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Jul 06

Algo Contra Quadrinhos de Livraria?

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Lancaster | PERMALINK | 23

Categorias: Artigos e Reviews

Speed Racer

O lançamento da edição definitiva de Speed Racer, de Tatsuo Yoshida, pela editora NewPOP, foi pontuado pelas declarações ferozes que começaram a pipocar no orkut (que se tornou um território selvagem nos ultimos anos) em sua esteira: "Uma das coisas que eu mais odeio em publicação de mangá clássico no Brasil é que lançam como material de luxo só pra encarecer a facada. Melhor seria o mangá todo em preto-e-branco com preço de tankohon normal. O que virá depois?! Uma edição com bordas douradas à 100 reais?! Por isso que material clássico num dá certo no Brasil!"
Outra declaração questionável (crimes hediondos contra a língua portuguesa mantidos como na mensagem original. Não quis ser bonzinho dessa vez): "Palhaçada desse jeito naum impórta a qualidade da um aperto no coraçao comprar assim, eu acho q eles tem q ser q nem a panini em relaçao aos mangas naum importa o titulo seja e sempre o mesmo tratamento dado e sempre o mesmo preço 9,90, assim fica facil pra todo mundo ter o manga, sem falar tb q Grims manga novo tb aumentaram o preço q pisada na bola legal da new pop, acho q o certo seria nenguem comprar assim rapidinho eles baixariam o preço!" Lindo, não?
Mas será que o preço é é tão absurdo assim? De acordo com o press-release da editora, o box poderá ser obtido a R$ 60,00. Olhando o custo-benefícioSpeed Racer (624 páginas coloridas e bicolores, papel off-set – enfim, o que se exige de uma edição definitiva que se preze), eu não vejo nada de errado. Se olharmos que neste exato momento, temos visto nossas livrarias com edições com uma qualidade de cair o queixo, especialmente na nova leva da Companhia das Letras: Nova York: A Vida na Grande Cidade e Retalhos, ambos tijolões de tamanho respeitável, chegando a ter praticamente 400 ou 500 páginas, o lançamento é interessante por apresentar um caminho de viabilidade para o lançamento de mangás clássicos no Brasil – porque eles tendem a ser esnobados pelos leitores, vergonhosamente. É melhor lançar séries completas em boxes do que ver o deplorável desempenho que um Princesa e o Cavaleiro teve em banca se repetir – e derrubar mais uma vez as possibilidades desse tipo de material no país.
Ninguém mais do que eu defende a presença de quadrinhos populares nas bancas. Mas tem horas em que não adianta tapar o sol com a peneira: Todo mundo diz "eu compro, eu compraria". Mas na hora de comprar, não compra. Se todo mundo que dissesse que compraria algo na hora de preencher questionários online na internet o fizesse, acreditem: seríamos uma fábrica de best-sellers. É por isso que consultas online não valem um vintém cheio de buracos de bala aqui no Brasil: o leitor brasileiro já cansou de mostrar que não é confiável e no futuro isso pode vir a prejudicar muita iniciativa boa. Então vamos aos fatos.

O Leitor Brasileiro de Banca Desdenha os Clássicos.

Quem acompanha o blog da Valéria vai lembrar de certo momento onde uma leitora reclamou do excesso de matérias sobre "shoujo (material para meninas) antigo" na revista Neo Tokyo (para onde ela escreve). Vou tomar a liberdade de transcrever algumas palavras da própria articulista.

Um dos motivos apontados é a quantidade de matérias sobre shoujos antigos. Eu fiquei sem entender, afinal, o material que eu resenho geralmente é novo, novíssimo ou ainda em publicação. Expus a questão, disse que compreenderia se a crítica se fosse em relação a escolha de temas, estilo e outros fatores ligados ao meu gosto pessoal, mas a idade do material não poderia ser um fator. Afinal, na última edição, só para citar um exemplo, tem matéria de Naisho no Tsubomi, Sunadokei e Otomen escritas por mim. Houve matérias recentes, feitas por outros redatores, sobre Nana, Vampire Knight e outros mangás "da moda". Mas daí alguém disse que shoujo "antigo" não quer dizer "velho", mas com histórias e traço em "estilo antigo".
Daí começaram a explicar que LoveCom, Hanakimi, Karekano, Fruits Basket e mesmo Marmalade Boy (N. do R.: que já tem quase 20 anos de estrada) seriam modernos. Ninguém enumerou ainda o que seria "antigo", tampouco sugeriu algum título "moderno" para que eu fizesse matéria. Alguém entende o que estão chamando de "estilo antigo". Eu realmente não sei o que pensar... Fiquei sem entender e acho que não vou ter sugestão alguma saindo deste tópico.

Marmalade Boy

Não precisamos exclusivamente nos fiar no universo para meninas para encontrarmos esse tipo de postura – ela está lamentavelmente em todos os cantos possíveis. Já vi garotos na internet desdenhando Astroboy, dizendo que o material nunca foi lá essas coisas; gente dizendo que Lobo SolitárioRibon no Kishi "deve ter lá seus méritos porque sem ele não haveriam coisas como Vagabond", mas que parecia um quadrinho ruim dos anos setenta (e o sujeito em compensação babava por qualquer um desses mangás com meninhas bonitinhas); e não precisamos lembrar de novo do desempenho de A Princesa e o Cavaleiro em nossas bancas (apesar de, ao contrário do que o pessoal gosta de falar por aí, ele não ter sido o maior fracasso da JBC. Uma fonte confiável já me passou quais foram os dois maiores desastres comerciais da editora, e se eu abrir o bico, vai aparecer uma horda de harpias furiosas querendo meu pé por conta de uma delas. Que provavelmente elas leram na internet, fizeram fanfics, fanarts e outras coisas de fã, mas comprar que é bom, neca. E que nem é "mangá velho". Só vou dizer que não foi A Princesa, nem de longe).
Agora vamos a um dos cases de sucesso que ajudaram a abrir o mercado de livrarias no Brasil (embora haja quem prefira nem lembrar disso): Buda, de Osamu Tezuka. O mesmo que "não vendia no Brasil". Que começou com uma periodicidade espaçada em livraria e deu tão certo que a editora passou a lançá-la de forma mensal. Eu não teria escolhido Adolf para sucedê-lo – eu optaria por Fênix, por ter um subtom mais místico e filosófico que poderia agradar aos leitores de Buda, e só assim, com o autor consolidado, lançaria Adolf. Mas mesmo este chegou a sua conclusão e sem percalços aparentes.
Mangá clássico "não dá certo", é?

