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Jun 17

Um Ano de Code Breaker na Shonen Magazine

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Lancaster | PERMALINK | 6

Categorias: Shonen Magazine

Shonen Magazine

O almanaque semanal para garotos Shonen Magazine, da Kodansha, é uma publicação que tende a se colar a seu próprio momento na vida do leitor. Essa orientação editorial tem vantagens e desvantagens. A vantagem mais clara é estar sempre se mantendo na crista da onda. É esta identificação com o momento que permite a ela enfrentar de forma furtiva o furacão rival – a Shonen Jump, da Shueisha – com uma atmosfera mais cool e antenada em seus títulos. Hiro Mashima não é o artista mais original do mundo, mas produz material pop, grudento na cabeça do leitor e duvido que se seu trabalho não chamasse a atenção até dos que o inspiraram, haveriam menos personagens como Boa Hancock em One Piece, de Eichiro Oda, (influência óbvia e ululante do trabalho de Mashima); Fairy Tail aposta bem no fator "gatinhas com roupas exíguas", algo que Oda sempre manteve bem em segundo plano. Por outro lado, é bem provável que terminada a série, Fairy Tail mergulhe no limbo do esquecimento da mesma forma que Rave Master (do mesmo Mashima) e boa parte das séries da Magazine atual; elas não são feitas para durar e isso é problemático se pensarmos que o verdadeiro lucro dos mangás vem das vendagens em livrarias, das séries compiladas.

Code Breaker

Observando bem, a longa permanência de Kindaichi Case Files (que voltou a ser publicado após marcar presença em outras revistas) e Hajime no Ippo tem a ver com o fato de que eles se ancoram em bases sólidas e um tanto atemporais. Eles oferecem exatamente aquilo que prometem – respectivamente, tramas de investigação muito bem-amarradas e lutas empolgantes – e sempre amarrados pelo carisma de seus personagens, cada um sob uma estrutura narrativa que sobrevive ao mar de modismos que os cerca, sempre seguindo seu caminho, sem ter muito o que errar ou o que mudar. São os títulos com melhores condições de duração após seu término dentro da atual grade da revista, ao lado, talvez, de Sayonara Zetsubou Sensei, de Koji Kumeta – que se cola ao seu momento como a maioria das séries da Magazine, mas é capaz de crescer para as gerações futuras como um verdadeiro documento de época. Por outro lado, alguém realmente acha que Air Gear, de Oh! Great, mesmo sendo uma festa para os olhos – e fatalmente influenciar muitos desenhistas no futuro, porque artes assim não podem ser ignoradas – é capaz de passar pelo teste do tempo? Não acredito que Kindaichi tenha sido trazido de volta a grade à toa.

Code Breaker

Code Breaker, de Akimine Kamijyo, é mais um desses materiais que podem até alcançar o sucesso, que pode até ter uma vida longa, mas que segue o padrão atual das séries da magazine, vendendo muita, mas muita pose – mas sem tanta substância ou solidez assim, que é uma pena, porque o conceito básico tinha um potencial muito, mas muito grande de desenvolvimento – e não é isso o que se vê na execução final. A série já tem cinco volumes e conta a saga de uma garota lutadora de artes marciais que se une a um rapaz com poderes estranhos, que faz parte de uma organização secreta chamada Code Breaker, que desbarata esquemas de corrupção oficial – e que dá margem para o confronto contra outras pessoas com superpoderes. Em todo caso, a série se estabeleceu na grade e a edição 29 da revista, lançada esta semana, dá destaque ao aniversário de um ano da série, com cards, guias de personagem enfocando os seis personagens centrais e outras coisinhas a mais para os fãs. Há um grande destaque para o lançamento do quinto volume, esta mesma semana. Mas, sinceramente: alguém acha que quando essa série terminar, ela vai continuar marcando presença nas livrarias a longo prazo da mesma forma que Kindaichi e Hajime no Ippo?


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Comentários:

Nome: hiken 17/06/09 03:57
Bem, foi o Oda q inspirou o Mashima, no tempo q o segundo era aprendiz do primeiro. E a Nico Robin existia bem antes de FT...

Alexandre: Eu sei que foi o Oda quem inspirou o Mashima. Na verdade isso é óbvio e ululante e toda a torcida do Flamengo sabe disso. A Nico foi descuido meu (já sendo corrigido), mas o que fiz questão de lembrar é que imitando o Oda, o Mashima conseguiu ótimas vendagens, fãs fiéis e recentemente foi premiado com o Kodansha Awards de melhor mangá para garotos (shonen). Não acho que o Oda não se sinta incomodado com isso, mesmo ainda sendo o campeão absoluto de vendagens no Japão e não duvido que o surgimento de personagens vistosas em One Piece – algo que nem era tão presente na série – para mim é sintoma de que o trabalho de Mashima não passa desapercebido ao Oda, como se o concorrente tivesse se estabelecido nos buracos que a versão oficial não ofereceu e ele corresse atrás.
Nome: Severino 17/06/09 07:44
Legal essa análise da Magazine. Eu vou ser sincero, se tivesse que comprar 2 revistas, compraria a Jump - óbvio - e a Sunday, não a Magazine.

