

Shonen/Para garotos

01. Hayate no Gotoku 20 (Shogakukan)
02. Azumanga Daioh: Hoshuu Hen 2 (Shogakukan)
03. Cross Game 15 (Shogakukan)
04. The World God Only Knows 5 (Shogakukan)
05. Zettai Karen Children 17 (Shogakukan)
06. Shijou Saikyou no Deshi Kenichi 34 (Shogakukan)
07. Fairy Tail 16 (Kodansha)
08. Gekkou Jourei 5 (Shogakukan)
09. Ocha Nigosu 9 (Shogakukan)
10. Saijou no Meii 6 (Shogakukan)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Aki-Sora 2 (Akita Shoten)
02. Kodomo no Jikan 7 (Futabasha)
03. Angel Heart 30 (Shinchosha)
04. Heaven's Prison 5 (Shueisha)
05. Needless 9 (Shueisha)
06. Kamisama Dolls 5 (Shogakukan)
07. Addicted to Curry 33 (Shueisha)
08. S-Senjou no Tena 6 (Hounbunsha)
09. Freezing 5 (Kill Time Communication)
10. Yuru Yuri 1 (Ichijinsha)

Cross GameQuando ouvimos falar dos desempenhos de vendagens das antologias, parece estranho que os títulos da Sunday possam invadir a lista dos mais vendidos em massa. Eu sei que isso é um clichê para quem me lê regularmente, mas não custa repetir para as almas que estiverem chegando agora: enquanto a Jump tem uma metodologia editorial de títulos praticamente planejados para não permitir que o leitor largue a página, e a Magazine tenta se ancorar as tendências da moda, a Sunday segue uma abordagem mais familiar, cotidiana, de identificação direta com o leitor. Isso gera um paradoxo: ele é menos chamativo que os títulos de sua maior rival, a Shonen Magazine, e por isso mesmo a Sunday tem menores vendagens do que esta; ela parece mais caretinha em comparação. No entanto, seus títulos tendem a ter mais solidez a longo prazo e quando um hit da Magazine como Fairy Tail é colocado para confrontar um Hayate no Gotoku, o vencedor é claro. Ranma era uma série popular entre crianças e adolescentes e mesmo com sua idade, ainda é facilmente encontrável em catálogo e se sustenta como leitura nos dias de hoje; O adolescente que começou a ler Touch no primeiro capitulo e entrou na faculdade quando da conclusão da história hoje tem filhos crescidos eKenichi provavelmente se um deles estiver lendo Cross Game, os dois estarão lendo juntos o material. O rótulo "para toda a família" tem um efeito diferente daqueles malditos filmes que empesteiam a sessão da tarde de nossos dias: ali, significa "filme de segunda mas que o pai pode deixar como babá eletrônica". Aqui, significa simplesmente que ele tem trânsito em diferentes faixas de idade e encontra eixos de identificação em diversos aspectos. Hayate no Gotoku, o campeão da semana, é um exemplo disso. É inegável que Kenjiro Hata, criador de Hayate, deve as calças em termos de influência ao Ken Akamatsu de Love Hina. No entanto, sua série não é um harém e ele não imita – nem tenta imitar – o autor citado; é possível ver soterrado debaixo de todo o seu humor amalucado um eco clássico que parece emprestado das obras da velha Nihon Masterpiece Theatre. A Shonen Sunday, de modo geral, nos coloca praticamente dentro da casa e da vida familiar dos personagens, e de certa forma coloca o leitor como parte dessa família. Shijou Saikyou no Deshi Kenichi é outro exemplo perfeito disso: o personagem-cobaia que se submete ao treinamento de seis mestres é acompanhado cotidianamente pelo leitor, e é dos atritos e pequenosFreezing empecilhos de seu dia a dia que surgem os problemas que virão a dar graça à história. Isso explica o sucesso de uma série formulaica como The World God Only Knows, que se ancora justamente no esforço diário do protagonista em conseguir interagir com as pessoas ao redor. Mesmo que ele seja um otaku insuportável...
Quanto a lista para adultos, não há muito o que dizer. O excelente Angel Heart se mantém sólido, mas a lista é dominada por títulos de fã hardcore (Aki-Sora, Kodomo no Jikan, Yuru Yuri e outros). O coreano Freezing, com excelentes desenhos de Kwang Hyun Kim, marca presença em uma listagem sem brilho. Por fim, Addicted to Curry, mangá de comédia de Kazuki Funatsu e que marca presença desde 2001 na antologia para adultos Young Jump, da Shueisha, sobre um personagem excêntrico que decide ajudar uma moça e seu pai a salvar da falência o restaurante da família. É pouco, mas tudo bem; as estrelas da semana foram os títulos para garotos da Shonen Sunday, de qualquer modo. Vamos ver como fica essa situação na próxima semana; de modo geral, Hayate e Cross Game tendem a ser mais resistentes; os demais tendem a cair. Além do mais, se mais material da Magazine além de Fairy Tail tiver sido lançado, é bem possível que eles emerjam a medida em que os títulos da Sunday perdem fôlego. É um movimento natural.