Há Leitores em Livraria

VagabondVamos ser honestos. Todo mundo gosta de pegar no pé da Conrad pelo fato de terem cancelado sua edição popular de Vagabond e deixado apenas as edições de livraria. Não seria porque a edição de livraria tornou-se mais lucrativa do que a edição popular – e porque esta começou a dar prejuízo justamente porque seu público TEM bala na agulha para comprar essa edição mais cara, e simplesmente foi largando a edição antiga? Se é assim, como dizer que materiais de livraria não vendem (uma das barbaridades que eu já ouvi da boca dessas almas que povoam a internet na hora de tirar esses argumentos absurdos da manga)? As editoras queimam dinheiro, por acaso?
Direto ao ponto: materiais de livraria tem tiragens menores, mas em compensação tem lucratividade maior. Até porque estamos falando de um conceito primário de marketing: valor agregado. Melhoras no acabamento gráfico (papel, cores, etc.), encarecem? Sim, mas seu público a percebe como agregamento de valor – ou seja, Sanctuaryo material vale a pena ser comprado justamente por ser bem acabado. Note que isso vale principalmente para quadrinhos adultos. Provavelmente se Sanctuary, de Buronson e Ikegami, tivesse sido lançado em livrarias, ele não teria sido interrompido na sexta edição e estaria completinho, na minha estante. Nausicäa sai a quase trinta paus por volume e faltam dois volumes apenas para fechar a série.
O que isso quer dizer exatamente? Simples, quando você paga suas contas – e é isso o que diferencia o leitor adulto do leitor mais jovem – pode se dar conta de algo chamado "custo-benefício". A finada Pixel (convenhamos, uma coisa mal pensada como Luluzinha Teen não é sinal de vida editorial) lançou Sandman em uma suposta "versão mais acessível", que lançaria a série em um formato menor, com menos páginas, com dezoito volumes ao final de tudo. Na verdade, é um barato que sai caro e com menos qualidade: com cada volume a R$ 29,90 o custo de se ter uma coleção completa é de R$ 538,20; Os dez volumes da versão Conrad, em média, ficariam na faixa dos seiscentos conjuntamente. Mais caro? Sim, mas com tamanho maior, capa dura e mais resistente a amassões e danos, e em um tempo muito menor. A longo prazo (porque eu suponho que um leitor compre e se preocupe com a integridade das suas coleções ao longo dos anos), justifica e muito a aquisição – e cá entre nós, a adoção desse "modelo econômico" para Budauma coleção que se vende continuamente em livrarias é um case de mercado fabuloso sobre o que NÃO se deve fazer: Quem comprou os últimos volumes de Sandman e não pegou os primeiros provavelmente adoraria ter a oportunidade de começar sua coleção e colocá-la na estante. Para ler a história desde o começo, teria que comprar o material com um formato diferente, e não se pode negar o fator "colecionismo" em um produto seriado. Isso desanima o comprador.
Não custa dizer que não importa o formato, Sandman vai continuar saindo. E olha que ele sempre teve uma história editorial claudicante em bancas. Seus fãs mais fiéis não estão lá.

Na Ponta do Lápis

Já falamos que o pacotão de Speed Racer vai custar 60 reais nas livrarias, e é importante dizer que pela Internet, ele pode ser obtido por 48 reais. Quem escreveu aquelas barbaridades não tem noção que uma unidade que se vende na banca sai muitas vezes por doze reais, com meras duzentas páginas. Isso significa então que no formato supostamente econômico, gastaria-se cerca de... 36 reais em preço de hoje, com um pouquinho de picotagem e gambiarra nisso. Grande lucro esse, com perda de cores, qualidade, durabilidade e vários outros fatores, por doze reais na prática de diferença; compraria alegremente todo o Slam Dunk em edição definitiva para não ver as páginas das edições que tenho amarelecendo a cada dia. E fico pensando também no futuro de iniciativas similares. Há muita coisa que eu gostaria de ver no país – e cuja única chance comercial é a livraria, sem sombra de duvida.
Slam DunkÉ algo que faz diferença. O antigo proprietário do Studio Proteus, Toren Smith (responsável pela maior parte dos mangás publicados em território americano durante os anos oitenta), acertou na mosca em suas declarações: "Algumas pessoas criticaram minhas escolhas, como a de escolher me concentrar em poucos títulos sólidos ao invés de pôr 50 títulos para subir no pau-de-sebo e ver qual deles conseguia chegar ao topo. Mas gostaria de apontar que títulos como Ghost in the Shell tiveram um sucesso enorme até agora, mesmo em termos atuais. Vendemos 80.000 cópias dele, em um volume de 25 dólares. E isso é melhor do que muita coisa lá fora."
É verdade. Recapitulando o beabá: Um mangá "popular" tem mais vendagens, mas se ele não as tivesse, sofreria com maior impacto o baque de seu desempenho porque sua lucratividade é bem menor. Um mangá por aqui muitas vezes tem 7% do preço de capa destinado aos autores originais – geralmente a parte do autor em um país de origem fica nos 11%. Vamos generalizar e se valer desses 7. Os 27 primeiros volumes de Naruto (atualmente por lá o volume mais recente é o 45, mas estou me valendo desses dados para facilitar o cálculo) venderam 1.800.000 cópias nos Estados Unidos (a propósito, em livrarias), sendo responsáveis sozinhos por 14% do mercado de quadrinhos por lá. Vamos tirar uma média: para fins práticos, imaginemos que cada volume tenha vendido 66.666 exemplares (estou falando sério, deu esse número mesmo, arredondando). Como o preço de capa é US$ 7,95, a parte da editora dentro dessa média é de US$ 37.100 aproximadamente. Obviamente a parte da editora local é maior, acreditem.
GITSParece pouco comparado com os ganhos astronômicos japoneses? Não é bem assim, por dois motivos. O primeiro é que esses materiais estão muitas vezes simultaneamente no mercado. Enquanto na banca há um prazo de validade – o material tem que vender de forma corrida, pegar o que puder e dar lugar a edição seguinte, em livraria o material tem maior período de exposição no ponto de venda. Quando sete volumes de Naruto estão no topo de venda, significa que a editora não parou de faturar algo que já rendeu quase 33 mil dólares. E detalhe, eles continuarão rendendo. Na livraria, a venda se dá a longo prazo.
Outro detalhe salta aos olhos caso ignoremos médias e paremos para pensar que na verdade os volumes mais antigos vendem mais simplesmente por terem mais tempo de exposição. E para isso vamos ter que pensar em termos da Teoria da Cauda Longa. Primeiro, dêem uma olhadinha na wikipedia. É rápido e o conceito não é complicado, só olhar aqui.
Já leram? Ótimo. Agora pensem bem: tomando como partida os famigerados 7% de preço de capa, Ghost in the Shell, em uma edição única, com todas as páginas coloridas a que tem direito, formato maior, papel couché de grande gramatura e o diacho a quatro, rendeu – e continuava rendendo até que a Kodansha não renovou o contrato para abrir sua entrada no mercado editorial – nada mais do que US$ 112.000 desde que foi lançado na gringolândia em 1995. Ou seja, até ano passado, US$ 8615,40 arredondados, entrando anualmente na conta da Kodansha – basta manter tiragens pequenas e ir lançando periodicamente. A parte da editora local é maior, claro – e tendo isso em mente, é mais do que um One Piece por lá, por exemplo.
Se acharem pouco, há uma passagem recente na série Bakuman, de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, que é bastante esclarecedora nesse sentido (tradução minha. Sentido original da direita pra esquerda, para ninguém se perder).

