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Jun 29
Ranking da Taiyosha (JP) – 28/06/2009
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8
Categorias: rankings

O melhor termômetro do nível geral de vendagens no Japão é justamente a presença de material para o fã hardcore (ou, direto ao ponto, o otaku) em detrimento dos materiais de massa. Explicando melhor: fã hardcore é uma minoria, e os mangás que eles lêem tem tiragens obviamente menores, mas essa minoria vende até a mãe para se manter comprando materiais que só eles lêem. O público de massa por sua vez demanda um esforço maior de investimento para justificar as tiragens necessárias para atingi-lo – se o material perder fôlego, esse investimento vai deixar de ser justificado, e se isso acontecer, tchau e um abraço.
Shonen/Para garotos
01. Higurashi no Naku Koro ni Kai - Minagoroshi-hen 2 (Square Enix)
02. Higurashi no Naku Koro ni - Matsuri Bayashi-hen 2 (Square Enix)
03. Gundam – The Origin 19 (Kadokawa)
04. Umineko no Naku Kori ni Episode 1 Vol. 3 (Square Enix)
05. Kuroshitsuji 7 (Square Enix)
06. Neon Genesis Evangelion: Shinji Ikari Raising Project (Kadokawa)
07. Umineko no Naku Kori ni Episode 2 Vol. 1 (Square Enix)
08. Hero Tales 4 (Square Enix)
09. Higurashi no Naku Koro ni Kai - Katarishi-hen Comic Answer EX 6 (Square Enix)
10. Higurashi no Naku Koro ni Kai - Katarishi-hen Comic Answer EX 7 (Square Enix)
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Ookiku Furikabutte 12 (Kodansha)
02. Minami-ke 6 (Kodansha)
03. XXXHolic 15 (Kodansha)
04. Bamboo Blade 11 (Square Enix)
05. Billy Bat 1 (Kodansha)
06. Mangaka-san to Assistant-san to... 2 (Square Enix)
07. Gantz 26 (Shueisha)
08. Seiken no Katanakaji 1 (Media Factory)
09. President Shima Kosaku 3 (Kodansha)
10. Uchuu Kyoudai 6 (Kodansha)
O ponto é que quando o material popular tem suas vendagens abaladas, o material para público específico, mesmo limitado, tende a aparentemente ascender nas listas de mais vendidos. E na verdade não é isso o que acontece; esses materiais tem um teto de vendagens em termos práticos – salvo exceções, como a série K-On!, que acabou extrapolando seu público original e tenho uma teoria para isso: ela reflete o mesmo fenômeno que fez que, durante a Segunda Guerra Mundial, a maior parte dos filmes de consumo de massa eram os musicais e comédias amenas; reparem que os musicais voltaram justamente após o 11 de Setembro nos Estados Unidos, quando eles eram dados como um gênero morto. Ou seja, K-On! se beneficiou da devastadora crise econômica japonesa e olhando por esse viés, faz sentido que Macross Frontier tenha se tornado o maior blockbuster da história da franquia Macross desde a série clássica dos anos oitenta. Mas estou perdendo o foco aqui.
O ponto é que quando o material popular cai, o material de fã permanece estável. Não é ele quem sobe; são os outros que descem a um ponto inferior aos que se mantém de pé. Por outro lado, materiais de fã tendem a ser extremamente efêmeros, porque seu público compra o material no lançamento. O mercado direto americano tem uma mecânica parecida com o material exclusivamente para fã no Japão; seus quadrinhos de supers não tem respaldo popular. Nesse sentido, X-Men e qualquer série de menininha mostrando calcinha são mais parecidos do que os fãs de ambos gostariam de admitir, cada um do seu lado.
O que os americanos, que não tem um quadrinho realmente popular, fazem? Apelam para aquilo que eles chamam de gimmick – o recurso feito para forçar os fãs a comprarem mais revistas, e dane-se o roteiro. É o caso das cronologias intermináveis e dos mega-crossovers. E a série Higurashi no Naku Koro ni Kai, de Houjyou Yutori e Ryukishi 07, é justamente isso: a mecânica do Gimmick aplicada aos mangás de fã hardcore, para contornar justamente um dos calcanhares de aquiles desse tipo de material: a vendagem a longo prazo. Mangás de otaku são tão efêmeros quanto um namoro de carnaval: outra personagem bonitinha para alimentar modelos de pvc pintado aparecerá no ano seguinte e se estabelecerá no imaginário de seus consumidores até que chegue sua vez de ceder o lugar.