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Comentários:

Nome: Marcio 21/07/09 11:53
"e a Magazine tenta se ancorar as tendências da moda"

Errado. Tão errado que dá até agonia ler um negócio desses. Preconceito monstruoso da sua parte.

Alexandre: Não. O preconceito não é da minha parte. Quem disse que eu atribuí critério de valor ao usar o termo moda? Se você dar uma olhada em meu blog como um todo, vai ver – inclusive em seções de comentários – que tem alguns títulos da magazine estão em alta conta comigo. E se sintonizar a tendências não é crime. Na verdade é o que a Magazine fez ao longo de toda a sua história, e ele gerou clássicos obrigatórios do mangá no processo.
Toda revista tem algo chamado orientação editorial. Siginfica que isso define a abordagem dos títulos que aparecem em uma publicação. Agora, qual o problema com isso?


Se a magazine tem 5 titulos que se encaixam nesse esteriótipo é muito. lá tá cheio de clássicos inesquecíveis (principalmente os mangás de esporte como ippo, area no kishi e daiya no ace... dear boys é EXCEÇÃO) e de comédias bizarras que tão pouco se lixando pro que é moda e o que não é (zetsubou, yankee-kun, gto... deve ter mais). a jump tá muito mais pra "revista que se ancora as tendencias da moda" que a magazine, prova disso é que atualmente lá só tem mangá que o pessoal rotula como "modinha", com uma ou outra exceção. E quando tentam algo diferente a serie vai pro saco logo logo, como no caso de asklepios, de quem você mesmo já falou tanto por aqui.

Alexandre: Sendo direto: eu acho "modinha" a palavra mais ridícula do mundo.
Quando alguém chama algum material de "Modinha", eu entendo como "Pô, se todo mundo gosta disso eu deixo de me considerar especial por gostar desse tipo de material, e como eu não quero perder a pose, aplico o rótulo para diminuir quem gosta dele, assim eu continuo sendo parte deuma elite privilegiada de fãs". E eu acho isso uma cretinice que dói, principalmente porque todo mangá sonha em ser popular quando crescer.
A Magazine é rastreadora de tendências e tem um bom motivo para isso: Ela é voltada para um público imediatamente mais velho do que o público alvo da Shonen Jump. Isso é público e notório, pode pesquisar. A idéia é pegar os leitores que estão largando a revista, e por isso vende um pouco menos do que a Jump; alguns leitores vão fatalmente migrar para outras revistas, mas o grosso ela pega. Então ela nunca tromba diretamente com a nº1 – e porque o faria, se pega o público que ela captou e se dá muito bem com isso?
Por isso mesmo ela se ancora a tendências da moda, sim. Se você larga a Jump porque ficou velho para a revista, é porque ser o melhor campeão de cardgame do mundo como em Yu-Gi-Oh não tem mais apelo para você. Então se mira justamente na carga de anseios e costumes do publico que ja está entrando na faixa dos quinze anos. Air Gear é um exemplo perfeito: ele mistura sob um filtro de fantástico esportes de ação e cultura urbana inspirada pela estética hip-hop... Que é moda entre adolescentes japoneses. Séries como Beck e Capeta (que saíam/saem na Magazine mensal, mas o perfil da revista não é muito diferente) caem na mesma categoria. Com quinze anos, você quer ser um ninja ou quer montar uma banda de rock/ser piloto de fórmula 1?
Se você leu a matéria sobre Sayonara Zetsubou Sensei que escrevi para a Neo Tokyo, vai perceber que eu tenho essa série em altíssima conta mas eu te digo que boa parte do apelo dela para os japoneses é justamente fazer piada com pessoas e eventos conhecidos do momento. A Shonen Magazine se ancora justamente nisso, no que é burburinho no momento. Um dos meus tesouros pessoais é uma Magazine de 1971 e outra de 1974. Precisa ver quantos materiais de artes marciais eram publicados porque haviam filmes do gênero pipocavam nos cinemas da ásia na época.
E a propósito, eu gosto de Area do Kishi, mas aquilo é uma reciclagem tão escancarada do mangá de beisebol Touch do Mitsuru Adachi que se for lembrada, vai se lembrada pelo descaramento. Para que você não pense que é implicância minha, a Shonen Jump fez o mesmo com Whistle, que é clone do clássico de beisebol Playball, de Akio Chiba. Essa é uma maldição dos quadrinhos de futebol no Japão. Ainda não surgiu em um mangá de futebol "a história" que vai ser sempre lembrada pelo seu mérito em si. Como eu gosto de futebol, ainda estou à espera dela.


Mangas como tsubasa chronicle, negima e air gear são meio superficiais mesmo, mas a lista para por aí. é sacanagem achar que eles representam todo o conteudo da revista só porque são os mais conhecidos.

Alexandre: E quem disse que eu desprezo esses títulos por serem o que são? Estou descontente com os atuais rumos da série, mas eu gostava muito de Air Gear quando era simplesmente um mangá sobre gangues de adolescentes patinadores.