Bakuman

Detalhe, essas tiragens só fazem sentido no contexto de que, com o esgotamento da primeira leva, vem sempre uma nova tiragem em carreata – e assim a série cresce cumulativamente em vendagens.
Pegaram o ponto?

A Armadilha dos Descontos

Uma das coisas importantes nesse contexto é que uma editora precisa saber quem é seu cliente. No caso de Speed Racer é óbvio que por mais que muita gente chora e fale, o verdadeiro comprador é um marmanjo com mais de trinta anos que vai querer ter um item relacionado à sua infância – não muito diferente do verdadeiro alvo da Focus ao relançar DVDs de Jaspion e Speed RacerChangeman. Fãs de material japonês que sabem pronunciar sem errar a palavra "tokusatsu" são meia dúzia. Trintões com saudade da infância entram em outro terreno de mercado. E aos trinta e cinco, com filhos, de modo geral esse é um cliente que vai pagar. É memorabilia, no fim das contas, e vai ficar ao lado do box de dvd com todos os episódios da série, lançado no Brasil na esteira do malfadado filme dos irmãos Wachowski. O adulto compreende o valor como pertencente a algo a ser guardado, e eu acho que o mais atraente do pacote é ser uma série clássica completa, com páginas originais a cores e bicolores. O que quero mais é ver essa e outras, por várias editoras, difundindo o formato. E aqui entramos em um comentário semi-analfabético que vou repetir para o horror geral: "acho q o certo seria nenguem comprar assim rapidinho eles baixariam o preço!"
Ninguém merece nenguem, mas achei importante fazer uma colocação porque ela reflete justamente a postura de certa ala dos fãs, que assim deixam todas as editoras como reféns. O produto dirigido não vende (até porque no Brasil, mangá é dirigido; chato dizer isso, mas talvez o único produto de massa no segmento é Mônica Jovem e, talvez, Naruto. Luluzinha Teen é de massa, mas convenhamos: é uma atrocidade capaz de afastar o próprio público. Não adianta fazer tudo certo – leia-se, ter marketing e tiragem – se o produto é indefensável) porque muita gente ao não comprar, faz a editora ter prejuízo. Assim, a editora, desesperadamente, lança descontos para amortizar os danos e os ratos que a levaram a esta situação fazem a festa. RetalhosFazer isso como estratégia pra forçar preços a baixar já extrapola as regras naturais de mercado; é extorsão, pura e simples.
O que uma editora poderia fazer para se defender? Simples: acabar com os descontos e anunciar claramente essa política desde o começo. Melhor queimar o encalhe após os tradicionais seis meses dedicados aos interessados por números atrasados – ou mandá-lo, digamos, para Angola ou Moçambique, para que nunca mais voltem. O interessado que pague, e diabos, quadrinho é caro no Brasil por conta de nossa distribuição que exige 40% do preço de capa ou até mais, caso a editora seja novata. Eu mesmo não compro tudo o que gostaria de ler; num cenário de aperto, todo mundo seleciona o que vai ou não comprar. É arrogância pensar que só por você não poder comprar alguma coisa, qualquer coisa, o mundo deve se dobrar a você. O cliente não tem sempre razão, especialmente quando ele não é cliente.

Sendo Meramente Realista

Como eu disse lá em cima, o maior atrativo do lançamento para mim é poder obter uma coleção completa com a qualidade que merece, quanto a Speed Racer. Olhando obras como as lançadas pela Companhia das Letras (penso especificamente em Retalhos, de Craig Thompson, e Nova York: A Vida na Grande Cidade, de Will Eisner), me pergunto se essa abordagem – formato maior, mais de quinhentas páginas, capa cartonada, orelhas, preço médio de R$ 55,00, não seria a melhor opção para lançar séries um pouco mais longas em nosso mercado. Se tomarmos como paradigma esse exemplo citado, um Sanctuary poderia ser lançado em meros quatro volumes e Nausicaaum Monster, se não me engano, com seis – quem sabe nas medidas de uma edição definitiva de Vagabond, mas com um acabamento similar aos dois títulos citados. Sairia mais caro? Sim, mas pense bem: o público comprou o Sanctuary barato, econômico, amigável? Não. E pelo visto, nem adianta tentar. Mas o público desses materiais, adulto, teria bala na agulha para encarar. Vale a pena fazer barato para que o público não compre, porque tem coisa demais pra comprar e é mais jogo comprar em promoção?
Por outro lado, alguém deu uma olhada nos preços de livros? Isso mesmo, livros. Em média, eles se aproximam da faixa dos quarenta reais. Livro é caro no Brasil? Infelizmente é. Só nos últimos anos é que emplacaram iniciativas como a da editora L&PM e do selo Companhia de Bolso (adivinhem de qual editora). Talvez a abordagem dessas fosse a melhor opção para que se publiquem quadrinhos mais baratos com um mínimo de qualidade. O fato é que lá fora, mais e mais cresce a consciência de que o futuro do mangá no ocidente é a sincronicidade com seu lançamento no Japão. E não haverá mais espaço para que se lancem materiais mensais no Brasil quando boa parte deles pode estar disponível por completo na internet. A corrida por lançamentos de One Piece nos Estados Unidos não está sendo feita a toa.
Claro que quadrinho tem que ser popular e para isso tem que ser barato. Mas para isso existem as antologias regulares, com impressão de oitava categoria, dessa que suja os dedos, a um preço nanico para que ninguém sinta pena de jogá-lo fora depois. Afinal, para o preço alto ser sinônimo de bom acabamento, há uma contraparte lógica para isso no produto mais barato. E ele não deveria existir para ser colecionado.
Mas sobre as antologias, que são a resposta para esta outra faceta da equação, vamos deixar para falar em outro momento. Quanto aos clássicos, quero apenas saber aonde esses chorões estavam quando A Princesa e o Cavaleiro foi lançado em banca.

Speed Racer


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Comentários, Trackbacks:

Nome: Ana Cristina 06/07/09 11:13
Olha, eu comprei 'Princesa e o cavaleiro' da JBC e sabe o que eu tenho agora? Lixo. Tá tudo solto, papel amarelando, capa entortando.

EU pagaria feliz mais caro pra ter a coleção com boa qualidade.
Nome: Alexandre 06/07/09 11:38
Excelente matéria. Elucida bem ao público a questão da qualidade, para o verdadeiro fã isso é muito importante. Modistas sempre existirão. Doei a minha coleção de Dragon Ball a favor das edições definitivas desde que foram lançadas.