Higurashi no Naku Koro ni Kai essencialmente é uma trama de mistério composta de oito séries não necessariamente sequenciais: quatro para introduzir a trama (Onikakushi-hen, Watanagashi-hen, Tatarigoroshi-hen e Himatsubushi-hen) e quatro para supostamente esclarecê-la (Meakashi-hen, Tsumihoroboshi-hen, Minagoroshi-hen e Matsuri Bayashi-hen). No entanto, o material não morreu: sempre salta de vez em quando alguma história paralela jogando mais informação para confundir os leitores, ou prelúdios, ou versões alternativas (Kokoro Iyashi-hen, Onisarashi-hen, Yoigoshi-hen, Utsutsu kowashi-hen e tantos
outros hen que nem eu mais sei quantas séries e yomikiris – mangás de um volume só – isso tem). O resultado? Cada material novo puxa os volumes antigos – porque o leitor quer entender o que está acontecendo. É o fator Lost em ação: a arte de jogar mais dados para manter os leitores discutindo em foruns de internet, e acompanhando aquela maçaroca para ver para onde aquilo leva. Assim, Higurashi no Naku Koro ni Kai - Minagoroshi-hen e Higurashi no Naku Koro ni - Matsuri Bayashi-hen chegam a seu segundo volume, e a série Katarishi-hen Comic Answer EX está no seu sétimo volume – puxando o sexto por tabela. Além disso, há uma série derivada: Umineko no Naku Kori ni, presente tanto através do seu terceiro volume quanto através de sua continuação – Umineko no Naku Kori ni Episode 2: Turn of the Golden Witch, que chega ao seu primeiro volume compilado (e que provavelmente são quem estão puxando todo esse material por tabela, os mais antigos na frente). Ah, do que a série se trata? Eu posso dizer que gira em torno de uma série de tragédias causadas por uma maldição, e que escondem um mistério a ser
desvendado. Tudo povoado, é claro, com meninas bonitinhas uma atrás da outra – e todas passando por péssimos bocados, para dizer o mínimo. Mas com tanta informação desencontrada sendo jogada continuamente, faz diferença?
Bom, tirante o sensacional Gundam The Origin de Yoshikazu Yasuhiko e o sólido Hero Tales (Jyushin Enbu) de Hiromu Arakawa, agora sendo publicado na mesma Shonen Gangan aonde reside outra série da autora, o mega-hit Full Metal Alchemist, não há nada de muita monta no resto da listagem para garotos. A Gainax fatura um trocado através do vergonhoso Shinji Ikari Raising Project, que essencialmente se passa naquela "Terra Alternativa" do episódio 26 de Neon Genesis Evangelion, onde os personagens se tornam clichês ambulantes de comédia romântica para garotos. Ali, goste-se ou não do polêmico episódio, a intenção era justamente quebrar a perna desses clichês. Aqui, eles são abraçados. De resto, temos o medonho Kuroshitsuji, de Yana Toboso, que na verdade é um "shonen para meninas": Caras andróginos e tipos suspeitos para fanzineiras japonesas fazerem a festa elegendo supostos casais gays. Com isso, o nome do almanaque da Square Enix aonde esse material é publicado – a G Fantasy – acaba virando uma piada pronta. Melhor deixar pra lá e ir para a lista seinen, que está bem melhor recheada.
Ookiku Furikabutte abre a lista para leitores mais velhos, deixando bem claro que mesmo com seus títulos mais restritos (como Minami-Ke), quem apita por aqui são os materiais de massa. Ookiku é um mangá de beisebol, bem ao gosto dos leitores do gênero – que são muitos, no Japão. XXX Holic tem uma estrutura narrativa amigável ao leitor de primeira viagem e marca um tento da Clamp, que independentemente de toda e qualquer crítica, se estabeleceu como uma griffe de sucesso e se mantém lá. Bamboo Blade é enganoso no sentido positivo da palavra: o traço sugere que estaremos vendo um típico mangá de meninas bonitinhas e o que se encontra na verdade é um consistente mangá de esportes, com um senso de
normalidade invejável; uma das meninas, por exemplo, entra no clube de kendo – a esgrima tradicional japonesa, com espadas de bambu – porque seu namorado faz parte dela. Em materiais de fã hardcore, a idéia de que uma moça tenha passado por outras mãos desperta reações furiosas (basta lembrar da imensa palhaçada feita pelos leitores da série Kannagi só porque a protagonista revelou ter tido um namorado no passado).