E a propósito, você diz que a magazine tem vendas menos solidas que a sunday mas não é bem por aí. os titulos mais fortes vendem menos que os mais fortes da sunday, é fato. mas os menos populares vendem muito mais que os de menos expressão tanto da sunday quanto da jump. não é que a revista como um todo não gera vendas de tankos satisfatorias, é que há um equilibrio maior entre os mais e os menos populares dentro dela. o que permite que não haja tantos cancelamentos quanto em suas rivais, alias - se tudo vende razoavelmente bem, pra que cortar o que vende menos?

Alexandre: Ele é menos sólido justamente a longo prazo. A menos que saiam daí clássicos como um Ashita no Joe ou Devilman (que estão sempre em catálogo), o grosso tende a desaparecer por uma razão simples: a opção de sintonizar-se com gostos, usos e costumes (aquilo que em conjunto podemos chamar de moda dos garotos de seu tempo faz com que rapidamente esses títulos se tornem datados. Se você procurar os títulos da Magazine dos anos oitenta e comparar com os da Sunday e os da Jump, por exemplo, vai reparar que de modo geral eles é quem mais refletem os exageros da moda e dos gostos da época; por isso viraram artigos de nostalgia. Digo e repito: a Shonen Magazine é a revista que vive seu momento e o de seu leitor. É o seu perfil. Quando o momento passa, ele está já sintonizado no novo momento. E por isso vende melhor do que uma Sunday. No entanto, quando o momento passa, os títulos mais sintonizados com esse momento que passou tendem a passar com esse momento, e por isso mesmo, tendem a vender menos a longo prazo nas livrarias. Os da Sunday, por serem mais neutros nesse sentido, e pelo fato de investirem em identificação bruta, acabam sendo mais resistentes quando bem-sucedidos. Não há perda de leitura em um Touch ou mesmo em um Ranma por causa disso; ambos vivem em seus mundinhos a parte e são meio indeléveis a novas... modas. Simples assim.
Nome: R. Moss 21/07/09 04:05
"quando um hit da Magazine como Fairy Tail é colocado para confrontar um Hayate no Gotoku, o vencedor é claro."

Não foi a primeira que ambos títulos saíram no mesmo dia (às vezes um sai até um dia antes do outro), mas no geral, as vendas se equivalem. Apontar um vencedor nesse confronto só seria válido para termos "visuais" de ranking. Naquela lista dos mangás mais vendidos do primeiro semestre, há dois de cada, e todos eles com vendas praticamente empatadas.

Nenhuma shonen de peso será lançado nessa semana, mas tem Oh My Goddess na quinta, Otomen na sexta e meu aniversário no sábado (¬¬;).

Então será interessante ver esse "combate" entre Hayate e Fairy Tail. Mas acho que Fairy Tail deve subir algumas posições.

Ah, também a desagradável Haruhi deve aparecer na rabeira da lista.
Nome: R. Moss 22/07/09 10:04
Lancaster disse: "Quando alguém chama algum material de "Modinha", eu entendo como "Pô, se todo mundo gosta disso eu deixo de me considerar especial por gostar desse tipo de material, e como eu não quero perder a pose, aplico o rótulo para diminuir quem gosta dele, assim eu continuo sendo parte deuma elite privilegiada de fãs". E eu acho isso uma cretinice que dói, principalmente porque todo mangá sonha em ser popular quando crescer."

Bicho, uma das maiores verdades que já li. Se algum dia escrever sobre o mercado nacional, não esqueça de colocar isso mais uma vez.

Quanto mais gente lendo determinado título, melhor, oras.

Alexandre: Eu repito isso há anos... :-/
Nome: F/X 23/07/09 12:37
Segunda, dia 20, foi feriado, dia do mar. Acostume-se, o Japao tem mais feriados que a Bahia tem carnavais.

Alexandre Quem diria... :D
Nome: Carlos Eduardo 25/07/09 10:15
As vendagens de Fairy Tail foram menores dessa vez porque há uma edição especial e porque provavelmente deve ter sido lançado no meio da semana levada em consideração para o ranking. A vendagem dos volumes de Fairy Tail está estabilizada em 300.000- 360.00 exemplares e eu duvido muito que o anuncio do anime tenha feito as vendagens cairem.
Talvez a distribuição dessa semana tenha sido precária, aconteceu o mesmo com o último volume de Kuroshitsuji. Começou em uma colocação baixa mas se manteve em posição estável durante algum tempo.
Nome: Pedro Henrique 26/07/09 10:34
"Bicho, uma das maiores verdades que já li. Se algum dia escrever sobre o mercado nacional, não esqueça de colocar isso mais uma vez."

Pode colocar também quando for falar de alguns fórums brasileiros sobre anime e manga, onde certas pessoas acreditam que, por exemplo, um Naruto fazendo sucesso, o mundo vai acabar porque a OBRA está sendo mal interpretada ou veiculada como manga infantil (qual era o público alvo da série mesmo?). É até engraçado ler esses textos.
Sei lá, mas não me sai da cabeça que muita gente age assim por uma certa falta de auto-estima. Resumindo, parece criança fazendo birra.

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