Na verdade o público brasileiro só gosta de reclamar, mas na hora H volta atrás.

Por curiosidade, todos os meus mangás antigos estão amarelados, inclusive Samurai X e Video Girl Ai (que comprei mais para ajudar o incipiente mercado e acabei gostando).


Alexandre: Bom, essas coisas acontecem – eu pelo menos parei após o papelão com a Nobuko e o escorregador no parquinho. Mas fico pensando se a JBC ainda pretende lançar o Kanzenban de Samurai X. Eu hoje acredito que não, até declaração oficial em contrário.
Nome: Philippe Marlowe 07/07/09 01:54
Apoio cada vírgula do texto e achei o preço até bastante razoável, ainda mais considerando que o mesmo Box em dólares está custando $31,96.

Sou da mesma crença que o mangá clássico só terá futuro nas livrarias. Mas infelizmente, ainda é uma utopia pra mim ver um dia os meus mangás favoritos publicados nesse país. Eu mesmo já pensei em comprar os direitos de algum, mas acho que seria uma medida muito arriscada...

Às vezes eu penso que o público consumidor de um Will Eisner poderia até se interessar, mas todo mundo conhece o Will Eisner, arriscariam um ilustre desconhecido?

Gostaria de saber o que deu tão certo com o Buda... se bem que Osamu Tezuka anda ganhando uma repercussão que nunca teve antes lá fora.

Alexandre: Bom, Buda se beneficiou do fato de que acabou sendo colocado em setores dedicados a religião e auto-ajuda em grandes livrarias várias vezes, e isso fez com que caísse no radar das pessoas interessadas no assunto. Temos que lembrar também que o Brasil é um povo aonde religiosidade, misticismo e fé são tidos em alta conta. Em contrapartida, ficção científica é um gênero que encontra dificuldades por aqui. Isso tudo conta.

Mas há seus problemas. Por exemplo, dá para imaginar, nos moldes que eu falei, um Fênix ser lançado em boxes. Mas e uma obra mais longa, como Ashita no Joe? Tem isso a se considerar.
Nome: D'Kaesar 07/07/09 02:28
Lancaster, ótima materia e com timing perfeito.

No mais me da um nó no coração ao olhar minha edição nº1 de sanctuary com uma capa vermelha vagabunda, paginas descolando e amarelando, ai me pergunto o quanto esse material não faria sucesso nas livrarias se bem trabalhado.

E é chato admtir mas quadrinhos de qualidade no Brasil viraram luxo.
Nome: Tiago Elias 07/07/09 04:53
Obrigado por abrir ainda mais meus "olhos".

Existia um GRANDE preconceito meu contra estas séries clássicas, preconceito esse meramente visual. Indiretamente e diretamente pelo seu artigo, repensei sobre muito do que são e o que foram estes mangás.
A história do mangá não existiria sem eles, assim como muito da história humana não existiria sem a Idade Média (alusão à outro preconceito geral dessa época).
Enfim, excelente artigo (?).
Essa página do Bakuman é recente (hehe), o Bakuman é o primeiro a mostrar o mangá de dentro para fora? mostrando suas entranhas e conflitos? É em parte, a história dos próprios autores?

Alexandre: Obrigado, Tiago. Bom, eu não duvidaria que tivesse alguma parte autobiográfica nesse material, mas não tanto assim – convenhamos que Bakuman se estrutura muito como uma novela, cheia de reviravoltas, momentos dramáticos, etc. Mas não foi o primeiro a narrar os bastidores da vida de quadrinhista. Na época particularmente criativa da virada dos anos sessenta para os setenta, há duas obras obrigatórias: Manga Michi, de Fujio Fujiko A., que mostra a amizade e a parceria da dupla que criou o Doraemon, mas mostra também as raízes do que iria separar os dois; e Otoko no Jôken, de Ikki Kajiwara e Noboru Kawasaki – e que é homenageado explicitamente no primeiro volume de Bakuman. Esses dois títulos foram a inspiração para muita gente desenhar mangá – mas esse tipo de história parece aparecer generacionalmente no Japão, Bakuman é apenas o representante em nossos dias dessa linhagem. Mas é uma grande linhagem. :)
Nome: Pedro Henrique 07/07/09 09:02
Parabéns pela matéria, muito boa mesmo. Agora os comentários:

"Todo mundo gosta de pegar no pé da Conrad pelo fato de terem cancelado sua edição popular de Vagabond e deixado apenas as edições de livraria."

Eu entendo a lógica da editora em continuar apenas com a versão encadernada, mas minha opinião nesse caso é a de leitor normal do manga: eu estava feliz da vida lendo de volta Vagabond, que tinha uma qualidade excelente em bancas, com papel e capas de qualidades, quando vejo um comunicado no manga dizendo (me corrija se eu estiver errado) que a série seria publicada apenas no formato livro em respeito aos leitores.
Eu li alguns comentários na internet falando que a coleção ia ficar estranha na estante, mas para mim, no caso do Vagabond, eu só queria ler.
O que eu fiquei realmente indignado é que ficou parecendo que mais do que seguir a lógica de mercado, eles quiseram simplesmente ganhar mais dinheiro com a série. Mas contanto que eles voltem a publicar de novo no Brasil, eu já ficou feliz.

Alexandre: Bom, do ponto de vista da editora, eles quiseram ganhar mais, verdade: mas em outros lugares do mundo são lançados revistas em diferentes formatos e cada um compra o que interessa. Eu mesmo tenho o primeiro volume da edição definitiva japonesa de Gundam the Origin e a série continua saindo em volumes de bolso padrão no Japão, sem que um venha a competir com o outro. Aqui, descobrimos em primeira mão o que acontece: o público de uma série migrou para a outra versão, deixando de consumir a versão antiga. Com isso, a versão popular passou a dar prejuízo. Não culpo a editora. O que ninguém contava era essa "quebra" da editora, do qual esperamos que ela se recupere agora com sua compra pela IBEP.

"Mas será que o preço é tão absurdo assim?"
No caso de Speed Racer, concerteza não. Seria absurdo se eles lançassem com esse valor uma série com muitos volumes, mas apenas dois, com páginas coloridas e tudo mais?

Alexandre: Depende do tamanho dos volumes. Vamos imaginar minha sugestão para Sanctuary: três volumes originais por edição, capa cartonada, orelhas, acabamento e preço parecidos com os dois livros da Companhia das Letras que eu falei. Ao todo, dariam quatro volumes. Imaginemos que isso fosse lançado em um box: seriam R$ 220,00. Caro? É. Mas quanto você paga por Sanctuary nas atuais condições, com o papel pisa brite que fica amarelo? R$ 144,00 paus. Pelo extra e pela conservação a longo prazo, acho que vale a pena pagar esses R$ 76,00 a mais – com o adicional que é mais fácil, para quem comprar avulso, acompanhar uma série de quatro volumes do que uma de doze. A conclusão é mais garantida no processo.