Naoki Urasawa também está presente – o que é sempre um ótimo sinal – com o primeiro volume de sua série Billy Bat, publicado regularmente no almanaque Morning, da Kodansha, que estabelece um diálogo interessante entre a história dos quadrinhos americanos, os mangás e a ocupação pós-guerra, sempre dentro de uma trama de suspense como é marca registrada do autor. O primeiro volume de Billy Bat inclusive tem um acabamento gráfico interessante, lembrando o padrão de volumes mais antigos de mangá, e preservando o visual "gibi" do personagem-título que tem uma história dentro da história.
Outros dois títulos da Morning marcam presença nessa lista. Um é o competentíssimo Uchuu Kyoudai (Irmãos do Espaço), de Chuuya Koyama, que acompanha dois jovens que compartilham o sonho de se tornarem astronautas – e lutarão por isso. O outro não é nada mais nada menos do que o título emblemático dos quadrinhos corporativos japoneses, Shima Kosaku, comparecendo em
sua mais recente série, aonde ele foi promovido a presidente da empresa. Nada mau para quem começou como chefe de seção, em uma obra que reinicia a contagem a cada novo cargo do personagem e que forma uma verdadeira novela das oito em quadrinhos, com drama, negociatas, separações, relações humanas complicadas e um personagem carismático que abre seu caminho no mundo dos negócios através de iniciativa, vontade e resultados. Não vou negar que essa é uma das séries que eu mais gostaria de ver no Brasil – mas também não dá para deixar de admitir que essa série não venderia. Mangá adulto é esnobado no Brasil tanto pelos leitores mais velhos, que acham que violência e politicagem tornam um herói de malha colante mais adulto (e que independentemente do fato disso ter gerado lá suas boas histórias, na verdade parece mais uma forma de tentar validar o fato de que esses leitores adultos estão buscando ajustar seus gostos infantis com a realidade de sua idade física) mas não têm interesse em ver os mesmos temas com protagonistas que não se fantasiam; quanto por leitores que simplesmente... não saem do mesmo por mais que envelheçam. E com isso, obras fabulosas como Sanctuary e Monster encalham. Sim, isso dá muita, mas muita raiva.
O mais chato é que eu sei que após esse post, não adianta eu falar em Billy Bat ou Shima Kosaku: sei muito bem qual vai ser o título a despertar curiosidade em meus leitores.

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Comentários:
A lista shonen no geral ficou horripilante (mesmo com suas jóias no meio).
Um mangá simpático da Afternoon na ponta para fazer meu dia.
Billy Bat que tenho certeza que faria "fãs" brasileiros do Urasawa torcerem o nariz mesmo sem ler a obra.
Mas estranhei foi Holic ser apenas 3º. Talvez pelos dias contabilizados (mesmo assim estranho, já que o mangá saiu na terça-feira).
Ah, eu nem vou pesquisar sobre Higurashi... -_-
Parabéns, escreve muito bem o dono do blog, argumentos fortíssimos...
Alexandre: Obrigado pelos elogios. Fique à vontade.
++
Brincadeiras a parte, o mercado brasileiro em minha opnião é a copia exata do atual estado que se encontra o quadrinho norte-americano com o diferencial que la eles exigem qualidade na publicação, aqui se lança gibi com erro de editoração, peridiocidade caotica, encadernação vagabunda e se cobra os olhos da cara e o pior, vende.
O que esperar de uma massa que endeusa materiais como love hina e esnoba Sanctury... lamentavel.
O publico "otaku" (odeio ter que definir animes e mangas por essa classificaçao u.u) que consome esse material tem crescido bastante.
E sim, ao contrario do que vc disse o numero de gente que lê esse material não é composto apenas por fans devotos mas tbm por fans que vem adentrando a esse mercado com o passar dos tempos (desde a epoca de Yamato e do primeiro Gundam na verdade).
Como exemplo de que o mercado do genero mais "underground" (pra nao falar "dedicado a fanaticos") vem crescendo recentemente, é soh perceber que existem mais animes exibidos na madrugada de 12/26 episodios e dedicados a um publico mais "exclusivo" do que animes dedicados a toda familia como Sazae-san, Doraemon ou os shounens e shoujo de grandes revistas.
Isso no mercado de animes, quanto aos mangas eu estou desinformado.