Alexandre: Bom, agora para deixar claro: não é que a Magazine tenha títulos ruins. Shibatora e Area no Kishi, por exemplo, são materiais super simpáticos – assim como o próprio Fairy Tail. Mas todos eles s ão títulos que não tem estofo para durar após o término, a longo prazo. Nesse sentido, a Sunday sai em vantagem, mesmo vendendo menos: nas vendas das séries em livraria, eles tendem a ser títulos bem mais resistentes. E não custa lembrar que nem sempre foi assim – nos anos 70, a Magazine era uma fábrica de clássicos – mas os anos 70 foram uma década mais "real", por assim dizer, e isso deu margem para que os autores pudessem fazer obras marcantes. É como eu disse: a Magazine não mudou; mudaram os tempos.

Deixando isso pra lá, eu me pergunto se GTO é o típico de série que fica na cabeça do leitor. Na minha ficou, SEMPRE que vejo uma careta em algum mangá,tipo Sket, me veem na cabeça o Onizuka. Alias, fica aqui minha sugestão para se possível, uma notinha sobre a série nova do GTO, se você gostou e tal heheh. To curioso pra saber como é.

Alexandre: Ainda não li o GTO novo, mas não há como negar: GTO pegou e eu acho que ele na verdade marca o sucesso de um alto-conceito (até porque a idéia é emprestada de Salaryman Kintaro).

Obs1: cara, parabéns pela sua história lá publicada, vi isso no twitter hehe.

Alexandre: Obrigado. :)

Obs2: Não sei se esse é o tipo de notícia de interesse, mas de qualquer forma, o Mauricio disse ontem no Twitter dele que tão querendo fazer uma lei para proibir personagens infantis em produtos. Achei um absurdo, impressionante como os caras sempre inventam moda no que não devem.

Alexandre: Se fizerem isso, matam a indústria de brinquedos e a indústria de quadrinhos.
Nome: D' Kaesar 18/06/09 01:03
Pegando o topico emprestado rapidamente digo:

Vão fazer essa tal lei? agora é que eu quero ver o Mauricio realmente fazer algo pelo quadrinho nacional como indústria pois ele sem dúvida é o expoente maximo desse estilo mercadologico.

obs: Uma resenha sobre luluzinha teen vs turma da mônica manga ta valendo.


Aloha.

Alexandre: Sinceramente, agora é hora de união. Isso tem que ser jogado à opinião pública, porque se acontecer, vai ser uma tragédia sem tamanho para o mercado.
Nome: Severino 18/06/09 06:41
Alexandre, só pra completar o que eu disse, já que o tópico interessou, não entendi 100 por cento do que o Maurício quis dizer, mas parece que querem proibir usar personagens como forma de publicidade para criança. Tipo fazer , sei lá, sabonete da turma da mônica, ovo de páscoa do Menino Maluquinho.

Parece que hoje teve uma reunião e a empresa do Maurício foi pra discutir o assunto.

Se não tiver problema passar esse tipo de link, o twitter dele é
http://twitter.com/mauriciodesousa
Para quem quiser souber mais do assunto,ele teve falando disso nos ultimos dias, se não puder o link por favor edita.

Ah, e ele disse que fará Turma do Chico Bento Jovem...rs.

abs e até mais.
Nome: D' Kaesar 22/06/09 03:18
Porque não pegam o Chico Bento e colocam ele como um bem sucedido fazendeiro tendo que enfrentar problemas da vida cotidiana?

Ou sei la, um especie de faroeste rural com o personagem?

As ideias estão ai aos baldes, e esse povo pensa muito dentro da caixa. U_u


Momento politica: o projeto tinha que ser apresentado por alguem do psdb, tipico.
Nome: Gabi Martins 25/06/09 12:16
Sinto saudades dos tempos que personagens femininas vistosas quase não apareciam em One Piece. De quando a Nico Robin tinha uma beleza esquisita (por conta do nariz), brigava pau a pau com o resto do bando e fazia diferença no andamento da história; ao contrário da Nico Robin de agora, que virou uma bonitona de saias curtas e decotões e que quase não briga. De quando a Nami também tentava fazer algo além de traduzir mapas marítimos.

Ah, e não acho a Boa Hancock uma boa (ops) personagem, bem como toda a nova safra. Parece q o padrão de qualidade do Oda anda caindo bastante...

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