"gente dizendo que Lobo Solitário "deve ter lá seus méritos porque sem ele não haveriam coisas como Vagabond", mas que parecia um quadrinho ruim dos anos setenta.
Comparar Vagabond com Lobo Solitário é a mesma coisa que comparar O Ultimo Samurai com os Sete Samurais. E a vantagem do manga é que não existe a barreira da falta de efeitos especiais ou coisas do gênero pra pessoa chamar o quadrinho de velho.

Alexandre: Eu concordo com você, mas você não imagina quanta coisa assim a gente ouve na net...

Quanto a Monster e Sanctuary, minha paciência está sendo muito testada... hahahahah... só espero que voltem logo.

Alexandre: Sinceramente, eu também.

E o que significa Bakuman? Procurei na internet, mas não achei nada.

Alexandre: É intraduzível porque na verdade é um acrônimo, mas significaria algo como "quadrinhos explosivos" ou "explodindo no mundo dos quadrinhos".

Desculpe pelo texto comprido. Abrços.
Nome: Gustavo 07/07/09 11:48
Eu acho que o mercado brasileiro é um paradoxo. Não tem público suficiente para antologias "baratas", os tankohons que deveriam ser de coleção tem apenas qualidade média e as edições de livraria não vendem bem.
Apenas sonho com o dia que puder comprar Samurai X e Slam Dunk em edições definitivas... Como falei no meu outro comentário, acho que importar dos EUA é a solução.

Alexandre: O fato é: Para se fazer dinheiro é preciso se gastar dinheiro. O paradoxo para mim é que as empresas parecem querer fazer dinheiro sem gastar dinheiro para isso. Por isso, nada acontece. Só.
Nome: Yukino 07/07/09 12:01
Admito: Eu achava que mangás pras livrarias não davam certo. Mas depois que li o artigo, mudei minha opinião sobre isso. Além da editora não se arriscar tanto ao lançar um material clássico nas livrarias, há também um público pra isso. Tenho certeza que apesar de serem poucos, os "fãs xiitas" são, na maioria das vezes, fiéis e devem se encher de alegria quando o seu material preferido é anunciado em uma edição de luxo. Agora, iniciativas como essa são mais que bem vindas, e abrem as portas para que no futuro (não muito distante, eu espero) mais coisas desse tipo possam parar nas livrarias daqui. Dá gosto chegar na livraria e abrir uma edição de Nausicäa, e com certeza, queria ver outras coisas desse jeito.
Nome: R. Moss 07/07/09 12:51
Eita. Texto inspiradíssimo. Concordo em tudo, inclusive já cheguei a defender Monster e Sanctuary como "quadrinhos de livraria".

Não acho que Speed Racer esteja caro. Poxa, uma editora pequena, com um material caprichado, por R$ 60 (melhor que isso só se eles parcelassem em 3 de R$ 20 para pegar um pouco das massas).

Mas pessoal sempre reclama mesmo, não só dessa área de mangá. Me lembro quando a Panini anunciou uma versão caprichada de Watchmen. Muitos fãs começaram a falar que teria que ser com capa dura, tal tipo de papel, muito extras e tal. Bom, saiu assim e o mesmo povo começou a reclamar do preço. Preço esse de R$ 120 (na verdade, sempre vi vendendo com desconto. Comprei o meu por R$ 94, hoje vejo por R$ 79) que ficou muito em conta pelo conjunto. Ainda assim lançaram uma versão mais barata. Outra vez choveu reclamações.

Leitor de quadrinhos no Brasil às vezes dá uma de vítima, mas muitas vezes eles mesmo são os responsáveis pela descontinuação de tal título ou linha (e a editora que se basear em opiniões na internet com certeza vai quebrar a cara).

Bom, a Pixel disse que seu Sandman saia mais em conta por causa da nova colorização e do material extra do Sandman Absolute (ambas coisas não presentes na versão da Conrad). Não que eu concorde ou não, mas foi a justificativa na época dada pelo próprio editor.

Aos poucos estou largando os mangás de banca no Brasil, isso se deve pelo tratamento ruim das editoras, algo que os lançamentos em livrarias são LEVEMENTE melhores.

As editoras sabem para quem vendem, então creio que esse cenário não irá mudar tão cedo, porque para um fracasso, eles tem um ou dois títulos vendendo bem.

E já que tocou em livros, acho absurdo quererem incentivar a cultura com vale-cinema e outras coisas lamentáveis do que uma redução nos impostos que faria os preços dos livros caírem. País reclama que o povo não lê, mas livro no Brasil é algo de luxo. Pagar quase R$90 por grandes obras do naipe de "Filhos da Meia-Noite" de Salman Rushdie é mesmo desanimador.

Parabéns ao Lancaster por essa excelente matéria (que merece ser divulgada). Imagino que deve ter tomado todas após ler tantos absurdos no orkut (principalmente gramaticais). hehe
Nome: Pedro Bouça 07/07/09 02:05
Quem diria, você defendendo material de livraria! Qualquer dia está aí elogiando mangá Yaoi... ;-)

Alexandre: O que não impede que eu defenda material barato para banca. O ponto é que clássico, fora de livraria, não rola.

E yaoi, nem sob tiro.
:P

Agora falando sério, eu sempre defendi que alguns materiais tinham de ir para livraria. No caso do mangá, já está mais do que claro que nada fora o shonenzão mais comercial e ALGUNS shojo (e Lobo Solitário, mas esse foi um caso especial que dificilmente se repetirá;) conseguem vender decentemente em banca. O resto necas.

A livraria parece a solução, mas mesmo nesse caso eu diria que deveriam começar publicando material mais recente (e vendável) com poucas chances de sucesso na banca (tipo Monster e Sanctuary) antes de procurar material mais clássico. Mesmo na França e EUA a progressão foi dessa maneira.

O leitor precisa ter paciência. Afinal levaram 20 anos para publicar Ashita no Joe na Itália e na França, que são mercados bem maiores e mais saudáveis que o Brasil, então não dá para esperar que as coisas aconteçam muito rápido.

Mas essa edição do Speed Racer parece um sinal de que a coisa já está melhorando!

Alexandre: Ashita no Joe é um material que me faz levantar uma pergunta: mesmo em termos de boxes e volumes com o triplo de páginas, não seria longo demais para as livriarias? Essa é uma questão que tem que ser levantada: a série se não me engano teve 20 volumes, e quantos volumes originais seria possível reunir em um volume só para manter na faixa de preço de materiais como esse que eu falei? Tudo isso conta.

Outra coisa:
"Uma fonte confiável já me passou quais foram os dois maiores desastres comerciais da editora, e se eu abrir o bico, vai aparecer uma horda de harpias furiosas querendo meu pé por conta de uma delas."