Alexandre: Bom, mangás populares ainda tem força, mas existe um motivo pelo qual parece valer mais investir em um anime de fã hardcore do que um material popular: lucratividade. Muita gente pensa que o mais importante são as vendagens. Bom, elas são importantes, mas o mais importante MESMO é o quanto um material pode render em relação a seu custo.
Nesse sentido materiais de otaku são produtos mais garantidos no processo, ainda mais em época de encolhimento de mercado: Esses materiais tem audiências baixíssimas, mas rendem horrores em produtos a um público para quem isso é item de primeira importância: pense bem, pequenos negócios fechando, instabilidade econômica... e de repente você ainda tem uma namorada, ainda tem que pagar as contas, ainda precisa se ordenar. Acha que você vai colocar quadrinhos na sua prioridade? Isso valia no pós-guerra porque mangá é barato. E mangá continua sendo barato. Só que hoje a oferta é muito maior e nos tempos de bonança o japonês chegava ao extremo de comprar uma antologia apenas para ler uma ou duas séries, caso se interessasse apenas por elas. Parece absurdo, mas é verdade. Hoje, ele tem que escolher. Então as empresas não estão dispostas a arriscar – a menos que seja um material muito bem vendido, como é o caso de Fairy Tail.
Ora, material de otaku tem riscos minimizados. Eles tem "rotinas obrigatórias", padrões que se esperam em termos de character design, dublagem, e toda uma série de códigos que são esperados por um público que quer mais do mesmo. Eles não dão audiência? Tudo bem, dê um pulinho em Akihabara por exemplo e você vai ver aonde esse produto recupera seu investimento.
Ou seja, é um público garantido no processo. Vende menos, mas como o investimento é menor, o lucro proporcionalmente é maior. Só que isso também está atrofiando criativamente o universo da animação. Não acho que vai surgir, pelo menos agora, uma obra com a relevância de um Patrulha Estelar, um Votoms ou um Gundam (para falar de obras que nasceram diretamente em animação). Eles foram criados para vender brinquedos e outros produtos? Foram, não estou negando isso nem me iludindo. Mas equilibravam a necessidade comercial de fazê-lo com histórias fortes que marcaram seu tempo. Tinham que atingir um publico maior e tentavam ser autorais ao mesmo tempo em vários casos, basta se lembrar de Ideon. Hoje o público que eles tem que atingir com essa abordagem NÃO É um público maior. É minoria, com fetiches. E isso apenas encolhe mais e mais o universo da animação no Japão.
E me dá muita raiva porque depois de um bom tempo sem comprar mangas, eu vi Sanctuary na banca, e assim que li em casa, sai correndo pra comprar a segunda edição, que já tinha saído. Monster foi a mesma coisa. E é o tipo de gibi que eu fazia questão de não saber nada e acompanhar exclusivamente na banca, sem ler comentários na internet ou coisa parecida. Realmente é uma pena...
Não sei se foi noticiado aqui, mas até o Mein Kampft (sujeito a erros) foi lançado em versão manga, e pelo desenhos que eu vi, era muito bem desenhado. Imagina adaptação de obras literárias em formato manga e vendendo a um preço razoável em livraria? Na boa, a gurizada de colégio ia comprar a rodo isso.
Agora me pergunto se o formato de livros de bolso, como os da LPM pocket da vida, não seriam perfeitos pra mangas em livrarias de baixo custo. Não aguento mais pagar mais de vinte reais em gibi por causa de "formato livro", que muitas vezes se torna uma desculpa pra fazer uma edição "de luxo" de mangas que são, em tese, populares. Veja Vagabond, que pela lógica da edição de luxo, sairia trinta reais. Agora pela versão de banca, pagaria uns treze reais. Custa fazer um meio termo?
Alexandre: Bom, acho o preço do Vagabond justo por questões de impressão e acabamento. Mas edições definitivas deveriam ser para colecionadores – e portanto dispostos a pagar mais – enquanto a versão popular seria mais acessível. O fato de que a edição definitiva sugou público da edição popular no Brasil só aponta que o grosso do público de Vagabond é de adultos, com bala na agulha para comprar essa edição regularmente. Mas um meio termo é possível, basta lembrar de 1945 da NewPOP. Aquilo vendeu, e mais – os aspectos gráficos como orelhas de capa agregaram valor ao produto. Baratear não é tudo, é preciso agregar valor. Mas a 14 reais, aquilo valia.
