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Jun 22
Pra Não Dizer que Não Falei de Ranma...
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Lancaster |
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Categorias: Ranma 1/2
Todo mundo já está falando disso no momento em que eu estou escrevendo: Ranma 1/2 será lançado no Brasil pela editora JBC, na esteira da conclusão de Inu-Yasha. E eu admito que demorei muito a falar qualquer coisa. A notícia pura, da minha boca, sairia fatalmente pronta pra forrar gaiola de periquito (metaforicamente falando, é claro).
É difícil explicar. Admito que me deu um branco: não há muito o que falar da série que já não tenha sido dito ou lido. O que eu posso falar que não esteja sendo espalhado em vários websites? Personagens e trama? Quantos lugares já não falaram que Ranma 1/2 é uma obra de Rumiko Takahashi, a mesma autora de Inu-Yasha (que por aqui se tornou mais conhecido do que sua obra mais famosa, até por ter sido exibido pela Rede Globo)? Quantos não compraram alguma das edições avulsas da malfadada tentativa de publicação da editora Animangá? Quantos não sabem nem que seja de relance quem é a chinesinha Shampoo ou as três irmãs Tendo? Quem, afinal de contas... bem, não precisamos dar tantas voltas pra dizer que essa é uma novidade que já nasceu velha.
As regras do bom jornalismo exigem que você parta do princípio de que seu leitor está chegando pela primeira vez e lê uma notícia as escuras, mesmo que você saiba que vai ser lido por veteranos velhos de guerra. É uma regra que nem sempre eu consigo cumprir, mas que eu procuro me impôr a cada momento. Mas mentalmente está sendo difícil. Tanto que esse texto só saiu agora.
Isso acontece porque Ranma 1/2 faz parte da própria história dos mangás no ocidente. Talvez seja o trabalho que melhor sintetize o que foi o quadrinho comercial japonês nos anos oitenta, de uma forma generalista: se você tivesse que escolher um, e apenas um, qual você escolheria? Eu, ao menos, nem pestanejaria: Ranma 1/2. Assim, na lata.
Ranma 1/2 era o mangá que todo mundo que se interessava por quadrinhos japoneses lia na virada dos anos oitenta pro noventa aqui no Brasil, até porque era figurinha fácil nas gibiterias que importavam quadrinhos americanos – formato americano, edições capítulo a capítulo, etc., em uma época mais aberta e tolerante aonde os leitores não espumavam por qualquer coisa. Quem não lia, viu o desenho em mostras, ou até chegava a copiar fitas VHS uns dos outros, porque sempre tinha alguém que havia comprado a versão em inglês. Quem não viu nem leu, sabia do que se tratava por osmose – porque as discussões entre os fãs eram praticamente onipresentes naquela época – e cedo ou tarde acabaria vendo. Era um tempo aonde esta série era referência total entre leitores de ambos os sexos sem distinção, sem o tom de "o meu é melhor" que viria a surgir posteriormente de ambos os lados; e em que discutir qual das três noivas do irritadiço Ranma você escolheria se estivesse no lugar dele era sinônimo de papos furados divertidos e inconsequentes, não de shippings e paixões acirradas (e eventualmente assustadoras em alguns casos. Sim, conheci alguns deles) por personagens que, a bem da verdade, não existem.
Ranma foi a cara de um tempo, pura e simplesmente. Tanto no Japão quanto aqui. Lá, ele foi um dos melhores exemplos de uma fase áurea dos quadrinhos japoneses (foi publicado no almanaque para garotos Shonen Sunday da Shogakukan, até hoje o lar editorial dos trabalhos da autora); aqui, uma época aonde tudo era mais difícil de obter, mas parecia haver mais prazer dos que hoje em ler quadrinhos japoneses.

Jamais vou dizer que foi o melhor mangá de sua época. Os anos oitenta nos deram uma lista tão grande de clássicos obrigatórios (e materiais não tão conhecidos, mas visivelmente superiores a Ranma) que não vou perder tempo listando-os aqui – até porque eu não estou com a menor paciência de ouvir "ah, mas esse é melhor e você não listou".
Não importa. Dez anos atrás, a chegada de Ranma 1/2 ao Brasil seria uma grande novidade. Hoje é apenas uma boa notícia. Mas tudo bem. Sei que vou bater ponto na banca para comprar a série completa, volume a volume – uma vontade que os trabalhos atuais de Rumiko Takahashi não são mais capazes de despertar em mim.
Mesmo sendo imensamente estranha a sensação de se ver Ranma 1/2 chegar enquanto Inu-Yasha vai embora.

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Comentários:
Eu conhecia Ranma quando criança por causa dos games. Ficou legal essa capa do jogo pro saudoso mega cd.
Também comprarei Ranma, sou suspeito pra falar qualquer coisa da série, sou fanático pelo Rumiko e gosto muito dos trabalhos dela. Ela cria personagens que marcam na cabeça, eu vi uma revista de moda japonesa que ensinava as mulheres a se vestirem como a Lum, poxa, estamos falando de uma personagem de mais de 20 anos atrás e ainda tem gente interessada nela ! Eu li certa vez, não sei se é verdade, que Ranma foi nos EUA algo parecido com o que cavaleiros foi aqui...
Obs: faltou por no texto qual seria sua preferida, rs...eu escolheria a Ukyo sem pensar.
Abs e até mais.
Alexandre: Acho que qualquer ser humano normal preferiria se casar com a Ukyo. Ela era a única normal das três. Mas, guiado pelos hormônios, teria ido para a cama antes com a Shampoo – e se arrependido amargamente de seu erro depois disso.
lol
JBC não deve cancelar Ranma, mas duvido que venderá horrores. Assim como duvido que Urusei Yatsura e Maison Ikkoku saiam por aqui. Sei lá, acho que esses mangás não dariam certo no Brasil, apesar da autora ser conhecida (o que não significa grandes coisas, pois não temos mais Dr. Slump).
One Pound Gospel é bobagem esperar. É o meu favorito dela, e se mantivessem o título internacional, tenho certeza de que muita gente ia torcer o nariz para a palavra "gospel".
Bom. Serão 4 anos de publicação (ou será que não teremos pausas). Se forem publicar outra obra de Rumiko só depois disso, então não quero saber. -_-
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