Conta! Conta! Conta!

Alexandre: Numa mesa de bar e com a cara cheia, eu diria. Aqui, nem a pau. ;D

Um abraço,
Hunter (Pedro Bouça)
Nome: Gustavo 07/07/09 02:34
É a velha máxima de investir pouco e mal. Acho que as livrarias podem salvar alguns mangás da Conrad e dois da Panini que foram pro limbo mas quase ninguém lembra: Seton e Dama de Pharis.

Alexandre: A Panini tem feito um bom trabalho para livrarias com sua linha de quadrinhos americanos. Saber que tem Starman sendo lançado nelas como se deve para mim é um bom sinal. Mas acho esse um movimento lógico. Eu gostava dessas séries. E olha que para padrões de livraria elas são baratas.
Nome: Pedro Henrique 07/07/09 04:13
Eu achei estranho com Seton, porque o acabamento gráfico é o melhor já dado a uma manga da Panini, e mesmo assim eu nunca o vi em nenhuma livraria.
E a Panini está fazendo um grande investimento de comics encadernados, o que particularmente eu acho fantástico. E agora com o lançamento desses tijolões em quadrinhos, quem sabe eles não adotam essa estratégia com certas séries que também foram lançadas assim no exterior, como o Demolidor do Bendis, que teve toda a série lançada em um único calhamaço nos EUA. Além de fazerem o mesmo com os mangas (ainda não conferi o Naruto em formato pocket, mas queria saber se o papel é de melhor qualidade que a versão de banca).

Alexandre: Ainda não conferi o material igualmente.

Voltando ao Lobo Solitário, procede a informação de que será lançada uma versão de luxo? Vi essa notícia a uns tempos no Animepro mas até agora nada confirmado.

Alexandre: Também li, mas estou esperando o lançamento.

"Melhoras no acabamento gráfico (papel, cores, etc.), encarecem? Sim, mas seu público a percebe como agregamento de valor – ou seja, o material vale a pena ser comprado justamente por ser bem acabado."
Fullmetal Alchemist, Julia e Magico Vento sofrem pela falta de acabamento gráfico decente, o que piora quando colocam o preço lá em cima. Julia agora está custando R$ 8,90, um absurdo pela qualidade xerox que a Mythos fornece em suas páginas.
Fullmetal Alchemist sofre do mal da JBC, que apesar de acertar na adaptação dos textos, mete a faca em seus mangas sem o menor pudor. Apesar das minhas edições do Samurai X estarem já meio detonadas, elas eram baratas pra época, o que não acontece com FMA, que está em R$ 6,90.

Alexandre: Bom, vou ser sincero: o fato de defender material de livraria não quer dizer que eu seja contra material barato em bancas. Há espaço para todos. O meio-volume para mim só teria razão de ser se o preço baixasse MUITO. E não é isso o que acontece. É quase um crime de lesa-patrimônio os meio-volumes pelos preços em que estão hoje.

Berserk e Blade eu também adoraria ter em versão livro. A qualidade da arte dessas duas últimas merecem uma edição de primeira.

Alexandre: Não sou muito fã de Berserk, mas eu compraria Blade novamente com toda a alegria do mundo..
Nome: J Daniel 07/07/09 05:54
A molecada da internet tem preconceito com mangas e animes antigos. Na visão deles é tudo tosco.
Por conta do visual, das temáticas e até da cultura da época... não se identificam por não verem referências à internet, aos celulares, às coisas de hoje em dia...
Meu sobrinho de 10 anos achou bizarro quando mostrei para ele um trecho de Patrulha Estelar e ele viu um general Gamilon escrevendo um relatório para o líder Deslock numa máquina de escrever.
Entretanto, tentei mostrar para ele o contexto da época... mas não adianta... ele se interessou mais quando mostrei para ele o MS Igloo moderno feito em CG. Não tem jeito.
O mundo está mais rápido, tudo acontece mais rápido, o ritmo das histórias é mais rápido também... eu sempre gosto de dar o exemplo das aberturas da série original do Gundam (0079) comparada com aquela abertura de Gundam Seed Destiny. Tudo veloz, música mais veloz, etc.. É uma loucura!
Num mundo mais veloz, ele se banaliza mais rápido. É como na música. A molecada de internet baixa toneladas de arquivos de mp3. Baixa todos os discos que acha pela frente. Mas sequer sabe a capa do disco que está baixando. Nem se importa de querer saber. Informação e download voraz. Tudo é virtual, digital... o que é físico não tem mais tanta importância. Pra essa molecada: 'vou guardar minha coleção num pen drive. Para que vou gastar tanto dinheiro comprando edições especiais, cd's, dvd's pra só ocupar espaço na minha estante?'
Eles não tem aquilo que nós, mais velhos, temos: de ver a arte de uma maneira mais ampla e apreciar o acabamento de um box especial, por exemplo, assim como eram nos discos de vinil antigos. Quem não se lembra da capa do Houses of the Holy do Led Zepellin? Eles não viveram uma época de inflação nos anos 80... Onde tudo era absurdamente caro e difícil de se obter. Eu lembro que era um sufoco comprar os gibis em banca. Eu comprava usados de sebos! E guardava como se fossem uma relíquia. Hoje a molecada tem o comodismo do download e ter tudo o que querem em apenas alguns cliques e segundos.
Eu achei sensacional a sua notícia do lançamento do Speed Racer. O tiozão aqui trintão vai comprar. rerere.
Eu concordo com muita coisa que você escreveu, Lancaster. Porém, o que me preocupa, no caso de lançamento de um material novo, que seja nacional, é como ele poderia atingir o povão, não só o público específico.
O preço é importante para que o povão compre. Seria possível lançar um material de qualidade a 1 real ou a 2 reais? Preço de um cafezinho?
Um gibi de 40 páginas mais ou menos?
Não ficar só dependendo de esquema de editora ou distribuidora? O Kajuru, aquele polêmico jornalista esportivo, conseguiu vender 1 milhão de cópias de seu livro por conta própria. Os primeiros ele vendeu a 1 real. Depois, agregando um kit com outro livro, camiseta e dvd, foi pra 10 reais aproximadamente.
Os mangás, gibis, revistas em quadrinhos, seja lá o que for, em formato normal e convencional, precisam mesmo ser vendidos a 6 reais, 8 reais, 9 reais? Claro, que na mão de uma editora, sim. Mas e por conta própria? Nós que queremos um dia publicar alguma coisa.
Por que não achar uma forma de vender a 1 real, no máximo 2 reais? Para o público de baixa renda consumir também.
Tem gente que fala que povão não entenderia nada do que estaria lendo, que as obras são muito sofisticadas para o povão... Bobagem! Não vamos subestimar a inteligência do povão. Se for barato, ter divulgação, o povão compra sim. Eu acredito nisso. Só não sei a fórmula de como fazer... rere
O ritmo de novela de um mangá é bem acessível para o nosso povo. Você sabe né, Lancaster? Lembra quando escreveu na Animepró das pessoas parando no finais de tardes para assistirem aos episódios finais de Patrulha Estelar nos anos 80?