Nessas horas fico feliz por ser brasileira e estar em outra cultura onde essas questões de nicho e fã hardcore x fã 'normal' estão bem mais enevoadas... lendo Higurashi ou Monster, tudo é 'quadrinho japonês' aqui no Brasil e somos todos fãs hardcore em uma subcultura - ao menos por enquanto...mas enfim...continuarei lendo a ambos, dependendo do que precisar no dia.
Alexandre: Você jogou um ponto interessante. Até porque o "bonitinho" no Japão não deixa de ter sua conotação sexual – basta lembrar que a imagem da beleza perfeita passa por ser "pequena e meiga". Até é comum reparar que ao completar vinte anos muitas mulheres começam a sentir velhas por lá, porque é bem mais fácil ser "pequenininha e bonitinha" quando se é mais jovem, obviamente. É sexo e violência em um pacote só, e como você mesma apontou, em tempo de crise essas coisas vendem.
BTW não gostei do comentário sobre Kuroshitsuji. Concordo que aquilo é um horror,mal consegui 3 capítulos mas vc generalizou como se todo material para fangirls fosse lixo.
O que não serve para você pode servir para alguém. É como se eu viesse aqui falar mal de mangás entupidos de fanservice ou fosse no blog da Valéria pichar os shoujos. Acho que desmerecer um título por causa do público-alvo é algo lastimável.
De qq forma é interessante notar como os shonen para fangirls estão ganhando mercado.
Alexandre: Bom, me fazendo claro: eu não desmereço um título pelo público-alvo a menos que as normas exigidas por esse público-alvo comprometam a qualidade de um título. Até hoje me lembro de uma crítica inteligentíssima de uma fã do gundam clássico que por sua vez também consumia esse tipo de material para fangirl. Eu queria achar esse texto novamente, porque ele tem colocações ótimas a respeito de Gundam Wing que explicam realmente o problema de modo geral: Esse público precisa da indefinição para poder fantasiar o que puder – e bons roteiros precisam ter seus pés plantados no chão. O resultado é que isso afeta os personagens: eles não podem ser 100% desenvolvidos para que possam dar espaço a "brechas" em que as fãs interajam. Wing ainda é o exemplo perfeito: nada era claro sobre nenhum deles, para que a fã pudesse projetar o que bem entendesse. Isso gerava discussões intermináveis, um sentimento de possessividade que gerava brigas entre fãs furiosas – se eles eram ou não eram gays, e se fossem, quem ficava por quem, ou então o "ele é meu", esse tipo de coisa. Quanto ao roteiro, não havia: tínhamos um cenário que jamais se estabilizava antes de poder reunir consistência, e personagens que mudavam de papel e personalidade radicalmente ao longo da série – porque o roteiro assim pedia. E por que eles mergulhariam em roteiro se o público que eles queriam atingir não se interessava por coisas como ficção científica militar e política?
(e se foi assim, por que usar o nome de uma franquia de ficção científica militar com fundo político?)
A propósito, quanto a eles serem gays ou não antes de me acusarem de preconceito, eu vi TODO o Wing (é Gundam, eu iria ver fatalmente). Sinceramente, se eles são ou não – não faz diferença. Eles são rasos e indefinidos até para que isso se inclua como possibilidade. Ou impossibilidade. E algo me diz que não há roteiro justamente para que uma trama concreta não "formatasse" os personagens e os engolissem. Eles tem que fazer pose. É o que seu público queria.
Anime em que roteiro serve apenas como pano unidimensional de fundo, com personagens vagos, com relacionamentos interpessoais de natureza clara como lama, sustentado por modelos ou então uma boy band fazendo pose na frente das câmeras? Se por para fazer videoclipe, que façam como o Oh! Great (que por pouco – e por conta de um experimentalismo visual ferrado e algum provável resquício de LSD instalado permanentemente em algum canto de seu cérebro – não é um equivalente masculino a essa postura): que assumam isso honestamente em suas histórias. Há posturas mercadológicas e posturas mercadológicas, e algumas delas podem ser complicantes sim. E isso não tem nada a ver com o direito que elas tem de assistirem o que bem entenderem.
Mas ao menos concordamos em uma coisa: Kuroshitsuji é horrível.
Não vou falar que Kuroshitsuji é horrível. Eu até acompanho...
(Poxa, me mostra uma foto dessa sua versão de Gundam Origin).
Alexandre: Quando rolar outra notícia de Gundam UC eu aproveito e posto.
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