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Jun 17
Três Novas Séries Estréiam na Young Champion
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Lancaster |
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Categorias: Young Champion

De modo geral escolher o nome para uma antologia seinen (para leitores adultos) é simples dentro de círculos editoriais: se já existe um título shonen (para garotos), basta adicionar "young". Assim, na Shueisha, a Shonen Jump tem sua contraparte para leitores mais velhos na Young Jump; na Kodansha, a Shonen Magazine tem essa contraparte na Young Magazine; a Shonen Sunday até teve sua Young Sunday, mas nesse caso específico a editora Shogakukan já tinha uma linha sólida de títulos adultos, a Big Comic (composta pela Big Comic Original, a Big Comic Spirits e a Big Comic Superior entre outras) e a irmã "mais madura" da Sunday era supérflua – acabou cancelada. Como nesse meio as coisas não costumam ser tocadas de forma muito fora do usual, a Shonen Champion da Akita Shoten tem seu principal título para leitores mais velhos na Young Champion. Mas há como um almanaque possa se destacar em meio a tantos títulos com um "Young" na frente?

Não é preciso dizer que em meio a tanta concorrência, a Young Champion precisa chamar atenção de qualquer forma (as moças de biquini na capa não valem, porque todas as outras revistas seinen fazem o mesmo. Não, "para leitores adultos" não significa que seja uma revista pornográfica só por causa dessas capas). Assim, a última edição da revista (esta ao lado) se destaca simplesmente por anunciar TRÊS estréias simultâneas: Trash, escrita por Kenji Yamamoto e desenhada por Kentarou; A.C.D.C.II, escrita por Circus e desenhada por Kayura Yuka; e finalmente Gakuto no Vector, de Morishige. Não é muito animador: aparentemente todas essas séries parecem seguir a mesma linha ecchi (leia-se, material malicioso pouco recomendável para menores), mas o que realmente chama a atenção não é nem a estréia desses títulos em si – porque estréias e cancelamentos fazem parte da própria dinâmica estrutural de almanaques de mangá – mas as estréias simultâneas, que são em si uma jogada de marketing. Se vão colar ou não, depende delas mesmas. Mas quando até os próprios títulos parecem de alguma forma similares entre eles mesmos, com garotas bonitinhas para lá e pouco sinal de roteiro concreto para cá, como a editoria pretende chamar atenção para a revista no mercado?
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Comentários:
Ok, Ok, é necessario se cubrir todas as opções de consumo quando se lida com o publico, mas pq será que eu tenho a impressão de que de um tempo para ca o Ecchi e o Moe simplesmente dominaram o segmento seinen?
Alexandre: É uma boa pergunta. Eu tenho uma teoria básica: com a crise, as vendas entre o leitor comum acabaram se encolhendo (você tem menos dinheiro, precisa selecionar melhor suas leituras) e chegava-se ao extremo de em alguns casos os leitores comprarem uma antologia apenas pela série que eles queriam ler e depois deixar de lado. Com isso, os setores mais hardcore se tornam mais estáveis – porque isso atende a necessidades emocionais cotidianas deles, eles não vão deixar de ler o material por que a grana apertou.
Minha outra teoria é relacionada a crise também: o pessoal precisa de válvulas de escape. Mesmo um Ashita no Joe surgiu em um momento de arrancada de crescimento, de "vamos sair dos escombros", de "podemos superar todas as adversidades e ir para a frente". Só que os escombros agora acabaram de cair na cabeça de todo mundo. Não era hora de fugir da realidade e ela temperava com muito drama o que era entretenimento nos anos setenta, mas agora a reação não veio; os japoneses ainda estão atônitos, porque uma geração toda foi criada sob bonança econômica e agora todas as suas certezas foram arrancadas. Logo, a reação inicial, hoje, é enterrar a cabeça na areia e procurar os materiais mais escapistas possíveis – e tome garotinha tocando guitarra em histórias sem pé nem cabeça, porque remete a um mundo mais simples ainda do que materiais de massa que já eram simples. É mais ou menos o mesmo efeito de quando houve o onze de setembro nos Estados Unidos: os musicais – que como gênero eram dados como mortos – voltaram, com "Os Produtores", "Moulin Rouge" e outros. O fato é: já se ensaiava um ataque ao Moe com o movimento superflat e agora ele se fortaleceu, mas assim que o Japão puser a cabeça para fora da crise, ele vai virar um telhado de vidro pronto para ser feito em pedaços. E vai ser uma época extremamente criativa nos mangás, de novo, porque anos de frustração e raiva acumulada vão estar sendo postos para fora – e virão com tudo. Vai por mim.
Jura que a moça na capa não está lá pra chamar a atenção? Imagina, que é isso...
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