Alexandre: Lembro sim. Essa história é fabulosa, aconteceu numa cidade no interior do nordeste. Mas por isso mesmo eu defendo os dois lados da moeda: uma pré-publicação barata e o material de livraria, coexistindo. E realmente precisamos de penetração para o povão. Isso não deve ser esquecido.
Nome: F/X 07/07/09 08:35
A Materia tah legal, mas pra variar, vou ser chato de novo!

Primeiro, putz... Tem uma diferenca entre classico e velho. Ashita no Joe eh classico. Princesa e Cavaleiro eh classico. Mas eu nem sabia que existia manga do Speed Racer, pra mim, era soh o anime! Eh algum tipo de adaptacao?

Alexandre: Na verdade é o original. A série foi publicada anteriormente na Shonen Book de 1966 a 1968, só virou animação em 1967. Mas você está certo: tem uma diferença muito grande entre ser antigo e ser clássico. E isso tem que ser levado em conta.

e... a pagina traduzida tem uns erros. Alias, foi OUTRO spam, por que eu ainda nao tinha lido quando vi essa pagina. Dois spams, em uma historia, em uma semana!!! E soh por isso que eu vou implicar com a sua traducao!

Alexandre: :-/
Nome: Pedro Bouça 07/07/09 09:08
Sobre o tamanho de Ashita no Joe, eu não ficaria tão preocupado. Buda não era um mangá curto e se saiu bem nas livrarias. O mesmo aconteceria com Lobo Solitário, que é bem maior.

O que eu tenho minhas dúvidas é se a temática teria tanto apelo para o público brasileiro quanto a dos mangás acima.

Hunter (Pedro Bouça)
Nome: J Daniel 07/07/09 09:31
Errei feio nos plurais no meu último comentário. Escrever com pressa dá nisso. :^P

Bom... realmente Patrulha Estelar marcou a vida de muita gente. Pra vc ter uma ideia, meu pai que nem gosta de desenhos animados, assistia comigo (eu tinha 6 anos na época). Hoje em dia, quando vou na casa dele, ele de vez em quando comenta sobre 'aquele desenho do navio espacial e do sol vai explodir'

Alexandre: Bom, isso vale pra muita gente. Patrulha Estelar fez um belo estrago. :)
Nome: ana carolina pereira 07/07/09 11:34
Li o texto e refleti bastante sobre ele e sobre os diversos pontos de vista...mas ainda fico um pouco apreensiva. Se por um lado o cara que se presta a pagar caro por uma edição definitiva for contemplado, como fica a difusão do mangá para as pessoas 'comuns' que mal tem idéia formada sobre quadrinhos, quanto mais quadrinhos de livraria? E cada vez mais eu vejo essas edições 'furrecas' trazendo gente que não teria contato de outra maneira com esse universo. E um clássico de peso tem solidez o bastante pra fazer o cara ver que mangá é mais do que Dragon Ball Z, só que o cara não vai 'pagar pra ver' por 60 reais.
Quadrinho de livraria é lindo, mas ainda é o tal do nicho dirigido...agora eu fiquei curiosa, vou aproveitar e vou perguntar o que você acha, mesmo que talvez fuja do escopo do tópico... essa idéia de quadrinhos de livraria (e nem exclusivamente mangás, temos Maus, Persepolis, Sin City, e outros) não acaba criando um outro tipo de barreira para quadrinhos no Brasil, algo como, "mas é mais do que quadrinho, é vendido em livraria", como 'é tão bom que merece ser mais do que quadrinho, merece tratamento de livro' e assim se distanciando mais ainda do grande público?
Espero ter me expressado bem...no caso, o que me preocupa é a difusão.

Alexandre: Eu entendo perfeitamente. Na verdade, ninguém se preocupa mais do que eu quanto a difusão de quadrinhos e trazer novos leitores. E eu acho que uma coisa não exclui a outra. O problema são os produtos que por sua própria natureza não são comprados e que não deveriam ser deixados de lado. Na boa: eu mesmo falei do desdém que materiais mais antigos são encarados por muitos adolescentes – e pelo fato de que materiais para adultos tem tido um desempenho ruim aqui no Brasil, salvo um Lobo Solitário da vida. Material de Supers não conta, até porque as tiragens de um gibi marvel/dc atualmente estão em um patamar entre 7.500 e 12.000, o que em termos de mercado não é nada. Perdem para veteranos mais sólidos do mercado como Tex – e comparando com hits como Naruto e Bleach, é mais vergonhoso ainda.

Isso leva a outra pergunta: como atingir o grande publico? Bom, eu ainda defendo o sistema de antologia, mas ela tem que ser muito barata. E isso bate com o atual sistema de distribuição. Se for possivel pôr um material de 370 páginas a um custo inferior a 5 reais, os distribuidores não vão deixar nem embarcar no caminhão: vão mandar subir o preço da capa e voltar depois. Por que? Por que a revista vai ocupar espaço que pode ser ocupado com outras revistas e com esse preço e eles ganham por percentual de capa (abusivos 40% ou mais). Para eles, isso só poderia ser compensado com uma tiragem muito grande. :-/

O fato é que o grande público tem que ser ganho, no Brasil, em banca. Disso, não nego. Mas até que cheguemos lá para material que não seja infantil, a livraria é necessária para certos produtos... e se olharmos bem, até para alguns mais baratos. Boa parte da tiragem de Mônica Jovem VAI para as livrarias, na seção de periódicos ou de quadrinhos. Na verdade, eu até acredito que uma postura mais parecida com os livros de bolso japoneses poderiam ter uma boa penetração em livrarias, da mesma forma que os livros de bolso da L&PM e da Companhia de Bolso. Todos tem bom acabamento e são bons paradigmas de como é possível ter uma linha mais popular para livrarias e até bancas (aonde você compra esses livros em pequenos estandes rotativos). Para mangás mais populares, acho que este seria um ótimo caminho.
Nome: F/X 08/07/09 12:22
Agora que eu vi que o autor eh o dono da Tatsunoko... Mas um manga de dois volumes pra um anime de 52 capitulos...
Serah que eh um trabalho tao relevante?

Alexandre: É uma pergunta a se fazer e que só a leitura responderá. Temos que levar em conta que existem clássicos, existem obras antigas e existem casos a parte. O anime do Speed se tornou uma referência generacional no ocidente, é verdade. Me pergunto se o status do material é o mesmo no Japão. Mas me lembro de ter ouvido de um especialista que "Love of my life", do Queen, só é clássico no Brasil. Dentro da discografia da banda, é uma música menor e nem tão lembrada assim no resto do mundo. Então a classificação depende de influência pregressa.
O que mais importa para mim é a porta que se abre, vou ser sincero. Dando certo, o formato box pode ser o melhor veículo para materiais clássicos – e até alguns materiais que não são tão velhos assim. Eu me pergunto se Crows, de Hiroshi Takahashi, daria certo em nossas bancas. O traço seria considerado feio, a virtual ausência de meninas bonitinhas afastaria os babões, a ausência de romance – e o fato de que os personagens são deliberadamente feios – afastaria as meninas, os que querem superpoderes odiariam o subtom mais realista da coisa... Worst foi cancelado lá nos Estados Unidos e acredito que aqui seria pior. Para ele, a livraria seria uma porta melhor de refúgio. Mas é uma série longa e que não tem o crédito com a crítica de, digamos, um Vida Loca de Jaime Martin, que tem um certo eco com Crows mas se perde em viagens na maionese e um gosto por barra pesada típico da geração dele de quadrinhistas espanhóis. Eu acho crows melhor do que o vida loca, mas este tem um volume só e crows – que decolou justamente com sua edição definitiva – teve um monte de volumes. E aí?
Em todo caso, quando um material pode abrir portas novas, eu torço para que ele dê certo. Mesmo.
Nome: J Daniel 08/07/09 10:05
Eu posso até estar pensando besteira... mas se eu tivesse hoje cacife para lançar algum título novo por conta própria, tentaria fazer uma parceria com alguma rede de supermercados e colocar as revistinhas (num preço mais acessível, claro) por lá também por causa do grande fluxo de consumidores. Num espaço perto do caixa, onde costumam vender outras revistas. Uma vez em SC eu estava num caixa pagando a compra e atrás de mim estava uma mãe com uma garotinha. A garotinha catou umas 5 turma da Mônica (só tinha gibi do Maurício lá;) e falou pra mãe que queria levar todas revistinhas. A mãe acabou levando só 2, mas levou...
Nome: R. Moss 08/07/09 11:00
Pegando o gancho do Pedro Henrique, que disse (equivocadamente) que a JBC adaptou bem Fullmetal Alchemist.

Bom, aí entre outra preocupação. Já não acredito que a JBC lance alguma "edição definitiva", mas não adiantaria muito, para mim, lançarem com um bom acabamento gráfico e com os textos porcamente adaptados.

Porque o que ela fez com Fullmetal Alchemist foi DESCARACTERIZAR a série (onde já se viu um agente FEDERAL numa nação que nem é federativa?) A JBC faz a pior adaptação de todas, e penso que mangás de livraria nas mãos da JBC, não valeriam a pena, pois muito provavelmente só teriam um bom acabamento.

Fazendo uma previsão grosseira e tomando como base seus produtos mais caros, podemos ver que a JBC é de extremos.

Kenshin Kaden tem um bom acabamento, mas custa bem caro para seu público alvo. Já o databook Death Note #13 está acessível, porém tem as folhas soltas. Love Hina Infinity atesta a incapacidade da JBC em adaptação (eles expôem nesse databook os erros grosseiros que cometeram no mangá;).

A Panini peca muito na parte de revisão, acaba não sendo algo tão perfeito assim.

A Conrad é que faz (ou fazia) o trabalho mais certinho, mas já vi gente reclamando da inconstância no uso de termos.

Finalizando, nunca teremos uma edição de livraria que valerá (100%) o preço, embora esse seja um caminho necessário para a sobrevivência, e aumento, do mercado de mangás a longo prazo.

Nome: Lua 08/07/09 11:47
Bem, o certo é que, se a pessoa é fã ela vai abrir a mão. Por isso edições de luxo são tiragens menores, mas para compradores "garantidos".
No entanto, acho que o grande erro do mercado brasileiro é não dar opções aos leitores. nós não temos nem a cultura de consumir tanto e menos ainda o DINHEIRO pra isso... sendo assim, se fizessem o lançamento em série e DEPOIS o encadernamento... seria muito melhor.
Pro pessoal lá fora funciona assim. série mensal, depois encadernado, pq encadernado compra quem é fã.

Alexandre: Isso é algo que eu concordo integralmente.
Nome: Gabi Martins 08/07/09 05:38
Li o texto, e concordo em partes. Acho que certos materiais tem um potencial muito maior (ou só tem potencial) se forem para livraria mesmo. Aí sim faz sentido o investimento em um material melhor, acabamento bacana, agregar valor ao produto, etc.

O que não significa que o material de banca deva ser negligenciado. E acredito que os motivos de baixas vendas de alguns dos títulos citados na matéria não seja necessariamente eles terem sido lançados em "versão barata": pode ser tradução ruim, falta de divulgação, atrasos, preços altos (exemplo dos meio tankobons a 7 reais), falta de um trabalho melhor da editora... só a título de exemplo, a Conrad deu vários tiros no próprio pé ao atrasar lançamento. Eu mesma fui uma que parou de comprar One Piece deles (hoje leio na internet), e certamente não investiria numa edição de luxo. E tô me rasgando se acham q sou "menos fã" por conta disso. Enfim, eu só diria que certos materiais "não compensam" pra banca se eles tivessem condições melhores e ainda assim não vendessem, afinal eu sou cliente, não estou fazendo favor pras editoras.

Agora no caso do Vagabond, me desculpe mas eu achei vergonhoso. Porque me pareceu o que um leitor disse lá em cima: que eles simplesmente resolveram tirar uma margem de lucro maior em cima do mangá (nada contra, afinal estamos no capitalismo), mas sem oferecer opção aos leitores que compravam a edição mais barata (aí que está o erro). Eles dizem que o grosso dos leitores migrou pra edição de luxo, mas vai saber se é verdade? Vai saber se não foram eles q forçaram essa migração cortando a edição mais simples?

Por fim, quem xinga Lobo Solitário e diz q Vagabond é obra prima merece apanhar com um gato morto até o bicho miar, prontofalei.
Nome: ihury 12/07/09 10:47
TOTALMENTE APOIADO!!!
Este tipo de comentario enfrento todo dia,no começo até tentava falar sobre os pontos qualidade e durabilidade, mas nao adianta. O Orkut é sim uma selva, a facilidade que as pessoas tem de dar opiniões e ser apoiadas por iguais (babacas) é muito grande.

Lembro de uma vez onde foi aberto uma entrevista com Lancaster e começei a perguntar coisas simples e óbvias, pois queria realmente saber sobre a opinião dele. Quando perguntei sobre retomar titulos como Lobo Solitario e Samurai Executor no Brasil acreditem até de Idiota foi chamado "Cara vc é idiota esta coisas nao vao mais sair no Brasil"

Depois disto cada vez diminuo meus comentarios no Orkut.

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